Períodos da Filosofia Clássica 
| |
|
Período Pré-Socrático
| |
|
![]()

A escola atomista de Ábdera teve além de seus dois primeiros representantes, - Leucipo e Demócrito, - continuadores significativos em diferentes cidades da Grécia. Teve, além disto, a expressiva adesão da escola de Epicuro, porquanto este adotou a teoria atomista e sua ética pragmatista.
Metrodoro
Filósofo atomista grego, de Quios (ilha da costa jônica, Ásia Menor). Foi discípulo de Demócrito, diretamente, ou por intermédio de Nessos de Quios (vd. Diels-Kranz, Vorz. N. 69). É considerado o mais importante atomista após Demócrito, apesar de não ter conseguido maiores projeções para a escola a que pertenceu.
Desenvolveu temas gnosiológicos e que foram aproveitados pelo ceticismo pirrônico. Do livro de Metrodoro Sobre a natureza restam fragmentos e que são citados neste sentido.
Como atomista, retomou Metrodoro as proposições de Demócrito: a realidade constituída por átomos e vazio; átomos em número infinito; o espaço também infinito, bem como um número infinito de mundos. Voltou Metrodoro à idéia de Heráclito, de que o sol e as estrelas se apagam e volvem a acender todos dias a partir da água atmosférica sob os efeitos do calor (Pseudo-Plutarco, Stromáteis 11; Doxogr. 582). Nesta explicação não fica claro como os planetas poderiam receber sua luz do sol (Doxogr. 346).
O ceticismo já implícito em Demócrito se explicitou mais em Metrodoro. Tendo o anterior feito reservas à capacidade dos sentidos para aprenderem a verdade sobre os átomos, aos quais somente a inteligência alcançaria, passou Metrodoro a pôr dúvida também no resultado colhido pela inteligência.
Declara no começo do seu livro Sobre a natureza, aqui citado por Cícero: "Digo que nós não sabemos, se sabemos algo, ou se nada sabemos; que não sabemos sequer o que é saber, ou não é saber; que não sabemos absolutamente se existe alguma coisa, ou se nada existe" (Pr. Acad., II, 23, 73).
▲Topo ▲-----------------------------------------------------
Anarxaco 
É filósofo da escola atomista posterior, importante por causa de sua convivência com Pirro (D. L., IX, 63), ao qual transferiu a mentalidade de sua escola, quanto aos átomos e à tranquilidade como objetivo moral. Na informação de Diógenes Laércio, "nasceu em Ábdera, estudando sob Diógenes de Esmirna; outros dizem sob Metrodoro de Quios" (D. L., IX, 58).
Anota-se com destaque sua presença na corte de Alexandre e seus envolvimentos com um tirano de Chipre . Este o levou finalmente a um trucidamento cruel, durante o qual manteve a tranquilidade pregada por sua filosofia.
"Conviveu Anaxarco com Alexandre e floresceu na 110ª Olimpíada. Tornou-se inimigo de Nicocreon, tirano de Chipre. Certa vez, durante um banquete, perguntado por Alexandre, se estava gostando da festa, respondeu: Tudo, ó grande rei, está magnífico; somente falta uma coisa, a de que a cabeça de um sátrapa seja servida sobre a mesa, - diz voltado para Nicocreon, que nunca o esqueceu.
Quando, depois da morte do rei, Anaxarco teve de aportar, contra sua vontade em Chipre, ele o capturou e colocando-o num almofariz, ordenando que fosse amassado até a morte com a mão de pilão. Mas ele, sem se perturbar com o suplício, disse as conhecidas palavras:
- bate, bate o invólucro contendo Anaxarco; não bates Anaxarco.
E quando Nicocreon mandou que lhe cortassem a língua, diz-se que a mordeu cuspindo-a contra ele" (D. Laércio, IX, 59).
A ação pessoal de Anaxarco era notável e notada. "Por sua fortaleza e contentamento de vida, era chamado Felizardo, por causa de seu caráter impassível e tranquilidade de alma. Tinha por demais a capacidade de trazer alguém à correção. Os orgulhosos encontravam nele um censor cheio de sagacidade e delicadeza. Por exemplo, um dia deu uma lição indireta a Alexandre que se tinha por um Deus: vendo fluir sangue de uma ferimento que Ele se tinha feito, a apontou, dizendo:
- Este é verdadeiro sangue; não é aquele licor celestial que circula pelas veias dos Deuses [Homero, Ilíada, V, 340].
Plutarco diz que isto foi relatado por Alexandre aos seus amigos. Numa outra ocasião, passou a Alexandre a taça na qual acabava de beber, dizendo-lhe:
- Um Deus será afligido pela mão de um mortal (Euripedes, Orestes, V, 265)" (D. Laércio, IX, 60).
▲Topo ▲-----------------------------------------------------
Nausífanes
é filósofo grego da escola atomista, lembrado por ter sido discípulo de Pirro e mestre de Epicuro. Este último, por seu através, se ligou ao atomismo, e por Pirro ao ceticismo. As informações sobre Nausífanes nos são dadas por isso mesmo em função à biografias de Pirro e Epicuro da autoria de Diógenes Laércio.
Cronologicamente, Nausífanes é jovem em relação a Pirro, do qual , como se disse, foi discípulo (D. L., IX, 69). Admirava-o pelo modo de conduzir as discussões e que por ter privado de sua companhia, pudera depois informar a Epicuro, quando este perguntava a respeito de Pirro (D. L., IX, 64). Na declaração de que Nausífanes foi discípulo de Pirro, acrescenta-se que por sua vez Nausífanes foi mestre de Epicuro:
"Entre os discípulos de Pirro se incluem Hecateu de Ábdera, Timon de Flius, e também Nausífanes de Teos, dito por alguns ter sido o mestre de Epicuro" (D. L., IX, 69). Na biografia de Epicuro, entretanto, se mostra haver ocorrido um certo deterioramento nas relações do mestre com o discípulo, o que talvez tenha ocorrido por causa da vida dissipada deste. Citando a Timócrates, diz Diógenes Laércio:
"Epicuro em seus 37 livros Sobre a natureza é repetitivo e escreve contra os demais filósofos, especialmente contra Nausífanes, e aqui estão suas próprias palavras: teve este, mais que outros, jactância sofística, tal como a dos escravos. Além disto, dizia em suas cartas, que Nausífanes se excedera, dizendo ter sido seu mestre. Chama-o ainda de estúpido, iletrado, prostituta" (D. L., IX, 7-8).
Citando já outra fonte: "Apolodoro em sua Cronologia nos diz, que nosso filósofo (Epicuro) foi discípulo de Nausífanes e Praxífanes; mas em sua carta a Euríloco o mesmo Epicuro o nega e diz que aprendi por mim mesmo" (D. L., X, 13).
O certo é que Nausífanes viveu no círculo em que se encontrava Epicuro, o qual terá conhecido o atomismo, que adota, através deste atomista. Escreveu Nausífanes obras que se perderam. Ao se dizer que Pirro nada escreveu, mas que seus discípulos o fizeram, é lembrado Nausífanes, juntamente com Timo, Enesidemo, Numênio (DL IX, 102).
Sua obra intitula-se Trípode, conforme informação de Diógenes Laércio: "Ariston diz em sua Vida de Epicuro que ele redigiu sua obra O cânon, derivando-a de Trípode de Nausífanes, de quem tinha sido discípulo, como também do platônico Pânfilo em Samos" (D. L., X, 14).
▲Topo ▲-----------------------------------------------------

