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No seu grandioso cenário, na 1ª catarata, a luxiriante ilha de Philae foi a mais romântica atração turística do Egito do século XIX, mas com a construção da primeira barragem de Assuã passou a ficar submersa grande parte do ano. Hoje em dia, em consequencia da construção da Grande Barragem, os templos foram desmantelados e reconstruídos na vizinha ilha de Agilkia.
Os monumentos mais antigos deste local datam do reinado de Nectanebo I, mas alguns blocos descobertos em fundações fazem recuar a hiostória da ilha até ao reinado de Taharqa. Philae é o local da mais recente inscrição hieroglífica (394 d.e.c.) e, mais tarde ainda, de grafitos demóticos (o mais recente é de 452 d.e.c.).
Os egípcios atribuíram uma etimologia ao nome Philae "ilha do tempo [de rá]", o que implica que este local recriava o mundo primordial quando o deus-sol reinava sobre a Terra. Na vizinha ilha de Biga encontrava-se o Abaton, ou "morro puro", um dos muitos túmulos de Osíris do país. Chegava-se a este túmulo atravessando o pequeno templo de Biga, em frente de Philae. O templo de Ísis constituiu o zénite arqutetônico de Philae e, assim, o mais importante par de divindades daquele período tinha uma ilha para cada um. Ísis era muito mais popular e tinha devotos a norte e a sul. No período ptolomaico teve lugar um curto condomínio entre o Egito e os reis
meroítas, que deixou marcas na decoração do templo de Arensnuphis, construído em nome de Ptolomeu IV e do rei meríta Arqamani (220-200 a.e.c.), havendo também grafitos merítas que datam do século II a.e.c. até ao século II d.e.c. De qualquer modo, os edifícios são inteiramente egípcios e foram presumivelmente construídos com recursos egípcios.
A parte sudeste da Ilha continha, possivelmente, habitações. Os peregrinos desmbarcavam perto da sala de Nectanebo I, a sul, sguindo para o espaço aberto rodeado pela monumental colunata ocidental e pela primeira colunata orienta. Estas são, possivelmente, estruturas posteriores acrescentadas para cercar o grupo de edifícios e foram talvez inspiradas pelo planejamento dos espaços públicos no mundo clássico. A decoração da colunata ocidental é em grandeparte da época romana.
A ocidente encontravam-se templos consagrados aos deuses núbios Arensnuphis e Mandulis e o templo de Imhotep, dignitário do faraó Djoser, divinizado, que é também mencionado numa estela ptolomaica de pedra na ilha de Sehel, a norte. No intervalo norte da primeira colunata este encontra-se a porta de Ptolomeu II Filadelfo, que dá para uma pequena capela e para o quiosque de Trajano, muito posterior, perto da costa oriental.
A primeira parte do templo de Ísis é composta de elementos isolados. Port trás do primeiro pilone encontra-se umpátio, formado pela capela do nascimento, colocada (contrariamente às convenções) em paralelo com o eixo do templo, e pela segunda coluanta ete, que dá acesso a um conjunto de pequenas salas. A decoração destas zonas é do fim do ptolomaico e princípio do romano. O templo principal, por trás, cuja decoração mais antiga data de Ptolomeu II Filadelfo, contém uma ersão abreviada do pilone completo, da entrada e da sala hipóstila, numa escala menor do que a dos outros grandes templos daquele período. No telhado encontram-se capelas dedicadas a Osíris.
O mais notável dos teplos que restam é o de Hathor, encarnando aqui a deusa encolerizada do mito, que foi para a Núbia espalhando a devastação e que teve de ser acalmada por Thot antes de aceder a voltar. As colunas do antepátio do templo contêm figuras de músicos, incluindo a do deus Bes, dando espetáculos para aplacar a deusa.
No extremo norte da ilha encontrava-se um templo de Augusto e uma porta, designada por "Porta de Diocleciano" (284-305 d.e.c.), e entre estes e o templo de Ísis estavam duas igrejas que coexistiram, desde meados do século IV d.e.c., com os cultos pagãos, finalmente suprimidos pelo imperador bizantino Justiniano (527-565 d.e.c.). A sala hipóstila do templo de Ísis foi transofrmada em igreja e, como em muitos outros locais, as figuras do reis e deuses do templo foram desfiguradas.
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Elefantina foi a capital do 1º nomo do Alto Egito, possivelmente anexado ao Egito no início do período dinástico. Este local tem importância estratégica devido à barreira natural da 1ª catarata, imediatamente a sul e ao grande número de jazidas minerais próximas, mas é uma região quase estéril, sendo possível que a cidade tivesse sempre dependido de alimentos trazidos do Norte. Vivia do cmércio e de sr uma guarnição militar. O significado vulgar da palavra egípcia antiga swenet, de que derivou o nome de Assuã, é "comércio".
As principais zonas da cidade e os templos ficavam na extremidade sul da ilha de Elefantina, tendo sido habitadas quase continuamente desde o período dinástico primitivo. Até agora pouco se pode dizer da cidade, que está a ser alvo de um programa de escavações a longo prazo. A expedição encontrou um importante depósito de estatuetas votivas do dinástico primitovo, semelhantes às de Hieracômpolis, que demonstram, undiretmente, que já existia um templo nessa altura. De finais do Império Antigo provém um painel incomparável, em relvo sobre madeira, que cobria a entrada para uma capela funerária de um dos notáveis da 6ª dinastia, cujos túmulos se encontram do outro lado do rio. Um monumento de caráter bastante semelhante era o relicário de Heqaib, dignitário da 6ª dinastia que foi divinizado após a sua morte e continuou a ser, até ao Império Novo, alvo de um culto local. de muitos dos períodos posteriores, até ao período greco-romano, provêm fragmentos de relvo dos templos de Khnum, Satis e Anukis, a
tríade de divindades locais, mas nenhuma estrutura completa, e poucos elementos insitu. Um pequeno templo de Amenhotep III, com colunata, manteve-se, no entanto, praticamente intacto até 1820, assim como um edifício de Tutmósis II. Na zona de um templo de Alexandria IV foram escavadas múmias de carneiros sagrados de Khnum, que datam do período greco-romano. As múmias eram cobertas de requintadas máscaras de cartão dourado, algumas colocadas depois em sarcófagos de pedra que ficaram onde foram encontrados. O monumento mais conhecido que se pode ver hoje na ilha, a leste, é o Nilômetro, escada com marcas de cúbitos aolado, para medir a altura do rio. Os níveis de cheia aí registrados são do período Romano.
Na margem ocidental, a noirte da cidade, em Qubbet el-Hawa, "cúpula ventosa" em árabe, encontram-se os túmulos, cavados na rocha, dos chefes de expedição o Império Antigo, de nomarcas do Império Médio e de alguns dignitários do Império Novo. Os túmulos da 6ª dinastia, alguns dos quais formam complexos familiares interligados, contêm importantes textos biográficos, mas a decoração é escassa e provinciana. O túmulo do decano Sarenput, da 12ª dinastia, é muito mais impressionante, tanto na arquitetura como na decoração, embora tenha também relvos apenas em algumas partes.
As rochas de granito da catarata a sul de Elefantina têm marcas de extração em muitos lugares, estendendo-se a zona de predreira também até uns 6 km a leste do centro da cidade. As ruínas mais impressionantes são um obelisco abandonado e um colosso mumiforme quase acabado. O obelisco ficou defeituoso, mas não se sabe bem porque é que o colosso nunca foi transportado. Tanto no rio como em terra há numerosos grafitos antigos, quer comemorando expedições para extração de pedra, quer com um objeito mais geral. O maior conunto destes grafitos encontra-se na ilh ade Sehel, 3km a sul de Elefantina.
A cidade de Assuã tem poucas ruínas visíveis, talvez por se ter construído continuamente sobre elas. os dois pequenos templos do período greco-romano formavam, possivelmente, apenas uma pequenas parte da zona sagrada original.
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Umbos ou Kom Ombo fina num promontório, numa curva do Nilo, no extremo norte da maior região agrícola a sul de Gebel el-Silsila.
Graças a técnicas agrícolas aperfeiçoadas, foi muito importante no período ptolomaico, de que datam quase todos os monumentos. No entanto, Champollion viu um portal da 18ª dinastia no muro de vedação sul e encontraram-se neste local blocos do Império Novo espalhados. Parte do antepátio do Templo foi erodida pelo rio, enquanto a zona por detrás da vedação é pouco explorada, podendo os vestígios antigos ter sido arrastados ou estar enterrados.
O rei mais antigo referido no templo é Ptolomeu VI Filomentor e grande parte da decoração foi terminada por Ptolomeu XII Aulete. No princípio do período romano o pátio foi decorado e o corredor exterior acrescentado. O templo é consagrado a duas tríades de divindades: Sobek, Hathor e Khons e Haroeris (Hórus, o velho),
Tasenetnofret (irmã do deus) e Panebtawy (o senhor das duas terras). Os dois últimos têm nomes artificiais, que exprimem as funções de companheira que a deusa tinha num grupo assim, e a de majestade do jovem deus. Sobek e sua tríade são deuses de primeira importância, como se pode ver pelo fato de ocuparem a parte sul, pois o sul é mais importante do que o norte nos esquemas de ordenação egípcios.
A capela do nascimento, mais próxima do rio, perdeu a sua metade oeste. Apoia-se contra o pilone do templo principal, talvez porque o espaço fosse já pouco na Antiguidade (as traseiras do templo estão igualmente apertadas contra o muro circundante). O pilone tem um portal duplo, primeiro sinal de um plano complexo, em
que há um eixo para cada portal principal e um número geralmente grande de salas intermédias, culminando em dois santuários. Da primeira sala hipóstila sai um corredor que circunda toda a parte interior do Templo e compreende, na sua largura, algumas pequenas câmaras nas traseiras. Este é, por sua vez, circundado por uma segunda parede corredor que abrande o pátio. Assim, o duplo eixo acompanha outros aspectos duais. Alguns dos relvos do corredor interior e das usas pequenas salas estão inacabados, fornecendo uma valiosa clarificação dos métodos dos artistas deste período. Na face interior do corredor exterior encontram-se algumas cenas invulgares e bizarras e uma representação de um conjunto de instrumentos que se tem tradicionalmente assumido serem de cirurgião.
Uma figura de Haroeris, na primeira sala hipóstila, ressuscita uma antiga técnica de adorno de relevos. Tem um buraco em vez de olhos, que deve ter sido incrustado com vista a conferir opulência especial e vivacidade à figura do deus.
O pequeno relicário romano de Hathor, a sul do pátio, é hoje utilizado para armazenar as múmias de crocodilos sagrados de uma necrópole próxima. O poço a norte do templo é complexo e, devido à elvação deste, muito profundo. Tal como outros poços nos recintos do templo, este permitia que dentro da zona sagrada, se tirasse água pura, teoricamente proveniente das própias águas primevas, evitando a poluição do mundo exterior.
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Uns 65 km a norte de Assuã, em Gebel el-Silsila, ingremes falésias de arenito estreitam o curso de água e formam uma barreira natural ao tráfego fluvial. O nome egípcio antigo para designar este local, Kheny ou Khenu, que foi traduzido por "O lugar para Remar", parece refletir este fato. As pedreiras locais, em especial as da margem oriental, foram exploradas desde a 18ª dinastia até ao período greco-romano.
Na margem ocidental encontra-se a Grande Speos (capela talhada na rocha) de Haremhab. As sete divndades a que a capela era consagrada estavam representatdas, sob a forma de estátuas sentadas, num nicho ao fundo do santuário, com Sobek, o deus-crocodilo local, e o próprio faraó Haremhab entre elas. Numerosos "relicários" (câmaras) talhados na rocha, servindo de cenotáfios, foram construídos a sul da Speos por faraós (Sethi I, Ramsés I, Merneptah e por altos dignitários, particularmente da 18ª dinastia.
As superfícies rochosas de cada lado do rio têm abundantes estelas de grafitos.
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Edfu, perto do rio e sobranceira ao largo vale circundante, é um local ideal para a fixação, pois está livre de inundações mas não isolada perto do deserto. O templo ptolomaico fazia parte de uma zona maior, que se estendia para leste e sul, por baixo da cidade moderna que deve ter contrabalançado as vastas ruínas a oeste. A parte ocidental tem ummuro de vedação interior e um exterior que datam do Império Antigo. No interior dos muros e sobre eles encontram-se vestígios da cidade do Império Antigo e do período greco-romano. O muro mais recente sobrepõe-se a uma zona de túmulos de finais do Império Antigo e do 1º período intemérdio, que se estende mais para oeste. Eses túmulos comprendem mastabas bastante grandes, tendo também sido encontradas estelas, estátuas e mesas de oferendas do 2º período intermédio e do Império Novo.
Apenas a base do pilone de um templo de Ramsés II foi presrvada. Está convencionalmente orientada em
direação do Nilo e deve ter feito parte de uma estrutura muito menor do que a que lhe sucedeu. O templo mais moderno faz alusão a este precursor, ao alinhar um portal no seu primeiro pátio com um que se encontra entre os dois maciços de um pilone mais antigo. Forma um complexo com uma pequena porta a sul e, logo a sul desta porta, a casa do nascimento, tem ângulo reto com o templo principal. É o templo mais completament preservado do Egito e a sua forma é modelar. As inscrições da construção, escritas em bandas horizontais nas zonas
exteriores, dão numerosos pormenores sobre a construção que começou em 237 (Ptolomeu III Evérgeta I). A parte interior foi terminada em 212 (Ptolomeu IV Filopator) e decorada por volta de 142 (Ptolomeu VIII Evérgeta II). A sala hióstila exterior foi construída em separado, tendo sido terminada em 124 (Ptolomeu VIII Evérgeta II). A decoração desta e de outras partes foi terminada em 57. Em grande parte, o trabalho prosseguia, independentemente da situação política, mas foi suspenso por mais de 20 anos, durante os tumultos no Alto Egito, nos reinados de Ptolomeu IV e Ptolomeu V Epífanes.
A invulgar orientação do templo, em direção a sul, é, talvez, devida à natureza do local. Por detrás do pilone, o pátio, oúnico do seu tamanho que se conservou, tem colunas com pares de capitéis de formas características, tal como outros edifícios daquele período, que conferem variedade a formas de outro modo uniformes. Os portais por trás do templo dão acesso a uma zona limitada pelomuro de vedação de pedra que é um prolongamento do muro exterior do pátio. As cenas e inscrições que se encontram aqui e na face exterior do muro de vedação compreendem uma lista de doações de terras ao templo, provavelmente trasnferidas de um original demótico, uma narrativa de sua função mítica e um conjunto grandioso de relevos com um texto "dramático" de umritual em
que Hórus venceu o seu inimigo Seth.
Um aspecto impressionante da parte interior do templo é a exploração subtil da luz - ou da escuridão. Algumas salas estão completamente às escuras, enquanto noutras a luz entra por aberturas entre as colunas da sala hipóstila e por orifícos no teto ou no ângulo entre o teto e uma parede. O percurso é, em geral, da luz para a sombra, recebendo o santuário apenas luz de um eixo. O efeito de tudo isto devia ser imcomparavelmente mais rico quando os felevos mantinham as suas cores originais.
O naos monolítico, de sienito muito polido, que se encontrava no santuário, devia conter um relicário de madeira com a imagem de culto do deus - provavelmente com 60 cm e feita de madeira coberta de ouro e pedras semipreciosas. É o objeto mais antigo do templo, datando de Nectanebo II.
As zonas exteriores da capela de nascimento estão muito mais em ruínas, mas o santuário e o deambulatório estão bem conservados. No deambulatório sul os relevos estão abrigados no constante vento norte e alguns dels conservam a cor, dando uma ideia do efito dos tons utilizados neste período sobre vastas superfícies.
Tal como outros templos mais recentes, Edfu foi esvaziado do seu mobiliário e equipamneto quando deixou de ser utilizado. Temos, no entanto, a sorte de ter um par de estátuas colossais de falcões ladeando a entrada e um único junto à porta de dá para a sala hipóstila. Um grupo de estátuas de rapazes nus, de tamanho maior que o natural - provavelmente o jovem deus Ihy ou Harsomtus - , que jaz agora no pátio, deve também ter feito parte da decoração monumental do templo, atenuando o seu atual aspecto austero.
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Kom el-Ahmar "o morto vermelho", antiga Nekhen, localiza-se umpouco mais de 1 km a sudoeste da aldeia de el-Muissat, na margem ocidental do Nilo. Nekhen teve um papel importante na mitologia egípcia: juntamente com Nekheb (el-Kab), na margem oposta, representava a contrapartida, no Alto Egito, das cidades gêmeas de Pe e Dep (moderna Tell el-Farain), no delta. As figuras com cabeça de chacal, conhecidas por "as almas de Nekhen", são, talvez, personificações dos mais antigos soberanos de Nekhen. O deus principal da cidade ra um falcão com duas grandes plumas na cabeça (Nekheny, o Nekhenita), desde muito cedo assimilado a Hórus (Hórus, o Nekhenita), e o nome grego da cidade, Hieracômpolis, reconhecia esta fato. Nekhen foi o antigo centro do 3º nomo do Alto Egito. Durante o Império Novo fo substituída no seu papel por el-Kab e pertenceu ao território administrado pelo vice-rei de Kush.
Podem discernir-se vastas ruínas de povoações pré-dinásticas e de cemitérios, numa extensão de cerca de 3 km ao longo do limite do deserto, a sul e sudoeste de el-Muissat, sendo particularmente densas a leste do uadi em frente do qual se situa Kom el-Ahmar. Uma estrutura de tijolos cuja finalidade não se conhece ao certo "A fortaleza", provavelmente do dinástico primitivo, situa-se a uns 500m para dentro do uadi. O famoso "túmulo decorado 100", foi encontrado no fim do século passado, na parte mais oriental da zona de povoamento/cemitério, tendo-se entretanto perdido. A parede ocidental do túmulo subterrâneo, de tijolos, de tamanho modesto (4,5m por 2m por 1,5m), era decorada com uma pintura notável, representando barcos, animais e homens. Pertencia, possivelmente, a um dos chefes locais de finais do período pré-dinástico e é importante como indicador da crescente estratificação social da sociedade egípcia, assim como documento que mostra as convenções e motivos da arte egípcia em formação.
No início da 1ª dinastia, a cidade, de forma irregular, conhecida por Kom el-Ahmar, substituiu a povoação mais antiga no limiar do deserto. O seu canto sul, que ocupa cerca de um sexto da área total, era o complexo de templos. Este foi parcialmente descoberto durante as mais importantes escavações levadas a cabo em Hieracômpolis, em 1897-1899. aos escavadores, J. E. Quibell e F. W. Green, depararam-se grandes dificuldades técnicas, para as quais a arquelologia egípcia não estava ainda devidamente equipada. Na sua forma mais antiga, o templo de tijolo continha aparentemente um montículo de areia revestida de pedras, talvez o protótipo do sinal hieroglífico com que se escrevia o nome Nekhen. O faraó Narmer foi o principal benfeitor, juntamente com Khasekhem/Khasekhemwy. Numa altura posterior, muitos dos objetos votivos que tinham sido oferecidos ao templo foram reunidos e depositados num esconderijo (o chamado "depósito principal"). Não é claro quanto e porque se fez isso, talvez devido a uma reconstrução do templo ou à incerteza dos templos. Muitos dos objetos do "depósito principal" (paletas, pontas de marças, vasos de pedra, figuras esculpias em marfim, etc.) datam da época dos dois faraós de princípios do dinástico já mencionados, embora tenha sido proposta uma data posterior para algumas peças sem inscrições. Encontram-se no templo monumentos de quase todos os períodos posteriores, mas estes não são muito numerosos nem espetaculares, à excecão dos da 6ª dinastia (duas grandes estátuas de cobre representando Pepi I e Merenre, uma estela de granito representando um faraó Pepi na companhia de Hórus e Hathor, uma base de estátua de Pepi II, possivelmente também a cabeça de uma imagem de ouro de um falcão), podendo nessa época ter sido feitas alterações à estrutura.
No uadi da "fortaleza" e nos seus ramos subsidiários foram encontrados túmulos cavados na rocha com decorações e inscrições, desde a 6ª à 18ª dinastia.
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Os mais antigos vestígios de atividade humana na zona de el-Kab datam de cerca de 6000 a.e.c.: o chamado Kabiano, uma indústria microlítca que antecede as culturas neolíticas conhecidas no Alto Egito. A antiga Nekheb, na margem oriental do Nilo, e Nekehn (Kom el-Ahmar), do lado oposto do rio, foram povoações muito importantes durante os períodos pré-dinástico e dinástico primitivo. Esse fato refletiu-se na elevação da deusa Nekhbet, a deusa-abutre de Nekheb, ao estatuto de deusa tutelar dos faraós egípcios (juntamente com a deusa-serpente, Wadjit, do Baixo Egito). Nekhbet era considerada também por "Abranca de Nekhen", era uma das divindades que ajudava aos nascimentos reais e divinos, sendo por isso equiparada, no período greco-romano, à Eileithya grega, quando a cidade se chamava Eileithiyáspolis. Pelo menos desde o início da 18ª dinastia, Nekheb serviu de capital do 3º nomo do Alto Egito, embora tenha mais tarde cedido o seu papel a Esna.
A vista do recinto da cidade de el-Kab, que mede cerca de 550m por 550m e está rodeado de maciços muros de tijolo, é muito impressionante. A muralha contém o templo principal de Nekhbet, com várias estruturas anexas, incluindo uma capela do nascimento, bem como templos mais pequenos, umlago sagrado e alguns cemiérios antigos.
É provavel que as modestas estruturas dos templos tenham sido erigidas em el-Kab ainda no período dinástico primitivo, fato sugerido pela presença de um bloco de granito com o nome de Khasekhemwy. Durante o Império Médio, Nebheptre Mentuhotepe, Sebekhotepe I (capela do ritual sed) e Neferhotep III (Sekhemre-sankhtawy) deram atenção a este local. As grandes ativdades de construção no templo de Nekhbet começaram na 18ª dinastia. Quase todos os faraós deste período deram a sua contribuição, de modo mais ou menos importante, mas Tutmósis III e Amenhotep II parecem ter sido os mais proeminetes. Após o interlúdio do período de Akhetaton, os Raméssidas continuaram a glorificar Nekhbet, ampliando o seu templo. Há também testemunhos de Taharqa, da 25ª dinastia, Psamético I, da 26ª, e Dario I da 27ª, mas a forma sob a qual o templo, agora muito dilapidado, suriu aos olhos dos arqueólogos deveu-se, sobretudo, aos reis das 29ª e 30ª dinastias (Hokaris, Nectanebo I e Nectanebo II).
Fora do recinto encontravam-se duas capelas, atualmente destruídas. A primeira, a cerca de 750m a noroeste, foi construída por Tutmósis III, e a outra, fora do muro de vedação nordeste, por um dos Nectanebos. Há a uns 2,2km a nordeste, na entrada para o uadi Hellal, encontra-se o primeiro dos chamados "templos do deserto", santuário da deusa Shesmetet (Smithis), parcialmente cavado na rocha. Foi construído em grande parte por Ptolomeu VIII Evérgeta II e Ptolomeu IX Sóter II. Cerca de 70m a sudoeste deste está a capela, bem conservada (conhecida poer "el-Hammam"), construída pelo vice-rei de Kush, Setan, durante o reinado de Ramsés II, e restaurada sob os Ptolomeus. Era provavelmente consagrada a Rá-Harakhty, Hathor, Amon, Nekhbet e ao próprio Ramsés II. Mais longe há cerca de 3,4km do recinto da cidade, Tutmósis IV e Amenhotep III construíram um templo para Hathor, "Senhora da entrada do Vale", e Nekhbet.
Uns 400km a norte da cidade existem túmulos cavadosna rocha, sobretudo da primeira metado do período dos Raméssidas. Dois deles, os de Amósis Pennekhbe (nº2) e Amósis, filho de Ebana (nº5),são famosos pelos seus textos biográficos. A captura da capital dos Hicsos, Avaris, o cerco de Sharnuhen, na Palestina, pelo faraó Amósis, e as campanhas da Síria e da Núbia dos reis do princípio da 18ª dinastia estão entre os acontecimentos históricos ali mencionados. Outro túmulo, o do president da câmara de Nekheb, Pahery, é notável pelos seus relevos. A noroeste dos outros, mais perto do rio, encontra-se um túmulo decorado, datando provavelmente da época de Ptolomeu III Evérgeta I.
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Esna, a Iunyt ou (Ta)senet do Antigo Egito, foi designada em grego por Latopolis, devido ao peixe Lates, ali considerado sagrado e enterrado num cemitério a oeste da cidade.
Na mesma zona há cemitérios humanos do Império Médio e do período tardio.
O templo de Esna fica a cerca de 200m do rio, no meio da cidade moderna. Devido à acumulação de detritos de ocupação e de sedimentos, fica atualmente cerca de 9m abaixo do nível da rua. A avenida cerimonial, que devia ligar o cais ao templo, desapareceu. O cais tem cartuchos de Marco Aurélio e ainda é utilizado. os textos do templo relacionam-no com quatro outros naquela zona, três a norte e um na margem oriental, todos els totalmente desaparecidos, embora ainda se pudesse ver partes deles no século XIX. em Kom Mer, 12km a sul, foi
recentmente escavado outro templo do mesmo período.
O templo é consagrado a Khum e a várias outras divindades, as mais importantes das quais são Neith e Heka, cujo nome signifca "poder mágico" e que é aqui uma divindade-criança. No estado em que se encontra, consiste apenas numa sala hipóstila inteiramente preservada, cuja parede oeste formava o princípio do templo interior. esta parede é anterior às restantes, com relvos de Ptolomeu VI Filometor e Ptolomeu VIII Evérgeta II. O resto da sala Hipóstila é o mais recent templo imporante conservado, sendo decorado no interior e no exterior com relevos dos séculos I e III d.e.c. Algumas cenas, nomeadamente a de deuses e rei apanhando aves com redes, são extremamente imponentes.
O aspecto mais importante da decoração é a série de textos escritos nas colunas, que fornecem um retrato completo e rico de algumas festas do ano sagrado em Esna, apresentado de forma esquemática num calendário, também inscrito numa coluna. Para laém disso, há ainda um notável par de hinos criptog´raficos a Khum, um escrito interamente com hieróglifos de carneiros e outro com crocodilos.
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O nome desta localidade significa o mesmo em árabe do que em egípcio antigo "os dois montes", e deriva do pormenor da paisagem mais notável, visível da margem ocidental do Nilo, no local onde confinam os 3º e 4º nomos egípcios.
Encontram-se túmulos no monte ocidental, enquanto no monte oriental havia um templo de Hathor (daí o nome grego da localidade, Pathyris, de Per-Hathor, "o domínio de Hathor", ou Adroditópolis. O templo parece ter já existido na 3ª dinastia e foram também descobertos relvos, estelas ou inscrições datando do templo de Nebhepetre Mentuhotepe, de vários faraós da 13ª dinastia (Djedneferre Dedumose I, Djedankhre Mentuemzaf e Sekhemre-Sankhatawy Neferhotep II) e da 15ª dinastia (Khian e Awoserre Apophis). O templo funcionava ainda no período greco-romano, tendo-se encontrado nesta zona alguns papiros em demótico e grego. A cidade situava-se na planície por baixo do monte oriental.
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Ao que parece, já no reinado de Userkaf, da 5ª dinástia, existia uma capela na antiga Djerty Egípcia (Tuphium do período greco-romano), na margem oriental do Nilo. Importantes atividades de contrução, ligadas ao culto local do deus Montu, tiveram início no Império Médio, durante os reinados de Nebhepetre Mentuhotepe, sankhare Mentuhotepe e Sesóstris I, mas os seus templos estão atualmente destruídos. No Império Novo, Tutmósis II edificou uma relicário da barca de Montu, ainda parcialmente conservado, e Amenófis II, Sethi I, Amenesse e Ramsés III e Ramsés IV levarama cabo alguns trabalhos de restauração. Ptolomeu VIII Evérgeta II acrescentou ao seu templo umlago sagrado em frente do templo de Sesóstris I e ali perto encontra-se um quisque do período Romano.
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A antiga Iuny, na margem ocidental do Nilo, no 4º nomo do Alto Egito, era um dos mais imporantes locais de culo do deus da guerra, Montu, e capital de todo o nomo, incluindo Tebas, até ao princípio da 18ª dinastia. Armant, o nome moderno, deriva de Iunu-Montu, Ermont em copta de Hermonthis em grego.
Já na 11ª dinastia, cujos soberanos eram, talvez, originários de lá, existia em Armant um templo dedicado a Montu, sendo Nebhepetre Mentuhotepe o construtor mais antigo que se conhece com certeza. O templo foi alvo de importantes ampliações durante a 12ª dinastia e o Império Novo, de que os restos do pilone de Tutmósis III são a única parte ainda visível. O templo foi destruído em data incerta, durante o período tardio, e a sua história só pode ser reconstituída através de blcoos reutilizados ou isolados. No reinado de Nectanebo II deve ter-se começado a
construir um novo templo, trabalho que os Ptolomeus continuara. A contribuição mais importante para o aspecto deste local foi feita por Cleópatra VII Filopator e Ptolomeu XV Cesarion, que construíram uma capela do nascimento com um lago. O edifício existe ainda na primeira metade do século passado, mas encontra-se agora completamente destruído. Foram também encontrados dois portais, um dos quais erigido por Antonino Pio. O Buchem (do egípcio antigo bekh), local de enterro de bois sagrados Buchis de Armant, fica no limiar do deserto, a norte de armant. A sepultura mais antiga data do reinado de Nectanebo II e o Bucheum foi utilizado durante cerca de 650 anos, até ao reinado de Diocleciano. Foi também encontrado o local de sepultura das vacas "mãe de Buchis". À volta de Armant existem grandes cemitérios de todas as épocas.
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Referências Bibliográficas |
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A. Badawy, A history of Egyptian Architecture, i-iiii. Giza 1954, Berkeley (Cal.), 1966-68; |
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http://www.corbis.com.br |
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