Filosofia Clássica - Período Pré-Socrático

Períodos da Filosofia Clássica

Pre-Socrático Socrático Pós Socratico / Helenismo

Período Pré-Socrático

Escola Jônica Escola Itálica Escola Eleática Escola Atomista

 

 

 

 

 

Nasceu em Éfeso, cidade da Jônia, descendente do fundador da  cidade. Desprezava a plebe, não participou da política e desprezou a religião, os antigos poetas e os filósofos de seu tempo. É o primeiro pré-socrático com um número razoável de pensamentos, que são um tanto confusos, e por isso tem o nome de Heráclito, o obscuro. Foi muito crítico.  Chama a atenção, além da pluralidade, para os opostos. Tanto o bem como o mal são necessários  ao todo. Deus se manifesta na natureza, abrange o todo e é crivado de opostos. O logos é o  princípio cósmico, elemento primordial, e a razão do real, a inteligência. A verdade se encontra no devir 1, não no ser.

Afirmava que todas as coisas estão em movimento como um fluxo perpétuo. O escoamento contínuo dos seres em mudança perpétua, e que esse se processa através de contrários. A lei fundamental do Universo é o devir, que significa contínuas transformações. Tudo flui e nada fica como é. Coisa alguma é estável. Tudo segue seu curso.  Para Heráclito o princípio das coisas é o fogo. O fogo transforma-se em água, sendo que uma metade retorna ao céu como vapor e a outra metade transforma-se em terra. Sucessivamente, a terra transforma-se em água e a água, em fogo. Todas as coisas mudam sem cessar, e o que temos diante de nós em dado momento é diferente do que foi há pouco e do que será depois.

Grande representante do pensamento dialético. Concebia a realidade do mundo como algo dinâmico, em permanente transformação. Daí sua escola filosófica ser chamada de mobilista (=movimento). Para ele, a vida era um fluxo constante, impulsionado pela luta de forças contrárias. Assim, afirmava que “a luta é a mãe, rainha e princípio de todas as coisas”. É pela luta das forças opostas que o mundo se modifica e evolui. Heráclito imaginava a realidade dinâmica do mundo sob a forma de fogo, com chamas vivas e eternas, governando o constante movimento dos seres.

Vida

Vida - Foi um melancólico que tinha aversão à sociedade, e evitava a sua convivência preferindo a solidão, esta condição pessoal contribuiu para que se criassem ficções biográficas, que não podemos hoje tomar como precisas; nem mesmo o mobilismo 2 de que falou, o teria defendido de maneira tão radical quanto lhe foi atribuído.

Timeo de Fliunte, foi o primeiro a chamá-lo de "Heráclito o obscuro, ou o tenebroso", tornado esse apelido comum. Heráclito foi um sábio, que tinha consciência da acessibilidade do homem ao saber, ainda que não atingido por toda a massa. A fonte principal das notícias biográficas de Heráclito se encontra em Diógenes Laércio 3, além das menções dispersas em Aristóteles e outros antigos. Não restam elementos para determinar o ano de nascimento de Heráclito, nem o de sua morte. Mas se sabe onde nasceu e quando floresceu: "Heráclito, filho de Bloson, ou, de acordo com outra tradição, de Heronte , nasceu em Éfeso. Floresceu na 69ª olimpíada" 4. Esta ligação com a 69ª olimpíada, acontecida nos anos 504 - 500 a.e.c., permite calcular vagamente o restante da cronologia de sua vida.

Poderá ter nascido por volta de 540 a.e.c. e vivido até pelo ano 480 a.e.c. Trata-se, pois de um tempo em que as cidades da Jônia grega já se encontravam integradas no império persa, desde 546 a.e.c., quando Ciro houvera conquistado Sardes, aos lídios, e logo também as cidades da Jônia. Mileto, que se rebelara, foi destruída em 494 a.e.c., portanto ao tempo de Heráclito. Já agora o grande rei da Pérsia se chamava Dario  486 a.e.c.

Heráclito pertenceu à nobreza de Éfeso. Em seu tempo o partido aristocrático fora aliado do poder. Este fato poderia ter sensibilizado sua aversão à massa popular, então exercendo democraticamente o poder, certamente com alguns desmandos, que o deixaram pessimista. Tinha em si mesmo alto apreço frente aos demais, sobretudo no que se referia ao saber. Formou um alto conceito de si mesmo em seu livro onde diz: a erudição não ensina a sabedoria; assim fosse a teria ensinado a Hesíodo e a Pitágoras, e por sua vez a Xenófanes e Hecateo 5. Porque "nisto só consiste a sabedoria, conhecer a mente que governa todas as coisas através de tudo e que Homero devia ter sido excluído das competições e açoitado e igualmente Arquíloco" 6 .

Descendendo da nobreza, que o liga à família de Codros, rei de Atenas e chefe da emigração jônica e fundador de Éfeso, gozava Heráclito do direito de posição de destaque, por ocasião de atos públicos, como por exemplo por ocasião das festas de Deméter. Talvez desiludido dos homens e de outra parte como sábio desprendido dos formalismos, renunciou Heráclito suas prerrogativas em favor de seu irmão 7.

Pronunciando-se sobre assuntos políticos, declarou muito positivamente: "É necessário que o povo lute em defesa da lei como por sua muralha" 8 .  Tudo o mais que disse da política e seus episódios tem a forma agressiva e contestatória. Reprovava amargamente aos efesinos a expulsão de seu amigo Hermodoro, dizendo: “Todos os efesinos adultos deviam ser condenados à morte, e os adolescentes postos para fora da cidade, porque expulsaram a Hermodoro, seu benfeitor. Que ninguém aqui se destaca pela sua virtude; caso haja alguém deveria ir viver em outro lugar e com outros" 9 .

Retirando-se do templo de Ártemis, e jogando os dados com as crianças, e quando os efesinos se reuniram em torno e o observavam, disse: Porque estais atônitos? Perversos. Acaso não é melhor fazer isto, do que ter parte em vossa vida civil?"10.Heráclito também persuadiu o tirano Melancome a deixar o poder. Negou-se ao rei Dário quando o convidou a ir para entre os persas 11. Ao que parece, notoriamente inteligente, Heráclito muito desenvolveu a partir de própria pesquisa. Mas não terá deixado de aproveitar os conhecimentos de outros.

"Foi excepcional desde sua infância. Quando jovem usava dizer que nada sabia. Quando adulto declarava tudo saber.
De ninguém foi discípulo, mas dizia que indagava a si próprio e aprendera tudo por si mesmo. Alguns, entretanto, como Sócion, asseveram que ele foi discípulo de Xenófanes" 12 .

Sabe-se que Xenófanes era de Colófon, outra cidade jônica, e que desenvolveu um racionalismo, em que se criticava o antropomorfismo dos conceitos sobre Deus, e que se dirigindo para o Ocidente, fundou a escola de Elea. Ora, Heráclito, se ocupou com uma espécie de panteísmo hilozoista. Quanto ao pitagórico Hípaso, que é de Metaponte (Itália) cultivou uma doutrina que contém elementos tanto pitagóricos como jônicos, tendo o fogo como elemento principal. Ora, Heráclito possui afinidades com este pensamento. O mais provável é que Heráclito influenciasse sobre Hípaso, e que por isso ambos tenham pensamento afim.

Heráclito não se deu a viagens, como outros sábios do seu tempo. Convidado por Dário, escreveu-lhe em resposta:

“Todos os homens sobre a terra se afastam da verdade e da justiça, entregues por falta de juízo à avareza e à sede de popularidade. Eu, que ignoro todas as fraquezas e não desejo outra coisa senão horror ao esplendor, não posso seguir para a Pérsia. Contento-me com pouco, quando este pouco é para a minha mente" 12.


Heráclito aos 60 anos vitimado pela hidropisia 13, foi enterrado como os nobres em lugar público, isto é, na Agorá, ou Fórum. A luta dramática do filósofo contra a doença foi descrita de maneira muito realista, e poderá não ser verdadeira em todos os detalhes:
Por fim passou a odiar os homens e se retirou para as montanhas. Como ali só se alimentasse de ervas, adoeceu de hidropisia, sendo obrigado a retornar à cidade. Fez aos médicos a enigmática pergunta, se podiam mudar a chuva em secura. E como não o entendessem, meteu-se sob o calor do esterco num estábulo, esperando que evaporasse a água que o atormentava. Como o remédio não trouxesse resultado, logo morreu, na idade de sessenta anos.

 Hermipo conta o fato de outro modo. Teria ele perguntado aos médicos, se era possível, comprimindo-lhe os intestinos, extrair a água. E como o negassem, estendeu-se ao sol e ordenou aos seus empregados, que o cobrissem com esterco de boi. Assim deitado, no segundo dia faleceu, e foi sepultado na praça publica. Neantes de Císico alega que, não tendo podido retirar-se de sob o esterco, lá ficou; e, irreconhecível, por deformado, o devoraram os cães 14.

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Obras

Heráclito escreveu um livro Sobre a natureza. Mas não se pode afirmar diretamente que foi este o título, porquanto foi um hábito posterior atribuir a filósofos antigos um livro com semelhante denominação. O texto certamente existiu como provam os poucos fragmentos que dele restaram. A circunstância de o haver depositado no famoso templo de Ártemis (ou Diana) de Éfeso permite supor houvesse tratado de coisas transcendentais. Ou teria ali depositado simplesmente, houvesse uma pequena biblioteca junto ao templo.

Mas havendo-se criado em torno do livro a seita dos heraclíteos, este fato prova que Heráclito formou discípulos e que o livro continha elementos religiosos, que o tornavam como que um escrito sagrado. Diógenes Laércio, depois de informar sobre o escrito de Heráclito, logo lhe fez também a resenha doutrinária:

"O livro que lhe atribuem se estende sobre a natureza, dividido em três exposições: sobre o todo, a política, a teologia. Este livro o depositou no templo de Ártemis, e, de acordo com alguns, o tornou mais obscuro intencionalmente, para que senão os adeptos se acercassem dele, e não fosse desestimado pelo vulgo” 15 .

Houve muitos comentários de sua obra, inclusive Antístenes e Heráclides do Ponto, Cleantes e Esfero o Estóico, e ainda Pausânias denominado o Heraclitista, Nicomedes, Dionísio, e entre os gramáticos Diódoto. Este último afirma que o tratado de Heráclito não é sobre a natureza, mas sobre o governo e que a parte física serve como ilustração. Existem vários epigramas 16 acerca de Heráclito, entre outros os seguintes: Eu sou Heráclito; porque me torturais ignorantes? Não é para vós que eu trabalhei, mas para os que me podem compreender. Para mim, um homem vale trinta minas; uma multidão não vale nem uma só. Eis o que vos digo, desde o fundo do palácio de Proserpina.

Outro epigrama: Não vos precipiteis em adquirir o livro de Heráclito de Éfeso; o caminho é difícil; trevas e impenetrável obscuridade o rodeiam; mas se um iniciado vos guia, o caminho brilhará mais que a luz solar 17. Heráclito ficou famoso também pela dificuldade de entendimento. Diz Seleuco o gramático que, segundo um tal Croton, em O mergulhador, o livro havia sido levado pela vez primeira à Grécia por um certo Crates, o qual dizia que era preciso ser um mergulhador de Delos para não afogar-se nesta obra 18.


Mesmo Sócrates ficara perplexo, conta Diógenes Laércio que como Eurípides desse uma obra de Heráclido a Socrates e lhe pedindo a opinião a respeito ele contestou:

- O que compreendi é excelente; o resto suponho igual, mas para entendê-lo é necessário um mergulhador de Delos 19.

Ainda sobre a obra de Heráclito, que a primeira informação parece sugerir haver sido Sobre a natureza, sabe-se que era mencionada também com outros títulos. O título dado para ela, por alguns é As Musas; por outros Sobre a natureza; mas Diódoto a chama Um leme para governar a vida; outros, Ciência dos costumes, e Complemento e ornato de uma certa medida para todas as coisas 20.

Didaticamente consegue-se expor em separado o pensamento cosmológico de Heráclito, a seguir seu monismo, conceitos psicológicos, finalmente, conceitos éticos, sociais e políticos.

Sobre a Natureza

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Doutrinas

Fogo como 1º Elemento | O Devir Universal | Causa e Lei | O Monismo Heraclíteo | A Alma e Suas Funções | Doutrinas Morais de Heráclito

Fogo como primeiro elemento na composição da matéria - Heráclito afirmava que o princípio constitutivo de todas as coisas é o fogo, e a partir dele tudo se explica por transformações, além disso o fogo é sempre móvel, de onde decorre sua dinâmica.

Heráclito costumava afirmar que havia uma lei natural ordenadora para todo o universo, ora ele denominava essa lei como Deus, obviamente não como um Deus da mitologia, mas algo que fosse o organizador de toda a existência do universo. Costumava chamar essa lei natural também de Logos. A ordenação se dá dialeticamente, em direções contrárias, de concórdia e discórdia. Nesta visão complexa da realidade total do universo de Heráclito se distinguem aspectos, que importa abordar sucessivamente, começando pelo princípio constitutivo cosmológico, o fogo.

É o fogo de Heráclito concebido com as feições do indefinido ou infinito. Este infinito tem as mesmas feições do Ápeiron de Anaximandro de Mileto. Curiosamente Anaximandro não está incluído entre aqueles aos quais Heráclito criticou. Mas Anaximandro permaneceu na concepção mais abstrata do infinito, enquanto Heráclito preferiu um elemento mais caracterizado na natureza, como o fogo. Anaxímenes e Diógenes colocarão o ar como anterior à água, e, entre os corpos simples, lhe dão a preferência como princípio, ao passo que, para Hípaso de Metaponte e Heráclito de Éfeso, o primeiro elemento é o fogo.

Heráclito e Hípaso de Metaponte vêem no fogo o princípio de todos os seres. Tudo nasce do fogo e no fogo tudo finda. Da extinção deste, todas as coisas são geradas; porque, contraindo-se em si mesma a parte mais espessa (do fogo), nasce a terra; depois, dilatando-se a terra, por virtude do fogo, nasce a água. Da evaporação desta se dá origem ao ar. E, ao invés, o cosmo e todos os corpos pelo fogo parecem na conflagração 21 .

“Este mundo, o mesmo para todos, nenhum dos deuses e nem dos homens o fez, é e será fogo sempre vivo, que se acende e com medida se apaga" 22.

"Aqui está um sumário de suas doutrinas. Todas as coisas são compostas de fogo e no fogo se resolvem. As coisas todas se produzem segundo o destino. Entram em harmonia através de um movimento de opostos. E tudo está cheio de almas e divindades 23.

Parte por parte, estas são as suas doutrinas: o fogo é o princípio, ou elemento e todos os seres são uma transformação do fogo, vindo a se produzir por rarefação e condensação. Mas não dá explicação clara. Todas as coisas se produzem pelo conflito de opostos e o seu conjunto flui como um rio. Tudo o que se realiza é limitado e forma um só universo. E ele é gerado alternativamente do fogo, e de novo reduzido ao fogo em cada ciclo de tempo, por toda a eternidade, e isto é determinado pelo destino.

Dentre os opostos, um deles se chama guerra e discórdia e o outro, a tendência à destruição pelo fogo, se chama concórdia e paz.
 

A transformação é um caminho para cima e para baixo, e isto determina, o nascimento do mundo. Pela contração o fogo se umedece, e se converte em água. E a água ao contrair-se se converte em terra. Este é o caminho para baixo. Mas depois novamente o fogo faz expandir-se a terra, que volta a produzir a água, e da água o restante da série, cuja maior parte resulta da exalação do mar. Este é o caminho para cima 24.

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O Devir Universal - O devir universaldas coisas era a principal preocupação de Heráclito. Por causa da constatação da universal transformação de tudo, induziu que fosse o fogo o elemento principal. Porquanto se apresenta eminentemente móvel. Afirmando enfaticamente que tudo flui e nada permanece 25. Qualquer fosse o componente básico, a partir dele derivariam todas as coisas, através de uma geral mobilidade. Não insiste Heráclito no mesmo fogo, e concordaria fosse outro este elemento básico, desde que melhor explicasse a hipótese da geral mobilidade.

O mobilismo incorre em várias perguntas, dentre as quais importa começar pela forma desta alteração contínua. Dar-se-ia a alteração mais fundamentalmente na mesma estrutura do elemento em mudança ao modo do hilemorfismo26 (por substituição das determinações)? Ou se daria ao modo do atomismo (por disposição das partes, quer por complexificação, quer por simples condensação e rarefação)?

É difícil de decidir qual fora a precisa maneira de pensar de Heráclito. Ou seguiu inteiramente a Anaximandro, com quem já se assemelha por ter substituído o ápeiron indeterminado, por um elemento semelhante pela mobilidade, o fogo, e então o fogo se transformaria ao modo hilemorfista, pela substituição substancial das formas. Ou seguiu a Anaxímenes, nesta outra parte, referente às mudanças, que o terceiro e último filósofo de Mileto concebia como simples rarefação e condensação das partículas, sem que elas mesmas individualmente se alterassem. A aparência exterior do fogo parece conduzir à interpretação hilemorfista: então Heráclito à mesma maneira como Anaximandro, teria prenunciado o hilemorfismo aristotélico. Uma passagem de Platão sugere exatamente isto:

"Não declarou Heráclito que tudo está em movimento? E que nada permanece parado? Comparando a realidade ao curso de um rio, ele disse: duas vezes no mesmo rio não colocarás teu pé" 27 .

O "tudo flui, ou tudo está em movimento" contém o sentido hilemórfico da mudança da forma. De outra parte, porém, "condensação" e "rarefação", usadas com referência à Heráclito, são tipicamente atomistas, estas expressões não deixam clara a tese do mobilismo, senão pelo contexto.

“Hipaso de Metaponte e Heráclito de Éfeso também admitem um só (princípio) movente e limitado (finito), que seria o fogo. Tudo nasce do fogo por condensação e rarefação, e tudo se resolve no fogo, sendo ele a única natureza substancial. Pois diz Heráclito, tudo se troca por fogo, e fogo por tudo. A ordem do cosmos e sua transformação em tempo limitado obedece a uma necessidade prefixada"28.

"Heráclito suprimiu o repouso e a estabilidade no todo, pois isto é próprio dos mortos. Atribui o movimento a todas as coisas: Eterno às eternas; transitório às transitórias" 29 .

"Não é possível descer duas vezes ao mesmo rio, segundo Heráclito, nem tocar duas vezes uma substância transitória no mesmo estado: por via da impetuosidade e da velocidade da transmutação, aflui e reflui, avança e retrocede, ou melhor, nem de novo, nem mais tarde, mas no mesmo instante, se congrega e se desagrega, se junta e se disjunta" 30 .

Mas que Heráclito também ensinava a geração e a corrupção do cosmo, provam-no estas palavras suas:

“transmutações de fogo: primeiro o mar; e do mar, metade terra e metade turbilhão ígneo, o que significa que é o fogo, mediante o qual o Logos ou Deus rege o todo, que, transmudado em ar, se volve em humor, o qual é, por assim dizer, o sêmen da ordenação cósmica, o que ele denomina: Mar.

Do mar renasce a terra e o que entre a terra e o céu se encontra. Mas de que maneira o cosmo regressa à ordem primordial e como se dá a deflagração 31, isso claramente o exprime assim: (a terra) derrama-se qual mar, a medida da mesma lei que prevalecia antes que este se transmutasse em terra" 32.

Clemente de Alexandria com suas palavras fez a seguinte afirmação: Heráclito de Éfeso, quando ensina que um cosmo é eterno e outro transitório, sabendo ele, todavia, que este (o transitório), no que respeita à organização, não é diverso daquele (o eterno) que possui certa estrutura.

Mas que ele tenha considerado como eterno o cosmo, aquele que consiste de toda a substância, estruturado como quer que seja, isto claramente o revela, dizendo: - Este cosmo, que é o mesmo para todos, nem Deus nem homem algum o fez; sempre foi, é e será um fogo eternamente vivo, que se alumia por medida e por medida se apaga" 33 .

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Causa e Lei - A idéia de causa e de lei natural para as transformações é um aspecto novo desenvolvido pela filosofia de Heráclito. Ela marcará a diferença entre os jônicos antigos e os novos. Os antigos cuidavam da estrutura, e muito pouco da dinâmica das mesmas. Os novos apresentam hipóteses sobre as causas da mudança ou da transformação. Qualquer fosse o princípio primordial, importava saber como se dinamizava. Heráclito ainda se preocupa com uma certa ordem racional, portanto de uma lei, e que denominava logos (inteligência ou razão). Não aconteceriam casos, por efeito de poderes gratuitos ou fortuitos, fatais, absurdos, míticos.

As causas do devir, além disto, mostravam outras características a serem examinadas, como por exemplo, suas direções para cima e para baixo, num sentido de diversificação do fogo primordial e num de retorno a ele, - de guerra e paz, de explosão e de apagamento. Em outras palavras, é a lei natural a reger as coisas. Tais doutrinas sobre as leis da dinâmica das coisas apenas se encontram em embrião nos anteriores filósofos milésios. Admitiam estes a transformações a partir de causas dinâmicas; não lhes emprestaram, todavia o caráter racional da lei, ou seja, de um logos inserido naturalmente.

Heráclito conduz à frente a interpretação dinâmica do ente. Não se preocupando apenas com o componente estático primordial, levou sua preocupação para a causa do comportamento dinâmico do mesmo. Orientou desta sorte as especulações filosóficas e cientificas para um campo que lhes é mais peculiar. O pensamento mítico também se ocupa de causas, todavia só das causas mágicas, como da vontade que se expressa em palavras e cria o mundo em um momento ou em poucos dias.


Para Heráclito o logos é a lei natural racionalmente entendida operando a partir de dentro do mundo. Se algumas versões anteriores comentam Heráclito entendendo a lei na forma de destino, lhe deformam o pensamento, ou emprestam a estas palavras um sentido de lei racional, deu oportunidade a equívocos, como se ele admitisse deuses ou almas à maneira órfica 34 ou ao modo do estoicismo eclético ulterior 35.

Encontramos no velho Platão, sem mencionar os autores, uma referência à doutrina da geração e corrupção alternada:

"Certas musas da Jônia e da Sicília (Heráclito e Empédocles) deliberaram que o mais seguro é combinar as duas teses e dizer que o ser é uno e múltiplo, mantendo sua coesão pelo ódio e a amizade. Efetivamente, discordando sempre concordam 36; assim dizem as musas mais decididas; porém as mais moderadas, embora asseverando que assim é sempre, também afirmam que alternadamente, ora o todo é um  amigo, por virtude de Afrodite, ora múltiplo e inimigo por obra de não sei que discórdia" 36.

Lê-se em em Aristóteles:

"Todos os físicos admitem queo céu foi gerado, uns o proclamam eterno, outros, corruptível, como qualquer outra natureza composta. Há também os que sustentam que a corrupção é alternada, ora num sentido, ou noutro, e que este processo é infinito. Tal é a doutrina de Empédocles de Agrigento e de Heráclito de Éfeso" 38 .

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O Monismo Heraclíteo - O monismo materialista é essencial à filosofia de Heráclito, e foi o seu lado mais profundo entre Deus e o mundo, ou seja, entre o logos e o fogo; também não há esta distinção entre o corpo e alma. O fogo contém a propriedade eminente da racionalidade, a qual denominou logos. Assim também o corpo não contém dualisticamente uma vida, que nele resida como substância autônoma. O mesmo corpo é vivo.

Mas como o logos é espiritual, o monismo materialista de Heráclito é um materialismo espiritual, isto é uma substância material com funções espirituais, por exemplo a de pensar. Em Do ar, como em Anaxímenes, agora Heráclito simplesmente passa a denominar de outro modo o princípio universal de tudo, o fogo. Deus, ou os deuses, somente podem ser concebidos como integrantes deste elemento de base. Assim se entende o episódio narrado por Aristóteles:

"Heráclito, ao aquecer-se à lareira e vendo que uns forasteiros se detiveram, procurando-o, mandou que entrassem sem receio, pois também ali havia deuses" 39.

Se tudo é um ser e se Deus se confunde com o ser, devia também estar ali. Não há verdadeiramente ser morto. Se tudo se move, isto exatamente confere com a vida. O movimento inferior não é senão um apaziguamento da vitalidade do fogo universal.Também o logos, em tudo existente como propriedade essencial, diminui as suas manifestações nos movimentos para baixo e cresce naqueles para cima. A alma plena não é senão o instante alto do logos em ação; a morte é o instante em que o logos já não se manifesta, sem haver todavia desaparecido.

A vida é rítmica, pois, cresce e dominou no macrocosmo do corpo humano, até que um dia não mais se manifesta, em virtude da dominância do movimento para baixo, quando se comporta como água, terra e outros materiais.Os astros, sobretudo o sol, enquanto facho de fogo, devem ter pensamento. A presença do logos se faz sobretudo no espaço etéreo 40. Dali como que se dilata para o homem sobre a terra. Neste contexto se interpreta a afirmação:

"Heráclito diz que o sol é um facho inteligente" 41.

Os textos referentes ao monismo panteísta, combinado com o logos universal e a alma, se encontram com relativa profusão 42. Mas são inteligíveis apenas se levarmos em conta o contexto geral em que se situa o autor.

"Heráclito declara que a alma é o princípio primordial, uma vez que ela é (idêntica à) exalação, da qual tudo o mais provém. Ele acrescenta que este princípio é o que há de mais incorporal , e que ele está em fluxo perpétuo" 43
.
"Heráclito diz que a alma do Cosmo é a exalação das coisas úmidas que nele há, mas a dos seres viventes deriva da exalação tanto de fora como de dentro deles mesmos, a qual em ambos os casos é homogênea" 44

"... uma vez separada do corpo, regressa à alma do Cosmo, que é da mesma natureza" 45 .

Compõem Heráclito a sua sentença, escrevendo aproximadamente isto:

"Morte das almas, o tornarem-se água, e morte da água, o volver-se em terra; mas da terra renasce a água, e da água a alma".

Não tem sentido para Heráclito o conceito mítico da divindade separada, nem da doutrina órfica da alma separada. Verdadeiramente nada morre, mas apenas cessam funções, que em outras circunstancias poderão retomar-se. a respiração e a nutrição reacendem constantemente o fogo da vida. É como que o contato com o fogo universal, o logos, que contudo não está separado, como se de fora viesse.

Repudiando a religião mítica, Heráclito indaga:

"Se há deuses, porque os chorais? Mas se os chorais, não os venerais como deuses".

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A Alma e Suas Funções -Alma é o fogo em fluxo perpétuo, quando em manifestações especiais. A respiração e a nutrição reacendem constantemente o fogo da vida. É como que o contato como o fogo universal, o logos. Ainda que a água seja o fogo em instante decrescente, dali pode reacender-se. Desta sorte, a água pode ser alimento da alma. Coerentemente, diz Heráclito que a alma humana, após a morte, retorna ao logos universal. Nada mais diz, senão, que a vida cessa de se manifestar, sem todavia desaparecer a condição substancial do fogo elementar de algum dia explodir na ekpyrosis.

46 A ressurreição de que fala Heráclito deve ser entendida dentro de seu conceito monista de funções que sobem e descem, num emergir e regredir das manifestações da vida. O pensamento como um emergir da razão divina contida em todos nós, - segundo Heráclito, - foi descrito um tanto imaginosamente, por Sexto Empírico, ao mesmo tempo que retransmitia suas idéias sobre o antigo autor: Esta razão divina penetra em nós pela respiração, e assim nos tornamos inteligentes, no sono, inconscientemente, na vigília, conscientemente.

Pois enquanto dormimos e cerrados permanecem os poros dos nossos sentidos, a inteligência que está em nós, aparta-se do que a rodeia, e só como que por uma espécie de raiz, a respiração mantém o liame 47. Em conseqüência desta separação perde a capacidade de memória que antes possuía. Na vigília, pelo contrário, olhando através dos poros dos sentidos, ela retoma o contato com o circundante e readquire as faculdades racionais. Tal como os carvões que junto ao fogo se transformam e ardem, e, pelo contrário, se extinguem uma vez apartados dele, assim também, a parte que do circundante em nosso corpo reside, dele separada, quase irracional se torna; ao passo que, reunida pelo maior número de poros (dos nossos sentidos) torna-se semelhante ao todo (do universo penetrado pelo logos).

Este logos comum e divino, por participações do qual nós somos lógicos, - eis a faculdade da verdade segundo Heráclito. Por conseguinte tudo quanto a todos comumente pareça (claro), crível, será; mas, pelo motivo oposto, quanto a um só ocorra, incrível será. Eis porque logo no princípio do seu livro Da natureza, aludindo de certo modo ao circundante, diz:

Este logos, ainda que exista sempre, os homens são incapazes de entendê-lo, quer antes de o haverem escutado, quer após o terem ouvido. Pois ainda que tudo aconteça segundo este logos, parecem não ter experiência alguma dele, - eles que experimentaram palavras e obras, tais como eu as exponho, distinguindo a natureza de cada uma delas , e explicando-a tal qual é. Os demais homens, porém, tão pouco sabem o que fazem despertos, quão pouco se lembram do que fizeram dormindo 48.

Por estas palavras expressamente afirma que nós tudo fazemos e pensamos, enquanto partícipes do logos divino; e pouco depois acrescenta:

49 Distingue Heráclito entre sentidos e inteligência. Ato continuo, aprecia o valor gnosiológico 50 de ambas as formas de conhecimento.

Acontece em Heráclito aquele vago ceticismo que perpassa toda a filosofia pré-socrática e que alcança principalmente as faculdades sensíveis. A escola eleática (de Xenófanes e Parmênides, Senão e Melisso) adverte para a imobilidade e unidade do ente, o que provaria o engano dos sentidos ao apresentarem como móvel e múltiplo. Agora, em Heráclito, afirma-se a mobilidade geral e o ente, outra vez porém advertindo para a enganosidade dos sentidos; o devir generalizado do ente impediria o conhecimento preciso das coisas.

Pois que lhe parecia ser o homem dotado de duas faculdades para o conhecimento da verdade, - sensibilidade e razão (ou logos), também para Heráclito, como para os mencionados físicos (Parmênides e Empédocles) a sensibilidade era suspeita. A razão (logos), pelo contrário, ele a considera como faculdade (da verdade). A experiência sensível reprova-a dizendo textualmente: más testemunhas os olhos e os ouvidos para os homens com almas de bárbaros. A relatividade do ente, do conhecimento, da moral decorre da doutrina da mobilidade intrínseca do ente. Em virtude do movimento em direções opostas, para cima e para baixo, para a excitação e para o apaziguamento, ocorrem no mesmo ente, os contrários em busca de equilíbrio.

"Heráclito diz que os contrários conferem, e dos diferentes nasce a mais bela harmonia" 51 .

"Heráclito, o obscuro diz, que as conexões são completo e incompleto, o que é concordante e o que é discordante; o que produz a consonância e o que produz a dissonância, - de tudo é composto o um; de um, tudo" 52.

Aqui está diretamente indicada a moral natural, mas sempre com uma certa relatividade, por causa da mobilidade do todo.

"Aqueles que falam com inteligência, devem apoiar-se no que é comum a todos, como uma cidade em sua lei, ainda com muito mais firmeza. Pois todas as leis humanas se alimentam em uma só lei divina, já que esta domina quanto quer e é suficientemente para todos e ainda tem de sobra" 53 .

Os valores são apreciados diversamente. A felicidade não é buscada nas mesmas coisas.

"O cavalo, o cão e o burro têm prazeres diversos e, como diz Heráclito, os burros prefeririam a palha ao ouro. Com efeito, mais grato aos burros é o pasto que o ouro" 54 .

"Bem e mal são uma e a mesma coisa. Diz Heráclito: os médicos, cortando, torturando, queimando, os doentes de toda a maneira, ainda exigem deles uma recompensa que não merecem, pois só um e o mesmo efeito conseguiram: bens e males" 55 .

Sobre classes sociais:

"Que o pai entre todos os seres gerados, é ingênito e gerado, criatura e criador, sabemo-lo, dizendo ele: Prélio é o pai de todas as coisas, de todas o rei; de alguns fez deuses, de outros fez homens; destes, escravos, e daqueles, homens livres" 56 .

"Dizem que é próprio dos deuses o regozijarem-se com o espetáculo das batalhas. Mas não é impróprio, pois todas as ações generosas são próprias para regozijar. Batalhas e combates parecem-nos horríveis, mas para a divindade nada disso é horrendo... como diz Heráclito: para Deus todas as coisas são belas, boas e justas; os homens porém, umas consideram injustiça, outras justas” 57.

"Pois justamente também o nobre Heráclito vitupera a turba, como destituída de inteligência e raciocínio: que senso e intelecto é o deles? Deixam-se guiar por poetas errantes e amestrar pela multidão; não sabem que muitos são os maus, poucos os bons” .

59 Teria negado o princípio de contradição? Ao dizer que o contrários se unem, parece não ter pensado no alcance total dos termos, ao ponto de opor o ser e o nada. Por isso o mesmo Aristóteles ressalva a Heráclito de haver negado o princípio de contradição:

"Não é possível conceber jamais que a mesma coisa é e não é, como certos acreditam que Heráclito o tenha dito: porque o que se diz, não se é obrigado pensar" .

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Doutrinas Morais de Heraclito - Conceitos éticos, sociais e políticos se encontram nos fragmentos de Heráclito e em informações doxográficas, estando influenciada pelo seu geral mobilismo e relativismo. A divisão do seu livro em três partes, - o todo, a política, a teologia, - prevê mesmo tais questões.

O estudo dos temas humanos, apesar de menos cuidado pelos pré-socráticos, que são antes de tudo filósofos da natureza física, tem um primeiro importante sinal em Heráclito ao declarar:

"Eu me busquei a mim mesmo".

É similar à advertência do templo de Delfos "conhece-te a ti mesmo" assumida com efetividade por Sócrates.

Entretanto, o pouco, que se conservou dos ensinamentos morais de Heráclito, mal deixa a entrever um sistema, não havendo ultrapassado muito além dos dizeres sentenciosos da moral popular religiosa tradicional. Entretanto, de outra parte, a filosofia de Heráclito contém o princípio racional, que comanda o todo, ao qual tudo o mais obedece.

"Lei também é obedecer ao plano do uno".

"Um vale mais para mim, do que dez mil, se for melhor".

"Saber pensar é a mais alta virtude; e a sabedoria consiste em dizer a verdade e agir em conformidade com a natureza, obedecendo-lhe".

"Quem queira falar com inteligência, deve tornar-se forte com o (logos) comum a todos, como uma cidade com a lei, e ainda mais forte; porque todas as leis humanas se nutrem de uma só, divina, que tudo governa, podendo quanto ser, sem tudo bastando, tudo excedendo".

"O homem infantil ouve a Deus falar, como um menino a um homem".

Governo aristocrático. Ligado à nobreza de Éfeso, teve Heráclito oportunidades de abordar e definir temas políticos, e nem lhe faltava coragem para isto, nem mesmo inteligência.

A circunstancia de haver sido alijado do poder o partido dos nobres, atingindo portanto a ele mesmo, proporcionou mais uma vez a discussão e a necessidade de defesa, inclusive a revisão dos conceitos. Do aceso das refregas resultam alguns dos pensamentos de Heráclito e que chegaram até nós apenas fragmentariamente. Com ironia falou:


"Que não vos falte a riqueza, ó efésios, para que fique demonstrada vossa má conduta".

Fundando-se na diferença entre os homens, Heráclito defendeu a aristocracia como forma do poder. O povo se atém ao sensível, quando uns poucos se elevam ao poder raciocinativo do logos. Poucos são os que alcançam a virtude. O povo que não a atinge, expulsa os virtuosos, como sucedeu em Éfeso. O conceito de sociedade como resultante de um pacto social e a partir de onde se julgaria sua forma de governo, conforme a capacidade do próprio povo, - é coisa que não passa pela cabeça de Heráclito, e nem passará mais tarde pela de Platão, também defensor do absolutismo ilustrado.

A cosmogonia e astronomia é similar aos dos primeiros jônicos, todavia ajustada ao princípio primordial do fogo e ao seu devir.

"O sol tem o tamanho de um pé humano".

"O sol, como diz Heráclito, não somente é novo cada dia, senão que é novo continuamente". Esta afirmação se deve entender no contexto do mobilismo heraclíteo.

"As transformações do fogo são: em primeiro lugar o mar, e do mar a metade se transformou em terra e a outra metade em torvelinho ígneo. A terra se torna mar líquido e é medida com o mesmo logos que existia antes de se tornar terra".

"O mais belo universo é somente um montão de desperdícios reunidos ao azar".

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Principais Fragmentos

I "Os homens são deuses mortais e os deuses, homens imortais; viver é-lhes morte e morrer é-lhes vida".

II "Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos".

III “... O movimento se processa através de contrários.."

IV “... Tudo se faz por contraste; da luta dos contrários nasce a mais bela harmonia...”

V “... Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, pois da segunda vez, tanto rio, como nós estaremos mudados...”.

VI "... Mais vale apagar o orgulho que um incêndio...".

VII “... Para mim, um homem vale trinta minas; uma multidão não vale nem uma só...”.

VIII "...Se há deuses, porque os chorais? Mas se os chorais, não os venerais como deuses...".

IX "...Bem dizia Heráclito: homens são deuses e deuses são homens, porque o logos é um só...”.

X "...Pois justamente também o nobre Heráclito vitupera a turba, como destituída de inteligência e raciocínio: que senso e intelecto é o deles? Deixam-se guiar por poetas errantes e amestrar pela multidão; não sabem que muitos são os maus, poucos os bons...”.

XI "O mais belo dos macacos é feio se se compara com a raça dos homens. O mais sábio dos homens, comparado com Deus parece um macaco em sabedoria, beleza e tudo o mais".

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Referências

1 Vir a ser; tornar-se; devenir.
2 Doutrina segundo a qual a essência das coisas é individual e múltipla, e se transforma incessantemente sem leis determinadas, sendo ineficazes quaisquer tentativas de apreensão e organização racional da realidade.
3 D. L., IX, 1-17
4 D. L., IX, 1
5 Frag. 40 Diels
6 Frag. 42; D. L., IX, 1
7 D. L., IX, 6
8 Frag. 44 Diels; D. L., IX, 2
9 D. L., IX, 2
10 D. L., IX, 2-3
11 Clemente de Alexandria, Strômata,165
12 D. L., IX, 5
13 D. L., IX, 14
14 Acumulação anormal de líquido seroso em tecidos ou em cavidade do corpo
15 D. L., IX, 3-4
16 D. L., IX, 6
17 Poesia breve, satírica; sátira.
18 D. L., IX, 16
19 D. L., IX, 12
20 D. L., IX, 22
21 D. L., IX, 12
22 Aécio, I, 3, 11
23 Frag. 30 D; Clemente, Strômata V, 105
24 D. L., IX, 7
25 Platão, Crátilo 402 a
26 Doutrina aristotélico-escolástica segundo a qual os seres corpóreos resultam de dois princípios distintos e complementares, um deles indeterminado e comum a todos, que é a matéria, e o outro determinante e que faz que uma coisa seja tal como é e distinta de todas as outras, que é a forma; hilomorfismo
27 Crátilo, 402 a
28 Simplício, Física 23-33
29 Aécio I, 23, 7
30 Plutarco, De E. Apud Delphos 18 p. 392 A
31 Combustão ativa e completa, com chama intensa; Ocorrência súbita e impetuosa; irrupção
32 Clemente de Alexandria, Strômata, 5 104, 3
33 Na antiguidade greco-romana, festas em honra de Dioniso ou Baco, celebradas nas confrarias órficas.
34 Frag. 51
35 Sofista, 242 d
36 Do Céu I 10, 279b 12
37 Das partes dos animais I, 2 645 A 17
38 Sublime; puro, elevado, celestial.
39 Aécio I, 27, 1
40 Grande porção ou abundância; exuberância
41 Aristóteles, Da alma 405 s 25
42 Aécio, IV, 3, 12
43 Ibidem, IV, 7, 2
44 Clemente de Alexandria, Strômata VI, 17, 1
45 Aristócritus, Teosofia, 69
46 Aquilo que prende ou liga uma coisa a outra; ligação
47 Frag. 1 D
48 Relativo ao Conhecimento
49 Aristóteles, Ética a N., VIII, 2. 1155 b 1
50 Aristóteles, Do mundo 5. 396 b 27
51 Frag. 114 D Stobeu, Antologia III 1, 179
52 Aristóteles, Ética a N., VIII, 2. 1155 b 1
53 Hipólito, Refutações, 10,3
54 Hipólito, Refutações 9,5
55 [Frag. 97] Porfírio, Questões Homéricas, Ilíada , IV, 4
56 [Frag. 104] (Proclo, Comentário as Alcibíades, I, p. 525, 21 Cous.)
57 Aristóteles, Met. 1005 b 25

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