História da Civilização - Império Médio

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HISTÓRIA DO EGITO
Pré-História - ate 4000 a.e.c. Pré-dinástico - 3200-3125 a.e.c. Dinástico Primitivo - 3125-2575 a.e.c.
Império Antigo - 2575-2134 a.e.c. 1º Intermédiário - 2134-2040 a.e.c. Império Médio - 2040-1640 a.e.c.
2º Intermédiário - 1640-1532 a.e.c. Império Novo - 1550-1070 a.e.c. 3º Intermédiário - 1040-712 a.e.c.
Período Tardio - 712-332 a.e.c. Greco-Romano - 332 a.e.c. - 395 d.e.c.  

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Textos

O Império Médio | A Transferência do Centro de Poder | Práticas Funerárias do Império Médio | O Declínio do Império Médio
 
O Império Médio
 

Os dois últimos faraós da 11ª dinastia conservaram a capital em Tebas. O Segundo, Nebtawyre Mentuhotep, não consta das listas posteriores, talvez por ser considerado um governante ilegítimo. Durante estes dois reinados a construção esteve muito ativa em grande parte do país. Abriram-se pedreiras, a mais importante das quais a de Uadi Hammamat, e restabeleceu-se a rota do mar Vermelho. Tudo isto indica que o Egito era forte, mas a ordem política não durou muito. O vizir de Nebtawyre Menturotep, Amenemhet, foi também o primeiro faraó da 12ª dinastia, mas desconhece-se a forma de transferência do poder para ele. Amenemhet era mebro de uma família importante de Elfantina.

O Ato político mais importante de Amenemhet I foi o de mudar a residência real de Tebas para perto de Mênfis, onde fundou uma cidade chamada Itjawy. "Amenemhet é o que se apodera das Duas Terras". O sítio em si era provavelmente uma zona administrativa, que compreeendia as pirâmides de Amenemhet I e Sesóstris I, enquanto a parte principal da cidade continuava localizada em Mênfis. A capital era ao mesmo tempo uma inovação e um retorno às tradições do Império Antigo, que foram também seguidas nas arte.

No que s refre à política externa, Amenemhet I confirmou a obra de Nbheptre Mentuhotep na Nùbia e conquistou, em várias campanhas duratne os últimos anos do seu reinado, toda a região até à 2ª catarata. O chefe destas expedições era Sesóstris I, e a sobreposição de dez anos dos dois reinados foi outra inovação, estabelecendo o padrão institucional de co-regência. Sesóstris I foi o parceiro mais ativo durante os anos de governo conjunto. Amenemhet I parece ter sido assassinado, enquanto o filho estava em campanha na Líbia, mas talvez devido à co-regência, daí não resultou qualquer desordem.

Durante os reinados de Amenemhet I e Sesóstris I construíu-se muito no Egito, tendo-se começado a construção da grande série de fortalezas na Baixa Núbia. Ao mesmo tempo foram escritas bastantes obras literárias importantes e os empreendimentos materiais e intelectuais desta dinastia tornaram-na posteriormente clássica aos olhos dos Egípcios e aos nossos. Um exemplo deste fato é a escultura em relvo da capela de Sesóstris I, em Karnak, que serviu de modelo aos artistas do Início da 18ª dinastia. Mas, apesar destas realizações dos primeiros reis, há muito mais material preservado datando dos reinados de Sesóstris III, Amenemhet III e de outros mais recents do que dos anos entre 2000 e 1900 a.e.c.

O faraó da 12ª dinastia cuja reputação durou mais tempo foi Sesóstris III. Salientou-se, sobretudo, pelas suas campanhas na Núbia, onde alargou a fronteira sul até Semna, no limite sul da 2ª Catarata, pelo estabelecimento de novas fortalezas e pela ampliação de outras. Mais tarde veio a ser aí adorado como deus, e o templo de Tutmósis III em Semna é-lhe consagrado, assim como a Dedwen, divindade local. O principal objetivo desta atividade militar óde ter sido o de contrariar a influência dos chefes Kerma, a sul. Durante este reinado teve igualmente lugar uma expedição à palestina, que parece não ter tido como objetivo a conquista da região, mas que foi o começo de um período de grande influência egípcia. Aquela região era então seminómada e só passou a ter população sedentária a partir do fim da 12ª dinastia. Sesóstris III tinha um exército efetivo considerável, cuja organização só recentement começou a ser compreendida.

Sesóstris III emprendeu importantes reformas na administração do Egito, que parecem ter acabado de retirar o poder das mãos dos governadores de província. O país foi dividido em quatro "regiões", correspondendo cada uma delas a cerca de metade do vale do Nilo ou do delta. Os documentos do fim da 12ª e da 13ª dinastia, cuja origem é sobretudo el-Lahun, dão-nos a impressão de uma organização burocrática generalizada, que acabou por dirigir o país sob o seu próprio impulso.

Dentro do Egito, a mais impressionante herança visível de Sesóstris III é a sua escultura real, que corta com convenções anteriores ao mostrar um rosto envelhecido e preocupado, simbolizando, talvez, os frados da monarquia, tal como é descrito na literatura da época. Este mesmo estilo foi utilizado em estátuas do seu sucessor, Amenemhet III, cujo longo reinado foi aparentemente pacífico. Amenemhet III foi mais tarde divinizado no Fayum, onde construiu uma das suas duas pirâmides e alguns outros monumentos e onde talvez tenha começado um programa de aproveitamento de Terras. No entanto, os seus antecessores também se tinham interessado por esta região e Amenemhet III pode ter colhido os frutos de uma longa iniciativa.

Nos reinados de Amenemhet IV e da rainha Nefrusobk não houve perda de prosperidade no país, mas a presença de uma mulher no trono indica que a família real se estava a extinguir. Há uma perfeita continuidade no registro arqueológico entre as 12ª e a 13ªdinastias, embora a natureza da monarquia pareça ter-se alterado consideravelmente.

Em cerca de 150 anos sucederam-se uns 70 faraós da 13ª dinastia. Embora houvesse, decerto, por vezs, pretendentes rivais ao trono, esta situação não era a regra geral. O país parece ter-se mantido estável, embora não houvesse um processo oficial de substituição rápida dos faraós, mas estes tinham relativament pouca importância. As pessoas mais importantes do país parecem ter sido os vizires, os mais altos funcionários, de que se conhece uma família que se prolongou por grande parte do século XVIII. Os títulos oficiais de todos os níveis proliferaram nesta época, muito possivelmente devido a um aumento da burocracia, fenômeno com paralelo noutros lugares do mundo em períodos de lento declínio.

Ainda em 1720 o Egito parecia não ter perdido muito do seu poder e prestígio, dentro e fora do país. Se utilizarmos como medida o número de monumentos particulares, parece ter-se dado um aumento de prosperidade no país e um nivelamento da riqueza, visto haver poucos monumentos reais. Havia muitos imigrantes da palestina, ao que parece chegados de forma pacífica, que eram absorvidos pelos níveis mais baixos da sociedade egípcia, mas pelo menos um deles, Khendjer, foi faraó do Egito. Estes imigrantes vieram talvez depois de 1800, em consequencia de deslocações de população no Próximo Oriente, e foram os precursores de um movimento que viria trazer o domínio estrangeiro, no 2º Período Intermediário. Em finais da 13ª dinastia, a região oriental do delta era muito povoada por Asiáticos, inclusive zonas de tinham tido uma população inteiramente egípcia na 12ª dinastia como a de Qantir, que veio a ser capital dos Hicsos, e, mais tarde, dos Ramésidas. O Egito manteve, provavelmente até quase ao fim da 13ª dinastia, o controle da Baixa Núbia, mas os contingentes do exército local tornaram-se cada vez mais independents e fixaram-se como habitantes, alguns dos quais ficaram para trás quando a região foi invadida, a partir do sul, no início das 15ª e 17ª dinastias.

 
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A Transferência do Centro de Poder
 

Apesar de o Império Médio ser também conhecido como o Primeiro Período Tebano da História Egípcia, na realidade apenas três foram os Faraós que Reinaram em Tebas. Quando o último morreu, ocorreu uma séria crise política que terminou por ocasionar a mudança da capital do Egito. O fato foi que o governo dos Faraós da 11ª Dinastia foi totalmente voltado para a centralização do poder que estava descentralizado desde o final do Império Antigo, por isso, diversas foram as medidas por eles tomadas.

Algumas, de cunho mais político-militar ou religioso e de caráter mais óbvio, como o confisco das terras dos templos (em especial dos de Rá), a substituição dos Nomarcas por funcionários leais e imposição do culto à sua Divindade local, houve outras que também tiveram relevância. Primeiramente, os Faraós da 11ª Dinastia chegaram mesmo a extinguir os Nomos, dividindo o Egito em quatro grandes regiões administrativas, cada uma delas sob a supervisão de um funcionário leal ao Faraó, isso gerou insatisfação não só nos antigos Nomarcas que haviam sido destituídos de seus postos, mas também nas populações dos Nomos que agora não possuíam um governante local tão próximo delas como costumavam possuir. Porém, o ponto que detonou a crise foi ocasionado talvez pelo único erro dos Faraós desta Dinastia: a diminuição (ou talvez extinção, como querem alguns autores) de sua corte.

Na verdade, talvez se pautando na História final do Império Antigo, os primeiros Faraós do Império Médio teriam percebido que as cortes Reais teriam precipitado a crise que pôs todo o sistema a perder. Por isso, limitaram o máximo que puderam seu séquito de seguidores e parentes. É possível que até mesmo costume da poligamia Faraônica não tenha sido observado por esta Dinastia. O que não surpreenderia, afinal, o Faraó havia acabado de reaver seus poderes Divinos e, sendo assim, os indivíduos que ocupavam o cargo ainda não estavam totalmente acostumados à sua real importância, e conseqüentes direitos, Divina. A limitação do número de esposas (mesmo que a poligamia não tenha sido abolida, o que não é comprovado, é certo ao menos que os Faraós dessa Dinastia tiveram bem menos esposas do que seus predecessores costumavam ter) ocasionou uma conseqüente redução no número de herdeiros o que fez com que Nebtawyre Mentuhotep morresse sem ter um filho homem para assumir o trono em seu lugar.

Todo o clima de discórdia contido que estava fermentando no Egito nas últimas décadas ameaçou explodir. Não havia um “herdeiro necessário” (título dado ao filho do Faraó que estava sendo preparado para governar) para assumir o trono e continuar a conduzir a Maat, por isso os Nomarcas depostos (mas que ainda conservavam grande influência sobre suas populações) ameaçavam se rebelar contra o sistema de divisão territorial imposto pela 11ª Dinastia. Foi nesse clima de desordem que um oficial oportunista, na verdade, o Tjati, apoiado por alguns Nomarcas do Baixo Egito conseguiu desposar a filha de Nebtawyre Mentuhotep e, dessa forma, se tornar o novo Faraó. Seu nome era Amenemhet I e ele viria a se tornar um dos mais famosos Faraós do Egito, pois seria o responsável por uma reforma política essencial que viria a ser adotada no Egito posterior pela maioria dos Faraós.

Para começar, Amenemhet I resolveu abandonar Tebas onde as pressões políticas sobre ele (cuja base de sustentação era o Baixo Egito) eram muito fortes e se mudar para o Fayum. Porém, ele não queria se instalar em Heracleópolis para não dar ao Alto Egito a impressão de que o Faraó governava em prol do Baixo Egito, por isso, mudou-se para uma cidade sem muita expressão até então, chamada Itjawy. De lá os Faraós da 12ª Dinastia, fundada por Amenemhet I, governaram o Egito. Com efeito, esta foi a capital Egípcia durante o Império Médio. A medida política mais importante de Amenemhet I, contudo, não foi a transferência de capital, mas sim uma outra. Este Faraó sabia que havia podido ascender ao trono devido à redução de membros da família Real operada pelos Faraós da 11ª Dinastia. Porém, ele também sabia que esta redução se fazia necessária para evitar a proliferação, à volta do Monarca, de pessoas com poder e influência suficientes para exigir “direitos” e favores. Para resolver o problema que ele podia ver que o havia favorecido, mas que ainda poderia vir a colocar o Egito em sérios problemas, Amenemhet I associou seu filho ao trono, dessa forma, ele governava, mas o filho era uma espécie de co-regente e, após sua morte, não haveria a necessidade de uma transição, visto que bastaria que o co-regente assumisse o trono.

Na prática, o co-regente não tinha poderes, apenas status. Sua função era a de se tornar conhecido e respeitado como aquele que viria a ser Faraó, isso facilitaria sua legitimação no cargo. A medida de Amenemhet I realmente deu certo visto que, reduziu drasticamente (nos momentos de estabilidade política) a velocidade com que se mudavam as Dinastias. O co-regente era também chamado de “herdeiro necessário” e passava a ser preparado para assumir o trono de seu pai aprendendo tudo o quanto fosse necessário para se governar bem. Para se destacar das demais crianças e/ou jovens, ele utilizava o cabelo quase todo raspado, exceto por uma trança no lado esquerdo da cabeça. Quando se tornava Faraó, o “herdeiro necessário” tinha sua cabeça inteira raspada e assim iria viver pelo resto de seus dias, como todos os Faraós sempre fizeram.

 
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Constumes funerários do Império Médio
 

Depois da descentralização política ocorrida no Primeiro Período Intermediário, com a reunificação do Egito operada por Nebhpetre Mentuhotep, os Faraós voltaram a possuir recursos para construir túmulo imponentes. No entanto, os saques dos túmulos dos Faraós do Império Antigo fizeram com que um novo ideal de sepultura começasse a ser formulado. Primeiramente é interessante que se note que a restauração do comércio com Biblos possibilitou aos Egípcios voltar a construir barcos de cedro. Desses, os mais suntuosos pertenciam ao Faraó e por serem tão caros e belos, quando seu proprietário Divino falecia, eram com eles sepultados. Sendo assim, retomou-se no Império Médio a prática do Antigo Império de se sepultar os Faraós com seus barcos.

No Império Antigo essa prática havia se difundido tanto que Imhotep, na falta de cedro (ou talvez por saber que o cedro é passível de destruição pelo tempo e a pedra não), construiu um barco de pedra para o conjunto funerário de Djoser. Com medo dos saques, Nebhpetre Mentuhotep construiu para si o primeiro túmulo escavado na rocha da história do Egito. O túmulo em si não era a única coisa a compor a paisagem funerária do complexo de um Faraó morto. Além dele haviam a capela, o santuário e também a pirâmide (que, no caso de Nebhpetre Mentuhotep não era o túmulo, mas apenas um monumento fúnebre, talvez construído com o intuito de enganar possíveis ladrões.

Na medida em que foi se percebendo que a restauração da autoridade central bastara para coibir os roubos, os Faraós, especialmente os da 12ª Dinastia, voltaram a construir pirâmides. Estas, no entanto, não eram tão grandes nem tão suntuosas quanto as do Império Antigo e, ao contrário daquelas que eram construídas em Necrópoles à beira do deserto, estas foram construídas no próprio Fayum. Isso se deve talvez à falta de recursos ou, mais possivelmente, à falta de fé, visto que a construção de pirâmides não se dava com mão-de-obra escrava, mas livre. Os trabalhadores colaboravam por convocação, mas, sobretudo, por fé, afinal, estavam construíndo a casa eterna de seu Deus Vivo, por isso, na medida em que a importância religiosa do Faraó decresceu (deve-se notar que ele continuava venerado e cultuado como um Deus "aliás, os cultos Egípcios ao Faraó, mesmo nas épocas de menor intensidade, fariam qualquer fanático religioso dos dias de hoje parecer um homem sem fé", apenas não tão fanaticamente quanto antes), o vigor da construção também o fez.

Os templos eram agora mais valorizados e continuariam a sê-lo até o final da História do Egito. Uma prática funerária importante e interessante que surgira no final do Império Antigo, mas que fora restaurada no Médio e que perduraria pelo Novo foi a prática de o Faraó financiar, em vida, a construção de uma vila à beira do deserto onde haveria um santuário seu. Após sua morte, as pessoas daquela vila ficariam responsáveis por manter sua memória viva. Essas pequenas comunidades vivam uma vida monástica praticamente à parte do resto do Egito e perduraram até a Era Cristã, quando finalmente foram atingidas por missionários Cristãos que viram nelas uma grande oportunidade de perpetuação de seu culto, sendo assim, converteram-nas e fizeram delas os famosos mosteiros do deserto do Egito Medieval, de que nos fala Peter Brown. Mosteiros onde surgiram diversas das teorias tidas como heréticas pela Igreja e que foram responsáveis pela gestação do fanatismo religioso Cristão no Egito.

Fanatismo esse que, aliado ao Islâmico, foi responsável pela destruição de muitas peças remanescentes do passado “pagão” do Egito. É, parece que o destino do Cristianismo no mundo foi destruir, da mesma forma que um câncer faz com o corpo do paciente, toda a memória histórica (tratando tudo, cada prédio, cada documento como sendo de cunho religioso e, portanto, perigoso; parece que se trata de uma fé que não se basta em si, precisa eliminar as outras para evitar a competição teológica (o que é natural, na medida em que, a teologia Cristã de original nada tem, sendo uma série de compilações de teologias mais antigas como a própria Egípcia)) das civilizações em que se infiltrou.

 
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O Declínio do Império Médio
 

O Império Médio durou menos tempo do que o Império Antigo e, também por isso, foi constituído de menos Dinastias. Porém, nem por isso ele deve ser visto como um período de fraqueza ou de não tanta glória para o Egito. várias mudanças religiosas, políticas e sociais ocorreram nesta época, e também mudanças tecnológicas como a entrada do Egito na Idade do Bronze. Na verdade, os Monarcas do Império Médio restabeleceram os contatos comerciais com os países estrangeiros que haviam sido quebrados com a desintegração do Império Antigo.

Punt, Biblios, Creta, Núbia e Sinai voltara a fornecer os mais variados materiais ao Egito, desde ouro, prata e marfim até madeira e pedras. As expedições militares também voltaram a ocorrer e com elas aumentou a afluência tributos e de escravos capturados. Para se ter uma idéia, o Faraó Amenemhet I, em sua ânsia por combater os beduínos do oriente (que viviam nas proximidades do Sinai e para onde Sinuhe, em sua história, deve ter fugido), construiu uma verdadeira coluna de fortalezas na fronteira oriental do Delta. Ao que parece eram 14 ao todo. Também a Núbia voltou a ser submetida. Se no Império Antigo os Faraós havia podido tomar a primeira catarata do Nilo e conquistar toda a região entre esta e a segunda catarata, no Império Médio, sob o governo de Senuosret III (Sesóstris III), foram ainda mais longe, conquistaram toda a região entre a primeira e a terceira cataratas, tendo estabelecido fortalezas para a defesa das posições conquistadas.

Senuosret III (Sesóstris III), do ponto de vista militar, foi o principal Faraó desse Período da História do Egito, as fontes não são claras, mas é possível que tenha chegado a realizar uma expedição militar à Palestina. As expedições militares eram constantes e se faziam, no mais das vezes como formas de aquisição de tributos. De um ponto de vista mais contemporâneo, sem exageros nós poderíamos associar estas expedições a campanhas de pura pilhagem, visto que os Egípcios nem sequer se davam ao trabalho de assinar tratados de paz ou mesmo deixar guarnições para garantir o pagamento de novos tributos.

O Egito tratava seus vizinhos como reservas infindáveis de recursos os quais bastava-se ir até lá e pegar. Não devemos, todavia, exagerar o poder dos exércitos Egípcios. Nenhum tipo de animal de tração era utilizado, sendo assim, os exércitos marchavam à pé o que demorava e diminuía sua capacidade destrutiva. Tão pouco existiam máquinas de cerco como aquelas que serão inventadas na Grécia posteriormente (torres de cerco, catapultas e balistas, principalmente). O arco e flecha já era utilizado, se bem que não ainda nas proporções que viria a ser no Império Novo. Apesar da metalurgia do bronze estar sendo desenvolvida no Egito (diga-se de passagem, com um atraso de cerca de mil anos em relação à Mesopotâmia), ela ainda não era empregada na fabricação de armas. Estas eram ainda de madeira, cobre e couro (especialmente as armaduras). Armaduras agora já eram empregadas com maior alcance, mesmo assim, muitos soldados ainda lutavam sem qualquer proteção. Finalmente, não devemos nos esquecer do fundamental: os Egípcios temiam os combates, pois estes representavam chances muito grandes de se morrer fora de casa e, sendo assim, empregavam grandes contingentes de mercenários como suas tropas principais, o que (pela própria motivação) reduzia a eficiência dos exércitos.

Se a decadência do Império Antigo é um tanto quanto confusa, a do Império Médio não é muito mais clara. Ao que parece, a política desenvolvida por Amenemhet I e continuada por seus sucessores da 12ª Dinastia, ou seja, devolver as terras confiscadas aos templos e os títulos caçados aos Nomarcas, contribuiu para um isolamento da Realeza, de modo que seu poder efetivo se limitasse ao Fayum, aliás, essa região era nitidamente a mais favorecida do Egito durante esse período, afinal, seus pântanos foram drenados, barragens foram construídas e a capacidade agrícola foi consideravelmente ampliada.

É certo que as campanhas militares e o controle sobre o exército davam ao Faraó a legitimidade necessária para governar o país inteiro, mas não lhe davam o mesmo reconhecimento e devoção de que dispunham os Monarcas do Império Antigo, especialmente em seu período de maior glória: a 4ª Dinastia. Contudo, a causa mais provável da decadência do Império Médio é a que a relaciona ao início da infiltração dos povos Indo-Europeus no contexto do Mundo Mediterrâneo.

 
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Referências Bibliográficas
1 Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996;  
2 Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007;  
3 J.H. Breasted, A History of Egypt, 2ª ed. New York, 1909;  
4 Revista Edição Ilustrada Egito Antigo, Escala, 2007;  
5 Tyldesley, Joyce. Pirâmides a verdadeira história por trás dos mais antigos monumentos do Egito, São Paulo, Globo, 2005;  
6 www.wikipedia.org  
 
Iry-Hor
3200-3175
Ka-Sekhen
3175-3150
Escorpião
3150-3125
1ª Dinastia
Meni
3125-3100
Djer
3100-3070
Djet-Wadjit
3070-3000
Den
3000-2930
Anedjib
2930-2880
Semerkhet
2880-2810
Qaa
2810-2770
2ª Dinastia
Hatepsek...
2770-2755
Reneb
2755-2720
Ninetjer
2720-2670
Peribsen
2670-2649
3ª Dinastia
Nekba
2649-2630
Djoser
2630-2611
Sekhemkhet
2611-2603
Khaba
2603-2599
Huni
2599-2575
4ª Dinastia
Snefru
2575-2551
Khufu
2551-2528
Radjedef
2528-2520
Quéfren
2520-2494
Miquerinos
2490-2472
Shepseskaf
2472-2467
5ª Dinastia
Userkaf
2465-2458
Sahure
2458-2446
Neferirkare
2446-2426
Shepseskare
2426-2419
Raneferet
2419-2416
Neuserre Izi
2416-2392
Menkauhor
2396-2388
Djedkare
2388-2356
Wenis
2356-2323
6ª Dinastia
Teti
2323-2291
Pepi I
2289-2255
Merenre
2255-2246
Pepi II
2246-2152
Merenre II
2152-2151
Nitókris
2151-2149
7ª/8ª Dinastia
Diversos
2149-2134
9ª/10ª Dinastia
Diversos
2134-2040
11ª Dinastia
Inyotef I
2134-2118
Inyotef II
2118-2069
Inyotef III
2069-2061
Mentuhotep
2061-2010
Sankhkare
2010-1998
Nebtawyre
1998-1991
12ª Dinastia
Amenemhet I
1991-1962
Sesóstris I
1971-1926
Amenemhet II
1929-1892
Sesóstris II
1897-1878
Sesóstris III
1878-1841
Amenemhet III
1844-1797
Amenemhet IV
1799-1787
Nefrusobk
1787-1783
13ª Dinastia
Diversos
1783-1690
14ª Dinastia
Diversos
1690-1640
15ª Dinastia
Diversos
1640-1532
16ª Dinastia
Diversos
1640-1532
17ª Dinastia
Diversos
1640-1550
18ª Dinastia
Amósis
1550-1525
Amenhotep I
1525-1504
Tutmósis I
1504-1492
Tutmósis II
1492-1479
Tutmósis III
1479-1425
Hatshepsut
1473-1458
Amenhotep II
1427-1401
Tutmósis IV
1401-1391
Amenhotep III
1391-1353
Akhenaton
1353-1335
Semenkhare
1335-1333
Tutankhamon
1333-1323
Aya
1323-1319
Haremhab
1319-1307
19ª Dinastia
Ramsés I
1307-1306
Sethi I
1306-1290
Ramsés II
1290-1224
Menerptah
1224-1214
Seti II
1214-1204
Siptah
1204-1198
Twosre
1198-1196
20ª Dinastia
Setenaquete
1196-1194
Ramsés III
1194-1163
Ramsés IV
1163-1156
Ramsés V
1156-1151
Ramsés VI
1151-1136
Ramsés VII
1143-1136
Ramsés VIII
1136-1131
Ramsés IX
1131-1112
Ramsés X
1112-1100
Ramsés XI
1100-1070
21ª Dinastia
Smendes
1070-1044
Amenemnisu
1044-1040
Psusennes I
1040-992
Amenemope
993-984
Osorkon I
984-978
Siamun
978-959
Psusennes II
959-945
22º Dinastia
Shoshenk I
945-924
Osorkon II
924-909
Takelot I
909-897
Shoshenk II
897-883
Osorkon III
883-855
Takelot II
860-835
Shoshenk III
835-783
Pami
783-773
Shoshenk V
773-735
Osorkon V
735-712
23º Dinastia
Pedubast I
828-803
Osorkon IV
777-749
Peftjau
740-725
24º Dinastia
Tefnakhte
724-712
Boccoris
717-712
25º Dinastia
Kashta
770-750
Piye
750-712
Shabaka
712-698
Shebitku
698-690
Taharqa
690-664
Tatamani
664-657
26º Dinastia
Necao I
672-664
Psamético I
664-610
Necao II
610-595
Psamético II
595-589
Apries
589-570
Amásis
570-526
Psamético III
526-525
1º Per. Persa 27ª Dinastia
Cambises
525-522
Dario I
521-486
Xerxes I
486-466
Artaxerxes I
465-424
Dario II
424-404
28ª Dinastia
Amirtaios
404-399
29ª Dinastia
Nepherites I
399-380
Psammuthis
380-393
Hakoris
393-380
Nepherites II
390-380
30ª Dinastia
Nectanebo I
380-362
Teos
365-360
Nectanebo II
360-343
2º Per. Persa
Artaxerxes III
343-338
Arses
338-336
Dario III
336-332
Macedônios
Alexandre M.
332-323
Filipe Arrhid
323-316
Alexandre IV
316-304
Ptolomeus
Ptolomeu I
304-284
Ptolomeu II
285-246
Ptolomeu III
246-221
Ptolomeu IV
221-205
Ptolomeu V
205-180
Ptolomeu VI
180-145
Ptolomeu VIII
170-116
Ptolomeu IX
116-107
Ptolomeu X
107-88
Ptolomeu IX
88-80
Ptolomeu XII
80-51
Cesarião
44-30
Romanos
Imp. Romanos
30aec395dec
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