Cidades - Mênfis

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Baixo Egito | Médio Egito | Alto Egito Setentrional | Alto Egito Meridional | Núbia | Tebas | Mênfis
 
Mit Rahina Dahshur Sakkara Abu Sir Abu Ghurab Gizé Abu Rawash
 

A cidade de Mênfis, hoje quase completamente desaparecida, foi o centro administrativo e religioso do 1º nomo do Baixo Egito. foi residência real e capital do Egito durante o período dinástico primitivo e o Império Antigo e muitos faraós posteriores continuaram a ter lá um palácio.

Os templos desta cidade contam-se entre os mais importantes do país. Mênfis continuou sempre a ser uma das cidades mais populosas e célebres do Egito e até de todo o mundo antigo, habitada poruma comunidade realmente cosmopolita. O seu porto e as oficinas locais desempenharam um papel importane no comércio externo do Egito.

Uma extensão de mais de 30km de comprimento, coberta de cemitérios, na orla do desrto, na margem ocidental do Nilo, reflete a dimensão e importância de Mênfis. A necrópole menfita é constituída por:

  1. Dahshur;
  2. Sakkara;
  3. Abusir;
  4. Zawyet el-Aryan;
  5. Gizé;
  6. Abu Rawash.

Gizé e Abu Rawash faziam parte, administrativamente, do 2º nomo do Baixo Egito.

Os nomes pelos quais são atualmente conhecidas as várias aprtes da necrópole menfita derivam dos nomes das aldeias modernas próximas. Os próprios Egípcios não tinham um termo especial para designar toda a necrópole, mas conhecem-se alguns nomes de lcoais em egípcio antigo que designavam as suas várias partes, por exemplo Resetau (possivelmente o Sul de Gizé). As pirâmides reais, elementos mais notáveis da necrópole, davam, por vezes, o nome aos bairros da cidade adjacente que tinham crescido a partir das "cidades da pirâmide". Um destes termos, o nome da pirâmide de Pepi I, em Sakkara, Mennufer, Menfe em copta, e Mênfis, na sua forma helenizada, foi adotado já na 18ª dinastia para designar a cidade.

A cidade m si, ou o que resta dos seus palácios, templos e casas, pode ver-se na região cultivada a lesta da necrópole, enterrada sob camadas de aluviões deixadas pelas inundações do Nilo e coberta de povoações modernas, de campos e de vegetação. Atá agora apenas foram postas a descoberto, em Mit Rahina e Sakkara (a leste da pirâmide de Teti), pequenas partes. A localização da cidade, ou pelo menos, do seu centro, não deve ter-se mantido estável durante toda a história do Egito, pois por vezes, algumas zonas novas e prósperas ganhavam importância, em detrimento de outras cuja população decrescia. Esta deeve ter sido uma das razões para a longa extensão de terreno coberta pelos cemitérios da cidade, embora tivessem certaemnte existido outras, tais como a procura de locais apropriados para os projetos em grande scala de construção de pirâmides. A concepção moderna que temos da cidade de Mênfis e da sua sombria parceira, a necrópole menfita, é, portanto, muito artifical, já que nehuma delas existiu interamente em qualquer altura.

Fontes clássicas e descobertas arqueológicas indicam que Mênfis se tornou num dos mais imporantes centros administrativos do país logo no início da história do Egito, dpois de 2920 a.e.c. C. Heródoto diz que foi Menés, o tradicional primeiro rei do Egito, que mandou construir umdique para proteger a cidade das inundações do Nilo. Segundo Maneton, foi Athothis, sucessor de Menés, quem construiu os mais antigos palácios de Mênfis. O nome mais antigo dado a esta zona foi Ineb-hedi, "A Parede Branca", refletindo, provavelmente, o aspecto da sua residência fortificada, a que se podia igulamente aplicar. O termo mais correto é, talvez, o que apareceu no Império Médio, Ankh-tawy. " O que liga as Duas Terras", realçando a posição estratégica da cidade, na ponta do delta, economicamente importante, entre o Baixo e o Alto Egito da terminologia tradiconal. De fato, foi provavelmente esta a razão pela qual os soberanos da 1ª dinastia escolheram aquela zona para situar a capital.

Apenas Tebas, no sul, era comparável a Mênfis em importância religiosa, política e econômica, mas o nosso conhecimento deste verdadeiro santuário nacional do Egito, é, no entanto, muitíssimo menor. Para os estrangeiros, Mênfis representava o Egito. Segundo alguns eruditos, o nome de um dos seus templos do Império Novo, e dos bairros vizinhos da cidade, Hikuptah "O templo de ka de Ptah", deu origem ao nome de todo o país, Aigyptos em grego, o Egito dos nossos dias, eta é também a etimologia da palavra "copta".

A cidade de Mênfis não sobreviveu ao eclipse gradual da civilização egípcia antiga, nos primeiros séculos da nossa era, e, do ponto de vista econômico, ressentiu-se ainda mais cedo do crescimento de Alexandria. Perdeu a sua importância religiosa quando Teodósio I (379-395 d.e.c.) descretou que o cristianismo passaria a ser a religião de todo o Império Romano. O golpe final foi desferido em 641 d.e.c., quando o conquistador muçulmano, Amr Ibne el-Asi fundou uma nova capital do Egito, el-Fustat, na margem oriental do Nilo, no extremo sul da moderna cidade do Cairo.

Perto da moderna aldeia de Mit Rahina, num pitoresco cenário de palmares, podem ver-se as vastas ruínas da antiga Mênfis.

A mais importante das estruturas ainda discerníveis é o recinto do templo de Ptah, com estátuas colossais de Ramsés II e uma grande sfinge de alabastro, mais ou menos da mesma data. Ptah era o principal deus menfita, identificado na antiguidade clássica com Efesto e Vulcano. Só uma pequena parcela do complexo do tepmlo, em tempos o maior do Egito, foi escavada sistematicamente (sobretudo por W. M. Flinders Petrie, entre 1908 e 1913), devido à dificuldade técnicas e à proximidade da aldeia. O pilone oeste, que dá acesso a uma sala hipóstila, foi construído por Ramsés II, mas foram encontrados noutros locais do recinto elementos anteriores isolados (um lintel de Amenemhet III, blocos de Amenhotep III, etc.) o que sugere a presença de struturas mais antigas na vizinhança. Para além do pilone oeste, com a sala hipóstila, Ramsés II construiu tamb[em as portas dos lados norte e sul do recinto e, de forma característica, estátuas colossais de si próprio colocadas fora dessas portas. Durante o seu reinado foi igualmente construído outro templo, menor, mesmo junto ao canto sudoeste do recinto, do lado de fora. Os faraós posteriores continuaram a construir dentro do recinto, tendo assim Shoshenk I acrescentado uma casa de embalsamento de bois Ápis e Shabaka e Amásis construído pequenas capelas.

Restos de fundações encontrados a oeste do recinto de Ptah indicam a localização de um templo anterior, construido por Tutmósis IV e ampliado por outros soberanos da 18ª dinastia.

A norte do recinto de Ptah pode ver-se outro, do período tardio, onde se encontraram os nomes de Psamético II e Apries, da 26ª dinastia, e de Teos, da 30ª.

A sul e a leste do recinto de Ptah situam-se vários morros formados pela habitação contínua. Os mais importantes são Kom el-Rabia, com um templo de Hathor construído por Ramsés II, e Kom el-Qaal, com um templo menor consagrado a Ptah e um palácio de Merneptah. Este último foi escavado por C. S. Fischer e pela expedição do University Museum, da Filadélfia, há cerca de 63 anos, mas continua a aguardar publicação.

Há poucos túmulos em Mit Rahina, datando os mais importantes do 1º período interm´dio ou do Império Médio, em Kom el-Fakhry, e da 22ª dinastia (túmulos dos sumos-sacerdotes de Menfis, de nome Shoshenk, Tjekerti, Peteese e Harsiese), próximo do canto sudoeste do recinto de Ptah.

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O campo de pirâmides de Dahshur forma o prolongamento mais meridional da necrópole menfita. Este síttio tem cerca de 3,5km de comprimento e a pirâmide designada, alternadamente, por "Torta", "Romba", "Rombóide" ou "Falsa", única dessa forma do Egito, é o marco mais notável no horizonte de Dahshur.

No que se refere aos túmulos reais, a mudança da 3ª para a 4ª dinastia é assinalada pela transição da pirâmide de degraus para a pirâmide verdadeira. Esta alteração radical foi inicada e completada durante os reinados do último faraó da 3ª dinastia, Huni, e do primeiro da nova dinastia, Snefru. As pirâmides em que este processo pode ser observado encontram-se em Maidum e Dahshur. A pirâmide meridonal de Dahshur foi a primeira a ser planejada, desde o início, como pirâmide verdadeira. No entanto, quando a estrutura atingiu mais de metade da altura que se previa viesse a ter, a inclinação das suas faces exteriores foi muito reduzida, conferindo-lhe assim a sua característica silhueta "torta" e o método de aplicação do revestimento e de colocação dos blocos foi aperfeiçoado. Esta alteração de desnho foi provavelmente devida a falhas de construção que tinham surgido quer na própria estrutura, quer na sua contemporânea de Maidum. A Pirâmide torta é única pelo fato de ter duas entradas separadas, umana face norte e outra na face oeste. Grande parte da superfície da pirâmide conservou o seu revestimento exterior liso original. A sul desta pirâmide encontra-se a habitual pirâmide ritual secundária. O templo do vale fica a cerca de 700m a nordeste da pirâmide e lá se encontraram vários relvos notáveis, alguns dos quais representam procissões de figuras femininas personificando as propriedades de Snefru no alto e no Baixo Egito.

Ao que parece, Snefru não ficou satisfeito com uma pirâmnide em Dahshur e mandou construir outra, a chamada "Pirâmide Vermelha" ou "Pirâmide cor-de-Rosa" (devido à cor do calcário avermlhado utilizado na sua construção), uns 2km a norte. Não se sabe porque, mas o fato de a inclinação das faces desta última pirâmide ter sido, desde o início, a mesma da da parte superior da Pirâmide Torta pode ser significativo. As dimensões da base desta pirâmide 220x220m) apenas são ultrapassadas pelas da Grande Pirâmide de Khufu, em Gizé.

As restantes pirâmides de Dahshur, a uma certa distância uma das outras e não formando qualquer grupo, são estruturas menores, da 12ª dinastia, das épocas de Amenemhet II (a chamada "Pirâmide Branca"), Sesóstris III e Amenemhet III (a chamada "Pirâmide Negra"), sendo as duas últimas de tijolo. Perto da pirâmide de Sesóstris III fez-se uma notável descoberta de, pelo menos, seis barcos de madeira, comparável à de um barco desmantelado de Khufu, em Gizé. Perto da pirâmide de Amenhemhet III encontrou-se o túmulo do efêmero faraó Awibre Hor e uma pequena estrutura piramidal, de Amenyqenau, ambas da 13ª dinastia.

De acordo com o padrão habitual, as pirâmides estão acompanhadas de túmulos de mmbros da família real, de dignitários e de sacerdotes. Perto das pirâmides de Amenhemhet II e de Sesóstris III, mas ainda dnetro do recinto, encontram-se as mastabas das princesas (Iti, Khnemt, Itiwert e Stimerhut, todas filhas de Amenemhet II, e Meut e Sentsenebtisi, filhas de Sesóstris III) e das rainhas. Estes túmulos continham alguns magníficos exemplos da joalheria do Império Médio (pulseiras, ornamentos peitorais, gargantilhas, colares, etc.) atualmente no Museu do Cairo.

Dois nomes se salientam de entre os arqueólogos que fizeram escavações em Dahshur: J. de Morgan, a quem se deve a descoberta das pirâmides e túmulos do Império Médio (1894-1895), e Ahmed Fakhry, que explorou a Pirâmide Torta (1951-1955). O Instituto Alemão de Arqueologia retomou recentemente as escavações em Dahshur.

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Pirâmide de Degraus

Sakkara é o mais atraente e interessante sítio de ruínas do Baixo Egito, embora se deva realçar que qualquer tentativa de comparação justa é distorcida pelas hióteses infinitament menores de preservação de monumentos do delta. Sakkara é o mais importante elo de ligação na cadeia de cemitérios pertencents à antiga cidade de Mênfis e cobre uma área de mais de 6km de comprimento, medindo mais de 1,5km na sua maior largura.

Antes das Pirâmides (1ª e 2ª dinastias) - O mais antigo nome de rei que os arqueólogos encontraram até agora em Sakkara é o de Narmer, que alguns identifcam com Meni ou Menés, lendário fundador de Mênfis, gravado num vaso de pórfiro que, com centenas de outros recipients, inteiros ou fragmentados, de um trabalho deslumbrante, foi descoberto num dos armazéns subettâneos da Pirâmide de Degraus de Djoser. A mastaba mais antiga de Sakkara é apenas um pouco posterior, datando do reinado de Aha (Meni, segundo outra escola, provavemente o sucessor de Narmer).

Ao longo da extremidade oriental do vasto planalto a norte da Pirâmide de Degraus de Djoser, acima da moderna aldeia de Abusir, encontra-se uma linha quase contínua de mastabas da 1ª dinastia. As respectivas superestruturas, feitas de tijolo seco ao sol e com uma "fachada de palácio" apainelada, eram de dimensões consideráveis: o túmulo S 3504, por exemplo, do reinado do faraó Wadj, media 56x45x25x45m. As câmaras para o equipamento funerário situavam-se na parte mais interior da mastaba e a infra-estrutura compreendia uma câmara funerária ao centro e salas secundárias. As mais importantes destas mastabas foram escavadas por W.B. Emery, entre 1936 e 1956. Pensava-se que, pelo menos,algumas delas eram túmulos reais, sobretudo por causa do seu tamanho, mas atualmente quase todos os estudiosos as consideram túmulos de altos dinitários residents em Mênfis.

No fim da 1ª dinastia, o apainelamento tipo "fachada de palácio" no exterior da mastaba ficou reduzido a dois nichos na face oriental, dos quais o que estava unto ao canto sudoeste era o mais importante, tendo-se tornado o foco do culto funerário do morto. As mastabas perticulares da 2ª dinastia, menores, continuaram a ser construías de modo aparentemente desordenado na zona a oeste dos grandes túmulos da 1ª dinastia. Foi também localizado, por baixo do lado oriental da pirâmide de Wenis, um vasto complexo de câmaras subterrâneas, cavadas na rocha, e outro cerca de 140m a leste. Não se conservou nada das suas superestruturas de tijolo, mas os nomes gravados em alguns selos de argila, inicialmente utilizados para selar vasos e outros artigos de equipamento funerário, sugerem que estas galerias foram construídas durante os reinados de dois dos primeiros reis da 2ª dinastia, Reneb e Ninetjer. Quando se relaciona este fato com a descoberta da estela de Reneb, possivelmente reutilizada numa moderna aldeia próxima (embora não se conheça bem as circunstâncias da descoberta), parece provável que as galerias tenham sido em tempos túmulos reais e que os primeiros faraós egípcios tenham sido enterrados em Sakkara já no início da 2ª dinastia.

Os construtores de Pirâmides - (3ª-13ª dinastias) -

As Pirâmides

Ao todo, conhecem-se em Sakkara 15 pirâmides reais, aqui tratadas por ordem cronológica. Muitas delas perderam sua forma original, estritamente geométrica, e estão reduzidas a montets artificiais. Por incrível que pareça, é quase certo que estejam ainda por descobrir outras pirâmides (por exemplo, a de Menkauhor).

1 - A pirâmide de Degraus de Netjerykhet Djoser foi construída pouco depois de 2630 a.e.c. Foi a primeira pirâmide da história do Egito e a mais antiga estrutura de tais dimensões do mundo. O caráter pioneiro deste projeto é patente na hesitação da sua froma, possivelmente muito influenciada pelo novo material de construção. Ao todo foram adotados seis planos diferentes no decorrer da construção: este monumento foi começado a construir com ouma grande mastaba, seguindo assim a tradição em Sakkara, mas acabou por ser uma pirâmide de seis degraus. O desenho da pirâmide de Degraus foi tradicionalmente atribuído a Imuthes (Imhotep em egípcio), descrito por Maneton, uns 2400 anos mais tarde, como o "inventor da arte de construir em pedra talhada". Durante a escavação do complexo da entrada da Pirâmide de Degraus, em 1925-1926, o nome de Imhotep foi, de fato, encontrado inscrito no pedestal de uma estátua de Netjerykhet, fornecendo assim uma fascinante prova da época da corção da afirmação de Maneton.

O complexo de edifícios perto do canto sudoeste da pirâmide representa uma réplica de pedra das paelas e pavilhões construídos para a celbração do ritual sed. Este ritual tinha lugar para marcar o início de uma nova fase no reinado do faraó e a presença destes edifícios de pedra duradoura garantia que Djoser estaria bem preparado para muitas celebrações do ritual sed, que esperava poder apreciar durante a sua vida depois da morte. Uma sala fechada (serdab), perto do canto nordeste da pirâmide, continha a sua estátua sentada, a mais antiga grande estátua de pedra que se conhece no Egito.

Durante mais de 50 anos a Pirâmide de Degraus foi associada ao nome do Egiptólogo francês Jean-Philippe Lauer. Atualmente, a sua notável obra concentra-se nas capelas do pátio do ritual sed. Nenhum visitante de Sakkara deve perder a oportunidade de ver estes exemplos únicos da mais antiga arquitetura egípcia, restaurados na sua beleza original;

2 - O faraó Sekhemkhet tencionava construir uma pirâmide de degraus ainda maior, mas esta ficou inacabada e desapareceu gradualmente por baixo da areia. Só em 1950 é que foi descoberta pelo egiptólogo M. Zakaria Goneim, que lhe chamou, adequadamente, "Pirâmide enterrada";

3 - A fotografia aérea releva os contornos de uma enorme área cercada (conhecida pelos egitólogos por "o Grande Recinto", até agora não escavada, a ocidente do recinto de Sekhemkhet. É possível que exista outro edifício do mesmo tipo, a oeste da Pirâmide de Degraus de Djoser. Estes são, talvez, monumentos da 3ª dinastia, mas só futuras escavações poderão resolver os problemas da sua datação e propriedade;

4 - O complexo funerário de Shepseskaf, um dos últimos faraós da 4ª dinastia, não é uma pirâmide, mas sim uma estrutura semelhante a um enorme sarcófago, conhecida por "Mastabet el-Faraun". O único paralelo é o túmulo de Khentkaus, mãe dos primeiros faraós da 5ª dinastia em Gizé;

5 - Userkaf, primeiro faraó da 5ª dinastia, construiu a sua pirâmide perto do canto nordeste do recinto de Djoser, mas os seus sucessores abandonaram Sakkara, em favor de Abusir, mais a norte. É possível que o retorno a Sakkara tenha sido inicado por Menkauhor, mas a sua pirâmide ainda não foi localizada;

6 - A pirâmide do sucessor de Menkauhor, Izezi, foi construída na parte sul de Sakkara;

7 - A pirâmide de Wenis, último faraó da 5ª dinastia, situa-se próximo do canto sudoeste do recinto da pirâmide de degraus de Djoser. As paredes do interior desta pirâmide têm inscritos os Textos das Pirâmides - coleção de fórmulas mágicas destinadas a ajudar o falecido rei no mundo dos mortos - , que talvez tivesse sido utilizadas durante a cerimônia fúnebre. A pirâmide de Wenis foi a primeira a conter tais textos, que se tornaram posteriormente característica normal das pirâmides do Império Antigo.

Na face sul da pirâmide há uma inscrição hieroglífica de Khaemwese, um dos filhos de Ramsés II, que registra trabalhos de restauro levados a cabo pelo príncipe, conhecido pelo seu intersse pelos monumentos antigos. Khaemwese esteve ligado à religião menfita no exercício da sua função de sumo-sacerdote de Ptah.

A calçada que liga o templo funerário, junto à face leste da pirâmide, ao templo do vale era decorada com relevos que representam, entre outras cenas, barcos transportando colunas e arquitraves de granito, vindas das pedreiras perto de Assuã para o local de construção da pirâmide de Wenis. Ao que parece, a viagem levava sete dias;

8 - A pirâmide de Teti, fundador da 6ª dinastia, é a pirâmide real mais setentrional de Sakkara. Os outros soberanos desta dinastia, Pepi I (9), Merenre (10) e Pepi II (11), seguiram o exemplo de Izezi e mudaram-se para a parte sul de Sakkara. Desde 1965 que os corredores e salas interiores das pirâmides da 6ª dinastia têm sido sistematicamente desimpedidos e os Textos das Pirâmides inscritos e estudados por Jean Leclant e Jean-Philippe Lauer;

12 - A pequena pirâmide de tijolo do pouco conhecido faraó Ibi, da 8ª dinastia, fica na mesma zona;

13 - As ruínas da pirâmide discerníveis a leste da de Teti, ainda não escavadas, pertencem, talvez, a Merykare, um dos dois faraós do período herecleopolitano (9ª-10ª dinastias), razoavelmente conhecidos. Este pressuposto baseia-se no fato de a parte de Mênfis adjacente ao complexo da pirâmide de Teti ter sido muito popular naquela época, estando essa zona coberta de muitos túmulos contemporâneos, alguns dos quais pertencents a sacerdotes de Merykare, e sendo este bairro da cidade mencionado (sob o nome de Djed-isut, derivado do nome da pirâmide de Teti) na composição literária antiga, conhecida por "Instrução para Merykare";

14 e 15 - As duas pirâmides mais meridionais de Sakkara pertencm a faraós da 13ª dinastia e são construídas como é característico do período , de tijolo seco ao sol. O dono de uma destas pirâmides era Khendjer, permanecendo a outra ainda anônima.

Túmulos particulares

A mais vasta aglomeração de túmulos particulares, contemporâneos das pirâmides, ocupa a zona a norte da Pirâmide de Degraus de Djoser e é um proongamento natural dos cemitérios anteriores, das 1ª e 2ª dinastias. Muitos destes túmulos, sobretudo os das 3ª e 5ª dinastias, foram parcialmente escavados há mais de um século, sob a diração do arqueólogo francês Auguste Mariette. Nesas escavações foram utilizados os métodos e técnicas daépoca e, pouco templo depois, os túmulos estavam de novo cobertos de areia e são agora inacessíveis.

Todas as pirâmides do Império Antigo estão rodeadas de cemitérios de túmulos particulares. os que se situavam a sul da Pirâmide de Degraus constituíram estorvo quando a pirâmide de Wenis começou a ser construída e, como consequência, alguns deles foram assim escapado à destruição e pilhagem de épocas posteriores (o túmulo, muito posterior, de Tutankhamon, no vale dos Reis, em Tebas, escapou à pilhagem por razões idênticas). Alguns destes túmulos eram parcialmente cavados na rocha, fato menos usual em Sakkara, onde as rochas não são muito próprias para este tipo de túmulos. Os de finais do Império Antigo e do 1º período intermédio, encontrados a norte da pirâmide de Teti e à volta da de Pepi II, são também de interesse excepcional, sobretudo devido à sua decoração em relvo ou às suas características invulgares.

A série de túmulos particulares de Sakkara é ininterrupta, pelo menos durante as dez primeiras dinastias egípcias (2920-2040 a.e.c.). O nicho de culto que, nas mastabas das 1ª e 2ª dinastias, ficava na face leste foi retirado para o corpo da mastaba durante a 3ª ou 4ª dinastia, talvez para melhor proteger as suas partes decoradas dos efeitos da intempérie. Este nicho estava ligado ao exterior por um corredor, criando assim, na sua forma mais simples, a clássica capela cruciforme de Sakkara, que, durante a 5ª e 6ª dinastias, se veio a desenvolver pela adição de mais salas. Estas acabaram por preencher quase todo o corpo da mastaba, inicalmente uma massa sólida de tijolo ou pedra, constituindo vastas áreas próprias para a decoração em relevo. As mais famosas mastabas de Sakkara, do Império Antigo, são deste tipo, por exemplo a de Ty, com um pórtico, um pátio com pilares e mais quatro salas e o túmulo de família de Mereruka.

Império Novo -

Túmulos particulares

Até agora apenas foi encontrada em Sakkara uma sepultura do período imediatamente anterior à ascensão da 18ª dinastia, o que não é totalmente surpreendente, face à situação política e economicamente instável do país nessa altura. Muito mais desconcertante é, contudo, a ausência de túmulos que pudessem ser datados de princípios ou meados da 18ª dinastia, isto é, de antes do reinado de Amenhotep III. Vários textos registram a caça e outras ativdades dos príncipes egípcios na região de Gizé, daí se inferindo que Mênfis foi, pelo menos temporariamente, residência de alguns membros da família real, inclusive, talvez, do próprio faraó, exigindo assim um local para os alojar e pessoal para a sua manutenção. Além disso, é difícil imaginar que não houvesse um número substâncial de pessoal administrativo na zona de Mênfis, e os templos menfitas deviam ter sacerdotes permanentemente ao seu serviço. A menos que os túmulos destas pessoas estivessem situados em Sakkara - o que é bastante improvável -, devemos concluir que ainda não foram descobertos. A zona mais prometedora para os procurar é a escarpa situada no extremo leste da necrópole, sobretudo entre a pirâmide de Teti e a ponta setentrional do planalto que fica a norte. os túmulos eram provavelmente cavados na rocha, o que estaria de acrodo com o que sabemos dos túmulos provinciais da 18ª dinastia noutros lcoais (por exemplo, el-kab) e xplicaria a quase total ausência de fragmentos isolados de relevos. Até agora apenas se encontraram em Sakkara alguns túmulos cavados na rocha, datando do Império Novo, entre os quais um pertencente a um vizir de nome Aperia.

Os grandes túmulos de pedra do Império Novo (opostos aos cavados na rocha) surgiram em Sakkara no reinado de Amenhotep III, mas a maioria dos que se conhecem até agora data de um pouco mais tarde. Quando Tutankhamon abandonou Akhetaton, a residência real foi transferida para Mênfis em vez de Tebas. Mênfis e Sakkara, como seu cemitério mais importante, mantiveram esta posição até ao reinado de Ramsés II, altura em que o centro das atividades passou a ser no Nordeste do Delta. Assim, os mais belos túmulos de Sakkara datam dos reinados entre o de Tutankhamon e o de Ramsés II, cobrindo cerca de 100 anos e formando um grupo bastante uniforme. Tomaram parte na sua preparação os melhores artífices e artistas do país, que acompanharam a corte. O alto nível artístico dos relevos de Sakkara, durante este período, só voltou a ser atingido nos monumentos particulares do Império Novo. Infelizmente, foram muito poucos os túmulos deste tipo escavados em Sakkara em condições controladas. Estavam bastante perto da superfície, por vezs sobrepostos a túmulos do Império Antigo, e por isso foram presa fácil para os colecionadroes de antiguidade do século passado, para quem a vida era facilitada pelo fato de Sakkara ficar próximo do Cairo. Era muito fácil desmantelar os túmulos, revestidos de blocos de pedra, e retirar os relevos decorados. Os túmulos do Império Novo, tal como se conhecem atualmente, estão concentrados em duas zonas de Sakkara:

  1. Na proximidade do complexo da pirâmide de Teti;
  2. Na zona sul da calçada de Wenis, definida pelas ruínas do mosteiro copta de Apa jeremias, a leste, e pelo recinto da pirâmide de Sekhemkhet, a oeste.

Há alguns anos, a expedição anglo-holandesa da Sociedade Egípcia de Exploração e do Museu Nacional de Antiguidades, de Leida, chefiada por G. T. Martin, fez uma descoberta espetacular que pôs fim a uma longa controvérsia egiptológica. Desde a primeira metade do século passado, muitos museus nacionais, em especial os de Berlim, Bolonha, Leida, Leningrado, Londres e Viena, têm-se orgulhado de terem em exposição relevos e estelas provenientes do túmulo do comandante-chefe do exército, Haremhab. Haremhab personificou o poder militar por detrás do trono no período pós-Akhetaton, durante os reinados de Tutankhamon e Aya, tendo-se tornado ele próprio faraó nos finais da 18ª dinastia. O seu túmulo real encontra-se no vale dos Reis, em Tebas nº57, mas os monumentos que estão nos museus devem ter provindo de um túmulo mais antigo que Haremhab mandara construir antes de ascender ao trono. A localização do túmulo de onde vieram os monumentos não foi registrada em parte alguma com precisão e nem se conhece com certeza a região do Egito onde se encontrava. tanto Tebas como Mênfis foram consideradas localizações possíveis, até que o egiptólogo belga jean Capart apresentou, em 1921, alguns argumentos fortes a favor da localização em Mênfis. No entanto, só 54 anos mais tarde, em Janeiro de 1975, é que se provou que tinha razão e a localização do túmulo foi estabelecida com precisão.

As principais características da capela funerária de Sakkara, do Império Novo eram: um pátio aberto, por vezes com colunas em um ou mais dos seus lados, e a sala de culto, situada ao fundo da mastaba. O elemento mais importante da sala de culto era uma estela, geralmente colocada no eixo central este-oeste do túmulo, havendo muitas vezes outras estelas e estátuas noutras partes da mastaba. Por cima da sala de culto construía-se geralmente uma pequena pirâmide. A entrada do poço que dava acesso à câmara funerária subterrânea estava situada no pátio.

Os túmulos do boi Apis -

O culto do boi Ápis estava intimamente ligado ao do mais importante deus menfita, Ptah, e sabe-se da existência de túmulos de bois Ápis mumificados, no Serapeum de Sakkara, desde o reinado de Amenhotep III.

Período tardio e greco-romano -

Túmulos particulares -

Durante a 26ª dinastia, os desenhadores dos túmulos egípcios conseguiram, aparentemente, o que tinham tentado em vão durante os dois milênios anteriores: desenharam um túmulo quse inteiramente seguro. Em muitos dos túmulos desta época, em Sakkara, foi construída u ma câmara funerária abobadada, ao fundo de um grande e profundo poço, subsequentemente cheio de areia. Um tanto paradoxalmente, a remoção da enorme massa desta matéria instável levantava difculdades técnicas muito maiores para os ladrões de túmulos do que a perfuração ou corte dos blocos de pedra dos poços de períodos anteriores. O outro tipo de túmulo deste período que se conhece é o mais convencional, cavado na rocha.

A maioria dos túmulos do período tardio e do período greco-romano encontra-se perto do recinto da Pirâmide de Degraus:

  1. A norte, a proximadamente ao longo da avenida de esfinges que dá acesso ao Serapeum: a maioria da 30ª dinastia e do greco-romano;
  2. A leste, em especial túmulos em forma de poço, na zona da pirâmide de Userkaf, com túmulos cavados na rocha mais para leste, na face da falésia: a maioria da 26ª dinastia;
  3. a sul, e perto da pirâmide de Wenis: a maioria das 26ª e 27ª dinastias, mas também um grande túmulo ptolomaico.

O serapeum e outras partes da necrópole dos animais sagrados -

Boi Apis

Os bois Ápis eram de longe os mais importantes animais de culto sepultados em Sakkara. Já durante o Império Novo, Ramsés I abandonou os túmulos isolados mais antigos e começou a construir uma galeria subterrânea (as chamadas "criptas menores"), onde os corpos mumificados dos bois Ápis eram depositados em grandes nichos, de cada lado. como só havia um destes animais de cada vez, calcula-se que de 14 em 14 anos, aproximadamente, tinha lugar o funeral de um boi Ápis. A galeria de Ramsés I acabou por atinger um comprimento de 68m. Durante a 26ª dinastia foi inaugara uma segunda galeria (as chamadas "criptas maiores"), em ângulo reto com a anterior, e o primeiro boi Ápis que ali repousou morreu no ano 52 do reinado de Psamético I. Esta galeria, cujo comprimento total é de 198m, continuou a ser utilizada até ao período greco-romano.

Nas proximidades das catacumbas dos bois Ápis cresceu um complexo de capelas e pequenos templos, formando em conjunto o Serapeum (de Usir-Hapy, isto é, o falecido boi Ápis, Osorápis em grego, mais tarde identificado com o deus Serápis, arificilamente introduzido pelos Ptolomeus). Nectanebo I e Nectanebo II, da 30ª dinastia, foram quem mais contribuiu para a sua construção, tendo o primeiro construído também uma alameda de esfinges de cabeça humana que dava acesso ao Serapeum a partir da cidade de Mênfis, a leste, abaixo do planalto de Sakkara. Diz-se que em 1850 uma destas esfinges, visível acima da areia, fez Auguste Mariette pensar que o Serapeum mencionado pelos autores clássicos se devia procurar em Sakkara. Novos indícios, não publicados, indicam que o antiquário inglês A. C. Harris chegou à mesma conclusão alguns anos mais tarde.

No extremo oriental da alameda de esfinges, imediatamente a seguir à cidade de Mênfis, encontravam-se alguns templos, entre os quais o famoso Anubieiron e o Asclepicion, construídos em grane parte pelos Ptolomeus. Nas proximidades havia cemitérios de chacais e gatos mumificados.

As escavações levadas a cabo em 1964, pela sociedade Egípcia de Exploração, perto do extremo noroeste da necrópole de Sakkara, puseram a descoberto galerias de vacas "Mãe de Ápis" mumificadas, assim como de falcões, Íbis e babuínos.

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O templo do Sol | As Pirâmides | As Mastabas

O Templo do Sol - O monumento mais setentrional de Abusir, a meio-caminho entre Abu Ghurab e as pirâmides de Abusir e isolado de quaisquer outros edifícios, é o templo do sol, construído pelo faró Userkaf. è o mais antigo templo do sol preservado no Egito, por isso a sua simplicidade e ausência de decoração em relevo não surpreendem, mas o reinado de Userkav, que durou apenas sete anos, não lhe permitiu terminar o templo. Alguns extos egípcios escrevem o seu nome com um sinal hieroglífico que representa apenas um obelisco com um muro de vedação à volta. Tal parece indicar que o próprio obelisco era posterior, o que ficou demonstrado pela escavação e estudo arquitetônico do templo, efetuados por H. Ricke e G. Haeny, entre 1954 e 1957. ao todo, podem distinguir-se quatro fases de construção da parte superior do templo, datando as três primeiras da 5ª dinastia.

Continua a haver alguma incerteza quanto à parte inferior do monumento, o chamado "templo do vale". S. Schott e H. Ricke sugeriram que esta estrutura estaria relacoinada com o culto da deusa neith, originária do delta, mas que se tornou muito popular na região de Mênfis durante o Império Antigo. os seus cognomes menfitas mais vulgares eram "A Norte do Muro" (indicando presumivelmente que o seu santuário se situava a norte dos muros da capital, Mênfis) e " A que Abre Caminhos" (refência ao seu caráter belicoso, uma "batedora").

O seu templo ainda não foi localizado de forma a não deixar dúvidas. A ausência de qualquer prova inscrita proveniente de Abusir que faça referência a Neith exige, no entanto, que o problema seja abordado com precaução.

As Pirâmides - O fundador da 5ª dinastia, Userkaf, construiu a sua pirâmide em Sakkara, mas quatro dos cinco faraós seguintes mudaram-se para Abusir (a pirâmide de Shepseskare não foi ainda localizada).

O complexo da pirâmide de Sahure era uma estrutura grandiosa, tanto em tamanho como em decoração. A sua planta pode servir de xemplo típico da arquitetura funerária real do egito da 5ª dinastia. O material de base para construção dos templos era o calcário, sendo o de melhor qualidade proveniente das pedreitas de Tura (que atrevessava o rio de barco a partir da margem oriental), utilzado nos relvos, o granito vermelho de Assuã, utilizado em colunas, ombreiras de portas e lintéis, e o basalto negro, para os pavimentos. A pirâmide foi também construída em calcário, tendo sido o de Tura reservado para o seu revestimento exterior e para o dos corredores, e o granito utilizado em alguns dos seus elementos interiores. A qualiade da alvenaria da parte entral era muit má e era inicialmente escondida por detrás do revestimento exterior, o que poupava trabalho. No entanto, em consequencia disso, a estrutura é atualmente pouco mais do que uma enorme pilha de entulho.

Embora quase toas as decorações em relvo e inscrições em calcário dos templos tenham sido transformadas em cal por diligents empresários de épocas posteriores (apenas pouco mais de um centésimo dos 10 000m2 de decoração originais se encontra preservado), as cenas framentárias são espetaculares, tanto pelos seus temas como pela proeza técnica que representam. É verdade que nenhuma decoração de templos de pirâmides anteriores apresenta um grau de conservação significativo, faltando-nos, portanto, termo de comparação, mas o certo é que os arquetetos e artistas que trabalharam na construção do complexo da pirâmide de Sahure se viram confontados com problemas inteiramente novos. As soluções por eles encontradas estabeleceram o padrão para muitas gerações a seguir.

O tema dos relvos é o próprio faraó, as suas ativdades mundanas e os seus feitos, assim como cenas caracterizando a sua posição relativamente aos deuses. Os mais notáveis são, talvez, as grandes composições das paredes, representando Sahure matando animais do deserto com arco e flecha e barcos egípcios voltando de uma expedição à Ásia. A técnica utilizada nestas cenas é o melhor "baixo" alto-relevo (pintado, como era habitual), em que as figuras e textos se elevam apenas alguns milímetros acima da superfície da pedra.

Os complexos das pirâmides de Neferirkare e Neuserre sofreram ainda mais do que os seus antecessores. Neferirkare desnhou o seu complexo funerário numa escala maior do que Sahure, masnão conseguiu acabá-lo, e Neuserre apropriou-se mais tarde da sua parte inferior inacabada, fazendo divergir a avenida em diração ao seu próprio templo da pirâmide. Não há qualquer prova tangível que identificque as ruínas da quarta pirâmide, geralmente considerada como pertencente a Raneferef. No entanto, o nome da pirâmide de Raneferer é mencionado em textos egípcios e a identificação, embora incerta, é muito possivelmente correta.

A exploração das pirâmides de Abusir foi levada a cabo por L. Borchardt no princípio deste século.

As mastabas - De entre os túmulos particulares de Abusir o mais importante é, de longe, a mastaba da família de Ptahshepses, vizir (mais alto funcionário do estado) e genro de Neuserre. É um dos maiores túmulos particulares do Império Antigo, de tal modo que, na primeira metade do século XIX, C. r. Lepsius a marcou como a sua décima nona pirâmide egípcia. Esta mastaba foi recentmente escavada pelo Instituto Checoslovaco de egiptologia.

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Recontituição do Templo

Os soberanos da 5ª dinastia, à exceção dos dois últimos, expressaram a sua preferência pelo deus-sol heliopolitano, Rá, ao construírem templos especiais destinados ao seu culto. Conhecem-se ao todo, a partir de textos egípcios, os nomes de seis destes templos, mas até agora os arqueólogos apenas conseguiram localizar as ruínas de dois deles. O templo do sol, construído por Neuserre em Abu Ghurab, é um magnífico exemplo deste tipo de edifício, dificilmente ultrapassável, mesmo que venham a encontrar-se os outros quatro. No que respeita à suas características gerais, deve muito ao complexo de pirâmide típico do mesmo período. O seu eixo principal é leste-oeste e compreende:

  1. O templo do vale (perto de um canal, de modo a poder-se lá chegar de barco);
  2. A avenida (ligando o templo do vale à parte superior do complexo);
  3. O templo supeior.

O elemento dominante do templo superior era um vasto pátio aberto, com um altar e um obelisco de alvenaria (não monolítico), simbolizando o deus-sol. O corredor à volta do templo e a capela a sul do obelisco eram decoradas com cenas que representavam o faraó participando em cerimônias do ritual sed. Muito mais invulgares eram, no entanto, as cenas da "Sala das Estações". A influência criativa ali expressa em cenas características do Egito rural na estação de akhet (a inundação) e na de shemu (a colheita).

São muito raros os relvos deste tipo em monumentos reais do Império Antigo, que apenas têm paralelo nas representações, muito menos vastas, dos complexos das pirâmides do mesmo faraó em Abusir e de Wenis em Sakkara.

A sul do templo superior encontrava-se uma imitação em tijolo de barca do deus-sol (com cerca de 30cm de comprimento).

O tempo, conhecido pelos antigos viajantes por "Pirâmide de Reegah), foi posto a descoberto pelos arqueólogos alemães Ludwig Borchardt, Heinrich Schafer e F. W. Bissing, em 1898-1901, e os seus fragmentos de relevos espalhados por muitos museus e coleções, sobretudo na Alemanha, Muitos desapareceram durante a 2ª Guerra Mundial. Só recentemente foram publicados desenhos da "sala das Estações", mas a sua avaliação ainda não está complet, que 80 nos depois da sua descoberta.

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Complexo da pirâmide de Khufu | Complexo da pirâmide de Rakhaef | Complexo da pirâmide de Menkaure | Túmulos particulares | Gizé após o final do império antigo
As Pirâmides de Gizé

As três pirâmides de Gizé, da 4ª dinastia, começam a surgir no horizonte logo depois de se ter atravessado o subúrbio do Cairo que lhe deu o nome, seguindo em direção a sudoeste, ao longo da Sharia al-Ahram (avenida das pirâmides). A história deste local remonta, no entando, a muito antes, pelo menos ao reinado de Ninetjer, da 2ª dinastia, cujo nome aparece em alguns selos de vasos encontrados num túmulo na parte sul do sítio. A sul da zona geralmente descrita como necrópole de Gizé foi localizado um túmulo ainda mais antigo, do reinado de Wadj, da 1ª dinastia.

O aspecto atual deste sítio resulta da configuração natural do terreno e das atividades humanas, sobretudo da extração de pera calcária, rica em fósseis, utilizada como material de construção das pirâmides e mastabas, bem como do fato de os construtores ali terem descarregado os resíduos da construção. Os efeitos mais pronunciados das atividades de extração de pedra podem observar-se a sudoeste das pirâmides de Rakhaef (Quéfren) e Menkaure (Miquerinos).

Este sítio divide-se, naturalmente, em dois grupos bem definidos, situados num nível mais alto e separados por um largo uadi. O primeiro, muito maior e mais importante, comprende as pirâmides e os terrenos circundantes, com mastabas particulares. Os templos do vale pertencents às pirâmides e a Grande Esfinge com os templos adjacents situam-se abaixo deste planalto. O grupo menor e menos importante, constituído apenas por túmulos particulares, fica num cume, a sudoeste.

O estudo sistemático deste sítio começou na primeira metade do século XIX. De entre os primeiros exploradores, os mais importantes foram Giobanni Battista Caviglia, Biovanni Battista Belzoni, R. W. Howard Vyse e J. S. Perring. C. P. Lepsius e a expedição prussiana trabalharam lá no princípio da década de 1840 e Auguste Mariette e W. M. Flinders Petrie durante a segunda metade do século passado e princípios dest. No entanto, George Andrew Reisner, Hermann Junker e Selim Hassan contribuíram mais do que ninguém para o conhecimento que temos sobre Gizé. Embora tenha sido, provavelmente, escavado de forma mais sistemática do que qualquer outro sítio do Egito, a sua exploração não pode ainda hoje ser considerada completa.

Complexo da Pirâmide de Khufu - A pirâmide de Khufu, geralmente chamada "Grande Pirâmide", é talvez um dos mais famosos monumentos do Mundo. A sua dimensão majestosa e construção perfeita fizeram dela o foco das atenções dos visitantes da região de Mênfis desde tempos imemoriais. Esta pirâmide foi quase de certeza saqueada durante o período de instabilidade polítca e social que se seguiu ao colapso do poder central depois do fim do Império Novo, embora faltem provas concretas disso. A reutilização dos blocos decorados de Khufu começou em el-Lisht durante o reinado de Amenemhet I. Os exploradores modernos encontraram a Grande Pirâmide vazia, apenas com um sarcófago de granito maciço na câmara funerária do 3º plano de construção indicando a sua finalidade original.

Durante a Idade Média o revestimento exterior da pirâmide, de calcário, foi todo retirado, daí resultando que muitos edifícios da parte antiga de Gizé, e talvez também do Cairo, devem a pedra para a sua construção à Grande Pirâmide. Esta é atulament, para além das pequenas pirâmides das mulheres de Khufu, o único elemento do complexo original que continua a ser espetacularmente evident e que, apesar de toda a expoliação, parece ter sido pouco afetado. O templo do vale está enterrado algures por baixo das casas da moderna aldeia de Nazlet el-Simman, sendo remota a hipótese de vir a ser recuperada no futuro. A avenida, representada nos velhos mapas do local e ainda visível no século passado, desapareceu também quando a aldeia começou a crescer e apenas um pedaço do pavimento de basalto junto à face leste da pirâmide indica a localização do templo da pirâmide. Khufu pode não ter sido bem sucedido no seu plano de construir umlugar seguro para o seu corpo descansar eternamente, mas parece ter sido um êxito total na construção de um monumento quase indestrutível.

O interior da Grande Pirâmide mostra que o plano inicial sofreu, pelo menos, duas alterações durante o processo de construção. O vistante moderno entra na pirâmide por uma passagem aberta à força pelos homens do califa Maamun, no século IX d.e.c., situada por baixo e umpouco para oeste da entrada original. O corredor descendente dá acesso à câmara funerária do 1º plano, abaixo do nível do solo. Antes de esta ter sido terminada, o desnho foi ampliado e alterado, adotando-se o 2º plano que colocava a camara funerária no coração da pirâmide, sendo o acesso feito pelos corredores ascendentes e direitas. Uma nova alteração fez com que mesmo este plano fosse abandonado e o corredor ascendente foi prolongado pela grande galeria, chegando-se assim à câmara funerária do 3º plano. A grande galeria, com o seu teto com modilhões, é certamente a parte mais impressionante de todo o interior. Uma das suas finalidades devia ser a de proporcionar espaço para armazenar os blocos de granito que eram empurrados pelo corredor ascendent, após o funeral, para o selarem para sempre. As frequentes alteraçõese de plano não são difíceis de comprender quando se percebe que os arquitetos se deparava a impossível tarefa de se esperar que tivessem o complexo pronto para receber o corpo do faraó quando este morresse, sem poderem antever com precisão esta "data limite".

Mesmo atualmente a construção da Grande Pirâmide levantaria consideráveis problemas tecnológicos e de gestão. O projeto devia estar mais ou menos terminado no final dos 23 anos de reinado de Khufu, o que significa que todos os anos cerca de 100000 grandes blocos (isto é, cerca de 285 por dia), pesando cada um, em média 2,5t, devem ter tido que ser extraídos, talhados, trazidos para o local de construção progredia, a altura a que ra necessário levantar os blocos aumentava, ao mesmo tempo que a plataforma de trabalho no alto da pirâmide diminuía rapidamente de tamanho. Uma vez "lançado" o projeto, o transporte do material era quase de certeza exclusivament efetuado pela força dos homens, já que o espaço restrito impedia a utilização de animais de tração. Ainda não tinham sido inventados dispositivos tão simples como a roldana ou os veículos de rodas e os problemas relacionados com o transporte e elevação de psados blocos de pedra devem ter sido enormes. Pelo menos tantas pessoas como as que se ocupavam efetivamentet dos blocos de pdra devem ter sido empregues em trabalhos auxiliares, por exemplo na construção das rampas inclinadas ao longo das quas se arrastavam os blocos, na manutenção de ferraments, no forneciemnto de comida e água. etc. Dada a incerteza quanto aos métodos que os Egípcios utilizaram realmente, qualquer estimativa da dimensão da força de trabalho continua a ser uma mera conjectura.

A magnitude da tarefa, a precisão com que o edifício foi desenhado e construído, o fato de não haver registro de se ter encontrado qualquer sepultura na Grande Pirâmide e a ideia, aparentemente absurda, de que o objetivo de todo este trabalho era o de proporcionar um túmulo a um único indivíduo, têm, desde há muito templo, preocupado tanto estudiosos como amadores. O interesse não parece estar ainda a diminuir, mas, infelizmente, nem todos os "estudantes" da Grande Pirâmide seguem métodos estritamente acadêmicos, sendo a abordagem esotérica da pirâmide normalmente designada por "piramidologia". É, no entando, inútil afirmar que os egiptólogos resolveram todos os problemas relacionados com esta ou com outras pirâmides.

No princípio da década de 1950 teve lugar uma notável descoberta. Perto da face sul da pirâmide de Khufu descobriu-se uma cova retangular que se verificou contar partes de um barco de madeira desmantelado. naquele ambient fechado tinham-se mantido em perfeito estado de conservação e o barco, com mais de 40m de comprimento, foi agora montado de novo, embora os visitantes não tenham acesso a ele. Conhece-se a localização de outra cova, quase de certeza contendo outro barco, mas ainda não está aberta. Os barcos eram, talvez, utilizados para levar o corpo do falecido faraó para o local da purificação e embalsamamento, e, finalmente, para o templo do vale.

O Complexo da Pirâmide de Rakhaef (Quéfren) - O filho e sucessor de Khufu, Radjedef, começou a construir a sua própria pirâmide em Abu Rawash, a norte de Gizé, mas o faraó seguinte, Rakhaef, também filho de Khufu, construiu o seu complexo funerário ao lado do de seu pai. Embora tenha sido desenhado em escala mais modesta, um ligeiro aumento da inclinação das faces da pirâmide produziu o efeito de uma estrutura de tamanho comparável ao da Grande Pirâmide. Esta pirâmide (geralmente conhecida por "Segunda Pirâmide") mantém um pouco do seu revestimento liso orignal perto do vértice, talvez devido a uma alteração do método d eposicionamento dos blocos.

O templo do vale do complexo de Rakhaef, perto da Grande Esfinge, é um edifício sóbrio que, na ausência quase total de decoração, conta com o efeito produzido pelo revestimento de granito polido das paredes das suas salas e pelos seus pavimentos de calcite. Uma cova numa das salas continha um conjunto de esculturas de Rakhaef, em diorito-gneisse e grauvaque, ali depositadas numa época posterior, entre as quais estava aquela que [e, talvez, a mais famosa estátua egípcia, representando o faraó sentado com um falcão polsado nas costas do trono.

O complexo da pirâmide de Menkaure - o complexo da pirâmide de Menkaure, outro faraó da 4ª dinastia, parece tum tanto menor em comparação com os seus dois companheiros. Embora tivesse sido acabado à pressa com tijolos, o seu templo do vale forneceu uma magnífica coleção de estátuas reais. Algumas delas eram tríades (grupos de três figuras) e representavam o faraó acompanhado da deusa menfita Hathor e de personificações dos nomos (províncias) do Egito. Encontrou-se também uma dupla estátua de pé do faraó e de uma das suas mulheres, a mais antiga deste tipo na escultura egípcia.

Esta pirâmide (conhecida por "Terceira Pirâmide") foi remobilada, provavelmente durante a 26ª dinastia, altura em que o culto dos faraós enterrados em Gizé foi reavivado. O sarcófago de basalto encontrado na câmara funerária perdeu-se, infelizemnte, no mar a caminho da Inglaterra, não sendo, portanto, possível verificar a sua data, mas os restos de um caixão de madeira, supostamente o de Miquerinos, foram certamente colocados na pirâmide uns 1800 anos mais tarde. Uma inscrição descoberta nos restos do revestimento perto da entrada da pirâmide refere-se, provavelmente, a este antigo e notável esforço de restauração.

Túmulos Particulares - Perto de cada complexo de pirâmide há terrenos de túmulos de dignitários e sacerdotes. Esta proximidade explica-se pelo fato de muitos destes túmulos serem oferecidos pleo próprio faraó, construídos por artífices ao seu serviço e beneficiarem da redistribuição das oferndas trazias aos complexos de pirâmides viznhos. Muitas das pessoas enterradas nestes túmulos tinham estado, durante a sua própria vida, ligadas à necrópole de Gizé por funções sacerdotais.

Os campos de mastabas mais vastos ficam a ocidente, sul e leste da pirâmide de Khufu. Os núcleos dos camplos oeste e leste, contemporâneos da Grande Pirâmide, comprendem mastabas de pedra de tamnho uniforme e dispostas em filas regulares. Estes camplos continuaram a ser utilizados durante o resto do Império Antigo, sendo muitas vezes adicionados túmulos menores entre as mastabas maiores. As pedreiras a sudoeste das pirâmides de Rakhaef e Menkaure, com as suas faces de rocha criadas artifcialmente, proporcionavam condições ideais para túmulos cavados na rocha, os mais antigos deste tipo no Egito.

Uma mastaba típica como as construídas em Gizé durante o reinado de Khufu, tinha uma superestrutura de pedra e de plano retangular e faces ligeiramente inclinadas. Um poço perfurado nesta superestrutura e cavado no substrato rochoso terminava numa simples câmara funerária. Este poço era selado para sempre depois de o caixão ter sido depositado na câmara. A capela de culto inicial compreendia uma ou duas salas construídas de tijolo contra a face leste da mastaba. O elemento principal desta capela primitva era uma estela com inscrições, representando o morto sentado a uma mesa e com uma lista de oferendas. As oferendas eram trazidas para o ka (espírito) do defunto e colocadas diante desta estela em dias determinados. Não havia mais elementos decorativos no túmulo.

As mastabas de Gizé foram os mais antigos túmulos particulares de pedra do Egito, não sendo, por isso, de admirar que o simples desnho original tenha sofrido rápidas alterações, tendo as maiores tido lugar na capela. Em algumas das mastabas foi introduzida uma capela interior; por exemplo, o núcleo da mastaba continha a sala de oferendas e outras anexas, continuando outras a ser construídas no exterior. A estela foi substituída por uma porta falsa e as paredes da capela começaram a ser revestidas de calcário de qualidade e decoradas com relevos.

As esposas principais dos faraós eram as únicas pessoas, além do próprio rei, a quem era concedido o privilégio de serem enterradas em pequenas pirâmides, situadas perto da estrutura piramidal principal. O túmulo da rainha Hetepheres, mulher de Snefru e mãe de Khufu, encontrado a leste da Grande Pirâmide, em 1925, não tinha, no entanto, tenhuma superestrutura de qualquer tipo e o objeto mais importante do túmulo, a múmua da rainha, tinha desaparecido. O túmulo dava todo ele a impressão de ter sido feito para a rinha ser reenterrada um tanto à pressa e não se sabe se o túmulo original, que talvez ficasse perto das pirâmides de Snefru em Dahshur, teria sido roubado e a múmia da rainha destruída.

A grande esfinge - O conceito de esfinge, criatura de cabeça humana e corpo de leão, só é conhecido no Egito a partir do reinado de Radjedef, predecessor imediato de Rakhaef. A perfeição com que estes dois elementos incongruentes foram amalgamados numa escala enorme na Grande Esfinge é bastante obscura. O templo que lhe fica em frente tem algumas semelhanças com os templos do sol posteriores, construídos pelos faraós da 5ª dinastia em Abu Ghurab e Abusir, mas não há indícios quanto ao significado religoso da Grande Esfinge durante o império Antigo. Só uns 1000 anos mais tarde é que esta estátua colossal começou a ser identificada com o deus Harmakhis ("Hórus no Horizonte").

Já por várias vezes teve de ser retirada a areia que tende a cobrir a Esfinge, tendo provavelmente esta operação sido efetuada pela primeira vez pelo faraó Tutmósis IV, que deixou registro deste fato na chamada "Estela do Sonho", erigida entre as patas da frente da Esfinge.

Giza após o final do Império Antigo - Com o fim do Império Antigo terminou o apogeu de Gizé e, durante os 600 anos seguintes, nenhum acontecimento significativo ali teve lugar. Só no Império Novo é que ste local tirou proveito da importância renovada de Mênfis (Mit Rahina). O faraó Amenhotep II, da 18ª dinastia, construiu um peuqneo templo de tijolo em honra de Harmakis, a nordeste da Grande Esfinge, que Sethi I ampliou posteriormente. Gizé tornou-se local de peregrinação e vários faraós e muitos indivíduos particulares ali colocaram as suas estelas votivas.

Durante a 21ª dinastia, uma das pirâmides das rainhas do complexo de Khufu, a que fica a sul, foi reconstruída sob a forma de templo de Ísis, "Senhora da Pirâmide". O templo foi ampliado durante a 26ª dinastia e a Terceira Pirâmide deve ter sido remobilada graças aos sacerdotes deste templo. Ao longo da avenida de Rakhaef estão espalhados vários túmulos isolados deste período, podendo ver-se as portas que dão acesso às ruínas pilhadas de outros na face rochosa a oeste da Grande Esfinge.

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Este sítio, que deve o seu nome ao da aldeia de Abu Rawash, situada a leste, serviu de necrópole d eum importante centro administrativo logo no início da história do Egito. As escavações revelaram objetos com os nomes de dois reis da 1ª dinastia neles incritos, Aha e Den.

O Faraó Rdjedef, que escolheu o imponente planalto de Abu Rawash para local do seu complexo de pirâmide, não se instalou em solo virgem. A sua pirâmide, é a que fica mais ao norte da necrópole e os restos de material de construção encontrados no local indicam que tinha sido planejada para ser, pelo menos, parcialmente revestida de granito vermelho. A avenida, com cerca de 1500m de comprimento, acerca-se da pirâmide e respectivo templo por nordeste, em vez de por leste, como era habitual, mas tal fato foi determinado mais pelas características do terreno do que por quaisquer considerações religiosas. Como Radjedef reinou apenas oito anos, o seu monumento funerário pouco mais além chegou do que às fases iniciais da sua construção. As suas partes mais importantes foram escavadas, mas na época atual não se conseguiu chegar à câmara funerária.

Apesar de inacabado, o complexo da pirâmide forneceu-nos alguns exemplos excelentets de esculturas reais da primeira metada da 4ª dinastia, embora sejam, infelizmente, fragmentários. As estátuas são feitas do duro quartzito vermelho de Gebel Ahmar (a leste do Cairo). para além de nos mostrarem as feições um tanto idealizadas do faraó, uma delas é uma linda estátua sentada com uma pequena figura da mulher de Radjedef, Kehentetka, ajoelhada e segurando a perna do marido. Embora tenha sito entusiasticamente adotado por escultores de estátuas particulares, este tipo não voltou a ser repetido na escultura real.

O sítio de Abu Rawash nunca mais readquiriu a efêmera importância que teve no reinado de Radjedef. No entanto, numa das estruturas mais recents de uadi Qaren, a norte desta pirâmide, encontrou-se a parte superior de uma belíssima estatueta da rainha Arsinoe II, irmã e mulher de Ptolomeu II Filadelfo.

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Referências Bibliográficas
1 W. M. F. Petrie et. al., Memphis, Londres, 1909-13;  
2 J. P. Goneim, Horus Skhem-khet. The unfinished step Pyramid at Saqqara, Cairo 1957;  
3 G. A. Reinser, Mycerinus. The Templos of The Third Pyramid at Giza. Cambridge (Mass.) 1931;  
4 W. K. Simpson, The mastabas of Kawab, Khafkhufu I and II. Boston (Mass.) 1978;  
5 F. Bisson de la Roque, Rapport sur les fouilles d'Abou-Roasch (1922-1923) and (1924). Cairo 1924-25.  
 
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