 O 1º Período Intermediário |
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O 1º Período intermédiário foi a época em que o Egito estve dividido, sendo governado pelas 9ª e 10ª dinastias de Heracleópolis e por outras de Tebas, sendo possível que, no seu início, os Heracleopolitanos tenham controlado todo o país durante alguns anos. Foram nomarcas, que se proclamaram reis e conseguiram ser aceites pelos vizinhos, que deram início às novas dinastias. A princípio, a mudança para uma soberania dupla não deve ter alterado muito a organização do país, já que as dinastias eram demasiado fracas para exercerem grande influência na política local. O seu poder aumentou, contudo, gradualmente e havia frequentes recontros na fronteira, que ficava quase sempre a norte de Abido. A presnça de um número considerável de núbios no Alto Egito é um indício da violência daquela época. Apesar da pobreza geral, há um número razoável demonumentos desta época, modestos e frequentemente rudes, contruídos para classes sociais mais baixas do que até então.
A dinastia heraclopolitana sofreu frequentes mudanças de soberano e não produziu qualquer faraó digno de nota. O mais importante da mais estável dinastia tebana foi o 4º. Nebhepetre Mentuhotepe (Chamado I ou II por diferentes escritores, 2061-2010), que derrotou a dinastia do Norte e reunificou o país. Mentuhotepe começou com um nome programático, derivado de Hòrus, "que dá alma às Duas Terras", substituindo-o primeiro por "Divino da Coroa Branca" e, mais tarde, "univicador das duas Terras". Estas alterações correspondem, talvez, a fases da reunificação, indicando a segunda que ele unira todo o Alto Egito e a terceira - epíteto tradicional a que Mentuhotepe deu nova formulação iconográfica - que efetuara a conquista de todo o país. O seu reinado incluiu também atividades na Baixa Núbia (possivelmente no seguimento de campanhas dos seus predecessores)e a construção de um novo e impressionante complexo funerário, em Deir el-Bahari, de que se recuperaram relvos e esculturas. O estilo artístico é mais uma versão apurada de obras do 1º período Intermediário do que uma recuperação das tradições do Império Antigo e acentua, tal como a localização do complexo, a base local do poder real. Mentuhotep foi mais atrade considerado um dos fundadores do Egito. Parte deste prestígio pode ter tido origem na sua própria autoglorificação, pois pode ver-se a sua imagem, em relvo, numa forma mais divinizada do que a da maior parte dos faraós egípcios. Isto tinha provavelmente também por finalidade acentuar o estatuto da realiza numa altura crucial, o que foi continuado pelo seu sucessor.
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 A Política |
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Por volta de 2134, uma nova Dinastia, a IX, se estabelece no Fayum, uma região semi-pantanosa localizada na margem ocidental do Nilo, próxima ao lago Moeris (atual Birket Karun). Essa região, apesar de ser muito produtiva, coisa que era rara em regiões não banhadas pelo Nilo, costumava ser alagada anualmente com as cheias do rio, visto que, por se tratar de uma planície pantanosa dotada de um grande lago, constituía o escoadouro propício para as águas da enchente. Justamente por essa razão, o Fayum, apesar de produtivo, até então não havia sido muito densamente habitado, pois as pessoas temiam a fúria das enchentes. Pois bem, por volta da data referida, em Herakleópolis, no Fayum, Achtoes estabeleceu a IX Dinastia.
A partir dessa região a 9ª Dinastia conseguiu gradualmente retomar sua autoridade central. Pouco a pouco as populações do Baixo Egito foram sendo submetidas e os invasores Líbios derrotados. Porém, um esforço reunificador do Egito estava além das possibilidades daquela Dinastia, tanto por seu centro de poder se localizar fora das margens do Nilo, quanto por não dispor do precioso cedro Fenício obtido outrora pelo comércio com Biblos. A falta do cedro não permitia que embarcações de grande porte fossem construídas e, sendo assim, o ímpeto expansionista destes Monarcas estava limitado. Paralelamente, no Alto Egito, por volta dessa mesma data, estabeleceu-se um novo Reino unificado do Alto Egito. A capital desse Reino era uma cidade bem ao sul chamada de Tebas (não se deve confundir esta cidade com a cidade Grega de mesmo nome, este nome não é o verdadeiro nome da cidade, mas apenas o nome pelo qual ela foi conhecida pelos Gregos e que, sendo assim, passou adiante na História).
A Dinastia de Tebas foi a 11ª, pelo fato de que em Heracleópolis, num curto período de tempo, a 9ª Dinastia acabou sendo substituída (por razões ignoradas, mas, possivelmente questões de sucessão) por uma nova: a 10ª Dinastia. A História da reunificação do Alto e do Baixo Egito foram diferentes, no caso do Baixo Egito, a 9ª e a 10ª Dinastias conseguiram obter o apoio dos Nomarcas na luta contra os povos invasores (havia Líbios e, talvez, Hebreus vindos da Palestina, isso porque, ainda na 6ª Dinastia, há indícios de que Hebreus tenham atacado as minas do Sinai, o que teria motivado uma expedição punitiva Egípcia em direção à Palestina. É claro que esse argumento é muito fraco para sustentar que os Hebreus (numa época anterior ao seu monoteísmo e à sua unificação) tenham tido fôlego para aproveitar a fraqueza de seu vizinho poderoso e invadi-lo, essa hipótese parece apenas uma conveniência para justificar teses Bíblicas de que os Hebreus depois de um breve período de estabelecimento como senhores no Egito, teriam sido por estes derrotados e escravizados, o que sustentaria a teoria de Moisés e do êxodo).
Por isso, a ascensão da Monarquia se deu como uma espécie de esforço conjunto para o restabelecimento da Maat. No caso do Alto Egito, no entanto, a situação parece ter sido bem diferente, Mentuhotep I, parece ter sido um Nomarca da região de Tebas que, através de sua força militar, herdada em parte das forças militares Faraônicas do Antigo Império, iniciou a submissão dos Nomarcas do Alto Egito. Sendo assim, nessa região, a violência imperou e a união se deu pela força e pela imposição, não pela busca do bem comum. Por volta de 2161, talvez mais tarde, o Egito era novamente composto de dois Reinos: o Alto Egito e o Baixo Egito e ambos estavam prontos para se enfrentar rumo a uma nova unificação.
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 As Práticas Funerárias |
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O enfraquecimento da Monarquia centralizada, fortaleceu os líderes regionais, em especial no Alto Egito. Estes indivíduos passaram a receber os tributos para si próprios em vez de ter que entrega-lo ao Faraó, além de, por vezes (enquanto a 6ª Dinastia ainda existia), receberem financiamentos do governo Real. Como o ímpeto unificar do Antigo Império havia partido do Alto Egito, não é difícil imaginar que esta região sempre houvesse sido mais desenvolvida e poderosa do que seu par do norte.
Sendo assim, é muito provável que os Nomarcas mais influentes estivessem situados nos Spat dessa região. Para se ter uma idéia, o Museu do Cairo conta com oito despachos proferidos num só dia por um Faraó da 6ª Dinastia em direção a seu Tjati no Alto Egito. Esses despachos pediam auxílio para resolver problemas na corte. Não se sabe a resposta do Tjati, se é que houve uma, mas a mera existência de tais pedidos desesperados nos mostra que algo estava errado na ordem das coisas.
Era o Faraó quem deveria ajudar os seus subalternos e não o contrário, se ele estava fraco a ponto de ter que necessitar da ajuda do Tjati, então é possível que este, por sua vez, estivesse forte a ponto de poder recusar este pedido. Com efeito, o norte estava praticamente fora do controle do Faraó e nas mãos de invasores Líbios, sendo assim, é muito provável que as forças armadas do Egito estivessem concentradas no sul, sob as ordens dos Nomarcas da região, o que fez com que a militarização da região favorecesse a ascensão de líderes capazes de reivindicar o poder central, coisa que pode ter desencadeado as crises da 7ª e 8ª Dinastias.
Com o enriquecimento dos Nomarcas do sul e o enfraquecimento dos Faraós, aqueles pararam de se contentar em construir suas tumbas na Necrópole Real, como verdadeiros satélites da tumba Faraônica, na prática, em seus Spat eles eram mais poderosos do que o Faraó e assim passaram a se comportar. Construíam tumbas em suas próprias regiões e se faziam adorar por suas populações como os verdadeiros Reis que haviam se tornado. Esse crescimento do poder local em detrimento do central gerou, no plano filosófico, uma transformação do pensamento acerca da vida após a morte. Se antes todo o Egito estava ligado à vida do Faraó através da manutenção da Maat, agora se fazia impossível acreditar nisso, caso contrário todos passariam a estar condenados após suas mortes, visto que no mundo real a Maat estava totalmente desequilibrada. Dessa maneira, volta-se à idéia antiga de que cada um poderia ser imortal desde que tivesse seguido em vida uma estrita norma moral e de que recebesse os devidos cuidados devidos em seu funeral.
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 Os Saques às tubas reais |
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O principal trauma sofrido pela civilização Egípcia no final do Antigo Império foi o saque das tumbas Reais de Sakkara e, especialmente, das Pirâmides de Gizé. Até então os Faraós eram reverenciados como verdadeiros Deuses sobre a terra, criaturas dotadas de poderes inimagináveis e, portanto, dignas de culto e obediência, nunca de predação e vandalismo. Pois bem, a preocupação com possíveis ladrões de sepultura sempre foi grande, não foi à toa que os Faraós optaram por amontoar seus túmulos em Necrópoles, uns próximos dos outros, faziam isso porque sabiam da existência de ladrões de sepultura que atormentavam o descanso de dignatários e Reis desde os tempos dos Spat, sendo assim, reunindo os túmulos em um único lugar, a vigilância seria facilitada, bastava manter um pelotão de guardas constantemente na Necrópole e que os ladrões não lograriam entrar.
Mesmo assim os ladrões conseguiam entrar e roubar os tesouros das tumbas, os Egípcios não conheciam ou utilizavam quaisquer tipos de fechaduras ou cadeados. Tais peças só foram introduzidas no Vale do Nilo com a chegada dos Romanos. Por essa razão, o trabalho dos ladrões era facilitado. É óbvio que saquear um edifício monumental como qualquer das Grandes Pirâmides não é algo que se possa fazer num dia, ou mesmo de uma só vez. É trabalho para meses, talvez até anos de saques contínuos. Porém, com o colapso da autoridade central, certamente nem as Pirâmides nem quaisquer outras coisas eram guardadas.
Sendo assim, os saques foram constantes. Tumbas feitas para abrigar um morto e seus tesouros para toda a eternidade eram abertas e despojadas num ato até mesmo sacrílego da parte dos ladrões, porém, os clãs de ladrões de sepultura (dos quais alguns sobrevivem até nossos dias, é certo que com modificações em suas atividades, hoje são ladrões de antiguidades) eram seguidores de Seth, o deus rival, o inimigo de Hórus, o Deus Falcão da Realeza, portanto, despojar o túmulo, a múmia e a eternidade de uma das antigas manifestações do Hórus vivo era até mesmo uma obrigação religiosa de tais ladrões.
É possível que os saques às tumbas Régias tenham acelerado o processo de multi-polarização das tumbas dos Nomarcas em detrimento da antiga centralização desta em torno da tumba Faraônica, agora não mais um lugar seguro. Porém, além disso, os saques às tumbas Régias das Dinastias do Antigo Império, durante o 1º Período Intermediário, fez com que, as práticas funerárias futuras fossem drasticamente alteradas.
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Referências Bibliográficas |
| 1 |
Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996; |
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| 2 |
Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007; |
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| 3 |
J.H. Breasted, A History of Egypt, 2ª ed. New York, 1909; |
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| 4 |
Revista Edição Ilustrada Egito Antigo, Escala, 2007; |
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| 5 |
Tyldesley, Joyce. Pirâmides a verdadeira história por trás dos mais antigos monumentos do Egito, São Paulo, Globo, 2005; |
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| 6 |
www.wikipedia.org |
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