 O Período Tardio |
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Shabaka (712-698) marca o início do período tardio no Egito. No primeiro ano do seu reinado reavivou-se o conflito entre Napata e Saís e o faraó Bocchoris (717-712), da 24ª dinastia, foi morto numa batalha entre as duas potências. A ação de Shabaka acabou por liquidar todos os outros reis do país. a partir dest reinado os Núbios começaram a interessar-se muito mais pelo Egito como um todo, fazendo de Mênfis a sua capital e residindo parte do tempo no Egito. No entanto, a exclusão dos outros reis não alterou muito a estrutura política, já que os governantes locais se mantiveram bastante independentes, sendo mesmo intitulados "faraós" nos registros assírios da invasão do Egito, 40 anos mais tarde. De qualquer modo, os benefícios econômicos desta mudança fora consideráveis. O meio século de governo núbio produziu tantos monumentos no Alto Egito como os dois anteriores e foi palco de um reflorescimento artístico notável que procurou inspiração em períodos anteriores.
sob o governo de Shebitku (698-690) e Taharqa (690-664) o progresso econômi continuou. Taharqa deixou monumentos em quase todo o Egito e Núbia, onde o seu nome foi encontrado na posterior capital, Meroe. Várias inscrições relatam os efeitos benéficos, da água no cais de Karnak. É possível que se tenha dado, naquela época, um aumento geral dos níveis das inundações, o que teria contribuído para a prosperidade.
Em tebas, a irmã de Shebitku, Shepenwepet II, foi adotada por Amenirdis I e alguns membros da família real núbia desmpenhavam altos cargos no culto. Durante o governo de Taharqa, Shepenwepet II. O verdadeiro poder naquela região estava, contudo, nas mãos de uma ou duas famílias locais. A pessoa mais importante em Tebas era Montemhet, quarto sacerdote de Amon e "príncipe" da cidade, governador efetivo de grande parte do alto Egito, que viveu até bastente tarde na 26ª dinastia. O seu túmulo, estátuas e inscrições são os primeiros grandes monumentos particulares do período tardio, numa escala mais grandiosa do que os túmulos do Império Novo e demonstrando grandes conhecimentos e proezas técnicas.
O estado unificado do Egito e da Núbia era uma grande potência, cujo único rival era, no Próximo Oriente, a Assíria, que se tinha vindo a expandir desde o século IX. O Império Assírio estendia-se, a sul, até à Palestina, cujos pequenos estados tentavam constatemente livrar-se do domínio assírio, pretendendo, para isso, ajuda do Egito. A princípio, os reis núbios não corresponderam a tais avanços, mas em 701 uma força egípcia defrontou o rei assírio Senaquerib (704-681) na Palestina, ao lado dos reis de Judá. O combate foi inconclusivo e durante 30m anos as duas principais potências mantiveram vários pequenos estados-tampão entre si.
O rei assírio Esarhaddon (681-669) tentou conquistar o Egito em 674, mas foi derrotado no posto fronteiriço de Sile. Em 671 um novo ataque teve êxito, Mênfis foi conquistada e todo o país forçado a pagar tributo. taharqa fugiu para sul, mas volteou dentro de dois anos, para retomar Mênfis. Esarhaddon morreu quando voltava ao Egito para um contra-ataque e a campanha seguinte foi lançada por seu filho, Assurbanipal (669-627), por volta de 667. Assurbanipal utilizou o governador de Saís, Necao I (672-664), que se comportava então como rei, e o filho deste, Psamtik (mais tarde Psamético I), como principais aliados no restabelecimento do domínio assírio. Em 664, Tantamani (664-657 no Egito, possivelmente mais tarde na Núbia) sucedeu a Taharqa e montou de imediato uma campanha no Egito, até ao delta ( no seu relato deste acontecimento nem sequer menciona os Assíros). O principal opositor dos Núbios era Necao I, que parece ter morrido na luta. Os restantes governantes locais aceitaram Tantamani de bastante bom grado.
Em dada altura, entre 663-657, Assurbanipal chefiou em pessoa uma campanha de represálias e saqueou todo o país, enquanto Tantamani fugia para a Núbia. Esta foi a última fase da ocupação assíria, tendo Assurbanipal sido obrigado a combater uma rebelião na Babilônia e Psamético I (664-610) conseguido tornar-se independente dele antes de 653. Estes acontecimentos marcam o fim do isolamento do Egito no mundo: estava agora relacionado com todos os impérios da Antiguidade.
Entre 664 e 657, Psamético I eliminou todos os governantes lcoais do Baixo Egito e em 656 fez com que a filha, Nitocris, fosse adotada por Sepenwepet II como esposa divina seguinte em Tebas, passando por cima de Amenirdis II. Até ao ano anterior, a datação em Tebas tinha sido feita com base nos anos do reinado de Tantamani.
As campanhas de unificação de Psamético I foram também signifcativas de outro modo. Foi ele o primeiro faraó a utilizar mercenários gregos e cários, estabelecendo um exemplo para os 300 anos seguintes. No século IV já todas as grandes potências utilizavam tropas gregas, condição prévia apra o envolvimento num conflito internacional e que determinavam, muitas vezs, o seu curso. Alguns destes mercenários estabelceram-se no Egito, formando um núcleo de estrangeiros cujo papel na hitória do país foi importantíssimo devido à sua especialização no comércio e na guerra. Os Gregos influenciaram também a nossa visão da história desta época, dado que as fontes egípcias são mais escassas do que as clássicas.
No período tardio a economia egípcia foi menos auto-suficiente do que anteriorment, visto o metal mais imporante, o ferro, ser importado, ao que parece, do Próximo Oriente mais do que da Núbia. O Egito tinha exportações para ofercer m troca - nomeadamente cerais e papiro - mas, ao contrário da Grécia e da Anatólia, não tinha cunhagem de moeda e viu-se colocado numa situação desfavorável, devido aos seus sistemas de trocas mais pesados.
A reunificação do Egito e a imposição de uma administração central em vez de governantes locais trouxe consigo uma continuação do aumento de prosperidade da 25ª dinastia, de que relativamente pouco se pode ver hoje, pois concentrava-se no delta. A principal exceção é um pequeno grupo de grandiosos túmulos particulares em Tebas, da última parte do século VII. O reflorescimento artístico também continuou e verifica-se um sabor arcaizante na utilização de alguns títulos e textos religiosos, mas este é, em grande parte, um fenômeno superficial. Os faraós deste período podem ter desjado passar por cima da importância dos templos na polítca nacional e voltar ao passado, a períodos mais seculares, mas não o conseguiram.
Eram dois os principais aspectos da política da 26ª dinastia no Próximo Oriente: a manutenção de um equilíbrio de poder, por meio de apoio aos rivais da potência dominante num dado momento, e tentativas de reptir as conquistas do Império Novo na Palestina e na Síria. Assim Psamético I apoiou a Lídia, e mais tarde a Babilônia, contra a Assíria, até ao declínio desta, depois de 620, altura em que transferiu a sua lealdade para a Assíria. No século VI, o Egito continuou a apoiar os inimigos da Babilônia até a Pérsia se ter tornado a principal potência. Necao II (610-595), Psamético II (595-589) e Apries (589-570) desenvolveram a obra de Psamético I e passaram ao ataque. Necao II, dando talvez seguimento a uma iniciativa de Psamético, emprendeu campanhas na Síria, de 610 a 605, mas foi forçado a rettirar-se. Em 601 repeliu um ataque do rei babilônio Nabucodonossor II (604-562), tendo também apetrechado frotas egípcias com trirremes, tanto no Mediterrâneo como no mar Vermelho, tentando ao mesmo tempo ligar o Nilo àquele mar por um canal. No século V esta rota marítima viria a adquirir importância internacional. Há provas de uma posterior perseguição da memória de Necao, que pode justificar o pequeno número de monumentos com o seu nome.
Psamético II emprendeu uma única campanha na Ásia, aparentemente sem efeitos a longo prazo. O seu ato político mais significativo foi, contudo, uma campanha na Núbia, em 591, que pôs fim a 60 anos de relações pacíficas. O exército invasor, que comprendia egípcios, gregos e cários, parece ter chegado até Napata, mas sem que tivesse sido planeada qualquer conquista. Na viagem de regresso, alguns soldades estrangeiros deixaram gratifes em Buhen e Abu Simbel, na Baixa Núbia, a partir dos quais se reconstituiu o cruso da campanha. Depois de 591, a memória dos faraós da 25ª dinastia foi perseguida no Egito.
Em 595 a divina esposa de Amon, Nicotris, que devia andar perto dos 80 anos, adotou a filha de Psamético II, Ankhenesneferibre, como sua sucessora. Ankhnesneferibre tomou posse do cargo em 586 e ainda estava viva em 525. Assim, apenas duas mulheres foram representantes da família real em Tebas durante 130 anos.
Tal como os seus antecessores, Apries apoiou os estados da Palestina contra a Babilônia. O cativeiro dos Judeus na Babilônia teve lugar durante est reinado e muitos judeus fugiram para o Egito. A partir do século seguinte, existem registros de uma colônia de judeus na ilha de Elefantina. Alguns dos que se ncontravam no resto do país foram talvez os antepassados da população judia de Alexandria.
Em 570, Apries apoiou um governante local líbio, em Ciren, contra colonizadores gregos. Foi enviado um exército inteiramente Egípcio, que foi derrotado e se amoninou em seguida. Apries enviou então um general, Amásis, para abafar a revolta, mas este juntou-se-lhe, proclamou-se faraó (570-526) e mandou Apries para o exílio. Em 567, Apries regressou com uma força invasora babilônia, enviada por Nabucodonosor II, mas foi derrotado e morto. Amásis enterrou-o então com honras reais e registrou todo este episódio numa estela, em termos que disfarçam a sua tomada de poder.
Do ponto de vista dos Gregos, que são a nossa fonte, a política mais digna de nota de Amásis foi a maneira como tratou os Gregos, cujas atividades comerciais se confinavam à cidade de Naukratis, no delta, enquanto apenas em Mênfis se mantinham soldados estrangeiros em guarnições. Os Gregos achavam que o estatuto especial de Naukratis era um favor que lhe era feito, mas esta política reduzia as possibilidades de fricção entre egípcios e gregos, ao restringir contatos de qualquer espécie. Amásis é igualmente recordado como bêbado e femeeiro e tanto Heródoto como fontes egípcias posteriores contam histórias para ilustrar estas características.
O final do reinado de Amásis foi ensombrado pelo crescente poder na Pérsia, mas foi o deu efêmero sucessor, Psamético III (526-525), que teve de enfrentar a invasão persa, imediatamente coroada de êxito. Cambises (525-522), primeiro governante da 27ª dinastia, foi também o primeiro estrangeiro, cujo principal interesse não era o Egito, a tornar-se faraó. Emprendeu campanhas no Egito e na Núbia e nos oásis a ocidente de Siwa, mas ambas falharam. Os Egípcios vieram, mais tarde, a sentir amargo ressentimento em relação a este governo, em parte devido a uma tentativa de redução dos rendimentos dos templos politicament influentes. Dario I (521-486) seguiu a linha mais conciliadora, encomendando construções de templos, incluindo o de Hibis, no oásis de el-Kharga, único templo substancialmente completo que resta do período entre 1100 e 300 a.e.c.. A importância dos oásis nesta época está, talvez, relacionada com a importante introdução do camelo pelos Persas. Do mesmo modo, Dario completou o canal entre o Nilo e o mar vermelho, começado por Necao II, adornando-o com estelas monumentais, numa mistura de estilos egípcio e do Próximo Oriente. Até ter ficado assoreado, o canal constituiu uma ligação direta por mar entre a Pérsia e o Egito. O estilo misto, utilizado pela primeira vez em estátuas de Dario, proclamava o caráter cosmopolita do seu império.
O reinado de Dario foi próspero, mas o domínio persa sõ foi tolerado no Egito enquanto não houve possibilidade de escapar. A derrota persa na batalha de Maratona, em 490, marcou o início de 80 anos de resistência egípcia, em que os rebeldes vendiam cereais à Grécia em troca de auxílio militar. A região ocidental do delta era o centro da resistência, sendo o domínio persa mais facilment mantido no vale do Nilo, atingível pela rota do mar Vermelho. Os Persas utilizavam igualmente tropas estrangeiras, estando às suas ordens a guarnição judia de Elefantina. Encontraram-se, ali e noutros locais, alguns papiros em aramaico, língua administrativa do Império Persa. Quase não existem documentos ou monumentos egípcios do período entre 480 e 400 a.e.c., o que reflete insegurança, ódio aos Persas e o empobreciemnto do país.
Em 404, Amyrtaios de Saís libertou o delta do domínio persa e por volta de 400 todo o país estava nas suas mãos. Tal como alguns dos que anteriormente se tinham revoltado contra os Persas, Amyrtaios intitulou-se rei, mas, ao contrário deles, passou a fazer parte da lista oficial como único governante da 28ª dinastia. Em 399, Nepherites I, de Mendes (399-393), usurpou o trono, fundando a 29ª dinastia. Psammuthis (393), Harokis (393-380) e ele construíram em numerosos locais e repeliram um ataque persa em 385-383. Nestas batalhas, os Egípcios apoiavam-se em mercenários gregos. No século IV estes mercenários não tinham qualquer intenção de se fixarem no Egito e a sua lealdade era variável - o que provou mais de uma vez ser fatal.
Nectanebo I (380-362), general originário de Sebenytos, no delta, usurpou o trono de Nepherites II (380) e fundou a 30ª dinastia. Nas suas inscrições foi bastante franco quanto às suas origens não reais. Deu início a um período de grande prosperidade, em que s construiu em todo o país, e as tradições artísticas da 26ª dinastia foram retomadas e desenvolvidas. Em 373 foi derrotada uma invasão persa e na década de 360 Nectanebo II (360-343), foi colocado no trono, e pela deserção do seu aliado espartano, que se juntou ao novo rei.
Nectanebo II conteve uma tentativa de invasão do persa Artaxerxes II Ochus, em 350, mas o ataque de 343 teve êxito. O 2º período Persa (também chamado de 31ª dinastia), que durou dez anos, foi ele próprio interrompido durante cerca de dois anos por um faraó natural do Egito Khababash, cuja memória permaneceu por muitos anos e que parece ter controlado todo o Baixo Egito. O governo persa renovado foi opressor e predispôs o país a que aceitasse qualquer outra alternativa.
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 O Domínio Núbio |
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Historicamente a Núbia sempre foi uma região dominada pelo Egito. Desde o Império Antigo os Faraós Egípcios faziam incursões de saque e até mesmo de conquista dentro do território Núbio. O ouro da Núbia foi o principal financiador da política Imperial do Egito. Os mercenários Núbios por muitos séculos serviram como guardas pessoais e mesmo como buchas de canhão dos exércitos Faraônicos.
Na Núbia foram construídas fortalezas que mais lembram verdadeiros castelos medievais (inclusive, tinham a mesma função que, na Idade Média, os castelos tiveram em regiões como o País de Gales, por exemplo, ou seja, manter a região sob vigilância constantes com contingentes armados prontos para uma intervenção), lá também foi construída a maior maravilha do governo de Ramsés II, Abu Simbel. Em Napata, na Núbia, residia um Vice-Rei Egípcio; com efeito, se o Egito dominou diretamente alguma região, esta região foi a Núbia. Todas as demais regiões que um dia compuseram o Império Egípcio eram submetidas a domínios indiretos, mantinham seus governantes e, às vezes não possuíam nem mesmo guarnições Egípcias permanentes, somente a certeza de que, caso se rebelassem, seriam massacradas pelas tropas do Faraó. Na Núbia tudo era diferente...
Antes do estabelecimento de um Vice-Rei Egípcio em Napata, os príncipes Núbios foram os primeiros a freqüentar a Kap, em Tebas. Deveriam aprender a religião e os costumes Egípcios, pois, pensavam os Egípcios, se gostassem da cultura Egípcia, não veriam problemas em serem por ela dominados. Realmente a estratégia dos Faraós deu particularmente certo na Núbia. A região não se diferenciava em nada do Egito em termos de cultura. Possivelmente, a única diferença entre Egípcios e Núbios (diferença que (uma vez tendo existido) talvez tenha sido determinante) era a cor de suas peles. Os Núbios quase que sem dúvidas eram negros e, sendo assim, devem ter sido vistos como inferiores pelos Egípcios (que, aliás, se viam como superiores a todos os estrangeiros), apesar de habitarem, como eles, as margens do Nilo.
Após tantos revezes na política interna e a quase destruição de sua política externa, o Egito perdeu definitivamente o controle sobre a Núbia (este nunca mais seria recuperado, exceto no século XX d.e.c., visto que hoje aquilo que os Egípcios chamavam de Alta Núbia, ou Wawat, faz parte do território do Egito). Assistindo de longe à destruição, por disputas internas, da cultura que tanto louvavam, os Núbios não resistiram e, por volta de 750, começaram a investir contra o Egito. Começaram por submeter o Alto Egito, que estava mais vulnerável pela falta de um governo central (visto que desde a instauração do príncipe de Bubastis como Sumo Sacerdote de Amon, a XXI Dinastia de Tebas já não mais existia e o Clero de Amon já não dominava muitas regiões além de Tebas). Essa região caiu facilmente sob o jugo Núbio. Entre 730 e 709, os Núbios atacaram o Delta, mas só lograram fazer pequenas escaramuças, sem abalar o equilíbrio de poder que se estabelecera entre as três Dinastias (XXII, XXIII e XXIV) daquela região.
Numa época em que a Fé andava em baixa num Egito dividido, os Núbios trouxeram de volta o fervor religioso e o tradicionalismo. Se bem que um tradicionalismo revestido de tradições Núbias. É notório, no entanto, que Piye, Rei de Napata e idealizador da invasão ao Egito não obteve todo o sucesso que logrou obter apenas por seu fervor religioso. As táticas de guerra Núbias eram algo ainda nunca visto na região. Primeiramente, eles possuíam um exército nacional forjado em cima de laços de aliança (muito semelhantes aos laços de vassalagem Medievais) entre os chefes, sendo assim, não dependiam de mercenários pagos que, no fundo, são muito pouco confiáveis. Em segundo lugar, mas principalmente, os Núbios foram os primeiros a utilizar a cavalaria em larga escala. Ao contrário dos povos do Crescente Fértil que apenas utilizavam bigas, eles de fato montavam nos cavalos. Não temos condições de saber se utilizavam ou não algo semelhante ao estribo, mas é mais provável que não, caso contrário essa técnica teria se disseminado muito antes do que o fez. Apesar disso, podemos perceber que tropas montadas a cavalo eram muito mais rápidas e ágeis até mesmo do que as bigas, por isso os Núbios parecem ter tido uma vantagem determinante no campo de batalha.
Uma especulação que parece verossímil trata da qualidade das armas dos Núbios. Com efeito, existem teorias que fazem menção a uma fonte de disseminação do ferro no Sudão ocidental. Se isso proceder, então é possível que os Núbios possuíssem mais uma vantagem determinante: armas de ferro. O que podemos saber realmente é como se deu a conquista do Egito, isso graças a uma bela estela erigida por Piye, em comemoração a essa conquista. Acredita-se que este indivíduo se tenha feito coroar Faraó valendo-se de uma possível descendência em relação a Herihor, fundador da XXI Dinastia de Tebas. Essa hipótese, contudo, é muito fraca, na medida em que se baseia apenas no fato do filho daquele Faraó ter se chamado Piye também. O amor desses Núbios Kushitas por seus cavalos era tanto que há relatos de uma grande bronca de Piye no Nomarca de Hermópolis, pois, logo que ele acabara de tomar a cidade, ao visitar os estábulos constatou que os cavalos mal tinham o que comer, sendo assim, relatou: “Por minha vida! Por meu amor a Ra! Como minhas narinas estão rejuvenescidas de vida! Ver cavalos tão famintos aflige meu coração mais do que todo o mal que, em sua perversidade, fizestes.”
Ao tomar o Egito, os Núbios estabeleceram-se em Mêmfis e, em seus enterramentos (em Napata), fizeram-se sepultar com seus cavalos para que estes os servissem por toda a eternidade. Podemos imaginar facilmente que a visão desses Núbios sempre em seus cavalos pode facilmente ter gerado no imaginário mítico Egípcio uma figura que depois teria alcançado a Grécia, tornando-se parte da mitologia daquele povo: O Centauro. O que mais impressiona no período da dominação Núbia não é, contudo, a forma como ela aconteceu, nem tão pouco, as tecnologias bélicas empregadas pelos conquistadores. O que mais impressiona é realmente o saber Histórico deles, coisa que parece tê-los motivado em suas campanhas. Para se ter uma idéia, Piye, ao tomar o Egito, restabeleceu o poder do Faraó tal como o fora no Império Antigo. Dessa forma, ele justificou sua conquista como o extermínio daqueles sem Fé. Dizia-se um Deus Vivo, como um Faraó deveria ser, e todos os que se opunham a ele estavam se opondo à Maat. Profundo conhecedor dos hieróglifos, ele restaurou seu uso que já se encontrava praticamente perdido; com efeito, suas correspondências e registros Régios eram feitos em hieróglifos. Também a construção de pirâmides, que já não ocorria há quase 1500 anos, voltou a ocorrer, em tamanho reduzido, é verdade, além disso, em Napata, não no Egito, mas, ainda assim, pirâmides.
O costume de que o Faraó era o único Sacerdote verdadeiro também foi restaurado. Desde os áureos tempos da IV Dinastia o Faraó já não tomava para si as funções de único Sacerdote. Sempre que estava presente num templo, Piye se encerrava sozinho na câmara escura e realizava as cerimônias de culto ao Deus. No trato pessoal o Faraó da Núbia também resgatou velhos costumes: proibiu o peixe e o porco entre aqueles que freqüentavam sua presença e/ou o palácio. Ao tomar Mênfis, visando restaurar a integridade do culto de Ptah, há muito renegada, entregou seu templo a lustrações sagradas. Buscou restaurar os credos originais e a força da diversidade politeísta, o que não o impediu de também fortalecer o Clero de Amon, seu Deus preferido.
Em Tebas, sua principal ação foi a recriação do cargo de Adoradora Divina de Amon, um cargo restrito a mulheres que há muito havia sido extinto. Somente princesas de sangue Real podiam ocupar esse cargo e, com sua restauração ele se tornou uma espécie de contraparte feminina do poder do Sumo Sacerdote de Amon. O controle de Piye sobre o Delta nunca foi efetivo, isso porque o terreno pantanoso dificultava o deslocamento por terra e os vários braços do Nilo tornavam o deslocamento por água muito demorado. Quando morreu, Piye foi sucedido por seu filho, Shabaka e este, por Shebtiku, que, por sua vez, foi sucedido por Taharqa e esta, por Tatamani. No total, os Núbios governaram o Egito por 94 anos, entre 750 e 656. Porém, a expansão Assíria não pôde ser detida por muito tempo. Depois da invasão Assíria, os governantes Núbios se retiraram de volta para Napata de onde organizaram um novo Reino: Meroë.
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 Domínio Assírio |
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Algumas teorias falam que talvez os Egípcios (mais possivelmente alguma das Dinastias do Delta do que a Dinastia Kushita) teriam fornecido apoio militar aos Judeus que estavam sob cerco Assírio, sendo assim, esta teria sido uma “desculpa” para que o Império (agora com sede em Nínive, não mais em Assur), atacasse o Egito. A verdade não é possível de ser conhecida, mas deve-se lembrar que os Assírios eram a principal força Imperial do Crescente Fértil, sendo assim, não é difícil de pensar que a conquista do Egito, país cuja regularidade agrícola era lendária, estivesse nos planos Imperiais.
Seja como for, sob o comando de Assurbanipal, os Assírios realizaram quatro incursões em território Egípcio. Na primeira, apossaram-se do Delta e chegaram a tomar Mênfis, a capital dos Núbios, porém estes a retomaram em seguinda. Além disso, os exércitos Assírios não puderam avançar mais porque foram trucidados pela veloz cavalaria Núbia. Na segunda incursão, o domínio do Delta foi reforçado e os Assírios se prepararam para a terceira incursão, quando obtiveram uma vitória retumbante sobre a cavalaria Núbia e tomaram Mênfis. Contudo, refugiados em Tebas, os Núbios continuavam resistindo, sendo assim, Assurbanipal comprou a lealdade de Egípcios com pretensões ao trono, prometendo-lhes expulsar os Núbios e assenta-los no trono.
Sendo assim, o poder de Tatamani começou a ser minado e ele não pôde resistir ao ataque definitivo de Tebas. Um ano depois retirou-se para a Núbia onde iniciou o Reino de Meroë. Por essa época os Assírios possuíam o maior Império do mundo: governavam desde a Mesopotâmia até o Egito, passando pela Judéia e pela Capadócia. É possível que se preparassem para atacar a Líbia, ou talvez a Grécia, agora que tinham o corredor do Mediterrâneo completamente aberto, no entanto, viram seu domínio, ainda recente, do Egito ser solapado apenas 4 anos após ter sido obtido.
Em 653, Saís, cidade fortificada do Delta e uma das pretendentes à coroa do Egito, organizou uma resistência aos invasores. Após ter conseguido se sobrepor às demais cidades do Delta, expulsou os Assírios e, de quebra, anexou o Alto Egito. Mais uma vez o Egito voltava a ser independente. Estava iniciada a XXVI Dinastia: a Dinastia Saíta. Por cerca de 125 anos o Egito conheceu um período de revitalização, também chamado de Renascença Saíta. É verdade que do ponto de vista cultural este período não se equiparou a seu anterior (se bem que foi justamente durante a Renascença Saíta que a escrita Demótica foi criada, o que constituiu uma revolução cultural, visto que o Demótico, foi o primeiro tipo de escrita Egípcio a conter um caráter silábico (ainda que os Hieróglifos possuíssem um caráter de fonogramas baseados em ideogramas, não podem ser considerados como uma escrita silábica)), o Período Kushita, no entanto, do ponto de vista tecnológico sim, o fez e até superou.
Os Egípcios conseguiram retomar o comércio com a Fenícia e iniciaram uma tentativa de revitalização da arte. Porém, este estilo não era como o Arcaico original, ou mesmo tão perfeito quanto ele, como aquele do Período Kushita, na verdade, durante a XXVI Dinastia surge aquilo que chamamos de Estilo Artístico Arcaizante do Egito, o estilo que, a grosso modo, iria perdurar até os últimos anos da cultura Egípcia, no século IV d.e.c.. O domínio de todo o Egito operado por Saís não era de fato, mas de direito, visto que no Baixo Egito, em Saís, Reinava um Faraó e em Tebas, uma princesa Saíta havia sido nomeada como a Adoradora Divina de Amon, sendo assim, ela era a governante do Alto Egito, porém, ao lado do Sumo Sacerdote de Amon.
Os grandes feitos da XXVI Dinastia, contudo, remontam ao governo de Nekao II. Segundo consta nos registros Gregos, este Faraó abriu um canal entre o Nilo e o Mar Vermelho de modo que o Mediterrâneo e o Índico pudessem se interligar através do Egito. Na verdade, para alguns Historiadores, esse Faraó teria apenas iniciado a obra que teria sido terminada pelos Persas. Porém, o mais impressionante dentre todos os feitos da Dinastia Saíta, realmente digno de menção e, por si só, suficiente para atestar a grandeza dessa civilização que buscava resgatar o brilho do Egito Faraônico, foi a viagem de circunavegação da África. Parece inverossímil, mas relatos Gregos atestam que Necao II teria financiado um navegador Fenício para circunavegar a África. Ele teria zarpado do Delta e chegado ao Sinai numa viagem que lhe tomou meses. O objetivo da viagem era, tão somente, o mapeamento (mas talvez a coleta de provas da passagem da embarcação por aquelas regiões tão distantes). Se esta viagem de fato ocorreu, o que é perfeitamente possível, então os Egípcios e os Fenícios terão provado estar pelo menos 2200 anos à frente de seu tempo em termo de tecnologias navais, visto que a proeza só pôde ser repetida por Vasco da Gama, em 1498 d.e.c., e, mesmo naquela época, foi considerada tão heróica que motivou Luís de Camões a escrever a maior obra da literatura Portuguesa: “Os Lusíadas”.
No século VI a.e.c., o panorama geopolítico do Crescente Fértil havia se alterado, os Assírios que vinham sendo a força de maior potência desde o século XI havia sido praticamente aniquilados. Os Babilônios de Nabucodonosor haviam ensaiado uma Renascença Babilônica, mas esta não pôde lograr muito tempo de sucesso, visto que os Persas iniciaram sua expansão.
Se a máquina de guerra Assíria havia sido demais para os Kushitas, a invasão Persa praticamente esmagou os Saítas. Amasis, Faraó que Reinara por vários anos, havia acabado de morrer e seu filho Psamético III, um rapaz ainda muito jovem e que acabara de assumir foi obrigado a se opor às tropas de Cambises, Grande Rei da Pérsia. Seu predecessor, Ciro, o Grande, havia desmantelado toda apolítica de alianças que Amasis havia montado. Um a um os governantes de Babilônia, Lídia e Samos foram caindo. Os Espartanos preferiram não se opor ainda ao poderio Persa, sendo assim, apesar de Amasis ter logrado conquistar a ilha de Chipre para o Egito, seu filho foi derrotado e morto (talvez o primeiro Faraó morto em batalha na História do Egito) na batalha de Pelusa, no Delta, em 525, e, sendo assim, o Egito caía em mãos estrangeiras mais uma vez.
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 O Domínio Persa |
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Cambises foi um governante Persa guerreiro. Nos moldes dos primeiros, como Ciro antes dele e Dario depois. Seu ímpeto de conquistas pôde ser capaz de anexar o Egito ao seu Império, um Império que não existia nem há 50 anos, visto que Ciro fora seu fundador. O Egito se converteu numa Satrápia e, para todos os efeitos, o Grande Rei Persa acumulava entre seus tantos títulos também as coroas do Alto e do Baixo Egito.
O Egito foi o primeiro Império a se estabelecer continentalmente (consideremos que o Crescente Fértil possa ser um Continente) e isso, aliado à antiguidade de sua civilização (atestadas por suas construções imortais de pedra) e às glórias semi-fictícias pregadas por Ramsés II, fez com que todos os Impérios subseqüentes almejassem o domínio do Egito. É claro que não podemos esquecer também da fama internacional da agricultura Egípcia, fama esta que, com a visita de Heródoto durante o governo Persa, se tornou ainda mais popular.
Pois bem, os Persas introduziram o elefante e o camelo como formas de transporte e “veículos” de guerra. É notório que os Persas cavalgassem muito bem e, possivelmente faziam uso do estribo. Dentre os feitos mais famosos de Cambises no período em que governou o Egito está o enviou de um exército de cerca de 10mil homens (com cavalos, camelos e elefantes, inclusive) em direção à Líbia. Esses homens se perderam no Deserto da Líbia e jamais foi encontrado qualquer sobrevivente ou vestígio deles. Foi uma das primeiras tentativas (talvez a primeira) de um exército em cruzar tal região. Com efeito, a introdução do camelo, o “Navio do Deserto” no Egito, o acesso aos oásis se tornou muito maior, sendo assim, muitos povoados foram construídos, em geral ao redor de templo, nesses oásis. O mais famoso desses povoados se tornou o do oásis de Siwa, ao redor do Oráculo de Zeus-Amon.
A Cambises sucedeu Dario I e este, sem o mesmo ímpeto e mergulhado na guerra contra os Gregos, deixou que o Egito conhecesse um período de relativa tranqüilidade, se bem que mercenários (especialmente Judeus) rondassem o Egito e estivessem instalados em diversas localidades, desde Elefantina (na divisa com a Núbia) até o Delta.
Para Mâneton, em 404, após a morte de Dario II (sendo que os Persas, sob Artaxerxes I, seu predecessor, já havia aceitado sua derrota frente a Grécia nas Guerras Médicas), também chega ao fim o domínio Persa sobre o Egito. É certo que isso não deve proceder, visto que Dario II havia apoiado Esparta na Guerra do Peloponeso e, como esta saíra vitoriosa, é pouco provável que seu aliado se tenha enfraquecido a ponto de perder um de seus mais impressionantes domínios: o Egito. O que parece ter acontecido é que os Egípcios, percebendo o momento de fraqueza de seus dominadores (devido a derrota nas Gueras Médicas e não à morte de Dario II), devem ter iniciado uma série de movimentos militares de cunho popular no sentido de derrota-los.
Certamente esses movimentos não devem ter sido unificados, mas devem ter sido suficientes para abalar o estado natural das coisas, especialmente porque o domínio sobre o Egito era mantido à força e essa força era composta principalmente de mercenários, os quais não lutam com tanto afinco. O fato é que entre 404 e 343, ou seja, em cerca de 60 anos, Reinaram no Egito três Dinastias: XXVIII, XXIX e XXX. Ao contrário do que nos diz Mâneton, estas Dinastias não foram seqüenciais e nem sequer governaram absolutas, o que é mais provável é que tenham governado sobre pequenas parcelas do território, tenham sido concorrentes e, o que é mais importante, não foram capazes de expulsar os Persas, tanto assim, que em 343, quando já estava recuperado da derrota sofrida nas Guerras Médicas; o Império Persa retomou facilmente o Egito para si. Este domínio, contudo, durou apenas 11 anos, visto que em 332, Alexandre chegou ao Egito e, aclamado como libertador, tornou-se Faraó.
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 Práticas Funerárias |
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A maior parte das tumbas desse período tardio ainda não foi encontrada, com efeito, muitos Faraós preferiram construir suas Necrópoles nas proximidades de suas zonas de influência, sendo assim, como muitas delas se localizavam no Delta, diversas tumbas devem ter sido destruídas. Datados desse período podemos encontrar, no entanto, curiosas práticas funerárias como a volta à prática das construções de pirâmides praticada pela XXV Dinastia, ou mesmo os enterramentos de cavalos mumificados também praticados por eles.
Os Faraós de Bubastis, por cultuarem Bast, introduziram um novo culto no Egito: o culto ao gato como animal sagrado. Na prática, Bast sempre fora uma Deusa Egípcia, no entanto, nunca havia tido maior importância até este período. Como os gatos eram vistos como animais protegidos por Bast e os Monarcas da XXII Dinastia a adoravam, eles criaram Necrópoles Felinas, onde podem ser encontradas milhares de múmias de gatos. Talvez cultuadas como encarnações da Deusa.
A partir da XXI Dinastia, foi desenvolvida uma técnica de mumificação que permitia que os órgãos (antes guardados em vasos canópicos) fossem re-introduzidos no corpo das múmias, no entanto, esta pratica não parece ter se disseminado entre os poderosos e/ou governantes. É antes, porém, uma prática adotada por pessoas com recursos mais baixos que eram enterradas em túmulos coletivos (como o que foi encontrado em 2000, se bem que este, especificamente fosse um túmulo de múmias do século I d.e.c.). Como essas pessoas não dispunham de espaço em seus túmulos, nem mesmo de recursos para vasos canópicos, a re-introdução de seus órgãos se provava uma técnica útil.
Os enterramentos continuavam a se fazer com o Livro dos Mortos, este, mais do que nunca, agora transformado num amuleto e não num livro de regras de boa conduta. Além disso, as pessoas de posses continuavam a levar consigo ubshabtis para trabalharem por elas no pós-vida, era praxe que cada pessoa dispusesse ao menos de um, para garantir uma eternidade sem trabalho.
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Referências Bibliográficas |
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Baines, John e Málek, Jaromír. O mundo egípcio, Madri, Edições del Prado, 1996; |
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Jacq, Christian. O Egito dos grandes faraós, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007; |
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J.H. Breasted, A History of Egypt, 2ª ed. New York, 1909; |
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Revista Edição Ilustrada Egito Antigo, Escala, 2007; |
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Tyldesley, Joyce. Pirâmides a verdadeira história por trás dos mais antigos monumentos do Egito, São Paulo, Globo, 2005; |
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www.corbis.org |
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