 O Período Greco-Romano |
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Em 332 a.e.c., Alexandre Magno tomou posse do Egito sem luta. Durante a sua breve estada foi estabelecido o plano para a construção de Alexangria, tendo Alexandre ofercido sacrifícios aos deuses egípcios e consultado o oráculo de Amon, no oásis de Siwa. Após a sua morte, Ptolomeu, filho de Lagus, conseguiu ficar com o Egito como sua satrapia e enterrou o seu rei em Menfis (o corpo foi mais tarde transferido para Alexandria). Em fins de 305 ou princípios de 306, Ptolomeu seguiu o exemplo de outros sátrapas e proclamou-se rei indepndent do Egito.
Durante os 250 anos seguinte o Egito foi governado por gregos, mas como páis separado, com os seus próprios interesses, mesmo que estes não fossem os da população local. O governo ptolomaico foi, em certos aspectos, tirânico - possivelmente não mais do que o s seus precursores autóctones - e provocou levantamentos nacionalistas, mas, ao contrário do que aconteceu com o seu antecessor e com o seu sucessor, centrava-se no Egito. Uma indicação disto parece ser o fato de os Ptolomeus terem procurado alargar, de forma tradicional, as possessões do Egito anexando a Palestina e, mais atrade, entrando um pouco pela Baixa Núbia, onde se estabeleceu uma espécie de condomínio com o Estado meroíta. Além disso, Cirene, Chipre (que tinha já estado durante um curto período nas mãos de Amásis), partes da Anatólia e algumas ilhas do mar Egeu ficaram, durante algum tempo, sob controle ptolomaico.
Os reinados dos três últimos Ptolomeus foram um período de desenvolvimento para o Egito, durante o qual o país foi incluído no mundo helenístico em termos de agricultura, comércio e, para a população grega, educação. A inovação mais importante na agricultura foi a introdução genralizada de duas culturas por ano. Muitas mudanças econômicas eram geridas por menopólios estatais, não sendo certo que os Ptolomeus tivessem seguido os mais antigos faraós egípcios neste aspecto. Havia também uma política de fixação de soldados estrangeiros em terras da coroa, que cultivavam em troca da obrigação do serviço militar. As colônias gregas cresceram em muitas zonas, em especial onde, como era o caso do Fayum, existiam programas de aprovietamento de trras. Embora o contato entre os naturias e os Gregos fosse limitado, esta nova ativdade e o aumento da área cultivada geraram riqueza para o país como um todo. O principal desenvolvimento foi, contudo estrangeiro: a construção de Alexandria, que se tornou a mais notável cidade do mundo grego. Na linguagem posterior, Alexandria estava "junto ao" e não "no" Egito. Ao atrair a riqueza do país e a principal preocupação dos reis, restringiu a expanção noutras áreas, em especial devido à sua localização no extremo nordeste.
O século II foi uma época de declínio na economia e de lutas políticas. Conspirava-se dentro da família reinate, ao mesmo tempo que, a partir do reinado de Ptolomeu IV Filopator (221-205), se tornavam vulgares as revoltas nativas no Alto Egito, tendo sido a mais séria delas esmagadas já em 85 a.e.c. O egito perdeu grande parte das suas dependências estrangeiras, tendo sido mesmo conquistado por Antíoco IV Epifânio, da Síria, que, em 168 a.e.c., se proclamou rei por um curto período. No Século I a fraqueza do governo continuou a aumentar, ainda que tenha trabalhado, por vezes, a favor da população local. Mas a força ensombradora de Roma condenou a independência do Egito.
Os Ptolomeus e os imperadors romanos apareciam nos monumentos como faraós tradicionais e os primeiros fizeram inscrições em egípcio, relatando aquels feitos que tinham por objetivo benficiar a população nativa. As proclamações públicas, dirigidas a todos, foram registradas em três escritas: hiefoglífica, demótica e grega, sendo a mais famosa um decreto, preservado na pedra de Roseta, promulgado por Ptolomeu V Epifânio (205-180) em 196 a.e.c.
Ao longo desta dinastia construíram-se templos egípcios tradicionais. Parece que as terras dos templos, que produziam o rendimento diário dests, permaneceram mais ou menos inalteradas, em relação a períodos anteriores, e os recursos adicionais, para serm utilizados em programas de construção, provinham, possivelmente, dos reis. Os benefícios para a construção de templos não eram muito afetados pelos altos e baixos da economia, mas podem ter sido uma política real consistente, com o objetivo de atrair o apoio da população e, talvez, de agradar aos deuses locais. No entanto, dentro do templo, o rei que realizava o culto tradicional era uma figura completamente artificial. Em tempos de confusão continuaram a esculpir-se imagens de reis em relevos de templos, mas os cartuchos para os nomes eram deixados em branco.
Neste período teve lugar um esplêndido desenvolvimento da escultura particular, dando mostras da persistente vitalidade e riqueza da Élite do país, embora a sua esfera de ação fosse reduzida, o que se reflete no tom de piedade e resignação em inscrições particulares e de templos. Só no século I é que existem, nos seus monumentos, provas claras de receptividade m relação à influência grega, ela própria, cada vez mais influenciada pela religião egípcia, à medida que o período greco-romano avançava.
Durante o período ptolomaico teve lugar o mais importante desenvolvimento do culto animal na religião egípcia. Estes cultos atraíam tanto egípcios como gregos e criaram cidades funerárias para a mumificação de animais, peregrinações e consultas a oráculos.
Sob o domínio romano (depois de 30 a.e.c.) deu-se um aumento inicial de prosperidade. Mas a administração melhorada tinha por fim garantir a riqueza de Roma e não desenvolver o Egito e em finais do século I d.e.c. os problemas de impostos excessivos e de coação oficial eram graves. Alguns imperadores, nomeadament Adriano (117-138 d.e.c.), mostraram especial consideração para com o Egito, sem que se tnha alguma vez havido uma alteração política fundamental em benefício da população grega, quanto mais da egípcia. ao contrário de outras províncias do Império, não foi atribuído ao Egito qualquer grau de autonomia local, sendo administrado por um prefeito, sob jurisdição do imperador.
Em termos da posterior fama do Egito, o período greco-romano foi muito importante. Sob o governo dos Ptolomeus os cultos egípcios espalharam-se pelo mundo mediterrâneo, mas a sua maior popularidade teve lugar nos princípios da era imperial, quando os sacerdotes egipcios, tal como muitos objetos, foram para Roma. Enquanto os cultos se espalhavam por grande parte do Império. De entre estes salienta-se o de Serápis, deus greco-egípcio criado, no princípio da dinastia ptolomaica, como um híbrido deliberado. O Egito era também o país exótico par excellence, cuja paisagem era representada de modo fantasioso em pinturas e mosaicos romanos.
No período romano construíram-se, no Egito, templos de stilo autóctone e a religião local continuou a funcionar. Muito poucas estruturas novas foram erigidas de pois do século I d.e.c. talvez devido ao empobrecimento geral do país, mas a decoração das já existents prosseguiu, mantendo-se mesmo, nos nomes utilizados nos cartuchos, a par das lutas pelo trono imperial. A mais recente inscrição em hieróglifos data de 394 d.e.c. enquanto os documentos e textos literários demóticos são vultares até o século III.
A força que acabou por destruir a cultura tradicional egípcia e levou à mutilação dos monumentos não foi o Império Romano, mas sim o cristianismo, cujo êxito se devem em larga medida, ao fato de não ser romano. O Egito pode, no entanto, ter também contribuído para o cristianismo: o papel da Virgem Maria e a iconografia da Virgem e do Menino assemelham-se impressionantemente ao mito e representação de Ísis e Hórus criança. O fim da história Egípcia antiga, em 395 d.e.c. é a data da separação final do Império Romano, por essa altura já fortemente cristão, em Império Romano do Oriente (bizantino) e do Ocident, pertencendo o Egito ao Oriente.
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 A Fundação de Alexandria |
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Segundo Plutarco, podemos concluir que Alexandre havia concebido um plano de domínio do Mediterrâneo Oriental através da construção de uma cidade portuária de grande capacidade no Delta do Nilo. Ao que parece, Racótis se tornou, aos olhos do conquistador, o sítio ideal para a criação de uma cidade Grega no Egito, uma cidade grande e poderosa o suficiente para se tornar a nova capital daquele país e para ser a sede da frota de guerra da Macedônia.
É claro que os floreios de Plutarco nos remetem a novas possíveis inspirações Divinas para a construção da cidade, na medida em que Alexandre teria tido um sonho no qual Zeus lhe indicava o ponto entre a ilha de Faro e o lago Mareótis como sendo o lugar ideal para a construção de sua cidade. Seja como for, o fato é que no inverno de 332 a.e.c, Alexandre Argeade ordenou a construção de uma cidade em sua homenagem, a qual batizaria com seu nome: Alexandria.
É fato que a megalomania de Alexandre fez com que construísse cerca de trinta cidades em sua própria honra, algumas chamadas Alexandrópolis, mas, a maioria, tendo o nome de Alexandria. No final de sua marcha, após a morte de seu amado cavalo Bucéfalo, antes de dar meia volta e iniciar a navegação rumo à Babilônia, onde morreria, Alexandre fundou a única cidade de sua expansão cujo nome não era em sua homenagem: Bucefália, em nome de seu cavalo.
Segundo Plutarco, o que é muito verossímil, aliás, a construção da cidade foi iniciada pelas muralhas, todavia, segundo o mesmo biógrafo, o que é duvidoso, os alicerces das muralhas estavam sendo demarcados pelos arquitetos de Alexandre com cal, entretanto, num dado momento a cal acabou e os arquitetos passaram a utilizar farinha de trigo. Mal os arquitetos haviam terminado o serviço, uma revoada de pássaros famintos atacou as linhas de farinha de trigo e devorou todo o seu trabalho. Alexandre teria visto tal acontecimento como um presságio de mal-agouro, mas seus adivinhos se apressaram em interpretar o ocorrido como um sinal de que naquela cidade a fartura seria tamanha que pessoas de todas as partes viriam para ela tornando-a um centro cosmopolita.
De fato, tal presságio viria a se confirmar, no entanto, se pensarmos que Plutarco escreveu sua obra cerca de 500 anos depois da fundação de Alexandria, quando esta já era realmente um centro cosmopolita (talvez o maior depois de Roma no contexto do mundo Mediterrâneo), podemos concluir que essa devesse ser apenas mais uma das lendas de fundação mítica das grandes cidades da Antiguidade, como a lenda de que Hércules havia deixado seus rebanhos pastando no sítio escolhido por Rômulo para fundar Roma e que depois o teria transferido para o sítio que viria a se tornar a cidade de Toledo, na Espanha, acontecimento imediatamente anterior à separação da Europa e da África perpetrada pelo Semi-Deus que criara o atual Estreito de Gibraltar, antigas Colunas de Hércules.
Demarcadas as muralhas, Alexandre ordenou que os construtores iniciassem a construção da cidade, partiu com alguns de seus homens em direção ao templo de Zeus-Amon no oásis de Siwa. Vejamos como Plutarco descreveu essa expedição e seus acontecimentos importantíssimos para a História e mitologia de Alexandre (também na tradução de Gilson César Cardoso):
(...) Ordenou então que os mestres-de-obras iniciassem a tarefa, enquanto ele próprio partia para o oráculo de Amon. O caminho era longo e difícil, duplamente perigoso pela falta de água, que torna a região deserta por vários dias de marcha, e pelo vento sul, quando sopra com veemência e surpreende os viajante na imensidade dos areais profundo. Foi isso que, segundo se conta, aconteceu outrora ao exército de Cambises: o vento levantou montões de areia que, à medida das vagas oceânicas, tragaram naquelas paragens cinqüenta mil homens.
Esses riscos preocupavam os companheiros de Alexandre, mas seria difícil desvia-lo de um projeto formado, fosse ele qual fosse. É que a fortuna, cedendo a seus esforços, firmava-o nas decisões, e o ardor que mostrava até o fim em suas empresas tornava-lhe a ambição invencível, pois submetia à força não apenas os inimigos, mas até os lugares e as circunstâncias. Seja como for, na marcha que então empreendeu, o amparo que lhe veio do Deus quando se viu embaraçado gozou de muito maior crédito que os oráculos depois exarados a seu respeito.
De alguma maneira, aliás, esse amparo é que deu verossimilhança aos oráculos. Para começar, Zeus despejou águas abundantes do céu; chuvas suficientes dissiparam o medo da sede e suprimiram a secura da areia, a qual, agora úmida e compacta, tornava o ar mais respirável e puro. Depois, como os marcos que serviam de orientação aos guias estivessem quase sumidos e os viajantes, incertos quanto à rota, errassem ao acaso distanciando-se uns dos outros, apareceram alguns corvos que tomaram a direção da marcha; as aves voavam rapidamente quando eram seguidas e esperavam os homens quando estes ficavam para trás.
Mas o mais assombroso, no dizer de Calístenes, foi que chamavam aos gritos os que se desgarravam durante a noite e, crocitando, reconduziam-nos ao caminho certo! Depois que Alexandre cruzou o deserto e chegou a seu destino, o profeta de Amon saudou-o da parte do Deus como se ele fosse seu filho. O rei perguntou-lhe então se algum dos assassinos de seu pai conseguiria escapar. O profeta aconselhou-o a ter cuidado com o que dizia, pois seu pai não era mortal. Alterando a forma da pergunta, Alexandre insistiu em saber se os assassinos de Filipe haviam sido castigados; em seguida, inquiriu-o a respeito do Império: consentiria o Deus em fazê-lo dono do mundo? O Deus respondeu que consentiria e que Filipe fora plenamente vingado. Alexandre, então, cumulou o Deus de magníficas oferendas e deu dinheiro aos sacerdotes.
Eis o que relatam quase todos os autores a propósito dos oráculos. Todavia, o próprio Alexandre, em carta endereçada à mãe, afirma que recebeu predições secretas, que só a ela comunicaria quando regressasse. Sustentam alguns que o profeta, querendo saudá-lo em Grego com uma palavra afetuosa, chamou-o “Meu Filho” (Ô paidion), mas, em sua pronúncia bárbara, substituiu o ‘n’ final por um ‘s’: Ô pai Dios (“Filho de Zeus”). Conta-se ainda que, no Egito, ouviu o filósofo Psamão, aprovando-lhe sobretudo esta máxima : “Deus é o Rei de todos os homens porque um princípio Divino dirige e governa cada um deles”; o próprio Alexandre, porém, teria emitido a esse respeito uma opinião ainda mais profundamente filosófica, estatuindo que Deus sem dúvida é o pai comum de todos os homens, mas só perfilha os melhores.
Ao retornar do oásis de Siwa, Alexandre apenas passou por Alexandria para conferir como andavam as obras (lançando, segundo Derek Adie Flower, sua pedra fundamental em 7 de abril de 331) e, em seguida seguiu seu caminho rumo à Ásia. Nunca mais retornou ao Egito com vida, embora tenha sido o Faraó do país enquanto viveu e o tenha governado, juntamente com todo o restante do Império que conquistara, até 323, ano em que faleceria, ainda muito jovem, com apenas 33 anos, de uma grave doença (possivelmente tifo), na Babilônia.
Alexandria foi, a exemplo de Akhetaton, cerca de 1000 anos antes, uma cidade planejada para se tornar a capital do Egito, sendo assim todos os seus mínimos detalhes haviam sido pensados. Primeiramente, contudo, há que se perceber que se tratava de uma cidade Grega no Egito e não de uma cidade Egípcia, dessa forma, apesar da incorporação de alguns elementos arquitetônicos Egípcios em suA estrutura, em especial, o palácio, centro maior de poder do Egito e que, no mundo Grego de até então, era um elemento quase desconhecido, visto que, à exceção, é verdade, da Macedônia, a Grécia era majoritariamente dividida em Cidades-Estado Democráticas e/ou Oligárquicas, mas não em Monarquias radicadas em palácios.
As muralhas também constituem não só um sinal de Helenização, mas também um sinal dos tempos: já não era mais possível construir cidades importantes sem que estas fossem protegidas por muralhas; o mundo estava muito perigoso e cheio de guerras e invasões estrangeiras. A característica mais importante da nova capital do Egito era, no entanto, o fato de ser dividida em bairros, uma espécie de expropriação do modelo Grego dos Demos, mas de uma forma diferente, pois, na medida em que haveria um Rei ou governante a quem obedecer, os bairros não adquiririam a característica essencialmente política que haviam adquirido nas póleis da Grécia. Havia, ao todo, três bairros que se estendiam por cerca de trinta quilômetros ao longo de uma extensa avenida situada entre o lago Mareótis e o Mar Mediterrâneo.
O bairro mais oriental era residência de Judeus e Semitas em geral. Lá viviam os trabalhadores mais qualificados e a baixa elite. No bairro mais ocidental viviam os Egípcios, estes eram tratados com certo desprezo e não possuíam quase direito algum junto à corte que governava a cidade (lembremos que estamos tratando da elite de uma maneira superficial, pois durante a vida de Alexandre Alexandria esteve em construção e não havia nenhuma autoridade real governando diretamente o Egito, visto que Alexandre esteve praticamente todo o tempo em guerra, depois do fim das campanhas, mas mesmo antes da morte do Monarca Macedônio, uma elite se estabeleceu na cidade e, aí sim as generalizações aqui empregadas passam a ser relativamente válidas); eram apenas os trabalhadores braçais utilizados nos serviços mais pesados como a estiva nos portos, o transporte e a mão-de-obra na construção ininterrupta que a cidade sofreu durante cerca de 50 anos (e até depois, se considerarmos as grandes obras que Alexandria conheceu).
O bairro central, o mais nobre e, também, o mais seguro era chamado de Bruquíon. Ele se localizava relativamente próximo ao porto e seu centro se dava exatamente na intersecção entre as duas grandes avenidas da cidade, exatamente a região onde ficavam alguns dos mais imponentes palácios e onde foram construídas “jóias” como a Grande Biblioteca de Alexandria e o Soma, o famoso túmulo de Alexandre Magno. Além da divisão em bairros e esquematização em avenidas (técnica copiada dos próprios Egípcios), Alexandria também possuía excelente rede de comunicações, grandes mercados que a abasteciam de tudo o que necessário e vários mirantes espalhados pela cidade inteira e construídos com a finalidade manter a criminalidade (presumivelmente grande em uma cidade construída para ser uma capital) sob o controle da vigilância.
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 A Divisão do Império de Alexandre |
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Se Alexandre foi o fundador da nova Dinastia, por outro lado, nunca chegou a governar o Egito propriamente dito. Seu talento como conquistador de povos talvez não fosse o mesmo no campo da administração de Impérios. Quando o Rei morreu, três homens de sua maior confiança: Seleuco, Antípater e Ptolomeu dividiram entre si a administração do Império que ele havia legado.
Na verdade, ao menos inicialmente nenhum dos três era um governante autônomo, visto que o herdeiro de Alexandre (o único que ele deixara, aliás), seu filho com Roxana, Alexandre IV, ainda que sendo um bebê que nascera após a morte do pai, vivia. A situação do Império de Alexandre era confusa, na prática, Antípater, governante da Grécia-Macedônia, havia tomado o pequeno Alexandre IV como seu dependente e, uma vez cuidando dele, era uma espécie de tutor do Império.
Ptolomeu e Seleuco aceitaram ao menos nominalmente essa situação, no entanto, como Antípater era o mais velho dos três, foi também o primeiro a morrer e, com sua morte, precipitou-se a desintegração do Império construído por Alexandre, o Grande. Antípater havia sido um dos principais generais de Filipe II, pai de Alexandre e, sendo assim, já era velho quando Alexandre iniciou sua campanha, justamente por isso, não partiu com ele, mas, ao contrário, foi escolhido para ficar em Pela governando as regiões já submetidas. Quando sua figura patriarcal desapareceu, com sua morte, Roxana, a viúva de Alexandre, passou a temer por sua vida e, sendo assim, partiu para o Épiro, região próxima à Macedônia, mas que não se havia submetido completamente, visto que a união dos dois Reinos se havia dado pelo casamento de Olímpia (princesa do Épiro) com Filipe (Rei da Macedônia).
No Épiro, contudo, Olímpia, Roxana e Alexandre IV foram capturados por Poliperconte e conduzidos à Macedônia. Ali chegando, caíram nas mãos de Cassandro, o novo Rei da Macedônia, homem que queria legitimar sua autoridade através da eliminação do passado e da figura de Alexandre, sendo assim, Roxana e seu filho foram executados. A morte de Alexandre IV, em 304, com dezessete anos, pôs fim a uma estrutura que só sobrevivia nominalmente após a morte de Alexandre III, o Grande. Sendo assim, a Ásia se tornou um Reino independente, a Macedônia se dividiu, perdendo a Grécia, a Trácia e o Épiro.
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 A Biblioteca de Alexandria |
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A Grande Biblioteca de Alexandria é um edifício que povoa a imaginação de milhões de pessoas em todo o mundo. Os Historiadores, Filósofos e pesquisadores em geral, imaginam qual o tamanho de seu acervo e especulam sobre o conteúdo de saber que, com seu fim, se viu perdido para todo o sempre. Os adeptos do ocultismo, por outro lado, vivem a se referir a textos e/ou fragmentos de texto arcanos que teriam sido encontrados ou que seriam remanescentes da Grande Biblioteca.
Na verdade, não se pode precisar com era o tamanho do acervo da Biblioteca de Alexandria, o que se pode dizer, com certeza são apenas quatro coisas: era muito maior do que a biblioteca que foi construída recentemente com o intuito de recria-la; não tinha todo o seu acervo contido num único edifício, mas, ao que se sabe, em três, sendo dois contíguos e um terceiro, chamado de Biblioteca Filha, bem distante; dispôs de algumas das mentes mais brilhantes do período final da Antiguidade não-Cristã; e finalmente, tinha contíguo a si (ao menos no que se refere aos dois edifícios componentes da Biblioteca Mãe) um grande Santuário às Musas, chamado de Museu.
Praticamente tudo o que se disser sobre o acervo ou mesmo sobre a localização exata da Biblioteca será uma mera especulação. Por volta de 291, quando Ptolomeu I já governava há cerca de 15 anos como Faraó, a Biblioteca ficou pronta. Ptolomeu I Sóter fez de tudo para embeleza-la e torna-la o mais completa possível: comprou livros e pergaminhos de todas as partes e, segundo consta, conseguiu se mandasse trazer da Grécia toda (ou ao menos a maior parte) a biblioteca de Aristóteles. Ao que parece, o Faraó estava interessado em compilar todo o saber do mundo, sendo assim, mantinha na Biblioteca todo um grupo de copistas e tradutores a fim de traduzir para o Grego os papiros, rolos e livros trazidos de todas as partes para Alexandria.
A História da Biblioteca de Alexandria se confunde com a do Egito por praticamente todo o seu tempo de existência sendo que pôde registrar o crescimento de Alexandria e a superação de Atenas pela cidade como sendo o maior pólo de saber do mundo Mediterrâneo. A Biblioteca sentiu os reflexos dos governos frágeis de Faraós despóticos que possuíam a ilusão de grandeza proporcionada pelo governo de Egito e que não se davam conta do iminente poder de Roma que se consolidava cada vez mais no Mediterrâneo Ocidental após as Guerras Púnicas. Alexandria e sua Biblioteca puderam perceber o desgaste de um mundo que havia sido superado, do mundo do Mediterrâneo Oriental, mundo do qual o Egito Ptolomaico foi o último bastião e cuja queda perante Roma simbolizou o fim do mundo que hoje estudamos como sendo a Antiguidade Oriental, mas que, talvez, tenha sido, realmente o Mundo Antigo, sendo o outro que o conquistara, o Mundo Romano, uma outra realidade que, ao se inserir como potência vitoriosa, ditou os rumos da humanidade dali em diante, transferindo o foco da História do Mediterrâneo Oriental, que se tornaria um eterno adendo, para o Mediterrâneo Ocidental e, mais tarde, para a Europa Ocidental.
Era vitória de um mundo que foi coroado com o Cristianismo e cuja sobreposição final sobre o Mundo Antigo viria a se dar justamente quando, em 415, o Patriarca de Alexandria, o Bispo Cirilo (que viria a ser São Cirilo, talvez o Santo mais reverenciado pelo famoso Papa Pio XII, o Papa de Hitler), incitou seus fiéis a destruir a Biblioteca Filha, a última parte da Grande Biblioteca que ainda restava. Os Cristãos exaltados, bradando contra os Deuses antigos (a Biblioteca Filha se localizava nas dependências do Serapeum, o Templo de Serápis, no bairro Egípcio de Alexandria) e contra os antigos blasfemadores (como Platão e outros), invadiram a Biblioteca Filha e, depois de destruírem tudo o que encontravam pela frente (e estou me referindo a obras que, depois de tal ação, foram completamente perdidas, talvez e, possivelmente, a Egipcíaca de Mâneton, entre outras), puseram fogo nos entulhos e no próprio edifício.
É verdade que muitas obras foram salvas porque os Egípcios não-Cristãos que trabalhavam na Biblioteca, prevendo a catástrofe iminente, esconderam em suas casas e em outros lugares tudo o que puderam carregar, mas o grosso das obras (ou mesmo aquelas que talvez não interessassem tanto àqueles indivíduos por suas próprias motivações pessoais, mas que nos seriam de igual, ou até maior, importância) foi perdido. Esta não foi a única catástrofe a se abater sobre a Grande Biblioteca, na verdade, mesmo ainda no tempo dos Ptolomeus, dependendo do humor do Faraó (e apenas os três primeiros e Cleópatra parecem ter sido extremamente preocupados com a Biblioteca), a Biblioteca e seus pesquisadores poderiam vir a sofrer os mais variados tipos de perseguições.
Com efeito, apenas Ptolomeu I Sóter, Ptolomeu II Filadefo e Ptolomeu III Evergeta se preocuparam em engrandecer aquele centro de pesquisas e saber; os demais, se não o dilapidassem, também não o ampliavam. Apenas Cleópatra, às custas de Marco Antônio, fez novas adições ao acervo, porém, tais adições não se comparavam às perdas acarretadas pela batalha que Júlio César fora obrigado a travar em Alexandria contra o irmão de Cleópatra: Ptolomeu XIV Novo Dionísio (se bem que haja muita controvérsia entre as fontes consultadas a respeito de quem teria sido realmente o irmão de Cleópatra, visto que algumas fontes afirmam ter sido Ptolomeu XII, outras, Ptolomeu XIII e outras Ptolomeu XIV.
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 O Farol de alexandria |
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Os faróis são uma criação legitimamente Egípcia, existiam desde os tempos do Médio Império (ou talvez até antes) e eram utilizados por Sacerdotes para enviar mensagens e para adorar os Deuses. Não havia qualquer função sinalizadora para os faróis e todos, sem exceção se situavam em terra firme. Seu tamanho não era muito grande, contavam alguns metros apenas. Os mais altos podiam atingir cerca de cinco metros, como um pequeno obelisco com a ponta iluminada por um sistema que hoje nos é desconhecido.
Com a chegada dos Gregos, a tecnologia Egípcia para a construção de faróis foi tomada como sendo um belo modelo para a construção de um objeto perfeito para a sinalização naval, sendo assim, o filho de Ptolomeu I Sóter, Ptolomeu II Filadelfo, ordenou a construção de um grande farol na ilha de Faros, exatamente na costa de Alexandria. As correntes marítimas de Alexandria faziam a navegação para aquela região uma aventura perigosa, sendo assim, dando continuidade ao plano de Alexandre de transformar Alexandria no maior porto do Mediterrâneo, Ptolomeu II Filadelfo realizou a construção do mais improvável edifício do Egito desde as Pirâmides de Gizé: o Farol da ilha de Faros.
O Farol da ilha de Faro, em Alexandria, concluído em 279, quatro anos após a morte de Ptolomeu I Sóter, por seu filho. Este Farol ficou tão famoso que passou a dar nome a todos os demais que vieram a ser construídos depois, visto que Farol era apenas uma desinência relativa à torre de iluminação naval construída na ilha de Faros, por isso, Farol. O Farol de Alexandria foi o primeiro edifício da História a merecer o título de arranha-céu. Infelizmente, a degradação do tempo agravada por terremotos que são relativamente constantes na costa do Mediterrâneo Oriental (além de particularmente intensos, haja vista os recentes acontecimentos da Turquia), acabaram por destruir o Farol que, segundo relatos atingia uma altura superior a 150m; para alguns, se somada a altura da estátua de Poseidon (o Deus dos mares dos Gregos que, entre os Romanos também era chamado de Netuno) que o encimava, a construção chegava a medir cerca de 180m. O equivalente a um prédio de cerca de 45 andares, algo realmente impressionante para as capacidades tecnológicas da Antiguidade.
Outro enigma que nos resta hoje refere-se ao funcionamento do aparato gerador da luminosidade do Farol em si. O que se acredita é que o Farol funcionasse a partir de um sistema de espelhos giratórios capazes de refletir a luminosidade de uma fonte de luz (possivelmente uma tocha gigante) a distâncias colossais. Outras teorias afirmam que durante o dia a luminosidade do sol era refletida pelos espelhos do Farol e, durante a noite, os mesmos espelhos refletiriam a luz da tal tocha gigante. Até aqui, tudo bem, no entanto, há dois enigmas insolúveis (ao menos até que as expedições de Arqueologia marítima (como a que se realiza desde 1995 ao redor da ilha de Faros, comandada por Jean-Yves Empereur) sejam capazes de encontrar a cabeça do Farol que teria se desprendido e caído no mar por volta do ano 700):
1 – Se havia uma tocha gigante esta, certamente demandaria um grande consumo de combustível, no entanto, como a lanterna ficava a mais de 100m de altura, era pouco provável que homens subissem e descessem a torre 24 horas por dia para manter a tocha funcionando continuamente. Dessa maneira, ou os Gregos de Alexandria desenvolveram algum tipo de elevador (o que é plenamente possível, visto que um bom elevador só precisa de uma ou duas plataformas movidas por correias), o que pode nos levar a perguntar se a tecnologia Alexandrina era capaz de construir um elevador forte o suficiente para transportar grandes pesos de combustível; ou desenvolveram uma espécie de bomba de combustível, uma revolução sem precedentes, pois implicaria na construção de algum tipo de motor pelo menos 2000 anos antes da Revolução Industrial (se bem que, segundo o Dr. Norberto Guarinello, professor de História Antiga da USP, os Gregos de Alexandria chegaram a inventar uma espécie de robô que se movia através da força do vapor (o autômato era capaz apenas de andar sozinho, mas já constituía algo sem precedentes por si só) entretanto, segundo o Dr. Guarinello, esta tecnologia só não foi empregada amplamente por não haver uma demanda para ela, visto que o professor considera que a humanidade só se esforça em inventar aquilo que considera útil ou vendável, por isso o boom de invenções na era do Capitalismo Comercial).
2 – Se o mecanismo de abastecimento da fonte luminosa já é por si só um problema difícil de se resolver, pensemos agora no mecanismo de irradiação da luz do farol, visto que, segundo se sabe, no século III a.e.c. não se conhecia o uso dos espelhos côncavos e convexos. É possível, contudo, que os estudiosos da Grande Biblioteca tivessem criado um sistema de espelhos planos capazes de simular o efeito de um espelho côncavo. Esse sistema, no entanto, se fosse encontrado, poderia revelar alguns dos conhecimentos perdidos com a Grande Biblioteca e seus adendos. Realmente é interessante de se imaginar uma sala recoberta de espelhos, capaz de girar em 360º e de irradiar a iluminação de uma fonte pontual (como uma tocha gigante) a distâncias enormes, num contexto de um mundo 300 anos anterior a Cristo. Até o ano de 700 d.e.c., o Farol de Alexandria funcionou fazendo da cidade um porto seguro para navios de todas as regiões do Mediterrâneo, porém, por volta desse ano, por algum motivo, possivelmente um terremoto, a lanterna do Farol se soltou e caiu no mar.
Quatrocentos anos mais tarde, em 1100 d.e.c., um terremoto (sobre esse terremoto há registros) destruiu a torre inteira, lançando-a ao mar; restou apenas a base quadrada do Farol, base que media algo em torno de oito metros de altura. Essa base perdurou na ilha de Faro até o século XIV, quando foi destruída por mais um terremoto, mas como não era muito alta, seus escombros não caíram ao mar, ficando entulhados na própria ilha, sendo assim, oitenta anos mais tarde, Qait Bey, governante de Alexandria, ordenou que, com os restos da base do Farol, se construísse um forte para proteger a cidade. Assim foi feito e tal forte, batizado com o nome do governante, existe até hoje (sendo, no entanto, apenas uma relíquia de um passado distante, visto que depois de 1882, quando Alexandria foi invadida pela Inglaterra, o forte foi desativado), marcando o lugar onde se encontrava o Farol de Alexandria.
Os enigmas do Farol de Alexandria não são nem de longe os maiores enigmas da civilização Egípcia, mas a própria existência do Farol, bem como a da Grande Biblioteca, servem para se ter uma idéia da grandiosidade do último período independente do Egito, afinal, se por um lado o Egito não era governado por sua população nativa, por outro, pelo menos, possuía um Faraó que vivia em seu próprio território e cujas preocupações centrais eram com o próprio Egito.
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 O domínio Romano |
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Para o Egito como um todo a conquista Romana acabou por ser benéfica, ao menos inicialmente. Se por um lado o país, pela primeira vez desde o domínio Persa, voltava a ter um Faraó que não residia no Egito (o Imperador Romano tomou para si o título de Faraó), por outro, passava a ter um que se preocupava com o Egito como um todo e não apenas com uma cidade: Alexandria.
Com efeito, os primeiros Ptolomeus, sobretudo Ptolomeu I
Sóter, se preocuparam com todo o Egito, porém, à medida que o tempo foi passando, essa preocupação foi dando lugar ao descaso e, sendo assim, o Egito entrou num grande declínio ficando até mesmo a grande produção agrícola (marca registrada do país) comprometida. Os Imperadores Romanos, ao menos no começo, se preocuparam em desempenhar seu papel de Faraós, sendo assim, construíram diques, templos e palácios. Revitalizaram a economia da região e até deram força às antigas crenças, se bem que com ressalvas, visto que os Romanos não aceitavam duas práticas religiosas nos países que dominavam: Magia Negra e Sacrifícios Humanos.
Sacrifícios Humanos os Egípcios não realizavam, mas, no entanto, aos olhos dos Romanos, a Magia Negra era um crime de sua Religião. Sob o domínio Romano a Núbia voltou a ser contatada, se bem que não dominada (esta é, aliás, uma das mais fortes raízes de indícios de uma possível Cristianização do Reino de Meroë e da difusão do Cristianismo pelo Chifre da África, em Reinos como a Absínia e, quem sabe, o Reino de Prestes João) Entre os feitos Romanos no Egito estão a construção de um novo e bonito oratório na ilha de Philae (que talvez tenha mesmo sido construída inteiramente no Período Romano) e a revitalização de Elefantina como forte de proteção do Egito contra ofensivas oriundas da África Central.
Aliás, no que se refere a Philae, pode-se dizer que ela foi o último resquício da Religião Antiga do Egito. Numa época em que os demais templos já haviam sido abandonados até mesmo pelos turistas que, na época em que os Imperadores (ainda não Cristãos) favoreciam o Egito e seus templos, viviam ocupando os sacerdotes que se haviam convertido em guias turísticos, o templo de Isis em Filae ainda se mantinha ativo e com um Clero residente. Seu oráculo era representante de Isis e de Horus e foi o último bastião do culto da mãe e do filho (que inspirara a história de Maria e Jesus) a resistir no Egito e no mundo Mediterrâneo.
Conta-se que um falcão sagrado com uma penugem de um colorido todo especial vivia sobre o
batente de entrada do templo, com efeito, este falcão era o próprio Horus, ou seja, agora que já não havia mais Faraós, o Horus havia se tornado um falcão a habitar o batente da porta de um templo. Foi no governo de Justiniano (527 – 565 d.e.c.) que o templo de Philae foi invadido e destruído por uma horda de Cristãos incitados por seus Clérigos. O falcão sagrado foi morto, o templo foi despojado de todo o seu ouro e os Sacerdotes foram dispersados ou mortos. Era a força de Cristo se impondo (literalmente) sobre os cultos que originaram sua essência, mas a quem ela não pagou outro tributo senão o da condenação por infidelidade e idolatria, as mesmas velhas desculpas de sempre, desculpas que justificaram tantas mortes ao longo da História e que ainda justificam inúmeros preconceitos ignorantes.
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 Práticas Funerárias no período Greco-Romano |
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As práticas funerárias do Egito Ptolomaico podem ser divididas em três partes: Alexandria, Fayum e restante do Egito. No Egito como um todo a mumificação estava caindo gradualmente em desuso, só para se ter uma idéia, quando os Romanos conquistaram o Egito, já não mais se mumificavam os mortos, exceto os animais sagrados como o Boi Ápis e alguns gatos, íbis, babuínos...
Entretanto, as pessoas em si eram enterradas em covas nas areias assim como nos tempos já muito distantes, antes da unificação do Egito e do início de sua História propriamente dita. As cerimônias perderam todo o sentido e o morto era enterrado apenas com a roupa do corpo, sem ubshabtis, comida, Livro dos Mortos ou quaisquer outros adereços fúnebres.
No Fayum, a mumificação persistiu até meados do século II d.e.c., quiçá, início do século III d.e.c.. Na realidade, esta região foi o último bastião dessa prática no Egito. O Fayum foi uma colônia Grega e depois Romana e, sendo assim, a cultura Egípcia foi adotada como uma espécie de aculturação intencional e voluntária dos estrangeiros que ali residiam, porém, as tradições Egípcias foram um pouco modificadas. Em Alexandria, havia três populações: Gregos, Egípcios e Judeus. Sobre os Egípcios, podemos considerar válidas as afirmações emitidas a respeito das práticas funerárias das populações Egípcias ao longo do país. Sobre os Gregos, diferentemente dos Gregos do Fayum, que se faziam mumificar e queriam manter as tradições Egípcias mesmo estas não fazendo parte das suas próprias, os Gregos de Alexandria apenas se faziam sepultar em jazigos (que poderíamos chamar de mausoléus) sem qualquer preparo prévio, ou seja, não havia mumificação ou embalsamamento, apenas o sepultamento.
Os túmulos, é claro, variavam enormemente de acordo com a importância de seus mortos. O túmulo de um Faraó era grande e suntuoso, enquanto um cidadão comum era sepultado num túmulo comunal, mas a técnica era a mesma. Infelizmente, como já foi dito, na Idade Média, um terremoto (um dos muitos que abalaram a cidade ao longo dos séculos), colocou o Bruquíon praticamente inteiro sob as águas do Mediterrâneo e, sendo assim, não apenas os palácios Faraônicos, mas também o Soma e os vestígios de prédios como a Grande Biblioteca foram totalmente destruídos, varridos por anos sob as águas. Hoje, contudo, boa parte dessas terras está acima do nível do mar outra vez, contudo, praticamente nada além de prédios existe nelas.
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Referências Bibliográficas |
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Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996; |
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| 2 |
Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007; |
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| 3 |
J.H. Breasted, A History of Egypt, 2ª ed. New York, 1909; |
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| 4 |
Revista Edição Ilustrada Egito Antigo, Escala, 2007; |
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| 5 |
Tyldesley, Joyce. Pirâmides a verdadeira história por trás dos mais antigos monumentos do Egito, São Paulo, Globo, 2005; |
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| 6 |
www.corbis.org |
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