Civilização Grega

Tomada em bloco, a religião grega, que jamais teve um livro sagrado, também não comportava dogmas, porque nunca possuiu um sacerdócio
Prof. Junito de Souza Brandão

Aconcepção popular grega da outra vida, que é, a bem verdade, resultante de vastos sincretismos, que se estendem de Homero aos derradeiros neoplatônicos (séc. III d.e.c.), passando luminosamente pela Eneida de Vergílio, composta, já se sabe, no séc. I a.e.c.

c (esceto, em parte, nos Mistérios e no Oráculo de Delfos), que a preservasse de erros e transmitisse a doutrina e a crença a seus adeptos, fortalecendo-lhes a fé. A ausência da ema classe sacerdotal há de trazer à religião helênica consequencias sérias. Não havendo quem consagrasse sua vida ao serviço dos deuses, de seus templos e de seus bens, os assim chamadados sacerdotes não passavam de cidadãos comuns, eleitos para a função por tempo determinado, verdadeiros sacerdotes sem "vocação" e despreparados, as mais das vezes. Eram homens que, junto à sua ocupação normal da vida da cidade, tinham a missão temporária de cuidar do culto de um deus e guardar-lhe o templo.

Enquanto no Oriente a atividade literária, como bem acentuou Nilsson, a conservação da tradição, a especulação e tudo quanto houvesse de ciência estavam nas mãos dos sacerdotes, tudo isto, na Grécia, desde a época mais antiga, era assunto de leigos, de poetas e de pensadores. Quando se tratava de assuntos mais graves atinentes à religião, os mesmos eram resolvidos pela (ekklesía), solicitando-lhes o consetimento através do Oráculo de Delfos, se se tratasse sobretudo de modificar cultos antigos ou introduzir outros novos. É grande e séria a transcedência dessa circunstância, pois constitui nada menos que a base para liberdade de pensamento, bem como para o nascimento da filosofia e da ciência. Pois bem, foi exatamente essa liberdade de pensamento, somada aos vastos sincretismos, que acabou por moldar "uma crença", que fez da religião grega uma colcha de retalhos. É verdade que os deuses tinham seus templos, seus nomes, suas múltiplas funções, mas cada um podia interpretá-los como bem o desejasse.

Assim sendo, não se pode falar de uma escatologia grega, mas houve ha Hélade tantas escatalogias quantas as fases e momentos histórico-sócio-culturais por que passou a Hélade. Houve tantas escatologias quantas as correntes literárias e filosóficas que medraram na pátria de Homero e de Sócrates.

Texto extraído de: Mitologia Greva Vol I - Petrópolis, Vozes, 2000

 

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