| A Primeira Fase | Viajantes e Arqueólogos | Decifrando os Hieróglifos | Crescimento da Egiptologia | Escavações no século XX | Publicações | Egiptologia fora do Egito |
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Os Europeus tem-se interessado quase continuamente pelo Egito e vários autores, desde o grego Hekataios de Mileto, no século VI a.e.c. (cujo livro se perdeu), até aos nossos dias, tem escrito sobre este país. Quando a civilização do Antigo Egito se extinguiu, nos finais do período romano, não podia já ser objeto de estudo contemporâneo, mas continuou a ser lembrada, durante toda a Idade Média, pelos seus monumentos, sobretudo as pirâmides. Alguns peregrinos passaram pelo Egito a caminho da Terra Santa, especialmente para visitarem locais associados com a estada de Cristo, e acreditava-se mesmo que as pirâmides tinham relação com a história biblica, sendo considera-das como os "celeiros de José".
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 As Primeiras Fases |
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O interesse e o conhecirnento da Antiguidade renovaram-se no Renascimento e entre os textos clássicos, trazidos à luz do dia no século XV, encontrava-se a Hieroglyphica de Horapollo, obra do século IV d.e.c. que pretende ser de origern egípcia e dá explicações simbólicas do significado de um certo número de sinais da escrita hieroglífica e do Corpus Hermericus, conjunto de panfletos filosóficos dos primeiros séculos da nossa era, escritos provavelmente no Egito e contendo ideias egípcias genuínas, intercaladas com material neoplatônico e outro. Os textos deste último tipo defendiam, em grande parte, O pressuposto — vindo dos primeiros filósofos gregos — de que o Egito era a fonte da sabedoria. O rnesrno se pode dizer do Hieroglyphica, que, segundo se afirmava, descrevia um método de encerrar verdades profundas em sinais pictóricos.
No século XVI Os estudiosos da Antiguidade dedicaram—se mais do que nunca ao estudo dos vestígios dessa época e, em Roma, principal centro das suas investigaçôes, viram-se de imediato confrontados com objetos egipcios, a maior parte dos quais tinham sido importados para o culto de Isis, popular nos principios do império. Estes objetos encontram—se referidos em antigas publicações de antiguidades e formam, em conjunto com os obeliscos, que continuam a ser um elemento característico do cenário de Roma, um núcleo de estudo reconhecido na sua maior parte como egípcio e interpretado com a ajuda dos escritos dos autores clássicos sobre o Egito. Os ilustradores da época não tinham qualquer noção das diferenças entre as seus próprios rnétodos de representacão e os do antigo Egito, o que leva as suas reproduções a terem apenas uma vaga sernelhança com os onginais.
Os finais do século XVI e principios do XVII foram a época das primeiras visitas ao Egito, em busca de antiguidades. Pietro della Valle (1586-1625) viajou por todo o Mediterrâneo oriental, de 1614 a 1626, e trouxe consigo para italia múmias egipcias e importantes manuscritos coptas. Os rnanuscritos estavam redigidos na forrna mais recente da língua egípcia, em letras gregas, sendo esta lingua regularmente aprendida pelos padres da Igreja copta do Egito, onde é, ate hoje, utilizada para fins litúrgicos. Os manuscritos podiam, portanto, ser estudados por quem soubesse árabe, língua em que os livros elementares coptas eram escritos. Dois séculos mais tarde o copta viria a servir de base para a decifração da escrita hieroglífica. Foi também o elemento inicial de estudo do grande polímata Athanasius Kircher (1602--1680), que escreveu numerosas obras sobre o antigo Egito e foi um dos primeiros a tentar a decifração.
Um fascinante desvio no desenvolvimento do conhecimento do Egito pelos Europeus é revelado por um manuscrito dando conta da visita, em 1589, de um anônimo veneziano que viajou pelo Alto Egito e pela Baixa Núbia ate el-Derr. O autor diz que "não viajou com nenhurn objetivo útil, mas apenas para ver tantos edificios magnificos, tantas igrejas, estátuas, obeliscos e colunas. Mas, “embora tenha ido ate muito longe, nenhum dos edificios que vi era digno de admiração, à exceção de um, a que os Mouros chamavam Ochsur (Luxor, em que o autor inclui também Carnaque). A sua opinião iria estar na moda cerca de 250 anos mais tarde, quando Luxor se tornou centro de turismo, e nesse aspecto mostra—se particulamente profético. Diz ele, a propósito de Carnaque: Avaliem se este enorme edificio é superior às Sete Maravilhas do Mundo. Uma delas ainda existe, uma das pirâmides dos faraós, que, em comparação com esta construção, é coisa sem importância. Não estou a mandar ninguém que queira ver o monumento para o firn do mundo. Fica apenas a dez dias de viagem do Cairo e é bastante barato lá ir". Esta obra espantosa so foi publicada no século XX e parece não ter tido qualquer influência sobre outros escritores.
No século seguinte o texto que mais se aproxima deste, conhecido através de publicações secundárias, é uma narrativa da visita de dois frades capuchinhos a Luxor e Esnar, em 1668, onde, segundo dizem, "que se saiba, nunca algum francês aqui esteve". Tal como o seu predecessor, não tinham muito tempo, mas conseguiram atravessar para a margem ocidental, em Tebas, e ver o vale dos Reis, principal atração turística que escapara ao veneziano.
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 Viajantes e Arqueólogos |
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Explorações como as que acabamos de mencionar não podem ser consideradas arqueológicas. Esta palavra pode, contudo, ser utilizada em relação ao trabalho de John Greaves (1602-1652), astrônomo inglês que publicou a sua obra Pyramdographia, or a Discourse of the Pyramids of Aegypt em 1646. Greaves visitou duas vezes Gizé, ern 1638-1639, mediu e examinou pormenorizadamente as pirâmides e fez uma análise critica dos escritos antigos sobre elas, tendo ido igualmente aSaqqara. A obra dai resultante é mais perspicaz do que qualquer outra dessa época sobre o amigo Egito. Uma característica digna de nota é a citação de fontes árabes rnedievais. Greaves seguiu essencialmente o exemplo da sabedoria humanista do Renascimento, mas a aplicação que fez destes métodos ao antigo Egito não foi imitada por ninguém.
A partir de finais do século XVII, o núrnero de viajantes que iam ao Egito aumentou gradualmente e os seus escritos começaram a incorporar desenhos de monumentos utilizáveis. O avanço mais significativo no conhecirnento do antigo Egito foi conseguido pelo jesuíta Claude Sicard (1677-1726), que foi incumbido pelo regente de FranÇa de investigar monumentos antigos no Egito. Apenas algumas das suas cartas sobre este assunto foraM preservadas. Visitou quatro vezes o Alto Egito e foi o primeiro viajante modemo a identificar a localizaçao de Tebas e a designar corretamente o colosso de Memnon e o vale dos Reis, tudo isto com base em descrições clássicas. O seu mais irnportante sucessor foi o dinamarqués Frederik Ludwig Norden (1708-1742), que visitou o Egito em 1737-1738, e cujo livro de viagens, publicado postumamente e magnificamente ilustrado pelos seus próprios desenhos, teve várias edições entre 1751 e o fim do sécubo XVIII.
O aumento do número de visitantes do Egito seguiu a par de um melhor tratamento das questões egípcias — e das culturas exóticas da Antiguidade como um todo — nas obras mais famosas do sécubo XVIII, das quais as mais importantes são as compilações em vários volumes, da autoria de Bernard de Montfaucon (publicada em 1719-1724) e do barão de Caylus (1752-1764). Ambas atribuem um espaço importante aos objetos egípcios, ao mesmo tempo que atribuiam também ao Egito muito do que provinha de outros lugares. Existiam já coleções consideráveis de antiguidades e algumas delas, como a pertencente ao arcebispo Laud na década de 1630, incluiam mesmo falsificações.
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 Decifração da Escrita Hieroglífica |
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Durante todo o sécubo XVII continuou a estudar-se a escrita hieroglífica, embora fossem poucos os progressos em direção a sua decifração. O interesse do estudioso e o do linguista culminaram ambos com Georg Zoega (1755-1809), cujas duas obras principais, um tratado sobre os obeliscos, incluindo um capítulo sobre a escrita hieroglífica, e um catálogo de manuscritos coptas, fazem parte das coleções do Vaticano e são de um valor que perdura ate hoje. A data da obra sobre os obeliscos (1797) É simbólica como auge dos estudos egipcios antes da expedição de Napoleão, em 1798. Embora a escrita pudesse ser decifrada e o tivesse sido certamente sem a descoberta de inscrições bilingues, a egiptologia, tal como a conhecemos, é produto desta expedicão, da descoberta da pedra de Roseta, do entusiasmo pelo Egito dai decorrente e das alterações no clima intelectual da Europa ocidental.
A expedição foi acompanhada de uma equipe de estudiosos que deviam estudar e registrar todos os aspectos do Egito, tanto antigo como moderno. A pedra de Roseta passou em breve para as mãos dos Ingleses, mas a equipe produziu uma obra fundamental, em vários volumes, a Description de l’Égipte, publicada pela primeira vez em 1809-1830. Foi esta a última e, sem dúvida, a mais importante obra produzida antes da decifração daquela escrita por Jean—François Champollion le Jeune (1790-1832), em 1822-1824, que constitui o começo da egiptobogia como disciplina a parte. Champollion e Ippolito Rosellini (1800-1843), um italiano de Pisa, montaram, na década de 1820, uma expedição conjunta para procederem ao registo de monumentos no Egito, mas nessa altura já chegavam tarde. Nos vinte anos anteriores, numerosos viajantes tinham visitado o Egito e alguns sítios da Baixa Núbia, roubando antiguidades, escrito livros, ou ambas as coisas. Entre eles contam-se os cônsules Anastasi, d’Athanasi, Drovetti e Salt, o homem forte italiano Belzoni, o escultor frances Rifaud e os viajantes suiços Gau e Burckhardt. As coleções obtidas por alguns destes homens formaram os núcleos das seções egipcias do Museu Britânico, do Louvre, cm Paris, do Rijksmuseum van Oudheden, em Leida, e do Museo Egizio, em Turim (so no fim da décadade 1850 É que passou a haver ci Museu Egípcio no Cairo). Na primeira metade do século XIX as escavações levadas a Cabo no Egito tinham por principal objetivo a descoberta de objetos. A recolha de informação, por oposicão aos objetos, vinha muito atrás.
Antes da sua morte, em 1832, Champollion tinha já feito grandes progressos na compreensão da lingua egípcia e na reconstituição da história e da civilização egípcias, mas a sua obra teve pouco impacto, tanto pelos atrasos na publicação como pela sua natureza estritamente acadêmica. Por volta de 1840, a primeira geração de egiptólogos ja tinha morrido e esta disciplina manteve uma exigência precária, na França com o visconde Emmanuel de Rouge (1809-1872), na Holanda com Conrad Leemans (1809-1893) e especialmente na Prussia com Carl Richard Lepsius (1810-1884). A obra de Lepsius, em 12 volumes, Denkmaeler aus Aegypten und Aethiopien (1849-59), resultado de uma expedicao Nilo acima ate Meroe, em 1842-1845, é a mas antiga publicação de confiança de uma vasta seleção de monumentos, e a sua importância é ainda fundamental.
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 O Crescimento da Egiptologia |
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Em meados do século, Lepsius, o seu contemporâneo mais novo, Heinrich Brugsch (1827-1894) e uma meia duzia de outros estudiosos, continuaram a avançar nesta matéria, enquanto o traballio no Egito adquiria caráter permanente com Auguste Mariette (1821—1881), um francês enviado a partida, em 1850, para obter manuscritos coptas para o Louvre. Mariette começou a trabalhar para o quediva Said em 1858, tendo efetuado escavações em muitos locais, antes e depois dessa data, e fundado o Museu Egípcio e os Serviços de Antiguidades. O objetivo destes úitimos era a preservação e registo dos monumentos, a realização de escavações e a administração do museu. Até a revolução egipcia de 1952 Os seus diretores forarn europeus, o mais famoso dos quais foi o sucessor de Mariette, Gaston Maspero (1846-1916).
Os objetivos das escavações cientificas no Egito foram dados a conhecer pela primeira vez, em 1862, pelo escocês Alexander Rhind (1833-1863), ruas só foram significativamente atingidos com o trabalho de W. M. F. Petrie (1852-1942). Petrie foi pela primeira vez ao Egito em 1880, para fazer medições da Grande Pirâmide para fins piramidológicos. Mais tarde efetuou escavações por todo o Egito, publicando um livro quase todos os anos, com os resultados do lnverno anterior.De entre as suas escavações salientam—se algumas descobertas espetaculares, mas a importância da sua obra foi muito mais a de constituir um quadro de informação sobre as diferentes regiões e períodos, frequentemente resultado de novos trabalhos em locais que tinham já sido sumariamente escavados por outros. Ainda em vida de Petrie, os seus critérios foram ultrapassados, sobretudo pelo estado-unidense G. A. Reisner (1867-1942), reduzindo assim o seu valor.
Entre cerca de 1880 e 1914, com a construção e subsequente alargamento da barragem do Assuão (1902--1907), muitos trabalhos arqueológicos na Núbia tornaram-se notados. No fim do século, XIX tiveram tambem lugar em Berlim importantes avaricos na compreensão da língua e da cronologia egípcias, com Adolf Erman (1854-1937) e Eduard Meyer (1855-1930), respectivamente, assim como a descoberta de vestígios de todos os períodos históricos e da época pré-dinástica, a partir de Naqada I. A egiptologia tem, desde então, desenvolvido bastante conhecimento de todas as áreas, mas foram poucas aquelas em que alterou fundamentalmente os contornos. Em comparação, o século XIX foi um tempo de mudança contínua. Ate cerca de 1870 a quase totalidade dos conhecimentos sobre o Egito estava relacionada com as fases mais recentes desta civilização, não havendo, ao mesmo tempo, uma divisão apropriada dos vestígios ou da língua em períodos. A medida que esta situação se alterava, o interesse tendia a centrar—se nas fases mais antigas, mais "clássicas" de ambos.
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 Escavações do Século XX |
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As escavações neste século foram dominadas por algumas descobertas espectaculares e pelas campanhas de salvamento na Núbia, desencadeadas devido ao alargamento da primeira barragemi de Assuão e a construção da grande Barragem. Um complemento das escavações, e de igual importância, é o registo e publicacão dos monumentos ainda de pé, que atingiu um nível adequado por volta de 1900. Este trabalho não tem o fascinio das escavações e raramente tem atraído igual interesse e apoio por parte do público. A mais notivel exploração foi, pela atenção que despertou, a do vale dos Reis, em Tebas. A primeira descoberta de vestígios reais, feita na década de 1870 pela familia de Abd el—Rasul, de Qurna, foi a da cova contendo as múmias da maioria dos faraós do império Novo. Tinham sido retiradas dos seus túmulos originais no principio da 21ª dinastia e reenterradas na zona de Deir el-Bahari, para maior segurançaa. Como tantas das mais importantes descobertas, esta resultou da procura, por parte dos habitantes locais, de antiguidades comerciáveis e não de escavações sistemáticas. Embora os egiptólogos deplorem a perda de inforrnaçäo valiosa inerente a estas descobertas, o fato é que muitas delas nunca teriam sido feitas por expedições ortodoxas.
Em 1898, Victor Loret (1859-1946) descobriu o túmulo de Amenófis II, no vale dos Reis, que se verificou conter as múmias de quase todos os faraós que faltavam numa descoberta anterior. O trabalho côntinuou no vale, quase ininterruptamente, ate 1922. O exame mais metódico foi feito por Howard Carter (1874—1939), em grande parte ao serviço de lorde Carnarvon. A principal descoberta de Carter foi, como É Obvio, a do túmulo deTutankhamon, em 1922, onde trabalhou quase continuamente durante dez anos. Embora se tenham encontrado outras sepulturas reais quase intactas no Próximo Oriente, esta é a mais rica descoberta do gênero, contendo muitos objetos únicos. Durante este século foram escavadas várias outras sepulturas reais no Egito. A descoberta, feita em 1925, por Reisner, do túmulo de Hetepheres, em Gizé, constitui a única importante descoberta de jóias e mobiliário do Império Antigo, tendo a recuperação das formas dos objetos, cuja madeira estava completamente deteriorada, sido um triunfo de registo meticuloso. Na década de 40 Pierre Montet (1885-1966) escavou, em Tanis, um conjunto de túmulos intactos de faraós e suas famIlias, da 21ª a e 22ª dinastias, que fornecem exemplos raros do trabalho artistico em materiais preciosos, datando de um período que deixou poucos testemunhos significativos.
As mais importantes povoações escavadas, Tell el--Amarna e Deir el-Medina, foram ambas objeto de diferentes expedições e numerosas campanhas. Após a descoberta clandestina das tabuinhas cuneiformes em Tell el-Amarna, na década de 1880, Urbain Bouriant (1849-1903) trabalhou ali, tendo escrito um livro com o título memorável de Dois Dias de Escavação em Tell el-Amarna. Seguiu-se-lhe Petrie (1891-1892), cuja breve estada produziu resultados de valor, mas foi eclipsada pela expediçã alemã de 1913-1914, sob a direção de Ludwig Borchardt (1863-1938), durante a qual foi encontrada a casa do escultor Tutmose. Ali se encontrou o famoso busto de Nefertiti e algumas outras obras-primas. Nos anos 20 e 30 tiveram lugar vários períodos de escavação ingleses, que contribuiram tanto para a história da última parte da 18ª dinastia como para a compreensão da efêmera capital, tendo os trabalhos sido recentemente retomados. Deir el-Medina constitui, ao longo do século XIX, uma fonte de descoberta, tendo sido escavada por uma expedição italiana, no virar do seculo, e por uma alemã, sob a direção de Georg Moller (1876-1921), em 1911 e 1913. Em 1917 o Instirut Français d’Archeologie Orientale, no Cairo, começou a efetuar escavações no local, que têm continuado ate hoje, com algumas interrupções, e que puseram quase completamente a descoberto a aldeia dos trabalhadores, adjacente à necrópole.
E conveniente mencionar as atividades dos serviços de Antiguidades do Egito e dos egiptólogos egípcios. Após a fundação daqueles Serviços, por Mariette, o seu primeiro funcionário egipcio foi Ahmed Kamal (1849-1932), que trabalhou no Museu do Cairo e fez escavações em vários locais. Desde o principio deste século que a proporção de pessoal egípcio naquele Serviço tem vindo a aumentar e há egipcios a lecionar egiptologia na Universidade do Cairo. Desde 1952 que ambos os setores são totalmente egípcios. Os Serviços empreenderam mais escavações do que qualquer outra instituição, e grande parte do material existente no Museu do Cairo, assim como em Alexandria, Minya, Mallawi, Luxor e Assuão proveio das suas escavações. As descobertas egípcias mais notáveis são provavelmente as de Tuna el-Gebel, onde foram escavadas uma necrópole animal e uma cidade dos mortos greco-romana, e a obra pioneira de Ahmed Fakhry (1905-1973), nos oasis do deserto ocidental.
Atualmente, o maior expoente no estudo do Egito antigo é Zahi Hawass (Damietta, 28 de Maio de 1947), um arqueólogo e egiptólogo egípcio que nos últimos anos adquiriu grande popularidade junto do grande público graças às suas participações em inúmeros documentários que abordam a civilização do Antigo Egito. Em 2006 foi nomeado pela revista "TIME" com uma das cem pessoas mais influentes do planeta. Desde 2002 desempenha o cargo de secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto. Entre os seus projectos atuais encontram-se a abertura de novos museus no Egipto, bem como a restauração das pirâmides de Giza.
De origens familiares humildes, o seu pai era um agricultor. Formou-se em Arqueologia Grega e Romana em 1967 em Alexandria. Fez estudos de pós-graduação na Universidade da Pensilvânia em Filadélfia, na área da Egiptologia e Arqueologia sírio-palestiniana, tendo obtido o grau de mestre em 1983. Em 1987 doutorou-se em Egiptologia na mesma universidade. Entre 1987 e 1997 foi diretor do complexo de pirâmides de Giza e Saqqara. Personalidade não alheia à polémica, tem pedido o regresso de antiguidades egípcias ao seu país, como o famoso busto da rainha Nefertiti, atualmente em Berlim, ou a Pedra de Roseta, que se encontra no Museu Britânico em Londres. É um opositor de teorias que afirmam que as pirâmides teriam sido construídas por extraterrestres, tendo criado um neologismo para designar os adeptos de tais ideias: "pirâmidiotas".
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 Levantamentos e Publicações |
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Tem sido efetuados levantamentos exaustivos na Núbia, até a catarata de Dal, e, em termos arqueológicos, a Baixa Núbia e talvez, agora, a região do mundo mais estudada. Apenas a fortaleza de Qasr Ibrim se encontra atualmente acima do nível da agua, e continuam a efetuar-se ali escavações. A expansão dos estudos núbios e a grande quantidade de descobertas, desde o Paleolitico até ao século XIX d.e.c, levaram a criação de uma disciplina de estudo separada.
Foram Maxence de Rochemonteix (1849-1891) e Johannes Dümicherm (1833-1894) os iniciadores do registro de monumenros completos no Egito, mas nenhum deles viveu para ver acabada a sua obra. Nos anos que se seguiram a sua morre, o Fundo Egípcio de Exploração (mais tarde Sociedade) deu inicio a um "Levantamento Arqueológico do Egito", que devia registrar os monumentos ainda de pé, ao mesmo tempo que Jacques de Morgan (1857-1924) começava um Catalogue des monuments, que apresentou na íntegra o templo de Kom Ombo. Ambos estes projetos foram concebidos de forma demasiado ambiciosa, mas o Levantamento Arqueológico deu origem a obra de N. de C. Davies (1865-1941), o maior copista de túmulos egípcios. Davies publicou mais de 25 volumes, só sobre os tumulos, apresentando quase sempre um registro completo da sua decoração, e a sua mulher, Nina, e outros fizeram reproduções a cores de cenas selecionadas. Ate há pouco tempo não havia qualquer apresentação completa de monumentos em fotografias a cores e mesmo estas não são inteiramente satisfatórias. Ainda não foi conseguida uma apresentação eficaz do legado único, e em rápida deterioracão, dos Egipcios.
O mais importante empreendimento epigrafico que se seguiu a Davies foi a fundacão em Luxor, em 1924, da Chicago House, estação de estudo do Oriental Institute da Universidade de Chicago. o Oriental Institute foi ele próprio criado por James H. Breasted (1865-1935), fundador efetivo da egiptologia estado-unidense e ele próprio investigador de renome, que obteve o apoio de John D.Rockefeller para a Chicago House. A expedição de Chicago produziu o único registro exaustivo de um vasto ternplo egipcio em fac-simile (Mediner k-Iabu, 1930- —1970) e várias outras publicações. Outra obra que estabeleceu critérios comparáveis aos desta, e igualmente financiada por Rockefeller, foi a apresentacão, feira por A. M. Calverley (1896-1959) e M. F. Broome, das partes interiores do ternplo de Seti I, em Abido. Após uma acalmia, o fluxo de publicações aumentou recentemente.
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 A Egiptologia fora do Egito |
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Embora seja indispensável, a atividade no Egito constitui apenas uma pequena parte do trabalho dos egiptólogos e é frequente haver pouco contato entre o campo e o estudo. E muito mais difIcil selecionar nomes para estabelecer uma lista dos principais egiptólogos de secretaria do que o é no caso dos trabalhadores de campo, mas é necessario faze-lo para estabelecer um equilíbrio.
O primeiro objetivo dos egiptólogos foi sempre o de compreender a língua. No principio deste século F. L.Griffith (1862-1934) e Wilhelm Spiegelberg (1870-1930) avançararn imenso no conhecimento do demótico, a escrita cursiva e lingua dos períodos tardio e greco—-romano, enquanto Adolf Erman continuava a fazer descobertas em relação as fases mais antigas do egipcio. Em 1927 sir Alan Gardiner (1879-1963) escreveu uma gramatica do egipcio médico que incluía descobertas suas e de Battiscombe Gunn (1883-1950) e que ainda não foi ultrapassada. Em 1944, H. J. Pobotsky, publicou um estudo revolucionirio sobre alguns aspectos da gramática egípcia e copta e alterou completarnente, nos úItimos 50 anos, o nosso conhecimento de grande parte da língua de todos os períodos. No entanto, aunda não esta próximo o dia em que todas as nossas dificuldades em relação a língua egipcia tenham sido resolvidas. De igual modo, o dicionário, em lI volumes, editado por Adolf Erman e Hermann Grapou (1855-1967), publicado entre 1926 e 1953, constituiu um grande avanço em relação a obra pioneira de Heinrich Brugsch, mas continua a estar mais próximo do princípio do que do fim do estudo do significado das palavras egipcias.
Para poder trabalhar longe dos monumentos o egiptólogo precisa de apresentações dos mesmos, de estudos mais pormenorizados sobre textos hieroglíficos, hieráticos e demóticos — e de inúmeros outros tipos de auxilio. Nestas áreas e talvez Kurt Sethe (1869-1934) o investigador mais importante. Começou como gramático, mas contribuiu mais tarde para o estudo de quase todas as áreas desta disciplina e foi o mais prolifero editor de textos, cuja obra continuara a ser indispensivel durante muito tempo. Sir Alan Gardiner foi o mais importante editor de textos em papiro, tendo estabelecido novos critérios para o tratamento dos papiros em si e da sua apresentacã. O seu colaborador Jaroslav Cerny (1898-1970) foi o grande estudioso de ostracas e de outros documentos cursivos provenientes, sobretudo, de Deir el—Medina.
Corno exemplos de estudos mais gerais de egiptologia, deve referir—se, mais ou menos arbitrariamente, a obra de dois escritores que alteraram areas inteiras desta disciplina, podendo, além destes, encontrar—se outros nomes importantes na bibliografia. Henrich Schafer (1868-1957) publicou a obra fundamental sobre a arte egípcia que analisa o modo como os Egipcios representavarn objetos e figuras da natureza. Gerhard Fecht transformou igualmente o nosso modo de ver a organização dos textos egípcios. Demonstrou que a maioria deles esta escrita numa espécie de métrica e parece que se escrevia mais normalmente em "verso" do que em "prosa", o que tornava necessário ser-se, pelo rnenos, versificador, se não poeta, para compor textos. Mas estes investigadores aclararam áreas que são muito estranhas aos nossos olhos e ambos revelaram aspectos que são condicão prévia para uma verdadeira compreensão das fontes antigas. Em toda a egiptologia o que se tem feito é um prelúdio ao que poderia sen feito.
A egiptologia é atualmente uma disciplina acadêmica convencional, cujo estudo está centrado em universidades, museus e institutos arqueológicos nacionais, sendo esta matéria representada em mais de 20 paises. Os cerca de 300 egiptólogos cobrem areas como a língua, a literatura, a história, a religião ou a arte que, para o mundo moderno, estariam separadas Isto tem vantagens, pois obriga-os a manterem uma perspectiva geral, mas tambem desvantagens, no que respeita a trabalho pormenorizado ou a projetos importantes como os dicionários. lnfelizmente, o trabalho original em egiptologia tornou-se quase exclusivamente uma ativudade acadêmica.
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Referências Bibliográficas |
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W.R. Dawson e E.P. Uphill, Who was who in Egyptology, 2 ed. Londres, 1972; |
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Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri Edições del Prado, 1996; |
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| 3 |
www.wikipedia.org. |
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