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História da Civilização - Império Novo - Faraós

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Amósis
1550-1525 a.e.c
Amenhotep I
1525-1504 a.e.c
Tutmósis I
1504-1492 a.e.c
Tutmósis II
1492-1479 a.e.c
Hatshepsut
1473-1458 a.e.c
Tutmósis III
1479-1425 a.e.c
Amenhotep II
1427-1401 a.e.c
Tutmósis IV
1427-1401 a.e.c
Amenhotep III
1391-1353 a.e.c
Akhenaton
1353-1335 a.e.c
Semenkhkare
1335-1333 a.e.c
Tutankhamon
1333-1323 a.e.c
Aya
1323-1319 a.e.c
Haremhab
1319-1307 a.e.c
   
 

Ramsés I
1307-1306 a.e.c
Sethi I
1306-1290 a.e.c
Ramsés II
1290-1224 a.e.c
Merneptah
1224-1214 a.e.c
Sethi II
1214-1204 a.e.c
Siptah
1204-1198 a.e.c
Twosre
1198-1196 a.e.c
 
 
Setenaquete
1196-1194 a.e.c
Ramsés III
1194-1163 a.e.c
Ramsés IV
1163-1156 a.e.c
Ramsés V
1156-1151 a.e.c
Ramsés VI
1151-1136 a.e.c
Ramsés VII
1143-1136 a.e.c
Ramsés VIII
1136-1131 a.e.c
Ramsés IX
1131-1112 a.e.c
Ramsés X
1112-1100 a.e.c
Ramsés XI
1100-1070 a.e.c
   
 
Amosis "A Lua Nasceu"
18ª Dinastia 139º Faraó
Antecessor 1550-1525 a.e.c. Sucessor
1555-1550 a.e.c. - Kamosis 1525-1504 - Amenófis I
Amosis
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Amenhotep I ou Amenófis I (Djerserkare) "Amon está satisfeito"
18ª Dinastia 140º Faraó
Antecessor 1525-1504 a.e.c. Sucessor
1550-1525 a.e.c. - Amosis 1504-1492 a.e.c. - Tutmósis I
Amenhotep I
 

Seu nome de nascimento significa Amon está satisfeito e seu nome de trono Djeserkare, Sagrada é a alma de Rá. Ele era filho de Amosis e da rainha Amosis-Nefertiri. Deve ter subido ao trono muito jovem e ter sido co-regente de seu pai, porque prosseguiu com muitas das práticas dele. Sua mãe também foi uma grande rainha e deve ter sido regente do filho.

Este faraó deu continuidade ao trabalho de seu pai, consolidando o estado egípcio, desenvolvendo a política, a economia e usando a diplomacia. Paralelamente, ele fez também campanhas militares, pelo menos uma contra a Núbia é registrada.

Amenhotep I deixou obras em Abidos, Elefantina, Sakkaara, Kom Ombo e as maiores em Tebas. Fez melhorias em muitos templos, especialmente em Karnak. No Museu a céu aberto de Karnak podemos ver hoje, reconstruído, o templo de alabastro chamado Menmenu, feito por Amenhotep I. Na época do seu reinado, os ladrões de tumbas já eram bem conhecidos, uma verdadeira praga, de modo que, ele construiu

Amenhotep I
 

sua tumba em algum lugar bem longe de seu templo mortuário. Hoje, ainda não se identificou a tumba, pode ser em Medinet Habu, pode ser a tumba número 39 do Vale dos Reis, também pode estar em Draa Abu el-Naga.

Sua múmia foi encontrada junto com a de seu pai e muitas outras, em boas condições em Deir el-Bahari. A filha de Amenhotep I, Satamun ficou conhecida porque seu sarcófago foi encontrado num túmulo real, assim como duas estátuas suas em Karnak. Após sua morte, Amenhotep I foi declarado deus patrono da necrópole de Tebas, pelos sacerdotes, junto com sua mãe, que era mais renomada ainda do que o filho e foram reverenciados no local. Com relação ao sucessor de Amenhotep I existem muitas contradições. Alguns dizem que ele não teve filhos, outros que seu sucessor era seu comandante militar, há ainda a possibilidade de Tutmósis I ser filho de Amosis, o pai de Amenhotep I com outra esposa,

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Tutmósis I (Akheperkare) "Nascido do deus Thot"
18ª Dinastia 141º Faraó
Antecessor 1504-1492 a.e.c. Sucessor
1525-1504 - Amenófis I 1492-1479 - Tutmósis II
Tutmósis I
 

Existem pelos menos duas teorias sobre as origens desse faraó, ele pode ter sido apenas o comandante militar de Amenhotep I ou pode ter sido filho de Amosis (pai de Amenhotep I) com outra esposa. Sem dúvida ele deve ter sido co-regente do faraó Amenhotep I, de modo que pode ter sido designado como seu sucessor.

De qualquer maneira ele deve ter sido um grande comandante militar. Tutmósis I casou com Ahmose (irmã de Amenhotep I e filha do faraó Amosis), sua esposa principal e possivelmente sua outra esposa era Mutnofret irmã da esposa principal. Sua mãe deve ter sido Semiseneb (um nome bastante comum na época). Seu nome de nascimento Thutmosis é uma versão grega e significa Nascido do deus Thot. Seu nome egípcio era Djehutymes I. Seu nome de trono era A-Kheper-ka-re (Aakheperkara) que significa Grande é a alma de Ra. Thutmose I fez muitas campanhas militares, na Ásia e na Núbia, provavelmente prosseguindo os planos de Amenhotep I. Nessas campanhas ele levou as fronteiras do Egito até a Terceira Catarata na Núbia. Conta a lenda (ou será a verdade) que o faraó derrotou o chefe núbio num combate homem a homem e retornou a Tebas com o corpo do chefe núbio preso à proa do seu barco.

No Delta ele prosseguiu a luta contra os hicsos e lutou contra os sírios, alcançando até o rio Eufrates. Thutmose I trouxe ao Egito uma certeza de estabilidade e um novo orgulho especialmente aos tebanos. Através da Estela de Abydos ficamos sabendo das suas obras em Tebas. Como construtor Tutmósis I entregou suas obras ao arquiteto Ineni, que aumentou bastante o templo de Amon em Karnak, adicionando pilares, estátuas e um dos maiores obeliscos do Egito, além de outras obras. Embelezou o templo de Osíris e fez obras em Gizé, há inúmeras outras obras deixadas por ele em Elefantina, Armant, el-Hiba, Mênfis e Edfu. Na alta e baixa Núbia, na Quarta Catarata e em Napata, em Semna, Buhen, Aniba também há traços de suas obras. No Sinai há objetos com seu nome em Serabit el-Khadim.

Seu herdeiro foi o filho da segunda esposa, Mutnofret (irmã da esposa principal), Tutmósis II. Mas, na verdade, o herdeiro mais famoso foi uma filha, a rainha faraó Hatshepsut filha da esposa principal Ahmose. Há dúvidas sobre a localização do túmulo de Tutmósis I. Sua tumba pode ter sido a de número 20 no Vale dos Reis feita para ele e para sua filha Hatshepsut e que contém dois sarcófagos de quartzito amarelo, um com seu nome inscrito e outro com o de sua filha. Na tumba de número 38, investigada por Victor Loret em 1899, foi encontrado um sarcófago do rei também. É possível que essa tumba tenha sido preparada para o faraó por seu neto Tutmósis III. O arquiteto Ineni foi o responsável pela construção. Ineni foi sepultado no Vale dos Nobres e seus serviços foram prestados também à Hatshepsut. A múmia de Tutmósis I foi encontrada junto de outras na tumba de Deir el-Bahari.

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Tutmósis II (Akheperenre) "Nascido do deus Thot"
18ª Dinastia 142º Faraó
Antecessor 1492-1479 a.e.c. Sucessor
1504-1492 a.e.c. - Tutmósis I 1473-1458 - Hatshepsut

Seu nome de nascimento Tutmosis é uma versão grega e significa Nascido do deus Thot. Seu nome egípcio era Djehutymes II. Seu nome de trono era Akheperenre, Grande é a figura de Ra. Seu pai foi o faraó Tutmosis I e sua mãe Mutnofret (irmã de Ahmose, esposa principal de Tutmosis I). Sua esposa foi a rainha Hatshepsut (sua meia irmã e prima) e ele teve um filho que foi seu herdeiro de nome Tutmosis III com uma mulher do harém chamada Iset. Com Hatshepsut teve duas filhas, Neferure e Neferubity (Merire-Hatshepsut?).

Tutmósis II deixou poucos registros, poucos monumentos e parece que apenas prosseguiu a política de seu pai. Fez campanhas militares na Palestina e na Núbia. Ele casou com Hatshepsut para legitimar sua ascensão ao trono e antes de morrer deve ter designado seu filho pequeno, Tutmosis como herdeiro pois sabia que sua esposa era ambiciosa e decidida. Mas, nada disso funcionou como sabemos, porque ela reinou como faraó. É possível, que devido ao fato do faraó ter saúde frágil Hatshepsut já fosse o verdadeiro poder por trás do trono.

As obras que ficaram registradas de Tutmosis II foram, ruínas de um templo em Medinet Habu, que foi terminado por seu filho. Fez um pórtico de pedra calcária no Templo de Karnak que também foi terminado por Tutmosis III. Esse pórtico hoje está no Museu a céu aberto de Karnak, nele podemos ver cenas de Tutmosis II com Hatshepsut e também Hatshepsut sozinha. Num dos lados do pórtico, Tutmosis II é mostrado recebendo coroas, enquanto outras cenas mostram sua filha Neferure com Hatshepsut recebendo o sopro vital dos deuses.

Houve construções na Núbia em Semna e Kumma, sobreviveram blocos de obras em Elefantina e uma estátua do faraó. Sua tumba não foi identificada com certeza mas, pode ser a número 42 do Vale dos Reis ou a tumba 358 do Vale dos Nobres (o que não seria natural por ele ser o faraó) embora seja pequena para um faraó. Sua múmia foi encontrada no túmulo de Deir el-Bahari junto com outras múmias reais.

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Hatshepsut "A mais nobre das senhoras"
18ª Dinastia 143º Faraó
Antecessor 1473-1458 a.e.c. Sucessor
1492-1479 - Tutmósis II 1479-1425 - Tutmósis III
Hatshepsut
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Tutmósis III "Nascido do deus Thot"
18ª Dinastia 144º Faraó
Antecessor 1479-1425 a.e.c. Sucessor
1473-1458 - Hatshepsut 1427-1401 a.e.c. - Amenhotep II
  Tutmósis III  
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Amenhotep II ou Amenofis II "Amon está satisfeito"
18ª Dinastia 145º Faraó
Antecessor 1427-1401 a.e.c. Sucessor
1479-1425 - Tutmósis III 1401-1391 a.e.c. - Tutmosis IV
  Amenhotep II  
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Tutmosis IV "Nascido do deus Thot"
18ª Dinastia 146º Faraó
Antecessor 1401-1391 a.e.c. Sucessor
1427-1401 a.e.c. - Amenhotep II 1391-1353 a.e.c. - Amenhotep III
  Tutmosis IV  
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Amenhotep III ou Amenofis III "Amon está satisfeito"
18ª Dinastia 147º Faraó
Antecessor 1391-1353 a.e.c. Sucessor
1401-1391 a.e.c. - Tutmosis IV 1353-1335 a.e.c. - Akhenaton
  Amenhotep III  
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Amenhotep IV ou Akhenaton "Amon está satisfeito - Espírito eficaz de Aton"
18ª Dinastia 148º Faraó
Antecessor 1353-1335 a.e.c. Sucessor
1391-1353 a.e.c. - Amenhotep III 1335-1333 a.e.c. - Semenkhare
Akhenaton
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Semenkhare "Vivas são as manifestações de Rá"
18ª Dinastia 149º Faraó
Antecessor 1335-1333 a.e.c. Sucessor
1353-1335 a.e.c. - Akhenaton 1333-1323 a.e.c. - Tutankhamon
Semenkhare
 

Seu nome Semenkhkare-Djeserkheperu significa Aquele a quem o espírito de Ra enobreceu ou Vigorosa é a alma de Rá, Manifestações sagradas. Seu nome de trono Ankkheperure-Merywaenre significa Vivas são as manifestações de Ra.

Este foi um faraó que até hoje gera controvérsias. Alguns acreditam que Smenkhkare era Nefertiti, esposa de Akhenaton. Isso, porque, o nome Ankhkheperure é muito parecido com o nome Nefernefruaton, que era o nome de Nefertiti. Outros acham que Smenkhkare era o irmão mais novo de Tutankhamon que reinou apenas durante pouco tempo. Também pode ter sido o irmão mais novo de Akhenaton, ou até mesmo um filho dele. Pode ter sido outra pessoa que tenha se casado com uma das filhas de Akhenaton.

Seu reinado foi de apenas três anos, mas, foi o suficiente para abandonar a nova religião de Aton e deixar Akhetaton, voltando o centro do poder para Tebas.Se ele fosse filho de Akhenaton, não seria filho de Nefertiti, acredita-se que ela teve apenas filhas. Ele teria sido talvez, filho de uma das esposas menores, talvez de Kiya (que se acredita era a mãe de Tutankhamon). Ele deve ter reinado logo após a morte de Akhenaton e por muito pouco tempo, sendo logo sucedido por Tutankhamon. Continuando nas hipóteses, ele teria se casado com Merytaton que era a filha mais velha, herdeira da linhagem, mas ela deve ter morrido cedo. Assim quem passou a herdeira oficial foi Ankhesenpaton que casou com o jovem Tutankhamon.

Smenkhkare e Merytaton são mostrados juntos na tumba de Meryre II em Akhetaton (Amarna) e também num relevo em Mênfis. Ainda no campo das hipóteses, caso depois da morte de Akhenaton, Nefertiti tivesse assumido como co-regente, a Estela de Co-regência, um fragmento encontrado em Amarna, poderia atestar a credibilidade. Originalmente, a Estela mostra três figuras, identificadas como Akhenaton, Nefertiti e a princesa Merytaton. Porém mais tarde, o nome de Nefertiti foi arrancado e no lugar foi colocado o nome do Faraó Ankhkheperure Neferneferuaton, e o nome da princesa foi trocado pelo da terceira filha de Akhenaton e Nefertiti, Ankhesenpaaton. A troca do nome da filha sugere que Merytaton faleceu antes do final do reinado de Akhenaton.

Outra das controvérsias diz respeito à crença de que Merytaton não morreu jovem e sim que sobreviveu ao seu marido e foi co-regente dele sob o nome de Ankhetkheperure, que é o último nome de trono do seu marido na forma feminina. Acredita-se que Smenkhkare faleceu por volta dos vinte e cinco anos de causas desconhecidas. Na tumba de número 55 do Vale dos Reis havia a múmia de um homem falecido por volta de vinte e seis anos, que mostrava sinais de hidrocefalia e poderia ser a múmia de Akhenaton (que nunca foi encontrada). Apesar das evidencias o Museu do Cairo insiste em que essa múmia é Smenkhkare. Na verdade, Akhenaton reinou pelo menos por dezessete anos e não poderia ter morrido tão jovem, se é verdade que a múmia possuía apenas vinte e seis anos quando morreu.

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Tutankhaton ou Tutankhamon "Imagem viva de Aton (Amon)"
18ª Dinastia 150º Faraó
Antecessor 1333-1323 a.e.c. Sucessor
1335-1333 a.e.c. - Semenkhare 1323-1319 a.e.c. - Aya
Tutankhamon
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Aya "Eternas são as manifestações de Rá"
18ª Dinastia 151º Faraó
Antecessor 1323-1319 a.e.c. Sucessor
1333-1323 a.e.c. - Tutankhamon 1319-1307 a.e.c. - Haremhab
Faraó Aya
 

Seu nome Itinetjer-Aja significa Pai do deus, Ai. Seu nome de trono Kheperkheperure-Irimaat significa Eternas são as manifestações de Ra. Quando Tutankhamon faleceu talvez com dezessete anos, um dos seus conselheiros, chamado Aya, casou-se com a jovem viúva do faraó menino e assim tornou possível sua subida ao trono.

Existem muitas hipóteses e muitas suspeitas atuais de que esse senhor já idoso (deveria ter setenta anos), que talvez tenha sido tio de Tutankhamon, seja o responsável pela morte do jovem faraó. Aya pode ter sido sem escrúpulos, pode ter sido o assassino do faraó Tut mas também pode ter sido, dentre aqueles que disputavam o trono, o mais qualificado ou o mais esperto. Isso possivelmente jamais saberemos. Ele era militar e foi vizir e chanceler de Akhenaton.

Sua tumba no Vale dos Reis, de número 23, descoberta por Belzoni em 1816, é parecida em tudo com a de Tutankhamon, inclusive a pintura dos 12 macacos (babuínos) simbolizando as horas noturnas, é igual. A múmia de Aya não foi encontrada. É muito possível que, tanto a tumba de Aya (cujo sarcófago estava destruído, sua imagem desfigurada e seu nome arrancado das paredes e dos textos) quanto seus outros monumentos tenham sido modificados por Haremheb que o sucedeu no trono.

Julga-se que Aya seria natural da cidade de Akhmin no Alto Egito e que seus pais fossem Tuia e Iuia e a sua irmã a rainha Tié, esposa principal do faraó Amenhotep III. Foi precisamente no reinado de Amenhotep III que Aya iniciou a sua carreira como funcionário, que prossegue durante os reinados seguintes.

Quando Amenhotep IV, mais conhecido como Akhenaton, decide fundar uma nova cidade para servir como capital do Egipto, Akhetaton (Amarna), Aya acompanhou-o. É possível que Aya fosse o pai da esposa de Akhenaton, a rainha Nefertiti, uma vez que foi detentor do título de "sacerdote pai divino" o que pode sugerir uma relação próxima com Akhenaton (embora não necessariamente familiar). Aya teria também sido pai da rainha Mutnedjmet, esposa do general (e mais tarde faraó) Haremheb. Os vários títulos que se encontram gravados no túmulo que foi preparado para Aya na falésia oriental de Amarna revelam o seu poder.

Esses títulos são o de "escriba real", "flabelífero à direita do rei", "favorito do deus beneficente" e "intendente dos cavalos". Neste túmulo, considerado como o mais belo de Amarna e onde foi gravada a versão mais completa do Hino a Aton, mostra-se igualmente Aya a receber colares de ouro de Akhenaton perante um multidão em regozijo.

Aya e Tutankhamon
 

Após a morte de Akhenaton e do seu efêmero e misterioso sucessor, Semenkhkare, subiu ao trono uma criança com cerca de nove anos, Tutankhamon. Aya foi vizir durante o reinado de Tutankhamon e na prática regente do Egito junto com Haremheb. Apesar de ter sido próximo de Akhenaton, Aya iniciou o processo de retorno à antiga ortodoxia religiosa, restabelecendo contatos com o marginalizado clero de Amon, divindado egípcia mais importante antes da experiência religiosa de Akhenaton, que exaltava o deus Aton. Os membros da família real chegam mesmo a abandonar os seus nomes amarnianos (Tutankhaton tornou-se Tutankhamon e a sua esposa, Ankhesenpaaton tornou-se Ankhesenamon). A corte abandona Akhetaton e fixa-se em Tebas.

Tutankhamon faleceu com dezoito ou dezenove anos sem deixar um herdeiro. Aya, que teria na época mais de sessenta anos, sucedeu-o no trono egípcio. No túmulo de Tutankhamon é possível ver pintado numa parede Aya a realizar a cerimónia de abertura da boca, habitualmente realizada pelo filho do faraó que tinha falecido. De acordo com alguns investigadores, Aya casou com a viúva de Tutankhamon de modo a poder tornar-se faraó, dado que Aya não tinha raízes nobres, ao contrário desta, que foi uma das várias filhas de Akhenaton.

Esta rainha desapareceu da história logo após a morte de Tutankhamon, não sem primeiro estar envolvida num troca de correspondência com o rei hitita na qual solicitava que este lhe enviasse um dos seu filhos para se tornar seu marido, algo surpreendente, tendo em conta a inimizade entre o Egito e os Hititas. O rei hitita atendeu ao pedido mas o seu filho acabaria por ser morto antes de entrar no Egito, provavelmente por espiões enviados por Aya e Haremheb que tomaram conhecimento do plano da viúva de Tutankhamon.

Aya não foi sepultado em Akhetaton, mas no Vale dos Reis, num túmulo que estava previsto para Tutankhamon (KV23) e que se situa perto do túmulo de Amenhotep III e do templo funerário de Medinet Habu. Neste túmulo, descoberto em 1816 por Giovanni Battista Belzoni, Aya surge acompanhado não por Ankhesenamon, mas pela sua primeira mulher, a dama Tié.

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Haremhab "Sagradas são as manifestações de Rá"
18ª Dinastia 152º Faraó
Antecessor 1319-1307 a.e.c. Sucessor
1323-1319 a.e.c. - Aya 1307-1306 a.e.c. - Ramsés I
Faraó Haremhab
 

Seu nome significa Hórus está em júbilo. Seu nome de trono, Sagradas são as manifestações de Ra, Escolhido de Ra. Sabe-se que ele era originário de Heracleópolis perto do Fayum. No reinado de Amenhotep III ele já era um oficial do exército e mais tarde, sob Akhenaton foi o Grande Comandante do Exército.

No reinado do faraó Tutankhamon ele foi regente e conselheiro e subiu ao trono após o breve reinado de Aya. É possível que quando Aya subiu ao trono, Horemheb estivesse fora do país em alguma campanha militar e por isso não conseguiu se tornar faraó (como se especula, Aya tendo matado Tutankhamon com Horemhab fora do país, seria o ideal para o primeiro). Horemhab deve ter sido um homem ambicioso e dedicado, porque assim que Aya faleceu ele se declarou faraó. Sua estátua de coroação (em Turim) conta como o deus Hórus o elevou ao trono. Na Estela de Turim está registrado como ele se preparou para ser faraó, como conselheiro e príncipe regente de Tutankhamon.

Seu objetivo como faraó foi colocar o país de volta nos trilhos após uma fase de governantes fracos que começou com Akhenaton. Para isso ele devolveu as propriedades dos templos e as terras dos nobres. Mas, punia com a morte aqueles que roubassem dos pobres ou se apropriassem de suas terras. Para consolidar seu poder, casou com Mutnodjmet, cantora de Amon e talvez irmã de Nefertiti. Fez campanhas militares, ele era general, desde que Tutankhamon era faraó, tanto na Núbia quanto na Síria. Construiu alguns monumentos mas usurpou a maior parte, tanto de Tutankhamon como de faraós anteriores a ele.

Parece que Horemhab se dedicou a destruir tudo aquilo que tivesse ligação com o período de Amarna e Akhenaton, destruindo os templos tanto do faraó quanto do deus Aton, assim como apagou os nomes de Akhenaton, Nefertiti e Tutankhamon de todos os lugares que pode. Horemhab não tinha herdeiros, portanto antes de falecer designou seu chefe militar, Paramessu como seu sucessor.

Quando foi conselheiro de Tutankhamon, Horemhab havia construído uma tumba em Sakkara, mas, após sua coroação resolveu construir outra, no Vale dos Reis. Sua tumba tem o número 57 do Vale. Ele usurpou também o templo mortuário de Aya em Medinet Abu.

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Ramsés I "Rá o criou"
19ª Dinastia 153º Faraó
Antecessor 1307-1306 a.e.c. Sucessor
1319-1307 a.e.c. - Haremhab 1306-1290 a.e.c. - Sethi I
Ramsés I
 

Originalmente chamado Pa-ra-mes-su, acredita-se que tenha sido vizir do Baixo Egito, antes de ascender ao trono. Era casado com Satrê. Sucedeu ao faraó Haremhab que, provavelmente, morreu sem ter tido filhos. Pouco se sabe sobre seu governo, que há de ter sido breve (um ano ou dois) e o seu único ato conhecido foi nomear como herdeiro seu filho, Sethi I (ou Maat-Men-Rá). Como escreveu Maneton, Ramsés I fundou uma dinastia inteiramente nova, sem qualquer vínculo com os reis anteriores.

O nome de seu filho, Sethi, a devoção de vários de seus descendentes ao culto de Ptah e a predileção de Ramsés II pelo Delta, parecem indicar o Baixo Egito como origem dessa família. Em seu governo, Tebas continuou sendo a capital do país, devido à predominância dos sacerdotes de Amon. Talvez seja por isso que Maneton considera essa dinastia como tebana, embora o mais provável é que fosse menfita.

Se Ramsés I era, como muitos estudiosos admitem, um companheiro de armas de Haremhab, desde os tempos de Akhenaton, ele já seria um homem velho quando se tornou faraó, e seu curtíssimo reinado parece confirmar essa hipótese.

Sua família era originária do Delta, de Avaris, que havia sido a capital dos invasores estrangeiros chamados de Hicsos(quatrocentos anos antes). O pai de Ramsés I também era oficial do exército de nome Sethi e o faraó se casou com Sit-Re, que deveria ser filha de um militar. O casal teve um filho também chamado Sethi que foi vizir do pai, comandante de tropas e co-regente. Haremhab deve ter avaliado bem sua escolha porque Ramsés se preocupou em restabelecer a ordem religiosa depois de toda a confusão do reinado de Akhenaton.

Ramsés I
 

Podemos dizer que este foi o fundador de uma das mais poderosas dinastias egípcias. Embora tenha reinado por apenas dois anos, Ramsés I procurou manter a estabilidade política do país e reabriu as rotas de caravanas de comércio com o Sinai. Como os faraós anteriores fez melhorias no Templo de Amon em Karnak e construiu uma capela e um templo em Abydos. Sua tumba está no Vale dos Reis no número 16, uma pequena tumba que, como as outras, também foi violada e roubada. Ela foi descoberta em 1817 por Belzoni e estava inacabada, como se fosse apenas uma antecâmara. Lá havia um grande sarcófago de granito, um par de estátuas do faraó que deveriam, um dia, ter sido cobertas de ouro. Havia muitas pequenas estátuas de deuses feitas em madeira e cabeças de animais.

A múmia do faraó ficou perdida durante muitos anos e alguns egiptólogos acreditam que foi encontrada no Canadá. Em 1999 um lugar chamado Niagara Falls Museum and Daredevil Hall of Fame fechou e vendeu suas antiguidades, que foram compradas pelo Carlos Museum, dentre elas uma múmia, muito bem conservada e cuja mumificação chamou atenção de estudiosos. Depois de uma cuidadosa análise eles concluíram que a múmia deveria ser Ramsés I. O Museu então, gentilmente, resolveu devolver a múmia ao seu local de origem, o Egito. A esposa de Ramsés I, Sit-Re sobreviveu ao marido e foi sepultada numa tumba incabada, no Vale das Rainhas.

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Sethi I "O que reaparece glorioso sobre os inimigos em todas as terras"
19ª Dinastia 154º Faraó
Antecessor 1306-1290 a.e.c. Sucessor
1307-1306 a.e.c. - Ramsés I 1290-1224 a.e.c. - Ramsés II
Sethi I
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Ramsés II "Rá o criou"
19ª Dinastia 155° Faraó
Antecessor 1290-1224 a.e.c. Sucessor
1306-1290 a.e.c. - Sethi I 1224-1214 - Merneptah
Ramsés II
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Merenre
Merenre
Mernepah "Amado por Ptah"
19ª Dinastia 156º Faraó
Antecessor 1224-1214 a.e.c. Sucessor
1290-1224 a.e.c. - Ramsés II 1214-1204 a.e.c. - Sethi II
Merneptah
 

Seu nome Merneptah Hetep-her-maat significa Amado por Ptah, Feliz é a Verdade. Seu nome de trono Baenre Mery-netjeru A alma de Ra, Amado dos deuses. Foi o 13º ou 14º filho de Ramsés II e sua mãe era a rainha Istnofret (ele foi seu quarto filho). Suas esposas foram, Takhat e a esposa e irmã Istnofret II. Registram-se dois filhos, Amenmesse filho de Takhat (é possível) e Seti-Merenptah que mais tarde foi Seti II.

Seu pai Ramsés II viveu e reinou durante muito tempo, portanto se presume que Merneptah tivesse por volta de sessenta anos quando subiu ao trono. Possivelmente ele já governava por seu pai que já estava muito idoso. Antes, ele foi general do exército e só se tornou herdeiro com uns quarenta e cinco anos de idade.

Durante seu reinado ele manteve a paz na Ásia e está registrado que mandou alimentos para os Hititas, que estavam morrendo de fome, conforme acordo feito com seu pai. Suas campanhas militares na Núbia e na Líbia estão gravadas em Karnak e em seu templo em Tebas. Data do reinado de Merneptah a primeira referência não bíblica a Israel. Está na Estela da Vitória, que ele usurpou do templo mortuário de Amenhotep III em Tebas. Nela ele lista suas conquistas militares (fazendo um comentário sobre cada povo dominado) e há uma única referência a Israel - exterminada, vazia de sementes. O faraó parece ter enfrentado muitas revoltas nas fronteiras. Por causa deste registro, acredita-se que, se for provado historicamente o êxodo ele poderia ter sido o faraó da época.

Merneptah
 

Merneptah também fez algumas obras, como adições aos templos como o Osireion em Abydos e ao templo que seu pai construiu em Dendera. Construiu seu templo funerário atrás dos Colossos de Memnon, usando as pedras do templo anterior. Construiu um palácio em Mênfis perto do templo de Ptah. Há registros do faraó Merneptah em Estelas na Núbia, blocos em Elefantina, inscrições em diversos outros templos, uma coluna da vitória em Heliópolis e vários monumentos em Pi Ramsés. Sua tumba é a de número 8 no Vale dos Reis, foi descoberta por Carter (o mesmo que descobriu a tumba de Tutankhamon) em 1903, próximo à tumba de Ramsés II. Quando foi aberta estava em escombros e trazia rabiscos da época dos gregos e romanos. O sarcófago em granito rosado evidentemente estava vazio. A múmia foi encontrada dentro da tumba de Amenhotep II (KV 35) entre outras dezoito múmias.

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Sethi II "Aquele que pertence ao deus Seth, amado de Ptah"
19ª Dinastia 157º Faraó
Antecessor 1214-1204 a.e.c. Sucessor
1224-1214 - Merneptah 1204-1198 a.e.c. - Siptah
Sethi II
 

Seu nome Sethi Merneptah significa Aquele que pertence ao deus Seth, Amado de Ptah. Seu nome de trono Userkheperure Setepenre significa Poderosas são as manifestações de Ra, Escolhido de Ra. Ele era filho de Merneptah e talvez meio irmão de Amenmesse, sua mãe era Istnofret. Suas esposas foram, Takhat II, Tausert e Tiaa. Tausert lhe deu um filho, Seti-Merenptah que faleceu antes de herdar o trono e Tiaa lhe deu Siptah.

Seu reinado é um tanto confuso porque se sabe que ele era o filho mais velho de Merneptah e seu herdeiro, como também era o comandante militar no reinado de seu pai. O problema é que Amenmesse (possivelmente) reinou por um tempo curto antes dele assumir o trono. Não se sabe se Amenmesse usurpou o trono ou se foi o sucessor legítimo de Merneptah. O fato é que Seti II prosseguiu com as campanhas militares na Núbia e no Sinai onde seu nome foi encontrado, provavelmente por causa das minas de ouro. Mas, em termos gerais parece que seu governo foi pacífico. Suas obras conhecidas são um templo em Hermópolis onde ele terminou o embelezamento começado por seu avô Ramsés II, adições ao Templo de Karnak e completou um templo para Mut. Sua tumba é conhecida no Vale dos Reis no número 15, mas seu templo mortuário nunca foi encontrado.

A tumba foi encontrada por Howard Carter em 1903 e foi usada como local de armazenamento enquanto Carter escavava a tumba de Tutankhamon. A múmia de Seti II não foi encontrada em sua tumba e sim na de número 35, onde havia um depósito de múmias. Muitos acreditam que ele foi sepultado junto de sua esposa Tausert no túmulo da rainha e que sua tumba foi terminada para ser usada na dinastia seguinte por Sekhnakht.

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Siptah "Amado por Ptah"
19ª Dinastia 158º Faraó
Antecessor 1204-1198 a.e.c. Sucessor
1214-1204 a.e.c. - Sethi II 1198-1196 a.e.c. - Twosre
Siptah
 

Seu nome Siptah Merenptah significa Amado por Ptah, Filho de Ptah. Seu nome de trono Akhenre-setepenre significa Belo para Ra, Escolhido por Ra. Seu pai foi Seti II e sua mãe a rainha Tiaa. Como seu pai faleceu e ele ainda era criança a regente foi a rainha Twosre Não se sabe se algum dia Siptah governou realmente o Egito. É possível que durante toda sua vida como faraó ele estivesse sob a tutela de sua regente a rainha Twosre (esposa de seu pai) e do vizir Bay.

Na realidade, os médicos chegaram à conclusão ao examinar sua múmia de que ele poderia ter sofrido de paralisia cerebral e seu pé esquerdo deformado indicava que talvez tivesse tido poliomielite. Nada se sabe também sobre sua mãe, se faleceu antes ou depois dele, apenas se levanta a hipótese de que ela era Síria. Siptah chegou ao trono quando seu irmão mais velho, filho da rainha Twosre, que era o herdeiro, faleceu e ele tinha por volta de quatorze anos.

Siptah
 

Parece que Siptah, faleceu aos vinte anos. Sua tumba é a número 47 do Vale dos Reis, mas sua múmia foi encontrada na de número 35 junto com outras, embora a 47 tenha sido decorada para ele. Seu sarcófago de granito vermelho em forma de cartucho, decorado com passagens do Livro dos Portões, foi encontrado enterrado no chão. Havia ossos nele, mas eram provavelmente de alguém do Terceiro Período Intermediário.

Na verdade essa tumba nunca foi completamente explorada até 1994, quando foi feito um trabalho de recuperação pelo Serviço de Antiguidades Egípcio. As evidências são de que a mãe de Siptah, a rainha Tiaa foi sepultada também nesta tumba porque foram encontrados fragmentos de vasos canopos, um sarcófago e várias ostracas com o nome de Tiaa.

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Twosre "Senhora poderosa"
19ª Dinastia 159º Faraó
Antecessor 1198-1196 a.e.c. Sucessor
1204-1198 a.e.c. - Siptah 1196-1194 a.e.c. - Setenaquete
Twosre
 

Seu nome Towosret setep-en-mut significa Senhora poderosa, Escolhida por Mut. Seu nome de trono Site-re Mery-amun significa Filha de Ra, Amada por Amon. Seu nome também é escrito como Tawosret. Ela foi a esposa de Seti II e mãe de seu herdeiro Seti-Merenptah que faleceu antes de herdar o trono. Quem herdou o trono de Seti II foi um filho dele com outra esposa, Tiaa (que talvez fosse descendente de sírios).

Quando o faraó faleceu, Twosre assumiu a regência pelo menino herdeiro Siptah. Existe a hipótese que o faraó herdeiro Siptah tivesse problemas de saúde, além de ser uma criança quando seu pai faleceu, portanto, se assim foi, Twosre governou o Egito desde que seu marido Seti II faleceu. Infelizmente pouco se sabe sobre a rainha que foi o último governante da décima nona dinastia. Quando Siptah faleceu (por volta dos vinte anos de idade), Twosre assumiu o trono com o título de Rainha. Ela marcou a contagem dos anos começando do período de sua regência. Provavelmente o vizir Bay esteve ao lado dela desde a regência e continuou a governar a seu lado. Existem lendas que dizem que o vizir mandou executá-la depois que ela, totalmente apaixonada, lhe entregou o controle total do tesouro egípcio.

Há evidências de obras feitas pela rainha em Heliópolis onde foi encontrada uma estátua de Twosre, assim como houve obras em Tebas, Seu nome também foi encontrado em Abydos, Hermopolis, Menfis e na Núbia. Para ela foi feita uma tumba monumental no Vale dos Reis, a de número 14, onde ela é mostrada como a amada esposa de Seti II. Essa tumba foi construída em três etapas, quando ela foi a rainha de Seti II, quando foi regente para Siptah e quando assumiu o trono. Seu marido deve ter sido sepultado no mesmo local.

Sua múmia não foi devidamente identificada e é possível que seja a chamada romana desconhecida que estava armazenada na tumba 35. O vizir Bay é uma figura pouco conhecida e talvez tenha reinado sozinho durante um ano mais ou menos, após a morte de Twosre. Muitos estudiosos acreditam que ele sempre governou por trás da figura da rainha. Ele tinha sido escriba real de Seti II e se acredita que era descendente de sírios.

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Setenaquete "Seth é vitorioso"
20ª Dinastia 160º Faraó
Antecessor 1198-1196 a.e.c. Sucessor
1204-1198 a.e.c. - Siptah 1194-1163 a.e.c. - Ramsés III

Seu nome significa Seth é vitorioso que junto com o epíteto Mereramunre significa Amado de Amon. O nome de trono Userkhaure-setepenre, Poderosas são as manifestações de Ra. Também vemos o nome do faraó escrito como Setnakht e Sethnakht. Seu avô era muito provavelmente Ramsés II e ele se casou com Tiy- merenese (é a esposa conhecida) de quem teve Ramsés III seu herdeiro.

Ramsés III deve ter sido co-regente do pai por um curto tempo, uma vez que o reinado de Setenaquete foi de dois anos e ele já tinha alguma idade ao assumir o trono. Antes de Setenaquete reinaram juntos a rainha Tausert (Twosre) e o vizir Bay e esse foi um período confuso para o Egito. Não se sabe se Setenaquete tomou o poder direto de Twosre ou se reinou após o usurpador vizir Bay. É bem possível que ele tenha assumido direto após Twosre porque o faraó proclama ter Rechaçado o usurpador e restaurado a lei e a ordem no Egito.

Setenaquete foi o primeiro faraó da última dinastia do Império Novo. Setenaquete, aliás se recusou a reconhecer o reinado de Siptah, Twosre e do vizir Bay. Ele data seu reinado a partir de Seth II. Na verdade toda a informação que temos sobre esse faraó vem do Papiro Harris, que foi escrito pelo menos sessenta e cinco anos após sua morte. Também há uma Estela em Elefantina que deve ter sido erguida no segundo ano de seu reinado, porque o primeiro ano deve ter sido todo ocupado em colocar ordem no país.

Como Setenaquete chegou ao trono não se sabe, embora seja dito que ele era neto de Ramsés II, seja como for, seu nome Setenaquete faz referência ao deus Seth, que foi adorado pelos faraós da 19ª Dinastia, portanto pode haver sim, alguma ligação entre eles. Através do Papiro Harris ficamos sabendo que o faraó colocou fim nas rebeliões dos Asiáticos, libertou as cidades egípcias, trouxe de volta os desertores, reabriu os templos permitindo que voltassem a receber seus proventos. Na Estela de Elefantina ele relata que expulsou os rebeldes, e na fuga estes abandonaram o ouro, a prata e o cobre que haviam roubado do Egito.

Sua tumba é a de número 14 no Vale dos Reis (originalmente construída para Twosre) e não se sabe o porque. Sua tumba original era a número 11, que foi abandonada quando os trabalhadores furaram a parede da tumba número 10 (de Amenmesse). Após a sua morte, Setenaquete, de acordo com o Papiro Harris, foi colocado em sua barca real sobre o rio (cruzou o Nilo para a margem oeste) e descansou em sua casa eterna a oeste de Tebas. Em 1898 foi encontrada a múmia de um homem na tumba número 35 (de Amenhotep II), lá também havia um sarcófago com o nome de Setenaquete e dentro de um barco de madeira a múmia, que estava desenfaixada. Pode ser que fosse o faraóSetenaquete.

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Ramsés III "Rá o Criou"
20ª Dinastia 161º Faraó
Antecessor 1194-1163 a.e.c. Sucessor
1196-1194 a.e.c. - Setenaquete 1163-1156 a.e.c. - Ramsés IV
Ramsés III
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Ramsés IV"Rá o criou"
20ª Dinastia 162º Faraó
Antecessor 1163-1156 a.e.c. Sucessor
1194-1163 a.e.c. - Ramsés III 1156-1151 a.e.c. - Ramsés V
Ramses IV
 

Seu nome Ramesses heqamaat-meryamun significa Nascido de Ra, Governante de Heliópolis. Seu nome de trono, Usermaatre Setepenamun, Poderosa é a justiça de Ra, Amado de Amon. Seu pai foi Ramsés III e sua mãe possivelmente Isis ou Titi. Sua esposa principal foi Ta-Opet, que talvez tenha sido a mãe de seu herdeiro Ramsés V. (Se ele não teve filhos, o herdeiro pode ter sido seu irmão).

O Egito estava sofrendo com sérios problemas econômicos e sociais quando Ramsés IV subiu ao trono. Na época o faraó devia ter mais de quarenta anos e não há registros de que ele tenha conseguido reerguer o país. O que se sabe é que ele ordenou que milhares de trabalhadores fossem para as pedreiras em Wadi Hammamt e junto com eles foram dois mil soldados, para controlá-los. Parece que desde o reinado de seu pai, quando houve fome e greves de trabalhadores, o povo continuava insatisfeito. Mesmo assim ele é responsável pelo templo de Khonsu em Karnak, obelisco de Heliópolis, adições em Medinet Habu e um templo mortuário em Deir el-Bahari.

Alguns estudiosos acham que Ramsés IV foi o juiz da corte que julgou aqueles que foram responsáveis pela Conspiração do Harém, envolvendo seu pai. O pai do faraó pode ter sobrevivido à conspiração ou não, mas é claro que se os conspiradores desejavam eliminar Ramsés IV, o príncipe herdeiro, obviamente não conseguiram. Foi Ramsés IV quem colocou o Papiro Harris, que descreve os detalhes do reinado de seu pai, na tumba de Ramsés III. No final do seu reinado, o faraó já governava junto com o Grande Sacerdote de Amon, Ramesesnakht. Este era um homem poderoso, cujo cargo era hereditário, e que controlava uma grande parte das terras do Egito (pertencentes ao Templo) e muito dinheiro vindo da renda das terras além das doações e o fato de dividir o poder com o faraó marca o inicio da divisão no governo, entre os reis (não mais os poderosos faraós) e os altos sacerdotes de Tebas.

Ramsés IV foi sepultado no Vale dos Reis na tumba de número 2. Como outras, sua múmia foi encontrada na tumba número 35 (a de Amenhotep II) onde havia outras múmias reais. A descrição de Ramsés IV baseada em sua múmia diz que ele era baixo, careca, com um nariz grande e bons dentes. Sua múmia está no Museu Egípcio do Cairo.

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Ramsés V "Rá o criou"
20ª Dinastia 163º Faraó
Antecessor 1156-1151 a.e.c. Sucessor
1163-1156 a.e.c. - Ramsés IV 1151-1136 a.e.c. - Ramsés VI

Seu nome Ramesses Amunherkhepeshef significa Nascido de Ra, Amon é sua força. Seu nome de trono, Usermaatre-sekheperenre, Poderosa é a justiça de Ra. Seu pai pode ter sido Ramsés IV e sua mãe Ta-Opet. Ramsés V é praticamente um desconhecido apesar do nome. Ele deve ter governado por pouco anos, não mais de quatro e apenas é registrado em raros objetos encontrados no Sinai e na Ásia ocidental.

Há uns poucos papiros do seu reinado que descrevem casos de corrupção e problemas econômicos. Parece que ele estimulou o comércio exterior, mas nada que tenha ficado registrado. Tudo o que foi encontrado de seu reinado é uma Estela que foi descoberta em Gebel Silsilh. Sua múmia foi encontrada na tumba do Vale dos Reis número 35, junto com outras múmias reais. Tendo por base os exames feitos em sua múmia, Ramsés V morreu de varíola por volta dos trinta e cinco anos. A tumba de Ramsés V, de número 9 do Vale dos Reis foi usurpada por Ramsés VI. E a múmia do faraó está no Museu Egípcio do Cairo.

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Ramsés VI "Rá o criou"
20ª Dinastia 164º Faraó
Antecessor 1151-1136 a.e.c. Sucessor
1156-1151 a.e.c. - Ramsés V 1143-1136 a.e.c. - Ramsés VII
Ramses VI
 

Seu nome Ramesses Amenherkhepeshef significa Nascido de Ra, Pai de Amon, Deus governante de Heliopolis. Seu nome de trono Nebmaatre-meryamun, O senhor da Justiça é Ra, Amado de Amon.

Esse faraó usurpou o trono de seu sobrinho Ramsés V e seu herdeiro foi seu filho Ramsés VII. Sua esposa era Nubchesbed. Na época em que subiu ao trono, o Egito estava muito fraco política, econômica e administrativamente. A mineração havia sido abandonada, o Egito agora estava bem menor em extensão de terras. Os sacerdotes também governavam e com muito poder.

Na verdade Ramsés VI foi faraó só no nome. Ele não só usurpou o trono do sobrinho como também, usurpou cartuchos de reis anteriores e tentou inserir seu nome na lista de faraós em Medinet Habu, para legitimar seu reinado. Ramsés VI deixou estátuas em Heliópolis, Bubastis, Coptos, Karnak e na Núbia. Adicionou um pilono em Menfis, deixou uma Estela em Karnak. Esse faraó foi sepultado na tumba de número 9 do Vale dos Reis, que usurpou de seu sobrinho Ramsés V e aumentou. Essa tumba foi destruída pelos ladrões de túmulos ainda na antiguidade. Quando os sacerdotes descobriram, havia apenas ossos que eles juntaram e enfaixaram. O problema é mais tarde se descobriu que os ossos pertenciam a pessoas diferentes.

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Ramsés VII "Rá o criou"
20ª Dinastia 165º Faraó
Antecessor 1143-1136 a.e.c. Sucessor
1151-1136 a.e.c. - Ramsés VI 1136-1131 a.e.c. - Ramsés VIII
Ramses VII
 

Seu nome Ramesses It-amun-netjer-heqa-iunu significa Nascido de Ra, Pai de Amon, Governante de Heliopolis. Seu nome de trono, Usermaatre-setpenre-meryamun, Poderosa é a justiça de Ra, Escolhido de Ra, Amado de Amon.

Praticamente nada se sabe sobre esse faraó. Ele deve ter governado por uns sete anos, durante um período de grandes problemas econômicos. Não deixou herdeiros. Sua tumba é a de número 1 no Vale dos Reis embora a múmia não tenha sido encontrada. A tumba deve ter ficado aberta durante séculos porque está toda grafitada da época grega e romana. Foi reaberta em 1995 após ser restaurada. Além dessa tumba mais nada foi encontrado para registrá-lo.

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Ramsés VIII "Rá o criou"
20ª Dinastia 166º Faraó
Antecessor 1136-1131 a.e.c. Sucessor
1143-1136 a.e.c. - Ramsés VII 1131-1112 a.e.c. - Ramsés IX

Seu nome Ramesses Sethherkhepeshef-meryamun, significa Aquele que foi criado por Ra, Seth é sua força, Amado de Amon. Seu nome de trono, Usermaatre-akhenamun, Poderosa é a justiça de Ra, Escolhido de Ra, Amado de Amon.

Ramsés VIII deve ter sido filho de Ramsés III ou filho de algum dos outros sete Ramsés anteriores a ele. Ele pode ser Sethherkhepeshef -meryamun, filho de Ramsés III que está sepultado no Vale das Rainhas, no número 43. Não foi encontrada tumba identificada para Ramsés VIII embora alguns egiptólogos acreditem que a número 19 do Vale dos Reis, usada para o sepultamento do príncipe Mentuherkhepeshef, tenha sido feita originalmente para Ramsés VIII. Sua múmia nunca foi encontrada e tudo o que sobrou de seu governo é uma inscrição em Medinet.

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Ramsés IX "Rá o criou"
20ª Dinastia 167º Faraó
Antecessor 1131-1112 a.e.c. Sucessor
1136-1131 a.e.c. - Ramsés VIII 1112-1100 a.e.c. - Ramsés X
Ramses IX
 

Seu nome Ramesses Khamwaset-mereramun significa Nascido de Ra, Aparece em Tebas, Amado de Amon. O nome de trono, Neferkare-setepenre, Bela é a alma de Ra, Escolhido de Ra.

De todos os Ramsés que vieram após o Ramsés III, este parece que teve um pouco mais de sucesso no governo. Ele fez muitas tentativas para recuperar o poder e a riqueza do país, reabrindo as rotas de comércio, viajando (campanhas militares?) para a Ásia e a Núbia. Parece que no reinado de Ramsés IX, um alto sacerdote de Amon chamado Amenhotep já se colocava no mesmo patamar que o faraó. Ele está representado da mesma altura do faraó em dois relevos em Karnak e parece que ele volta a aparecer mais tarde nos outros governos, com muito poder.

Ramsés IX fez obras no Templo de Karnak e em Heliópolis. Foi no seu reinado que os ladrões de tumbas fizeram horrores no Vale dos Reis, vandalizando os túmulos, isso está registrado no Papiro Abbot. Ramsés IX deixou documentos que registram sua imediata atitude, levando os vândalos a julgamento e protegendo as tumbas. Foi nessa época que muitas das múmias foram removidas de seus túmulos e levadas para um local de armazenamento em Deir el-Bahari, onde foram encontradas no final do século dezenove.

O túmulo de Ramsés IX é o número 6 do Vale dos Reis e sua própria múmia sepultada lá, foi removida para Deir el-Bahari na 21ª Dinastia por Pinodjem II. Seu túmulo chama atenção pelas pinturas nas paredes, do Livro da Noite, em amarelo com fundo negro. Esse é o primeiro túmulo do Vale e ficou aberto desde a antiguidade, portanto foi grafitado em épocas antigas. O filho de Ramsés IX, Montuherkhopshef, faleceu antes do pai e foi sepultado também no Vale dos Reis, numa tumba originalmente preparada para Ramsés VIII e descoberta em 1817.

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Ramsés X "Rá o criou"
20ª Dinastia 168º Faraó
Antecessor 1112-1100 a.e.c. Sucessor
1131-1112 a.e.c. - Ramsés IX 1100-1070 a.e.c. - Ramsés XI

Seu nome, Ramesses Amunherkhepeshef-meryamun significa Nascido de Ra, Amon é sua força, Amado de Amon. O nome de trono, Khepermaatre-setepenre, A justiça de Ra permanece, Escolhido de Ra.

Praticamente nada se sabe a respeito de Ramsés X, existem apenas poucas referencias a ele no Templo de Karnak. Ele reinou durante pouco tempo e no seu governo houve greves por falta de pagamento. Seu túmulo no Vale dos Reis é o número 18. O túmulo está aberto desde o século dezoito e estava inacabado, nada foi encontrado dentro.

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Ramsés XI "Rá o criou"
20ª Dinastia 169º Faraó
Antecessor 1100-1070 a.e.c. Sucessor
1112-1100 a.e.c. - Ramsés X 1070-1044 a.e.c. - Smendes

Seu nome Ramesses-Khamwaset-meryamun-netjerheqaiunu significa Aparece em Tebas, Amado de Amon, Deus, Governante de Heliópolis ou Nascido de Ra, Aparece em Waset, Escolhido de Ptah, Amado de Amon, Governante de Iunu.

No reinado deste faraó, os sacerdotes do Templo de Amon em Tebas, já controlavam toda a região. Ramsés XI governou da cidade de Tanis, no Delta e ele não tomou as rédeas do trono porque mandava seus generais ou vizires resolverem os problemas do país. Parece que ele não foi propriamente um faraó, porque não reinou sobre o Egito unido. O país estava dividido e muito empobrecido e ele deve ter dividido o poder com Herihor, filho do general Piankh.

O Egito sempre foi respeitado e atendido em qualquer pedido, quando mandava seus emissários a outros países. Através do Conto de Wenamun, que hoje está preservado em Moscou, podemos ter noção da queda do grande Egito. Ele conta que Wenamun foi enviado por Ramsés XI a Biblos para assegurar o cedro para a nova barca de Amon em Tebas. Ele foi roubado durante a viagem. Na volta, no antigo porto, ele foi avisado que teria que pagar pela madeira, que antes era dada de presente. Ele não tinha dinheiro para pagar. Isso mostra a decadência do Egito, passada apenas uma dinastia do reinado de Ramsés, o Grande.

A crise que já fervilhava em Tebas piorou, os ataques dos líbios impediam o trabalho na margem oeste do Nilo, os roubos de tumbas, a fome (chamado o ano da hiena) e a guerra civil. A guerra civil irrompeu no Egito por volta do 17º ou 19º ano de governo de Ramsés XI. O vice-rei da Núbia, Panehsy, marchou para o norte com tropa núbias, provavelmente para pedir a Ramsés XI, para restaurar a ordem em Tebas. Se ele fez isso por sua conta ou por ordem do rei, não se sabe. Mas, o alto sacerdote de Amon, Amenhotep, que detinha muito poder desde o reinado de Ramsés IX parece que controlava o país mais do que Ramsés XI.

Talvez para poder alimentar seus homens, ou para limitar os poderes do alto sacerdote, Paneshy recebeu a ordem ou tomou por conta própria, o escritório do administrador dos celeiros e todos os títulos possíveis. Isso colocou os sacerdotes em pé de guerra, porque o Templo tinha os direitos sobre as terras e toda a sua produção. Por isso, insuflaram a guerra civil que deve ter durado por oito ou nove meses. Paneshy sitiou o alto sacerdote no templo fortaleza de Medinet Habu.

Não sabemos se o alto sacerdote, Amenhotep sobreviveu ao ataque, mas parece que ele apelou para Ramsés XI, pedindo proteção. A facilidade que Paneshy encontrou para tomar as cidades e as riquezas o animou a prosseguir. O exército de Paneshy se dirigiu para o norte, mas, encontrando com o exército do rei teve que recuar voltando para a Núbia, onde parece que seu chefe continuou causando bastante confusão. Nesse intervalo, o exército de Ramsés XI sob a liderança do general Herihor, se dirigiu para Tebas. O general se apossou dos títulos que Paneshy já havia usurpado e se nomeou vice-rei. Esse general Herihor declarou que a partir de então começava um novo período no Egito, wehem mesut, ou seja, o renascimento.

Essas palavras foram usadas pelos faraós da 12ª e da 19ª Dinastias para indicar que o império estava renascendo após um período de atribulação. Agora, os documentos de Tebas começam a ser datados dos anos do renascimento ao invés de prosseguirem com a datação de Pi-ramsés, a datação de Ramsés XI. Assim foi que os estudiosos encontraram a correspondência entre os anos um a dez do renascimento e os anos dezenove a vinte e oito do governo de Ramsés XI.

Após a morte de Herihor, seu genro chamado Piankh assumiu o controle do sul do país. Ao que parece Ramsés XI já não tinha mais força ou poder para impedir esse governo paralelo, então ambos mantiveram sua influência sobre parte do Egito. Foi Herihor que construiu o templo de Khonsu, dedicado ao filho de Amon. Em suas paredes, há figuras de ambos, Herihor e Ramsés XI na mesma escala de tamanho, embora não nas mesmas cenas. Embora Herihor tenha mandado gravar seu nome num cartucho real nesse templo, parece que havia uma certa cooperação entre ele e o rei Ramsés XI. Com a morte de Ramsés, quem herdou o trono no norte do país foi Smendes e foi então que começou o Terceiro Período Intermediário e terminou o período chamado Ramessida.

A tumba de Ramsés XI, número 4 do Vale dos Reis, não foi terminada e pode ter sido usada para guardar outras múmias durante o final da 20ª Dinastia, quando estava absurda a profanação e roubo de tumbas. Essa tumba estava aberta desde a antiguidade e exibe grafitis em demótico, egípcio, grego, latim, copta, francês e inglês. Também foi usada como residência e estábulo durante o período cristão, como local de armazenamento por Howard Carter e como sala de jantar pelos trabalhadores que escavavam a tumba de Tutankhamon. Esta foi a última tumba real a ser escavada no Vale dos Reis.

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Referências Bibliográficas
1 Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996;  
2 Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007;  
3 J.H. Breasted, A History of Egypt, 2ª ed. New York, 1909;  
4 Parcerisa, Josep Padró - História del Egipto faraónico. Madrid: Alianza Editorial, 1999;  
5 Revista Edição Ilustrada Egito Antigo, Escala, 2007;  
6 Rice, Michael - Who´s Who in Ancient Egypt. Routledge, 1999;  
7 Shaw, Ian - The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2003.  
8 Tyldesley, Joyce. Pirâmides a verdadeira história por trás dos mais antigos monumentos do Egito, São Paulo, Globo, 2005;  
9 www.corbis.com  
   
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