 A Primeira Dinastia |
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O início da 1ª dinastia parece ter sido marcado por duas alterações principais: a difusäo do uso da escrita e a fundação de Mênfis, que deve ter sido a capital politica a partir de então. é possível que tenha tido também lugar uma mudança de família real, sugerida pelas diferenças nos nomes dos reis.
A escrita era utilizada sobretudo para os nomes dos anos, registrando, para efeitos de datação, um acontecimento importante para cada ano. As listas destes nomes de anos constituíram mais tarde os primeiros anais a 1ª dinastia começa com o lendario Menés, de que se conhece o nome através de listas de faraós egipcios posteriores e de fontes clássicas. Na sua própria época, estes reis eram, sobretudo, conhecidos pelos seus nomes de Hórus, o elemento real oficial do titulo, e não pelos nomes de nascimento, que são os utilizados nas listas. 
Em consequência disto, quer a identificação, quer a existência de Menés são discutíveis, mas trata—se, provavelmente, do Rei Aha, de cujo reinado data o mais antigo Túmulo de Saqqara. Os dois principais centros de poder eram, nessa época, Abido e Mênfis, enquanto em Hierakonpolis, povoação muito antiga, foram também encontradas importantes ruínas do principio do período dinástico. As duas divindades guardiãs do faraó do Egipto, Nekhbet e Wadjit, pertencem a Hierakonpolis e a Buto (Tell el—Farain), No delta, e e provável que Buto tenha tido igualmente importância no periodo antigo.
Calcula-se a duração da 1ª dinastia em cerca de ~150 anos. Foram encontrados em várias partes do país, inclusive no delta, vastos cemitérios deste período, com testemunhos valiosos, datando os mais admiráveis do longo reinado de Den A sua difusão indica que havia menos centralização de riqueza do que durante o Império Antigo, altura em que os cemitérios provinciais de importância desaparecem.
Existem poucas provas diretas da existência de relações entre o Egito e o Próximo Oriente ou a Libia durante a 1ª dinastia, mas tal fato pode dever-se-ao acaso. Na Núbia, na zona da 2ª catarata, encontrou—se um grafite, mais ou menos deste período, representando um rei triunfando sobre seus inimigos, o que indica que os Egípcios não tinham vindo apenas para fazer comércio os reis eram enterrados em Abido, num cemitério bem para dentro do deserto, enquanto as zonas próximas das de cultivo parecerm ter sido destinadas ao culto fúnebre real, podendo ter compreendido edificios cerimoniais construídos com materiais frágeis, que eram renovados à medida das necessidades. Os túmulos reais eram, eles próprios, de dimensões modestas e foram totalmente saqueados em períodos posteriores, rnas o pouco que resta deles é um esplêndido trabalho.
Enquanto os faraós e respectiva corte eram enterrados em Abido, alguns altos dignitários tinham imponentes túnulos de tijolo, de tipo diferente, junto da encosta desértica ao norte de Saqqara (foram também encontrados túmulos semelhantes noutras escavações). Não devia haver mais do que um ou dois destes funcionários ao mesmo tempo, visto o núnero de túmulos ser apenas ligeiramente superior ao dos reis, havendo túmulos datados dos reinados daqueles que viveram mais tempo. O conteúdo de algumas das câmaras de armazenamento nas superestruturas destes túmulos foi preservado, incluindo um notável conjunto de objetos de cobre e, sobretudo, enormes quantidades de vasos de pedra, de várias espécies e feitios. Este tipo de vasos de pedra teve origem nos tempos pré-dinásticos e foi o principal produto de luxo do país até a 3ª dinastia.
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 A Segunda Dinastia |
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No princípio da 2ª dinastia, a necrópole real foi transferida para Saqqara. Depois do terceiro faraó desta dinastia, Ninetjen, o registo é muito incerto, sendo provável que tenha havido vários pretendentes ao trono e tradições posteriores incluem nomes de ambos os lados. O primeiro faraó desta dinastia, cujo nome se encontrou em Abido, foi Peribsen, único rei na história do Egito a usar o titulo de Seth em vez do de Horús. Peribsen parece ter alterado o seu nome, que seria anteriormente o de Sekhemid, referido a Hórus. Hórus e Seth são dois deuses inimigos da mitologia egípcia, que lutam pela obtenção da herança do país — mas é possível que este mito tenha sido formulado depois da 2ª dinastia — e a alteração do título pode ter a ver com a crença do triunfo de Seth, ou com uma diferença de fideidade local, entre outras possibilidades.
A atuação de Peribsen parece ter provocado a oposicão de um rei, Khasekhem, de que apenas se conhecem objetos provenientes de Hierakonpolis, no Sul. O rei seguinte, Khasekhemwy, era provavelmente a mesrna pessoa que Khasekhem, tendo o seu nome sido encontrado por todo o país em objetos datando presumivelmente de um período posterior a morte de Peribsen. Khasekhem é um nome que faz referência a um "poder" (sekhem) que significa Hórus, enquanto Khasekhemwy se refere a dois "poderes" Hórus e Seth— tendo por uma as figuras de ambos os deuses e é acompanhado da frase "os dois senhores descansam nele". Este conjunto é, portanto, uma proclarmcao do fim da luta. O reinado de Khasekhemwy prenuncia a 3ª dinastia. A rainha, Nimaathapi, está associada aos dois primeiros faraós e a arquitetura desta época mostra grandes progressos.
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 A Terceira Dinastia |
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O primeiro faraó da 3ª dinastia, Zanakht (2649-2630), figura obscura, é provavelmente o mesmo que Nebka. O seu sucessor, Djoser (2630-2611) é, sobretudo, conhecido como construtor da Pirâmide de Degraus de Saqqara, o mais antigo ediflcio de pedra daquelas dimensões do mundo. Para além disso, alguns fragmentos de um santuário de Heliópolis, datando do seu reinado, revelam uma iconografia e um estilo egípcios totalmente desenvolvidos. A Pirâmide de Degraus é, em muitos aspectos, uma estrutura experimental, revelando muitas alterações no seu plano, mas demonstra um domínio técnico e um poder econômico surpreendentes.
A época de Djoser foi vista mais tarde como uma idade de ouro do empreendimento e do saber. O nome de lmhotep, provável arquiteto da Pirâmide de Degraus tinha o título de mestre escutor, entre outros —, veio a ser particulamente venerado e era, no período greco —romano, uma divindade popular, associada especialmente à cura de doenças. O seu nome encontra-se tambem sob a forma de grafite, num esboço do muro a volta da pirâmide do sucessor de Djoser, que foi enterrado quase de imediato numa estrutura modificada em relação ao plano original. Talvez fosse um herói dos trabalhadores da sua própria época. Os edifldos de Djoser salientavam-se do grupo de mastabas maciças de tijolo, datando do seu reinado, a norte de Saqqara, e foi apenas na dinastia seguinte que outros homens tiveram tumulos de pedra.
Mas a perfeição do trabalho em relevo estendia-se para além do monumento real e os relevos em madeira, provenientes do tumulo de Hezyre, da mesma época, estão entre os mais belos da escultura antiga neste material. Embora tivessem sido feitos para um particular, podem ter tido origem numa oficina real. O monumento, ainda mais grandioso, do sucessor de Djoser, Sekhemkeht (2611-2603), quase não passou do nivel do chão e ao seu reinado seguiu-se um período obscuro. Este interlúdio antes da 4ª dinastia revela o modo como os governantes predominavam no registo e, por isso, na nossa visão da história. Quando o faraó e a sua organização eram fortes, os recursos do país podiam ser aproveitados de maneira impressionante, provavelmente através do trabalho em regime de corveia. Quando o faraó era fraco, o padrão normal de subsistência mantinha-se, sem prejudicar o tecido econômico do país, mas sem dedicar o seu potencial ao mesmo fim duradouro.
Em finais do periodo dinástico primitivo, o Egito tinha adquirido a sua fronteira meridional clássica, na 1ª catarata, ao mesmo tempo que a sua escrita, administração e capacidades técnicas e artísticas tinham praticamente atingido as suas formas clássicas. Tinha—se verifcado uma progressiva centralização do poder, que não é visível nos registos, exceto no declinio dos cemitérios provinciais. Esta era a condição necessária aos feitos dos faraós da 4ª dinastia.
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 Túmulos reais |
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Desde épocas remotas anteriores ao Rei-Escorpião, o povo egípcio sempre se preocupou com a alma e o conforto do morto para sua vida após a morte. Neste período dinástico primitivo, já eram construídos túmulos mais sofisticados, as mastabas – que eram sepulturas feitas de adobe com lados oblíquos e a parte superior plana. Dentro das mastabas havia câmaras e ali eram deixados objetos para o conforto do morto no outro mundo. Com o decorrer do tempo, as mastabas foram ficando cada vez maiores e mais complexas. Faraós da primeira e segunda dinastias, já possuíam mastabas revestidas com pedras e havia sepulturas com até trinta câmaras.
Mas foi na 3ª dinastia, sob o reinado de Djoser que Imhotep revolucionária a construção de túmulos reais com a famosa pirâmide de degraus de Saqqara, que foi o resultade de um projeto original que consistia em uma "super" mastaba, maior do que qualquer outra ja construída. A esse projeto, foi-se construíndo niveis em cima de níveis criando uma pirâmide em forma de degraus, algo ainda nunca visto pela humanidade. Pirâmides semelhantes so foram construídas muito tempo depois na Meso-américa e em outros locais remotos do mundo.
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 Artes e Escultura |
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Todas as manifestações artísticas no Egito surgiram por causa da religião, e estavam a serviço do faraó e do estado. Acredita-se que a escultura surgiu em decorrência da necessidade de representar o morto para a eternidade. Muitas estátuas foram encontradas nos túmulos diante de uma porta falsa na parede, talvez para dar passagem à alma do morto.
Também a escultura foi usada para representar os deuses que eram adorados sob a forma de animais ou meio humanos. É claro que com o decorrer do tempo, os egípcios foram aprimorando essa arte até construírem os colossos que veremos mais tarde.
Ainda na primeira dinastia os egípcios já dominavam a arte de trabalhar com madeira, fabricavam arcos, flechas, dardos, bengalas e cetros de toda espécie e ainda instrumentos musicais, o clima quente e seco do país preservou esses trabalhos para os estudos atuais. O estilo artístico do povo egípcio sofreu muito poucas mudanças ao longo de mais de 3000 anos de história. Eles foram um povo muito ligado na religião, possuíam um grande respeito pelo equilíbrio, pela ordem que podiam vislumbrar na natureza.
Os complexos funerários de Abydos e Saqqara foram construídos durante as primeiras dinastias. Os hieróglifos já os enfeitavam e contavam para a posteridade as histórias em que hoje os estudiosos se baseiam para estudar a civilização egípcia. A pintura não tinha profundidade, o tronco da pessoa representada ficava sempre de frente para o observador enquanto a cabeça, as pernas e os pés eram vistos de perfil. Usavam cores e representavam as pessoas mais importantes em tamanho maior, as figuras iam diminuindo de acordo com a sua importância.
As figuras femininas eram pintadas de ocre e as masculinas de vermelho. Os hieróglifos a principio eram talhados em pedra, mas, depois os egípcios descobriram outros materiais para escrever. Graças à escrita nas paredes dos templos, nos monumentos e em rolos de papiros, ficaram para nosso conhecimento histórias de conquistas, poemas, louvores, cálculos, lendas e o mais interessante, os papiros médicos.
O papiro é uma planta que, além de decorativa foi um tesouro para os antigos egípcios. As hastes do papiro, com dois a três metros de altura, eram cortadas em pequenos pedaços, descascadas e a isso se seguia uma série de procedimentos até se obter a folha de papiro. Da haste da planta também faziam velas de barcos, cordas, sandálias e cestos. Essa planta, tão bela e tão útil, que não dava trabalho algum, a não ser o de cortá-la, só era superada em utilidade pelo trigo. O papiro era o símbolo do Baixo Egito e o cetro das deusas era feito com sua haste.
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Referências Bibliográficas |
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Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996; |
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| 2 |
Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007; |
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| 3 |
J.H. Breasted, A History of Egypt, 2ª ed. New York, 1909; |
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| 4 |
Revista Edição Ilustrada Egito Antigo, Escala, 2007; |
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| 5 |
Tyldesley, Joyce. Pirâmides a verdadeira história por trás dos mais antigos monumentos do Egito, São Paulo, Globo, 2005; |
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| 6 |
www.wikipedia.org |
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