Filosofia Clássica - Período Pré-socrático

Períodos da Filosofia Clássica

Pre-Socrático Socrático Pós Socratico / Helenismo

Período Pré-Socrático

Escola Jônica Escola Itálica Escola Eleática Escola Atomista

Empirismo e Racionalismo | Comparando a escola pitagórica e a escola eleática | O que é de Pitágoras e o que de seus discípulos

Depois da escola jônica, fundada por Tales de Mileto 624 - 546 a.e.c., a qual dera origem à filosofia grega, segue cronologicamente, pela ordem de antiguidade, a escola Itálica ou pitagórica, fundada por Pitágoras de Samos 570-496 a.e.c. A escola se diz pitagórica, no sentido de que foi fundada por Pitágoras, mas também se fez conhecida como escola itálica, porque surgida na Itália.

Região Itálica - RacionalistaA denominação escola itálica desde logo a localiza geograficamente e a diferencia claramente da escola jônica. De outra parte, porém, não demorou a aparecer na própria Itália a escola eleática, ou de Elea. Assim sendo, melhor se apresenta o nome escola pitagórica, até mesmo porque depois se difundiu para todo o mundo helênico. O pitagorismo se destacou pelo seu racionalismo, em contraste com a moderação da escola jônica.

Sempre foi evidente, que a razão marcha mais para longe que o nível de conhecimento atingido pelos sentidos, estes limitados à superfície experimentável dos objetos. Os sentidos têm como objeto as qualidades sensíveis, em função às quais se diz haver a matéria. Enquanto os sentidos têm, - como se disse -, por objeto a matéria sensível, o pensamento opera em termos de verbo ser, afirmando é, e não é. Ou simplesmente, dizendo - sim, e não.

Discute-se, - até onde vai este conhecer racional da mente? Empiristas (ou positivistas) e racionalistas discordam sobre esta dimensão do pensamento. Em cada caso as discordâncias são, ora mais radicais, ora menos. Há um empirismo que permanece apenas nos sentidos; este é; o sensismo, o qual reduz o pensamento a apenas uma sensação subtilizada. E há um empirismo, - e este é o mais frequente, - que admite a especificidade do pensamento. Todavia este empirismo somente atribui valor ao pensamento enquanto apreende os objetos da experiência.

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Pitagoras - Gravura - DesconhecidoEmpirismo e Racionalismo - O empirismo não avança para os conceitos puramente racionais. Os empiristas usam o verbo ser, mas somente para dizer que o empírico é. Dizer mais, seria afirmar algo sem valor, sem sentido, e que somente ajudaria para formalisticamente criar esquemas mentais de simplesmente ordenamento didático. Este empirismo limitado começará a ter seus primeiros representantes com os sofistas. O racionalismo, a que pertence o pitagorismo, não se limita ao conhecimento empírico, porque vai em frente.

Assevera, por exemplo, o racionalismo, que sob a experiência há uma substância, que pode ser corpórea, e ser mesmo espiritual. Mas nem a substância corpórea, nem a substância espiritual são atingíveis pela experiência. Ainda que não seja a substância alcançável pela experiência, ela se justifica, - no entender do racionalismo. De outra parte, para o empirismo elas são sem sentido.

Também se justificam no racionalismo as noções de espaço, tempo, lugar, ação, espírito, essência, existência, nos elementos não empíricos que tais noções contêm. Para o empirismo (quando coerente!), continuam sem sentido. Assim admitida a progressão do pensamento, desenvolve-se vastamente a filosofia racionalista, diferentemente da filosofia empirista. Mas só modernamente a questão da validade do pensamento foi ser adequadamente examinada pela assim denominada teoria do conhecimento.

PitagoricosTambém há duas espécies de racionalismo, o moderado e o radical. Admite o racionalismo moderado a validade de uma progressão a partir do ser inicialmente intuído na experiência; tudo começa no ser da experiência, e a partir dele somente se pode progredir validamente. O racionalismo radical estabelece diferentemente, que é possível pensar com validade, sem começar pela experiência. Na história do racionalismo aparece imediatamente a divisão mencionada, e que por isso devemos logo claramente entender, para tratar adequadamente um grave problema, e que divide vastamente toda a história da filosofia. A esta distinção importa atender, porque os argumentos contra o racionalismo podem atingir a uma de suas formas e não à outra.

O racionalismo moderado foi característico dos jônicos, mas sobretudo de Aristóteles 384-322 a.e.c. neste particular retomado por Tomás de Aquino 1225-1274 d.e.c. Tem como ponto de partida o ser colhido na experiência sensível. Nada é admitido no mundo racionalistico, sem ter este ponto de partida na experiência. O racionalismo radical foi paralelamente peculiar ao pitagorismo e ao eleaticismo, e teve seu prosseguimento depois em Platão 427-347 a.e.c., Plotino 205-270 a.e.c., Agostinho 354-430 d.e.c., os filósofos agostinianos da escolástica medieval, entre os modernos por Descartes 1596-1650 d.e.c., e Leibniz 1646-1716 d.e.c..

O tratado sobre as duas escolas jônicas, - antiga e nova -, equivale à história dos fundadores da filosofia racionalista moderada, enquanto que o tratado sobre as duas escolas do Ocidente, - itálica e eleática, - à história dos fundadores da filosofia racionalista radical.

O movimento pitagórico, deve-se atender ao fenômeno conhecido como "bordado helênico", de acordo com o qual o antigo mundo grego fora maior que o da Grécia atual. Em torno de todo o Mar Mediterrâneo prosperaram então cidades gregas. Na Ásia Menor, em região hoje da Turquia, situava-se a Jônia grega, em cujas cidades nasceram os primeiros filósofos, - Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Heráclito de Éfeso, Anaxágoras de Clazomene, Xenófanes de Colofon.

Ilha de SamosAinda que próxima à costa da Turquia, continua grega a Ilha de Samos, onde nasceu Pitágoras. No Ocidente se destacaram particularmente as cidades gregas da península Itálica e Sicília, o que veio a ser denominado Grande Grécia. Na região haviam ganho desenvolvimento as cidades de Crotona, Tarento, Síbaris, Zancle, Leôncio, Elea, Siracusa, Agrigento, com frequência citadas na história da filosofia e das ciências, que então se encontravam em fase de formação.

A posterior conquista romana não removeu a cultura grega, mas foi o caminho para que fosse assimilada pelos latinos. Ao ocorrer o movimento dos primeiros pitagóricos estas cidades eram independentes e prósperas.

Acresce ainda lembrar, que no Oriente a conquista persa da Jônia provocou a reemigração de muitos gregos para o Ocidente. Pitágoras de Samos veio de sua ilha jônica e se estabeleceu em Crotona, no sul da península da Itália. Ali seu movimento, fundado como sociedade, se denominou por isso mesmo Escola Itálica. À mesma pertenceram Filolao de Crotona, Árquitas de Tarento.

Vindo também da Jônia, Xenófanes de Colófon, esteve na Sicília, havendo atuado ainda em Zancle, Catânia, e possivelmente em Elea. Como já se disse, a escola de Elea, se notabilizou com Parmênides de Elea e Zenão de Elea.

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Comparando a escola pitagórica e a escola eleática - estão ambas no Ocidente e são ambas racionalistas, todavia a pitagórica mais que a eleática, ainda que esta defendesse um unicismo radical. Quando as manifestações culturais forem se concentrando em Atenas, também ambas as escolas, - a pitagórica e a eleática, - vão ter lá seus representantes.

O caráter interno das escolas filosóficas ocidentais, é sua tendência racionalista pronunciada. Elas conceberam o ser como racionalmente estruturado, obediente a leis gerais. Sobretudo os pitagóricos advertiram para a ocorrência de um mundo exemplar arquétipo, de acordo com o qual tudo é gerado. Os arquétipos da filosofia pitagórica são descritos como de modelo matemático, e são referidos como sendo números. Depois Platão, - que, embora de Atenas, apreciava aos pitagóricos, havendo-os mesmo visitado na Magna Grécia, - denominará a estes arquétipos com um novo nome, certamente mais adequado, idéias reais.

Os filósofos eleatas conduzirão a pesquisa na direção do ente. Analisando-o como noção básica, criaram a partir dali uma ontologia apreciável. Puseram em destaque a racionalidade do ente, - o que não é pensável como ente, não existe. Ficou portanto o ente como a lei geral de tudo. Este racionalismo da escola de Elea se mostra evidentemente muito próximo do pitagorismo, do qual sofreu aliás desde o início a influência.

Historicamente, Platão, que fundou a Academia em 387 a.e.c., será um continuador do pitagorismo, e Aristóteles do eleaticismo, ao qual entretanto moderou.

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O que é de Pitágoras e o que de seus discípulos - Historicamente não é possível determinar precisamente o que vem de Pitágoras pessoalmente e o que vem dos discípulos. Não há texto do mesmo Pitágoras, o que dificulta decidir. A doutrina dos números é possivelmente uma elaboração de Filolau, de quem restam fragmentos de livro, situado um século depois de Pitágoras.

O pitagorismo é um corpo doutrinário, com as características seguintes:

  • Dualismo corpo e espírito;
  • Complementaridade dos elementos, como finito e infinito, calor e frio, pleno e vazio, fogo e terra;
  • Retorno cíclico dos acontecimentos, inclusive dos espíritos;
  • Doutrina arquética dos números;
  • Prática de ritos de purificação.

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