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| "Já é vender a alma não saber contentá-la..." Albert Camus |
| O pensamento de Heidegger deve satisfazer certas necessidades ideológicas da Europa Contemporânea, corresponder certas tendências e fascinações, das quais foi expressão convulsiva e exaltada à crise fascista dos anos trinta. |
| Jorge Luis Gutiérrez |
Depois da escola primária(Volksshule), fez os estudos secundários em Constança Friburgo em Brisgam de l903 a l909, sendo que no último ano citado ele entra na Universidade de Friburgo, seguindo os cursos de filosofia e teologia e obtêm, em l9l3, o grau de doutor em filosofia. Em l914, alista-se, mas é dispensado por razões de saúde, após dois meses de vida militar. Nomeado Privadozent na Universidade de Friburgo l9l5, onde sucedeu ao antigo mestre, Husserl (l928). Em l933, assumiu a reitoria desta Universidade. Não mais deixou esta cidade, onde fixou residência até ao final de seus dias. Porém existe algo na história da vida desse filósofo que deixou espaço para questionamentos tais como: Foi Heidegger nazista? e a segunda: Qual a relação entre a filosofia de Heidegger e a ideologia nazista? O jornal Der Lemanhe, na sua edição do dia 03 de maio de l933, prova sua adesão ao partido nazista. Outros textos, como o serviço do trabalho (20/06/l933), o apelo em favor de Hitler de l2/ll/l933, não deixam margens para qualquer dúvida acerca da sua adesão, que não foi mera a concessão aos poderosos do momento. Embora a filosofia de Heidegger não fosse o nazismo, há ligações visíveis entre esta filosofia e o movimento geral da idéias e dos acontecimentos que geraram o nazismo. Porém, após a destruição do Estado Hitleriano, o pensamento de Heidegger conheceu um sucesso prodigioso, mesmo em países que nós poderíamos considerar pouco inclinados a acolhe-lo em virtude das suas origens. Tal fato nos leva a refletir. O pensamento de Heidegger deve satisfazer certas necessidades ideológicas da Europa Contemporânea, corresponder certas tendências e fascinações, das quais foi expressão convulsiva e exaltada à crise fascista dos anos trinta. Proibido de ensinar pelos aliados, entre l945 e l95l, Heidegger retorna as aulas em l95l, é nomeado professor honorário, no mesmo ano continuou a trabalhar até a morte, em 26/06/l976. O conhecimento do pensamento de Heidegger deve ajudar-nos a compreender, a interrogar e a criticar a nossa própria existência. Ao fazer uma abordagem sobre Deus, no pensamento de Heidegger, vale destacar, antes de qualquer coisa, que este Filósofo “em determinados aspectos do seu pensar, como metafísica, não demonstra nem ateísmo e muito menos ser teísta”. Sendo assim, não é tarefa fácil discorrer acerca de Deus em Heidegger, devido à complexidade da sua linha de raciocínio, que por sinal, não é apresentada de maneira sistematizada. Em suas reflexões a respeito do ser-aí, o ser e o sagrado, o alemão têm por objetivo elucidar o sentido da existência humana. Desta forma, o sagrado aparece no pensamento de Heidegger como que mais instrumento para refletir e esclarecer o porquê da existência do ser humano. E este sagrado por sua vez não recebe uma “conceituação” similar ao âmbito religioso. Aliás, para o pensador alemão o sagrado deixa-se conhecer no ambiente silencioso. O ambiente silencioso é como que uma definição a “destruição” dos conceitos ou teorias presentes na sociedade acerca de Deus, pois o sagrado não pode ser capturado nas categorias lógicas. Essas categorias lógicas segundo Heidegger estão inseridas na metafísica, que de certa forma apresenta respostas definitivas ou fechadas a respeito de Deus. Na compreensão do filósofo alemão uma abordagem do Divino nunca deve trazer um parecer decisivo pronto e inalterado. Ou seja, no pensamento sobre Deus precisa haver abertura para o novo. Além disso, a posição de Heidegger é que na própria reflexão em busca de conhecer Deus o ser humano pode se isentar do uso da linguagem representativa. Pois para ele a compreensão de Deus não se evidencia na capacidade de explicar o Divino via linguagem representativa, na qual todos têm acesso. Este conceito contrapõe-se a teoria científica que entende que o conhecimento é legitimado no ato de poder explicar a lógica do conhecido. Daí entende-se o porquê o pensador classifica a linguagem poética como uma linguagem autêntica, até mesmo por que para ele a “essência da poesia não é obra do homem, mas sim dom do ser. Na linguagem do poeta, não é o homem que fala, e sim a própria linguagem – e, nela, o ser”. Portanto, para Heidegger Deus só pode ser “explicado” na linguagem poética. Pois nela o homem se cala e quem fala é a própria linguagem e conseqüentemente o ser. E vale lembrar que na concepção do filósofo é no silêncio que Deus se revela. |
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Martim Heidegger nasceu no dia 26/09/l889 em Messkinch, Alemanha onde sua família já estava radicada há vários séculos. No que diz respeito a sua formação Universitária, Heidegger a concluiu na sua própria terra natal. 