Períodos da Filosofia Clássica 
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Período Pré-Socrático
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A comunidade pitagórica de Crotona, Itália, foi a primeira organização no Ocidente, com as formas orientais de religião e prática intensa de ritos de purificação. Outras organizações religiosas viriam a se formar mais tarde no Ocidente, sobretudo as cristãs, beneditinas e agostinianas, inspiradas nas ordens monásticas do Oriente, onde seu notável organizador foi São Basílio 331-379 d.e.c..
Rapidamente cresceu a ciência e a filosofia nos meios pitagóricos. A escola de Pitágoras "foi sementeira de muitos homens famosos por causa de suas virtudes, por exemplo, Zaleuco e Carondo, ambos legisladores. Não menosprezava nenhuma oportunidade para fazer amigos. Bastava-lhe saber que algum tinha com ele comunidade de símbolos, para que logo dele se fazer companheiro e amigo" (D. Laércio, VIII. 16).
"Sua escola durou ao menos nove ou dez gerações, porque Aristóxeno conheceu os últimos pitagóricos, Xenófilo de Cálcis na Trácia, Fanton, Exécrates, Diócles e Polimnesto, todos de Flionte [Peloponeso]. Estes filósofos foram discípulos dos tarentinos Filolau e Eurito" (D. L., VIII, 46).
"A escola pitagórica se estabeleceu em Metaponte e ali ela durou muito tempo" (Clemente de Alexandria, Strômata, 1, 63).
Contudo a crença em inspirações sobrenaturais, atribuíram à Pitágoras grande autoridade, devendo os seus discípulos somente ouvi-lo. Até mesmo as doutrinas eram consideradas secretas, não devendo ser simplesmente divulgadas à massa popular.
Alguns pitagóricos posteriores superarão as restrições misticistas. Contudo estes pitagóricos conservaram alguns radicalismos da escola, como por exemplo o rijo dualismo entre espírito e matéria, bem como o inatismo das idéias. Como se sabe, este modo de pensar prosperou com o platonismo e mesmo nos primeiros pensadores cristãos.
Por atração da personalidade mágica de Pitágoras os discípulos se multiplicaram. De modo semelhante aos fundadores de religião, foi capaz de influenciar as mentes e se situar como centro de atração. Certamente já houvera feito discípulos ao tempo em que visitou as cidades jônicas da Ásia Menor, onde já de algum tempo florescia a ciência e a filosofia. Também suas viagens ao Egito e possivelmente ao Oriente lhe permitiram conhecer os mistérios praticados pelas religiões, consolidando os crentes de em seu torno, vindo a comunidade de Crotona ter um crescendo contínuo.
Algumas versões anedóticas ilustram a magia da personalidade do mestre Pitágoras: "Hermipo conta a seguinte anedota: Quando Pitágoras chegou à Itália, fechou-se em um subterrâneo, e recomendou à sua mãe, que ela escrevesse sobre umas tabuinhas todos os acontecimentos, com a indicação do exato tempo.
Depois de muito tempo reapareceu Pitágoras sujo e enfraquecido, apresentando-se ante a assembléia do povo, como tendo vindo do Inferno e contando tudo o que havia acontecido durante sua ausência. Este discurso de tal modo impressionou aos ouvintes, que eles choravam de emoção e derramavam lágrimas, convencidos que Pitágoras era efetivamente um homem divino. Também queriam que ele tomasse sobre si a instrução de suas mulheres, e por isso se criou o nome de pitagóricas, dada a estas últimas" (D. Laércio, VIII, 40).
Merece atenção o interesse pela educação feminina, cujo começo já acontecia em algumas cidades gregas. Em Esparta ela evoluíra por exemplo mais rapidamente que em Atenas. Platão, ao retornar da Itália, advertiu para a mesma, admitindo o ingresso de mulheres na Academia, que então fundara. "Pitágoras despertou tal admiração, que os discípulos acreditavam em suas sentenças, como palavras de Deus. Em seus escritos, ele mesmo declarou, que ficara duzentos anos no Inferno, antes de chegar aos homens. Os habitantes de Lucânia, de Ancona, de Otranto e de Roma correram a ele e atendiam às suas prédicas.
Contudo as doutrinas pitagóricas haviam permanecido em segredo, até que Filolau deu publicidade a estes famosos livros, os quais Platão comprou, sob encomenda, de um amigo, pelo preço de cem minas. Os aprendizes, que vinham à noite para ouvir suas lições nunca eram menos de seiscentos, e quando alguém era aceito para vê-lo, isto era uma grande honra comunicada por carta aos amigos" (D. L., VIII, 15).
A comunidade pitagórica praticava a comunhão dos bens e o silêncio respeitoso diante do mestre. "Ele [Pitágoras] foi o primeiro, - informa Timeu, - que disse dever tudo ser comum entre os amigos, e que a amizade é uma espécie de igualdade. Seus discípulos juntaram todos os seus bens, para usufruí-los em comum. Durante cinco anos silenciosamente, os iniciantes somente o ouviam; a eles não era permitido conviver com Pitágoras, até quanto esta prova estivesse concluída" (D. L., VII.12).
Por alguns era considerado Deus: "Diz-se que ele era extraordinariamente belo e que seus discípulos o supunham ser Apolo Hiperbóreo. Diz-se também, que certo dia, estando ele nu, alguns viram que sua coxa era de ouro. Muitos asseveram, que o rio Neso recebeu dele este nome, enquanto ele o atravessava" (D. L., VIII, 13).
Alcmeon de Crotona 
520 – 450 a.e.c. - Foi um dos principais discípulos de Pitágoras e de primeira hora. Floresceu quando o mestre já estava idoso, e portanto na volta dos anos 400 a.e.c. Não é o mesmo Álcmeon, filho de Anfiaro, citado por Ovídio.
Havendo estudado a natureza como físico e como médico, foi talvez o primeiro a praticar a pesquisa pela dissecação dos corpos e a aventurar-se a fazer uma operação nos olhos. Infere de suas experiências, que no cérebro está a sede do pensamento. Muito pouco resta de suas obras e poucas são as informações doxográficas. Praticou a medicina, a física, bem como a filosofia em geral, advertindo para a doutrina dos contrários, típicas do pitagorismo, as quais todavia têm origem, em última instância no orfismo de procedência oriental.
Tais notícias chegaram através de Diógenes Laércio: ‘’Alcmeon de Cortona outro discípulo de Pitágoras. Havendo cultivado a medicina, abordou algumas vezes a física, como quando diz por exemplo, - "A maior parte dos coisas humanas são duplas".
Parece [continua Diógenes Laércio] como diz Favorino, em Histórias diversas, que foi o primeiro a escrever um Tratado sobre a natureza, e ensinava que a natureza da Lua deve permanecer eternamente igual a que tem atualmente.
Ele é filho de Pirito, como ele mesmo diz no começo de sua obra: ‘Alcmeon de Crotona, filho de Pirito a Brontino, Leonte e Batilo. Os deuses têm um conhecimento perfeito dos segredos da natureza e de tudo que é mortal. Os homens somente podem fazer conjeturas, assim por diante ‘ [Frag. 1].
Ele disse também que a alma é imortal e que se movia sem cessar como o Sol
"Álcmeon de Crotona, filho de Perito, foi quem primeiro escreveu sobre a natureza. Outros dizem, que o primeiro autor do livro foi Anaxágoras de Clasomene" (Clemente de Alexandria, Strômata, I, 78).
O caráter pitagórico de Álcmeon se manifesta na doutrina dos contrários. Ainda que não tenha conduzido a estes a características precisas, como farão os pitagóricos ulteriores, a importância esta na antiguidade destes seus pontos de vista. Dos pitagóricos tomou a doutrina dos opostos (bom e mau, doce e amargo, etc.); ou inversamente dele a tomaram os pitagóricos.
Aristóteles, depois de expor esta doutrina dos contrários em nome dos pitagóricos, declara: "Sensivelmente a mesma parece a doutrina de Álcmeon, seja porque este as recebeu dos pitagóricos, ou estes últimos, de Álcmeon, porque ele floresceu ao tempo da velhice de Pitágoras, e as doutrinas que professaram são quase idênticas" (Arist., Metaf., 986a28).
No contexto pitagórico Álcmeon definiu a saúde como o equilíbrio dos contrários, e a supremacia de um dos dois a causa da doença [frag. 4.].
Comentou ainda Aristóteles a respeito de Álcmeon: "Ele diz, com efeito, que a maior parte das coisas humanas vão em dois, designando contrários, tomados ao azar, e não contrários definidos como aqueles dos pitagóricos, por exemplo o branco e o preto, o doce e o amargo, o bem e o mal, o grande e o pequeno. Assim, pois, este filósofos emitiu idéias imprecisas sobre o resto [sobre os números e contrários], enquanto que os pitagóricos explicaram claramente os números e os contrários" (Met., 986a 30-32).
Sobre o homem disse ainda Álcmeon:
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"Os homens morrem, porque não podem unir o princípio ao fim" (Frag. 2).
"O homem distingue-se dos demais [seres] por ser o único que compreende, pois todos os outros percebem, mas não compreendem"(Frag. 2a).
"Mais fácil é proteger-se de um homem inimigo, do que de um amigo" (Frag. 5).
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Filolau de Crotona 
O Pensamento de Filolau | A Doutrina dos Números de Filolau
Séc. V a.e.c. - Foi discípulo de Lisis, este por sua vez de Pitágoras. Viveu no final do século 5-o.a.C., como indicado, e foi contemporâneo mais velho de Sócrates 469-399 a.e.c. A informação de que vivera em Tebas se funda no diálogo de Platão. O assunto é órfico, portanto pitagórico, sobre a alma, o prazer, a dor, a morte, o suicídio. Então Cebes, pitagórico daquela cidade, é perguntado por Sócrates:
"Então, Cebes, acaso tu e Símias já não ouvistes sobre estes assuntos, porquanto vós vivestes tanto tempo com Filolau?" (Fédon, 61, d).
Um pouco depois, Cebes complementa: "Eu mesmo efetivamente já escutei a Filolau dizendo, no tempo quando ele viveu entre nós, que tal coisa era um grande mal" (Fédon, 61 e).
A partir dali se induz que Filolau houvera estado algum tempo em Tebas, cidade da Grécia central, antiga capital da Beócia. O Fedon é um diálogo do período de transição doutrinária de Platão, de entre os anos 390-365 a.e.c.
A função de Filolau como mestre que consolida o pitagorismo na Grécia foi anotada por Diógenes Laércio, o qual, após arrolar os nomes dos últimos pitagóricos, acrescenta: "Estes filósofos eram discípulos de Filolau e Eurito de Tarento" (D. L., VIII, 46).
O retorno de Filolau ao Ocidente ocorreu talvez na passagem do século, pela volta do ano que morria Sócrates 399 a.e.c. No contexto de Platão Filolau se encontrava de novo na Itália, porquanto ali encomendara suas obras. Dispersivamente informou Diógenes Laércio sobre as obras de Filolau, ao mesmo tempo que se referiu à compra que Platão fizer das mesmas:
"Filolau de Crotona é pitagórico. Dele são os livros, cuja compra Platão encomendou por carta a Díon. [...] Havia escrito uma obra que Platão, segundo diz um escritor citado por Hermipo, ele escreveu um livro, que Platão, durante sua estadia em Sicília junto a Dionísio, comprou por 40 minas alexandrinas de prata aos pais de Filolau, do qual ele obteve elementos para seu Timeu.
Outros dizem, que Platão recebeu estas obra de um jovem discípulo de Filolau, o qual a obsequiava como agradecimento por havê-lo libertado junto a Dionísio. Também diz Demétrio em seus Homônimos, que Filolau é o primeiro pitagórico, que escreveu uma tratado Sobre a natureza. Assim dizia este livro: A natureza (o cosmo e tudo nele contido) formam um todo harmônico, composição de finito e infinito" (Frag. 1, em D. L., VIII, 85).
Com referência a Dion e as obras pitagóricas adquiridas por Platão, se encontra ainda uma referência meramente contextual no informe no qual Diógenes Laércio se ocupa ao biografar ao mesmo Platão: "Dizem alguns autores, entre eles Sátiro, que [Platão] escreveu a Dion, à Sicília, pedindo que lhe comprasse (de Filolaus?) três obras pitagóricas por cem minas. Estava então em opulência. Assegura Onetor, na obra entitulada, Se o sábio pode enriquecer-se, que havia recebido de Dionísio mais de oitenta talentos" (D. L., III, 9).
Alguma nova luz sobre a época de sua vida como sua personalidade revelam os recém descobertos extratos dos Iatrika de Menon, entre os quais se encontra um grande fragmento de conteúdo médico de Filolau, a base do qual H. Diels deduziu que, pelo menos em medicina, era um eclético sem originalidade, tributário do sofista Pródico, do qual caberia deduzir, por sua vez, que não era mais velho senão mais jovem que Sócrates (Hermes 28,1893, p. 417)" (Windelband, Hist. da filosofia antiga, n. 24).
Morreu Filolau por razões políticas, como se depreende de uma afirmação isolada. "Morreu suspeito de querer a tirania" (D. L., VIII, 84). Mas a afirmação de Diógenes Laércio poderá ser um equívoco, porquanto o morto poderá ter sido Dion antes mencionado pelo texto, o qual efetivamente o fora por tal razão.
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O pensamento de Filolau - importa sobretudo, porque numa fase posterior desenvolveu novas idéias, devendo-lhe o pitagorismo parte considerável sobre a doutrina dos números como elementos constitutivos das coisas, dos números como arquétipos, bem como ainda as noções sobre harmonia.
Um informe, oferecido no curso da biografia de Pitágoras refere: "As doutrinas pitagóricas permaneceram secretas, até que Filolau publicou estes três famosos livros, os quais Platão adquiriu de um amigo pelo preço de cem minas" (D. L., VIII, 15).
Perdida a obra a obra de Filolau, restaram alguns fragmentos citados por Estobeu, Jâmblico, Teo de Esmirna, Clemente de Alexandria, Macróbio, Nicômaco, Diógenes Laércio. Sobre medicina Filolau aceitou e reproduziu sem originalidade, - como já se adiantou, - os conceitos do sofista Pródico. Eis uma conclusão extraída do livro Iatrika (Sobre medicina), de Menon, reencontrado no séc. XIX d.e.c. e citando um fragmento de Filolau.
Do fragmento se depreendeu que Filolau depende de Pródico, o que também prova haver sido contemporâneo mais novo de Sócrates. "Acreditava que todas as coisas vêm da necessidade e da harmonia. Foi o primeiro em ensinar que a Terra tem movimento de rotação sobre si mesma; outros atribuem a primazia deste descobrimento a Hicetas de Siracusa" (D. Laércio, VIII, 85).
O pensamento de Filolau põe em destaque os contrários, e entre estes sobretudo o finito, ou limitado, conforme é peculiar à doutrina dos pitagóricos. Um importante texto de Aristóteles sobre a doutrina dos contrários, defendida pelos pitagóricos, menciona nominalmente apenas um pitagórico mais antigo, Álcmeon de Crotona (Física 213b 22. Todavia é a mesma doutrina que exporá Filolau, segundo outros textos, quer fragmentos, quer doxografias.
Um deles é o já citado: "A natureza (o cosmo e tudo nele contido) formam um todo harmônico, composição de finito e infinito" (Frag. 1, em D. L., VIII, 85).
O fragmento seguinte: "Necessariamente todas as coisas deve ser, ou limitadas ou ilimitadas, ou tanto limitadas como ilimitadas. Tão só limitadas (ou apenas limitadas) não podem ser. Portanto, como evidentemente não são na totalidade nem do limitado, nem do ilimitado, é claro então que do limitado e do não limitado o cosmos e as coisas (existentes) nele são constituídas. Evidenciam-no também as (coisas que são) nos atos, pois delas as (constituídas) de (elementos) limitados são limitadas, as de (elementos), limitados e ilimitados são limitadas e ilimitadas, e as de (elementos) ilimitados mostram-se ilimitadas" (Frag. 2, em Estobeu, Eclogas I, 21 7 a).
Referência doxográfica: "O pitagórico Filolau afirma o limitado e ilimitado como princípio" (Aécio I, 3, 10).
Não há só o infinito: "Se tudo fosse ilimitado, não haveria em princípio objeto para ser conhecido" (Frag. 3, em Jâmblico, Nicômaco, p. 7, 24).
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A doutrina dos números de Filolau - Uma das geradoras principais do que os pitagóricos desenvolveram neste sentido
Primeiramente se destaca a afirmação geral: "E de fato, tudo o que se conhece, tem número. Impossível é pensar, ou conhecer, sem ele" (Frag. 4 de Filolau, em Estobeu, Éclogas, I, 21 7 a).
"A unidade [o um] é o princípio de todas as coisas" (Frag. 8 de Filolau, em Jâmblico, Nicômaco, p. 77,9).
Os números estão na essência das coisas, dispondo-se em par, ímpar, par-ímpar, em consequência formando a harmonia, de acordo com suas diversas combinações. "Tem o número duas formas particulares: ímpar e par. E uma terceira decorrente da mistura de ambas: par-ímpar. Cada uma das formas apresenta muitos aspectos, que por si cada coisa revela" (Frag. 5, de Filolau, em Estobeu, Éclogas, I, 21, 7 c).
O Frag. 11 de Filolau, encontrado em Teo de Esmirna, mostra quanto o pitagórico de Crotona se alongou em detalhes de sua teoria dos números como elementos compositivos das coisas: "Há que julgar as atividades e a essência do número pela potência havida no dez. Ele é grande, tudo cumpre, tudo efetua. É princípio da vida divina e celeste, como também da humana. Sem ele, todas as coisas restam ilimitadas, obscuras, imperceptíveis.
A natureza do número é a causa do conhecimento. É capaz de dirigir e instruir todo homem, quando qualquer coisa é duvidosa e ignorada. Se não houvesse número e sua essência, nenhuma das coisas seria evidente, nem a si mesma, nem na relação entre si. Efetivamente, o número ao harmonizar na alma as coisas com a percepção, as torna inteligíveis, relacionadas entre si, de acordo com a medida dos gnômon, revelando o corpo das coisas e suas relações, tanto para as ilimitadas como para as limitadas.
Constata-se a natureza do número como também sua potente atividade, tanto nas coisas acima da natureza e divinas, como ainda em todos os atos e palavras dos seres humanos, em qualquer parte, em todas as criações técnicas e na música. A natureza do número e da harmonia não acolhe nenhuma falsidade, por não lhes ser própria. A falsidade e a inveja são do ilimitado, do insensato, do irracional.
O número não insinua de maneira nenhuma a falsidade., porquanto é própria e inata a verdade" (Frag.11, em Teo de Esmirna, 106, 10). A partir da combinação dos números desenvolveu Filolau, juntamente com os pitagóricos em geral, uma teoria da harmonia, ou seja, da escala musical. Neste sentido resta o frag. 6, relativamente longo, por citação de Estobeu (Éclogas, I, 21 7 d) (vd ).
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Hipaso de Metaponte 
Séc. V a.e.c. Foi contemporâneo de Filolau. É considerado fundador da seita dos acusmáticos, distinta da dos matemáticos. Mas não se sabe, se também ele veio à Grécia continental. Fez-se conhecido por causa de um episódio disciplinar. Conforme a versão de Ecfanto, revelou Hipaso um segredo matemático. Em consequência foi expulso da comunidade pitagórica e atirado ao mar (Jâmblico, Vida de Pitágoras, 88).
"E eles [os matemáticos] surgiram a partir destes, enquanto que os outros [os acusmáticos] a partir daqueles.
A cerca de Hípaso se conta que era pitagórico, mas que, por haver publicado por escrito pela vez primeira a constituição da esfera dos doze pentágonos, pereceu no mar, em vista do sacrilégio cometido. E recolheu a fama de ser; o descobridor, ainda que tudo era daquele varão (como se chamava a Pitágoras e; não com o seu nome).
O ensino matemático progrediu depois que publicaram as suas obras os que mais a promoveram, Teodoro de Cirene e Hipócrates de Quios. Dizem os pitagóricos que o ensino da matemática foi tornada pública deste modo: um dos pitagóricos perdeu a sua fortuna, e, como lhe aconteceu isto [esta desgraça], lhe foi permitido lucrar com a geometria" (Jâmblico, De comuni mathematica scientia 77, 17-25a 78, 1-4).
Sobre o conteúdo doutrinário de Hípaso informou Diógenes Laércio: "Hípaso de Metaponte foi outro pitagórico. Ensinou que o mundo tem mudanças periódicas, cuja duração está determinada; que o universo é infinito e está sempre em movimento. De acordo com Demétrio em sua obra Homônimos nada deixou escrito" (D. L., VIII, 84).
Destacou, à semelhança de Heráclito, o fogo como principal elemento da natureza, segundo as informações de Aristóteles (Metafísica, 1,3. 984a 5; Simplício, Física, 23,33). Introduziu portanto no pitagorismo novas idéias, como aliás também o fizeram outros. Hípaso, como Ecfanto, foi ainda astrônomo. Afirmaram ambos, como também Filolau, a rotação da terra em torno de seu próprio eixo.
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Árquitas de Tarento 
Séc. V - IV a.e.c. Foi pitagórico já muito depois do desaparecimento da primeira comunidade de Crotona. Dedicou-se à filosofia, matemática e música. Foi de grande influência em seu tempo, por causa de sua condição de homem de Estado, eleito sete vezes general de sua cidade. Livrou a Platão das dificuldades que o haviam indisposto com o rei Dionisio de Siracusa.
Tais informes foram transmitidos por Diógenes Laércio: "Árquitas de Tarento, filho de Neságoras, ou de Estico, segundo Aristóxenes, era também pitagórico. Foi ele quem, mediante uma carta que escreveu a Dionísio, salvou a vida a Platão, a quem o tirano havia resolvido matar. Eminente em todas as suas virtudes, havia despertado de tal maneira a admiração geral, que seus concidadãos lhe conferiram sete vezes seguidas o título de general, contrariando a lei que proibia exercer mais de um ano tais funções. Platão lhe escreveu duas cartas, tendo sido entretanto Árquitas que lhe escreveu primeiramente" (D. L., VIII, 78).
Houvera Platão vindo duas vezes de Atenas às cidades gregas do sul da Itália. Já antes da fundação da Academia em 387 a.C. estivera em Siracusa, quando se intrometeu em assuntos políticos, sendo preso por Dionísio o Grande, ou o Velho, e entregue ao piloto de um navio, para ser vendido como escravo. Desta vez o pitagórico Aniceris o adquiriu, dando-lhe a liberdade, havendo a seguir fundado a Academia em Atenas.
Muitos anos depois, em 361 a.e.c., quando o rei era Dionísio o Jovem, de novo Platão se envolveu em questões políticas de Siracusa, então em favor de Dion. Sem sucesso, Platão sofreu uma segunda prisão. Foi nesta oportunidade que ocorreu a interferência bem sucedida de Árquitas de Tarento.
As duas cartas de Platão, - a que se refere Diógenes Laércio, que inclusive lhes dá o texto, aliás pequeno (D. Laércio, VIII, 79), - são hoje consideradas apócrifas.
Continua a informação de Diógenes Laércio: "Quanto ao pitagórico [Árquitas de Tarento], diz Aristóxeno que, durante todo o tempo em que foi general, jamais foi vencido; porém havendo-se-lhe, por inveja, obrigado a renunciar, foram surpreendidos os soldados" (D. L., VIII, 81)
E ainda sobre o seu saber: "Foi o primeiro que aplicou a; matemática à ;mecânica e o primeiro também que deu impulso metódico à geometria descritiva, buscando nas secções do semi-cilindro a média proporcional que permite encontrar o duplo de um cubo dado. É, por último, o primeiro, segundo Platão, em sua República [528 b] a medida geométrica do cubo" (D. L., VIII, 81).
Para alcançar fama, como matemático, teriam sido suficientes suas descobertas sobre o cubo; mas ele fez mais, porquanto também calculou a harmonia musical. Atribuem-se ainda a Árquitas de Tarento várias obras, com certeza sobretudo de Ciência matemática e de Harmonia. Possivelmente escreveu sobre mecânica. Restam somente fragmentos sobre matemática e harmonia musical. Como Filolau de Crotona, contribuiu Árquitas de Tarento, para o desenvolvimento teórico da música, que se dera nos meios pitagóricos.
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Lísis de Tarento 
Contemporâneo de Pitágoras, salvou-se quando do ataque à comunidade pitagórica de Crotona (D. L., VIII, 39). É possível que houvesse influenciado a Filolau, que lhe é mais recente. Transferindo-se para Tebas , ali foi o principal pitagórico, autor de livros e mestre do já citado Epaminondas, o general que deu projeção àquela cidade.
"Quanto à obra que hoje se atribui [ à Pitágoras], esta é de Lísis de Tarento, filósofo pitagórico, que, refugiado em Tebas, foi aqui mestre de Epaminondas" (D. Laércio, VIII, 7) (cf. Jâmblico, Vida de Pitágoras,185; Atenágoras, 5 p.5, 15).
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Eurito de Crotona 
(segundo Jâmblico, Vida de Pitágoras 148), ou Eurito de Tarento (segundo Diógenes Laércio, VIII, 46), foi discípulo de Lisis e também de Filolau. Atuou no séc IV a.e.c., quando portanto morria Sócrates (399 a.e.c.) e não demora a criação da Academia de Platão (387 a.e.c., amigo dos pitagóricos.
Foi Eurito, juntamente com Filolau, mestre dos últimos pitagóricos (D. L., VIII, 46). Conhecido de Aristóteles, este se refere aos conceitos de Eurito, sobre a maneira como os números são causas ou princípios da substância (Metafísica, 1092b 8).
As informações encaminhadas por Aristóteles sobre este assunto, serão logo complementadas Teofrasto, Nicômaco de Gerasa, Teon de Esmirna, finalmente pelos doxógrafos mais recentes. As considerações pitagóricas sobre os números assumiram o gosto dos matemáticos subtis no jogo das relações. Mas, - como considera Aristóteles, - isto tudo não pode ser confundido com a matéria e a essência das coisas. O Mestre do Liceu, ao examinar longamente a questão dos contrários, do par e do ímpar, e dizendo que os platônicos e Empédocles de Agrigento não dão resposta aos problemas suscitados, ponderou:
"Não se definiu de que maneira os números são as causas das substâncias e do ser. Seria como se fossem os limites, a maneira como os pontos determinam as grandezas?
Teria sido assim que Eurito fixou um número para cada coisa, por exemplo, um para o homem, outro para o cavalo, imitando a configuração dos seres vivos nas figuras do triângulo e do quadrado? Ou então o número seria causa, porque o acorde musical é uma numeração numérica, e porque o homem e cada outra coisa são semelhantemente também relações numéricas? Mas, então, como é que as qualidade, o branco, o doce, o frio, seriam números?" (Arist., Metafísica, 14,5. 1082b 8- 17).
Disse também Os. Alexandre ter sido método de Eurito exprimir uma figura pelo número correspondente. Por exemplo, a do homem pelo número 250 (Ps. Alexandre, 826, 35). O número das coisas era obtido pela contagem das pedrinhas necessárias para contornar das respectivas figuras.
Sobre os métodos de Eurito se ocupou também Teofrasto (Metaf., 6 a 15).
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Clínias de Tarento 
Ficou conhecido por causa do episódio de Platão, o qual quisera queimar os livros do atomista Demócrito: "Narra Aristóxeno, em Comentários históricos, que Platão intencionou queimar os escritos de Demócrito. Os pitagóricos; Amiclas e Clínias o impediram, esclarecendo que ele nada ganharia com aquilo, porque eles já estavam muito difundidos" (D. L., IX, 40).
Ainda na Itália se mencionam pitagóricos, cujos nomes não desapareceram inteiramente no tumulto da história. Ocelo de Lucânia é um destes nomes. Todavia os escritos que se lhe atribuem são na verdade apócrifos. Em Régio, no Sul da Itália, existiu uma liga pitagórica, com algum tempo de duração. Mas nenhum dos seus representantes se destacou.
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Grécia Continental 
Na Grécia Continental operou primeiramente o grupo de pitagóricos de Tebas. O grupo remonta ao tempo de Lisis de Tarento, um remanescente de quando, por volta do ano 500 a.e.c. a população revoltada pusera fim à comunidade pitagórica de Crotona. Em Tebas teve Lisis um destacado discípulo, - Epaminondas, - o general que construiu a breve, mas brilhante hegemonia de Tebas, quando da vitória sobre os espartanos em 379 a.e.c. Ainda de Lisis fora discípulo Eurito de Crotona.
Também Filolau de Crotona, quando por algum tempo em Tebas (talvez até 410 a.e.c.), fez ali alguns discípulos, entre outros Cebes e Símias. O renome de Cebes e Símias, ambos de Tebas, está em haverem sido contemporâneos de Platão e haver este os tornado interlocutores no importante diálogo, denominado Fedon. Ali se diz haverem sido discípulos de Filolau, enquanto discutem com Sócrates sobre a questão do suicídio e temas similares.
Na península do Peloponeso, de língua dórica, a mesma da Itália, formou-se um grupo pitagórico em Flius. Diógenes Laércio, apesar de sempre minucioso, não citando os nomes de Tebas, menciona um pitagórico da Trácia (Norte da Grécia) e a seguir uma lista de quatro pitagóricos de Flius, como sendo os últimos.
"A escola [de Pitágoras] durou até a nova ou décima geração. Os últimos pitagóricos, que Aristóxeno em seu tempo conheceu, foram Xenófilo Calcidiense da Trácia, Fanto de Flius, e Exécrates, Diocles e Polimnesto, também de Flius, que foram discípulos de Filolaus e Eurito de Tarento" (D. L., VIII, 46). Xenófilo não é nome de todo desconhecido (vd Val. Max VIII, 13 ext. 3; e em Suidas s.v.; Jâmblico, Vida de Pitágoras, 251, 267. Idem para os demais. Exécrates foi também citado por Platão, Fedon, 88 d). Exécrates foi citado por Platão (Fedro 88 d.). Outros e outros pitagóricos se fizeram conhecer pelo mundo helênico.
Na Grécia Timeu de Lócrida é um pitagórico místico. A obra que se lhe atribuiu Sobre a alma do mundo, talvez não passe de um extrato posterior do Timeu de Platão, todavia acrescido de elementos estóicos e peripatéticos. Usualmente se tem impresso juntamente com as obras de Platão. Depois destes chamados últimos pitagóricos, o movimento continua influenciando sobretudo a Academia platônica e ainda sob a denominação de neopitagorismo.
Como foi dito, uma parte das influências pitagóricas se canalizou para dentro da Academia de Platão, prosseguindo pois as tendências do mesmo fundador. A mística pitagórica dos números, os temas morais e religiosos crescem nos representes da assim chama Velha Academia.
A direção da Academia houvera passado primeiramente a Espeusipo (+ 339 a.e.c.) sucedido por Xenócrates de Calcedônia, que já havia acompanhado a Platão em sua terceira viagem à Sicília. Durante esta última viagem de Platão ficara a Academia sob a direção de Heráclides (de Heracléia) do Ponto. Este, ao retornar à sua pátria, ali criou também escola, que presidiu até 330 a.e.c. Conhecedor das doutrinas pitagóricas, platônicas e aristotélicas, foi escritor produtivo. Em um de seus livros mencionou a figura de Ecfanto.
No relacionamento da Academia de Platão com os pitagóricos destacou-se sobretudo Árquitas de Tarento, o qual, num sentido amplo se pode dizer integrante mental da mesma.
Proro foi pitagórico de Cirene, conhecida cidade grega da África, da costa mediterrânea, não longe de Alexandria. Com Proro estão relacionados Amiclas e Clínias de Tarento (Jâmblico, Vida de Pitágoras, 127). Foi sobretudo na África de Alexandria que o pitagorismo resistiu ao tempo, vindo a ser finalmente o neopitagorismo.
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