Períodos da Filosofia Clássica 
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Período Pré-Socrático
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Político, filósofo, médico, místico e poeta grego, nascido em Acragas, hoje Agrigento, na Sicília, cidade colonial grega no litoral sul da Sicília, então parte da Magna Grécia, no Mar Mediterrâneo, um dos notáveis defensores da teoria da constituição da matéria de Pitágoras, um profundo teórico da evolução dos seres vivos e considerado o primeiro sanitarista da história. Primeiro filósofo nascido no Ocidente, para estabelecer um compromisso entre a doutrina eleática e a evidência comum dos sentidos, adotou todos os pontos até então considerados básicos e acrescentou-lhes um quarto, chamando-os de raízes das coisas, rizomata, que Aristóteles mais tarde os denominou de elementos. Substituiu, pois, a busca dos jônicos de um único princípio das coisas para interpretação do universo pelo de que "todos os fenômenos da natureza são resultado da mistura de quatro elementos: água, fogo, ar e terra".
Na sua concepção cosmológica com essas quatro substâncias, elas se uniriam sob a força de algo que os misturasse das várias formas. Para que isso ocorresse teorizou os seus dois princípios: o amor como fator de união, e o influxo do ódio para a divisão. Já Anaxímenes considerara o ar como substancial, mas foi o cientista de Agrigento que provou sua existência material, através de experimentos envolvendo relógios de água, e o denominou de éter. Os mananciais e os vulcões seriam provas da existência de água e fogo no interior da Terra. Sob a influência eleática conceituou que as substâncias elementares seriam eternas e imutáveis e que não poderiam ser explicadas de outra maneira.
Este princípio continua sendo empregado pela ciência até os dias de hoje, sem muita ênfase mas com ar de resignação. Em resumo o materialismo eleático afirmava o seguinte: "o que é, é; nada pode surgir do que não é, bem como o que é não pode converter-se em nada". Visto na antiguidade como profeta e mago, em Carme Lustralapresentava-se como um profeta e mensageiro e foi também poeta, orador, além de competente médico. Como cientista seus conhecimentos foram notáveis em várias áreas do conhecimento em sua época.
Ele descobriu, embora não se saiba como, que a luz requer tempo para se propagar e que a luz da Lua seria indireta. Do médico e pitagórico Alcmeão de
Crotona, assumiu a teoria de que a saúde era um equilíbrio próprio entre componentes opostos, e que a doença manifestava-se quando um deles prevalecesse. Defendeu a teoria dos poros como passagens respiratórias do corpo, e a da visão como o encontro de um raio que emanava dos próprios olhos sobre as efluências do objeto.
Como administrador notabilizou-se por suas pioneiras idéias sanitaristas e ambientais nas comunidades urbanas. Mandou construir sistemas de drenagem em várias localidades do mundo grego e, inclusive conseguiu deter uma epidemia de malária em Salinonto, acontecimento que mais tarde foi lembrado, de forma agradecida, nas moedas cunhadas naquela cidade. Como político notabilizou-se por se opor a oligarquia e defender a democracia, sendo por isso, desterrado e, lendariamente, teria morrido atirando-se no Etna para provar que era um deus. Outros afirmam que como um deus, quando morreu teria se elevado para o céu. Escreveu dois poemas em jônico: Sobre a natureza e Katharmoi (as purificações), do qual resta somente uma centena de versos.
Vida 
Contato com os Jônicos | Excelente Orador
Vida - Um filósofo de orientação similar aos jônicos, situado todavia no Ocidente, Empédocles nasceu em Agrigento 492-432 a.e.c. colônia dórica na Sicília. Ficava Agrigento na face frente à África, junto ao monte e rio do mesmo nome, que também se denominavam Acragas. As informações transmitidas por Diógenes Laércio e Suídas se ocupam primeiramente em dizer da importância de sua família e de sua atuação como campeão olímpico. Mas discordam no que se refere ao nome de seu pai e nos detalhes quanto à sua participação nas olimpíadas. Entretanto o enredo o ambiente em que atuou e o relacionamento para fora de sua cidade.
As notícias sobre Empédocles são muitas, todavia desconexas nos detalhes. Diógenes Laércio, que as coletou de vários autores, diz que Empédocles, de acordo com Hipóboto, era filho de Méton. O mesmo também diz Timeu em seu livro XV de Histórias, e diz que o avô do poeta havia sido um homem notável.Heráclides, em seu livro, diz igualmente que era homem de uma família ilustre, pois seu avô havia sido domador de cavalos. E Eratóstenes em Vencedores olímpicos, conta que o pai de Méton havia ganho na 71ª olimpíada (496-2 a.e.c.), segundo diz Aristóteles.
Aristóteles e Heráclides afirmam ambos que ele morreu aos 60 anos. E que o homem vencedor da corrida de cavalo era um homônimo e seu avô. Sátiros, em Vidas, diz que Empédocles era filho de Exéneto, e que havia tido um filho do mesmo nome; que este havia saído vencedor em corrida de cavalo na mesma olimpíada em que seu filho foi vencedor como atleta, ou, conforme Heráclides em Epítome, em corrida a pé.
Suídas, afirma que Empédocles, filho de Méton, segundo outros, de Arquínomo ou de Exéneto. Teve um irmão Calicrátides. Foi primeiramente ouvinte de Parmênides, do qual também chegou a ser discípulo, segundo diz Porfírio em História de filósofos. Outros dizem que foi discípulo de Telauges, o filho de Pitágoras. Filósofo da natureza, de Agrigento e poeta, participou na olimpíada de 464 a.e.c. Ia pelas cidades com uma coroa de ouro sobre a cabeça e sandálias de bronze nos pés e nas mãos fitas délficas, querendo atrair a fama sobre si mesmo, de que era um Deus.
Já simplício afirma que Empédocles de Agrigento, havendo nascido não muito depois de Anaxágoras, era admirador e amigo de Parmênides muito mais do que dos pitagóricos 1.
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Contato com os Jônicos - A importância da família e a participação nos jogos olímpicos esclarecem, porque Empédocles tenha vindo a ter contatos com a filosofia jônica e mesmo se estabelecido algum tempo no Peloponeso. A este tempo já vinha ocorrendo a centralização cultural e política em torno de Atenas, de sorte a polarizar-se naquela direção o interesse dos sábios gregos.
A notícia a respeito do boi preparado com mel e farinha de cevada induz a acreditar que assim o fizera em virtude das práticas pitagóricas de abstenção do que tinha vida. Se viveu 60 anos, conforme uma das informações 2, foi então cerca de 492 a 432 a.e.c., e então teria florescido pelos anos 444 a.e.c., na 84ª olimpíada.No caso de ter atingido mais idade, conforme outros que lhe dão 77 anos, dever-se-á recuar seu nascimento e não avançar a morte, para que, coerentemente, permaneça contemporâneo de Anaxágoras ou mesmo anterior a este 500 a 428 a.e.c. e seja posto suficientemente cedo para explicar melhor seu relacionamento com os primeiros pitagóricos e eleatas.
Situado assim no tempo, Empédocles pertenceu à geração imediatamente anterior a de Sócrates 469 a 369 a.e.c. e estava não distante de tempo de Platão 427 a 347 a.e.c.. Viveu na fase de maior florescimento da Grécia clássica, do tempo de Péricles ~429 a.e.c. o notável estadista de Atenas. Cronologicamente não poderia ter sido discípulo direto de Pitágoras, uma vez que já deveria ter falecido ao tempo em que Empédocles nascia. Mas aos seus vinte ou trinta anos ainda viviam Xenófanes e Parmênides, que terão morrido pelos anos 475 ou 470 a.e.c.
Timeu no 9º livro de História diz que ele foi discípulo de Pitágoras. Contando que havia sido acusado de haver divulgado suas doutrinas, foi excluído, como Platão, de participar de suas reuniões. E que era a Pitágoras a quem menciona, quando diz:
"E viveu entre eles um homem de saber sobre-humano que possuía a maior riqueza, a sabedoria" 3 .
Outros porém acreditam que, ao dizer isto, Diógenes Laércio se referia a Parmênides. Neantes diz que, até Filolau e Empédocles, todos os pitagóricos eram admitidos às discussões. Mas quando o mesmo Empédocles as tornou públicas através de seu poema, fizeram uma lei que proibia a admissão de poetas. Diz que o mesmo aconteceu a Platão, motivo porque foi excluído. Mas não diz Diógenes Laércio qual fora o pitagórico, que havia sido discípulo de Empédocles. Com referência à carta atribuída a Telauges, que faz a Empédocles ter sido discípulo de Hipaso e Brontino, assevera que não é digna de crédito. Teofrasto diz que Empédocles fora um admirador de Parmênides, de quem imitou os versos, já que este compôs em versos seu Tratado da natureza. Mas Hermipo julga que não houvesse tomado como modelo a Parmênides, mas a Xenófanes (da mesma escola), com quem de fato viveu e cuja poesia imitou, e que sua convivência com os pitagóricos é posterior.
Alcidamas afirma em seu tratado Física, que Zenão e Empédocles haviam escutado ao mesmo tempo as lições de Parmênides. Mas que pouco depois ambos se retiraram, Zenão para filosofar em seu próprio nome, e Empédocles para seguir a Anaxágoras e Pitágoras, recebendo de um a gravidade de seus costumes e do outro suas doutrinas físicas".
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Excelente Orador - Segundo Aristóteles foi Empédocles o fundador da retórica e Zenão o da dialética. Diz em Tratado dos poetas que seu estilo era o de Homero, sua dicção vigorosa e que empregava habilmente as metáforas e demais recursos da poesia" 4 .
Fez um grande discípulo em Górgias de Leôncio, um dos mais destacados sofistas e notável orador:
Sátiros em Vidas diz que era médico e um excelente orador; que Górgias de Leôncio foi discípulo seu, homem destacado em retórica; e que deixou um tratado desta arte 5. Com referência ao curandeirismo de Empédocles, combinou-o com práticas órficas 6, assim informa Diógenes Laércio:
Sátiros relata que o mesmo Górgias disse haver estado presente, quando Empédocles exercia sua arte mágica. Através de seus poemas, dava a entender possuir este poder e outras coisas mais, quando diz:
Aprenderás comigo os filtros contra as enfermidades e defesas contra a velhice, porquanto só para ti eu os prepararia todos. Deterás o furor indomável dos ventos, os quais lançando-se sobre a terra destroem as plantações com o seu sopro. Depois, com uma só palavra, a tormenta se converte em ventos submissos. Farás suceder à negra tempestade a secura benéfica; à secura abrasadora, as chuvas fecundantes trazidas pelos ventos do estio. Trarás de volta do inferno (do Hades) a sombra dos mortos" 7 .
Timeu afirma em seu livro XVIII de Histórias que este homem era admirável em muitos aspectos. Por exemplo, havendo-se desencadeado os ventos etésios 8, a ponto de destruírem as plantações, mandou esfolar alguns burros, encheu de palha as peles e os mandou colocar sobre as colinas e nos picos das montanhas, para apaziguar o vento. Este lhe obedeceu e Empédocles foi honrado com o título de Dominador dos ventos.
Empédocles não buscou cargos públicos, mas preocupou-se com as coisas públicas. Favorecido pela inteligência, e o fato mesmo de se exercer como retórico lhe dava o contato fácil com este gênero de assuntos. Aconteceu a sua atuação política em diferentes lugares por onde perambulou; retornando a Agrigento, ali não pode permanecer em virtude de resistências que criara, de sorte que por último foi estabelecer-se no Peloponeso, portanto na Grécia continental.
Aristóteles diz que ele era pacífico e avesso ao exercício do poder, havendo rejeitado o reinado que se lhe oferecia, como conta Xanto em suas memórias sobre ele, evidentemente porque amava a simplicidade. Com isto concorda Timeu, explicando porque era um homem democrático 9. A propósito dos seus sentimentos democráticos se conta o episódio seguinte:
"Havendo o médico Acrón solicitado ao Conselho um lugar para construir um monumento para seu pai, que houvera sido um médico eminente, se lhe opôs Empédocles em nome da igualdade, e ainda lhe fez a seguinte pergunta: que inscrição gravarás nele? Seria a seguinte?
Ao grande médico Acrón de Agrigento, nascido do seu pai não menos grande, repousa aqui sob um sepulcro não menos grande, em uma pátria grande" 10 .
Neantes de Cízico, que escreve sobre os pitagóricos, relata que, depois da morte de Meton, começou a mostrar-se a tirania em Agrigento, até que Empédocles persuadiu aos seus concidadãos a pôr fim nas divergências e a cultivar a igualdade em política 11. Mais tarde, Empédocles dissolveu a assembléia dos mil que havia funcionado três anos, para que fosse composta não apenas de ricos, mas também de elementos favoráveis à causa popular. Contudo Timeu, que fala com frequência dele, diz que tinha pontos de vista opostos em política e poesia. Em algumas oportunidades era orgulhoso e individualista. Certa ocasião estas foram suas palavras:
"Saudações! Eu sou entre vós um Deus imortal, não mais um mortal”.
No tempo quando ele visitou Olímpia, era de trato muito atencioso, de modo que deixou muita memória. Mas quando retornou a Agrigento os descendentes dos seus inimigos pessoais lhe fizeram completa oposição. Por isso foi para o Peloponeso, onde morreu 12. Relatou ainda Neanto o Cínico, também citado por Diógenes Laércio que depois da morte de Méton, começou a mostrar-se a tirania em Agrigento, até o momento em que Empédocles persuadiu a seus concidadãos a pôr fim às divergências e estabelecer a igualdade política 13.
Finalmente, Empédocles foi mal sucedido. Ao que parece, o partido democrático perdera sua hegemonia em Agrigento. Esteve em Túrios, também da Magna Grécia. Depois ainda em Siracusa. E por último se transferiu para o Peloponeso. Ali já houvera participado dos jogos olímpicos.
A morte e ressurreição de Empédocles teria ocorrido aos 60 anos conforme relata Aristóteles 14. Neantes de Cízico, também citado por Diógenes Laércio, informa que um dia, montado em um carro, se trasladou a Messene para assistir a uma solenidade, caiu e quebrou a perna. Morreu em conseqüência deste acidente, na idade de 77 anos e foi enterrado em Mégara 15. Uma outra versão afirma que que já sendo velho e débil, deixou-se cair no mar e se afogou 16.
As lendas que logo o cercaram confirmam a importância em que era tido Empédocles, como poeta, ginasta olímpico, médico e político. Mas Timeu, citado por Diógenes Laércio ofereceu elementos que permitem esclarecer, porque isto se dera, quando assegura de maneira terminante, que Empédocles se retirara ao Poleponeso, de onde não mais voltou, o que deu por resultado, que se ignorassem as circunstâncias de sua morte 17.
Com referência às versões míticas, ocorreram, entre outras, estas duas sobre as quais o informe é de Diógenes Laércio:
"Depois de haver Heráclides contado a glória de que Empédocles se cobriu por haver ressuscitado a uma mulher, acrescenta que ele ofereceu um sacrifício nos campos de Pisiana. Depois da comida dispersaram-se os amigos para o descanso. Empédocles permaneceu só no seu sítio.
Quando já era dia levantaram-se e não estava Empédocles, a quem não encontraram. Procuram-no e perguntaram aos servos. Todos asseguravam não o haverem visto. Um deles, porém, declarou que à meia noite ouviu uma voz sobre-humana que chamava a Empédocles, que ele se levantou e somente viu uma luz celestial e resplendores como de tochas.
Em meio do assombro que causava este relato, Pausânias chegou e mandou de novo fazer investigações; depois de as fazer cessar, declarou que a sorte de Empédocles era digna de inveja, e que, elevado à categoria dos deuses, devia ser honrado dali em diante com sacrifícios" 18 .
A segunda versão:
"Hipóboto sustenta que, havendo-se levantado, se dirigiu ao Etna, e se precipitou em sua cratera inflamada, para confirmar com o seu desaparecimento a crença que se tornara um Deus. Depois a verdade foi descoberta, porque o vulcão expeliu uma sandália de bronze que costumava usar." 19 .
As narrativas biográficas referentes a Empédocles, sábio e curandeiro, sacerdote político, o tornaram marcante, e em alguns aspectos similar a Pitágoras e Xenófanes, como já se advertiu. Estes dois outros não lograram todavia auréola mística alcançada em tão elevado grau pelo cidadão de Agrigento. "Empédocles havia adotado, graças à sua riqueza, a um grande número de donzelas pobres. Jamais foi visto usando púrpura com cinturão de ouro. Andava com sandálias de bronze, coroa délfica a cabeça e cortejo de servos. Fazia-se notar pela grande cabeleira e constante gravidade do porte exterior.
Quando saía, os que o encontravam se compraziam em admirar seu passo quase régio" 20 .
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Obras 
Como escritor, Empédocles foi o mais prolífero 21dentre os filósofos até seu tempo. São conhecidos 150 fragmentos, que totalizam mais de 20 páginas de texto, um número considerável de conteúdo filosófico. Dos livros que se atribuem ao filósofo de Agrigento são seguros apenas dois, dos quais efetivamente restam os fragmentos: Sobre a natureza e Purificações, traduzido também por Expiação, e Poema lustral.
Citado por Diógenes Laércio, Aristóteles, que dissera de Empédocles ser fundador da retórica, cita, em seu tratado sobre os poetas, um poema sobre a invasão de Xerxes e um hino a Apolo, composições que sua irmã (ou sua filha, segundo diz Jerônimo), atirou ao fogo, sendo que o hino por engano. O poema, propositadamente, por ser imperfeito. Também diz Aristóteles que compôs tragédias e um tratado político. Heráclides, porém, sustenta que as tragédias eram de outro autor. Em troca diz Jerônimo, que ele teve em suas mãos 40 a 43 tragédias de Empédocles. Assegura Neantes que Empédocles as havia composto em sua juventude e diz que as possuiu 22.
Do Sobre a natureza resta um papiro, que remonta ao 1º. Séc a.e.c., conservado na Universidade de Estrasburgo (França), cujos 53 fragmentos foram reintegrados pelo papirólogo belga Alain Martin, da Universidade Livre de Bruxelas, e pelo filólogo helenista Oliver Primavesi, da Universidade Goethe, Alemanha, - tudo publicado em livro denominado O Empédocles de Estrasburgo. Trata-se de 74 versículos de texto.
| Expiação | Poema Lustral |
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Doutrinas 
Monismo | Cosmogonia Cíclica e Astronomia | Todos os Seres São vivos e Evolutivos | Explicações Psicológicas e Fisiológicas
Monismo - A mundivisão de Empédocles é monista, em termos todavia não claramente definidos. Defendeu um monismo metafísico, que não separa entre Deus e o mundo, e ainda um monismo da natureza, não dicotomizando entre corpo e espírito.
Ainda que multiplicasse para quatro o números dos elementos fundamentais da natureza, “fogo, ar, terra, água”, concebeu a cada um como substância estritamente unitária. Repetia portanto o monismo característico dos filósofos da escola jônica, e ainda incluiu nele a argumentação do unicismo da ontologia eleática.
Mesmo que se diga trata-se de um monismo materialista, não teve da matéria um conceito de coisa morta, mas intrinsecamente dotado de vida e inteligência, e cujas propriedades mais características eram as causas operando a maneira de amor, quando uniam, e de ódio, quando separavam. Combateu Empédocles o conceito antropomórfico vulgar de Deus, ainda que não evoluísse para uma formulação subtil da divindade, quer em termos monistas, quer em termos dualistas, apresenta do ser supremo uma idéia relativamente adiantada.
Sabe-se que depois Anaxágoras partirá para a idéia de um Nous (ou inteligência) a governar o mundo; Platão para um Demiurgo organizador; Aristóteles para um Deus como primeiro motor imóvel. Tais maneiras de conceituar se encontram na mesma linha evolutiva em que Empédocles é um dos passos iniciais.
Disse de Deus, melhor do que qualquer profeta das antigas religiões: "Não é possível aproximar-se (do divino) com nossos olhos e tomá-lo em nossas mãos".
"Pois nem está provido de membros, com uma cabeça humana, nem nascem aladas vergônteas de seus ombros, não tem pés, nem joelhos rápidos, nem membros sexuais; mas é somente um espírito sagrado e inexpressável, cujo rápido pensamento percorre o universo".
Filosofia da natureza - Em Empédocles mantém a multiplicidade dos elementos; neste sentido se conserva jônica e se opõe à unicidade dos eleatas. De outra parte, Empédocles concedeu aos eleatas a imutabilidade substancial dos elementos; as mudanças seriam apenas acidentais, pela diferente participação nos todos maiores para os quais concorrem. Os seres não são para Empédocles corruptíveis uns, incorruptíveis outros, mas todos são corruptíveis, exceto os elementos. Esta filosofia da natureza contém noções ontológicas e implícitas, havendo-as em parte discutido. Mas não é ainda a ontologia o forte dos pré-socráticos, ainda que; já bem evoluída nos eleatas e em Empédocles.
A geração é apenas aparente, porque nada se cria substancialmente. "Eu te direi ainda outra coisa: não há nascimento de nenhuma de todas as coisas mortais, nem existe o fim da morte funesta, mas somente há mistura e dissolução das coisas mescladas, pois nascimento é nome dado pelos homens.
Ao lado destas duas características fundamentais da filosofia de Empédocles,- sem nascimento e sem morte, - ocorrem ainda outras duas: nascer e perecer (substanciais) são aparências subjetivas, que se creditam à conta da subjetividade do conhecimento. As causas das transformações são concebidas como forças cósmicas, não só distintas da matéria substancial, mas também da potência vital ou hilozoista. A subjetividade do conhecimento é uma concessão aos eleatas. A concepção das potências que processam as transformações é um desenvolvimento novo do hilozoísmo dos jônicos antigos.
Dentro do espírito indicado, Empédocles criou um sistema próprio; não inteiramente original e não apenas conciliatório, representa um novo desenvolvimento para a especulação grega; a partir dele outros desenvolvimentos serão dados depois por Anaxágoras e os atomistas, até se chegar a Aristóteles, que retomará a teoria dos quatro elementos de Empédocles e lhe dará uma fundamentação mais precisa.
Como se pôde constatar um pouco antes, a fonte biográfica principal de Empédocles está em Diógenes Laércio, o qual todavia pouco diz de suas doutrinas. Estas se encontram sobretudo em Aristóteles, Teofrasto e Aécio; em pequena escala em muitos outros autores, o que tudo mostra o papel que Empédocles exerceu junto aos pensadores antigos.
Os quatro elementos - fogo e água, terra e ar. O componente inicial de tudo, traduzido ordinariamente para elemento, no plural, elementos. No latim elementum, com o sentido de elementar, que se encontra no princípio. O elemento é também denominado raiz.
A partir desta linguagem, Empédocles estabeleceu quatro elementos ou raízes, como constituintes de todas as coisas.
Em vista da eternidade, imutabilidade e primordialidade, os elementos são como que os deuses, não havendo outros deuses maiores. São quatro os elementos fundamentais e por isso quatro os deuses. Dali porque se encontra em Empédocles o seguinte modo de dizer:
"Primeiramente escute, que são quatro as raízes (= elementos) de todas as coisas: Zeus: reluzente – Hera: que produz vida - Edoneu e Nestis: cujas lágrimas alimentam as fontes dos mortais". Quais seriam as quatro raízes? Um longo texto, conservado sob o título hoje de fragmento n.17, apresenta em síntese os quatro elementos e suas propriedades, bem como sua maneira de compor as coisas sob a ação de sua forças contrárias:
A dupla questão: ora uma nasce a partir de muitas coisas, ora muitas vêm de uma. Dupla é a geração das coisas mortais; dupla sua maneira de perecer. Uma, que gera e destrói o todo, a outra que, igualmente, desfaz o todo e o recompõe. Esta transformação constante jamais cessa: ora tudo se une pelo Amor, ora se separam as unidades pelo ódio da Discórdia. Tanto as unidades que se tornam muitas, como as muitas que se separam, permanecem sempre. Em qualquer estágio do curso do ciclo, os elementos permanecem eternos.
Fogo, água, terra e altura imensa do ar, a funesta Discórdia, deles separada, pesando por igual em torno, e o Amor no meio deles, igual em comprimento e largura. Contempla-o com o teu espírito (e não te admira, de olhos arregalados). Está também nos membros dos mortais e por isso têm pensamentos de amor e praticam ações de paz, chamando-as pelos nomes de Prazer e de Afrodite. A ele, nenhum homem mortal o viu vaguear entre eles.
Tu, porém, escuta o discurso sem aparato de engano: estas coisas, na verdade, são iguais e coeternas; cada uma tem seu valor e seu tipo e predomina por seu turno no rolar do tempo. Além disto nada cresce nem desaparece. Se houvesse de algo morrer continuamente, não mais existiria. O que pudesse aumentar este todo, de onde viria? Como haveria de desaparecer, se não há nada vazio? Mas, sempre são as mesmas, percorrendo entre si, tornando-se ora isto, ora aquilo, sempre eternamente iguais.
Os deuses míticos que Empédocles relaciona com os 4 elementos e as forças contrárias têm validade mais literária que real. Não há sequer precisão nos detalhes. O fragmento 6, que cita os 4 deuses dos elementos, não diz qual exatamente corresponde ao fogo, à terra, à água e ao ar. Recorremos a Diógenes Laércio, que, ao citar o verso de Empédocles, acrescenta: "Para ele Zeus representa o fogo, Hera a terra, Edoneu o ar, Nestis a água".
Com referência à Nestis, trata-se de deusa siciliana local. Pela ordem da importância, que os antigos atribuíam ao fogo, não poderia ter dado a Zeus (Júpiter) senão a simbolização do fogo (inclusive o éter). Provou Empédocles cientificamente a existência do ar, neste sentido alegando a seguinte experiência: "Quando uma menina, brincando com uma clepsidra (relógio de água) de metal brilhante, tapa o orifício do tubo com sua bela mão ao mesmo tempo que submerge a clepsidra na cedente água prateada, a massa líquida não penetra em seu interior onde se acha o ar, que a mantém afastada ao pressionar sobre as perfurações, até que a menina destape; então o ar escapa e entra um volume igual de água".
O elemento terra foi acrescido por Empédocles, porquanto filósofos anteriores ainda não o haviam lembrado, nem mesmo no sentido de elemento único. "Empédocles estabelece como elementos quatro corpos simples, acrescentando a terra como um quarto aos já referidos, a saber água, ar e fogo. Estes elementos subsistem eternamente e não nascem, mas se unem em quantidade maior ou menor a unidade e dela separam-se novamente".
A imutabilidade substancial do ente, com a variação acidental da natureza, é possível, desde que os elementos imutáveis sejam muitos. Esforça-se Empédocles em mostrar a imutabilidade do ente, insistindo diretamente nela mesma e ainda em mostrando que as variações conhecidas não são mais que acidentais. O fragmento 17 (colhido em Simplício e outros), onde se estabelecem os 4 elementos, ressalva a respeito destes:
"estas coisas são iguais e coeternas; cada uma tem o seu valor e o seu tipo e predomina por seu turno no rolar do tempo".
Depois acrescenta a prova, ao que estabelecia como tese: "Nada cresce nem desaparece. Se houvesse de algo morrer continuamente, não mais existiria. O que pudesse aumentar este todo, de onde viria? Como haveria de desaparecer. Se não há nada vazio? Mas, sempre são as mesmas, percorrendo entre si, tornando-se ora isto, ora aquilo, sempre eternamente iguais".
Ali se encontra clara a dialética do eleata Parmênides, opinando sobre a impossibilidade da mutação do ente. Empédocles, ainda que multiplicasse o número dos elementos, os mantêm em si mesmos imutáveis.
“Quando estes (os elementos) estão mesclados à luz etérea, ou em forma de animais selvagens, ou de arbustos ou de pássaros, então os homens chamam a isto de nascer; quando se desagregam, chamam a isto de morte infeliz; não falam todavia direito, mas apenas conforme a conveniência”.
"Pueris! Não pensam com larga visão; acreditam que possa nascer o que antes não era, ou que algo possa perecer totalmente e ser exterminado".
Ainda hoje se conhecem apenas mudanças acidentais da natureza, cujas partículas mínimas não revelam alterações substanciais. Ainda que as provas de Empédocles não tivessem aceitação, a tese da inexistência de mudanças substanciais nas variações conhecidas é experimentalmente verificada. Mas não está afastado de que em princípio possam ocorrer. O que está mais na base continua desconhecido. Que se sabe dos neutrinos? Revelam-se como corpúsculos. Assim se manifestam. Mas não se sabe, se os corpúsculos são apenas o que manifestam ao modo de corpúsculos. Talvez não sejam corpúsculos, mas apenas manifestação corpuscular.
A complexificação crescente dos elementos pode resultar em coisas muito diferenciadas. Eis para o que advertiu Empédocles. Previne-se assim contra a objeção, - que de futuro se fará, - de que as composições não poderiam assumir aspecto qualitativo diferente, caso trate apenas de diferentes misturas dos mesmos elementos iniciais.
"Todos os seres, os que foram, os que não e os que serão, nascem destes (elementos): árvores, homens e mulheres, feras, aves, e peixes que vivem na água e os deuses longevos aos quais se rende culto; mas circulando uns através dos outros, gera-se a mudança em aspecto; de tal modo se modificam pela mistura".
"Como os pintores que pintam com variadas cores as tabuinhas votivas, homens conhecedores de sua arte, na qual sabem como manipular as variadas cores, misturando-as em proporções certas, tomando mais de umas e menos de outras, para formar figuras semelhantes às coisas, criando árvores, homens, mulheres, feras, aves e peixes que vivem na água e deuses longevos e cultuados, - assim não deves deixar vencer teu ânimo pela ilusão de que os seres mortais e que são tantos, tenham outra fonte de origem. Saiba isto corretamente, ouvindo as mensagens divinas".
Amor e Discórdia como nomes das causas naturais. As causas da transformação da natureza, - Amor e Discórdia - mereceram de Empédocles uma consideração especial, porquanto são concebidas por como forças cósmicas específicas.
Do ponto de vista da linguagem, estas forças recebem nomes míticos, que podem facilmente prejudicar a reta compreensão do pensamento de Parmênides, que escolheu esta linguagem colorida. Já em Parmênides, as leis da natureza, como a força do destino, são vistas como se fossem divindades, e quando se refere ao Uno, diz que o Uno é Deus. E agora, em Empédocles, cada um dos quatro elementos é Deus. O conceito das causas opostas, - Amor e Discórdia, - não é o de dois elementos do mesmo nível, ao lado dos quatro já indicados (fogo, água, ar, terra); Amor e Discórdia são causas atuando em sentido contrário.
Mais precisamente, o caráter da doutrina de Empédocles é a de que a matéria em si mesma seja inerte, cabendo às forças acioná-la; tais forças não seriam, pois, elementos materiais isoláveis. Menos importante é a distinção em duas modalidades de forças acionantes, de atração (Amor) e repulsão (Discórdia). Neste particular não foi Empédocles capaz de estabelecer uma síntese unificante.
Incorre a dualidade de forças em dificuldades. Se a discórdia separa, ao mesmo tempo que separa, estabelece positivamente outras entidades. E se o amor une, prejudica aos elementos unidos. Mais precisamente, enquanto uns elementos unem, devem rejeitar os outros; por isso, o Amor, enquanto une, ao mesmo tempo afasta.
Aristóteles advertiu para o problema: "Na sua teoria, a Discórdia é causa tanto da existência como do perecimento. E, por outro lado, a Amizade não é exclusivamente causa de existência, pois ao unir muitos seres num só, ela destrói todos os outros. E, ao mesmo tempo, Empédocles não menciona nenhuma causa da própria mudança".
"Quanto a Empédocles, se bem que faça muito mais uso das causas, não o faz suficientemente, nem alcança a coerência nas suas exposições. Pelo menos são numerosos os casos em que, para ele, a Amizade separa e a Discórdia congrega; pois, sempre que o universo é dissolvido em seus elementos pela segunda, o fogo se congrega num todo só, e o mesmo sucede aos outros elementos; mas sempre que, por influência da primeira, eles tornam a unir-se num só todo, as partes devem novamente separar-se de cada elemento".
As coisas semelhantes se atraem, porque nelas atua principalmente o Amor; as dissemelhantes se repelem, por força da discórdia. Tal doutrina de Empédocles resulta em dificuldades. Coerentemente, deveriam os quatro elementos repelir-se, exatamente por serem distintos; desta sorte já não seria possível, sequer, dar início à mistura das composições variadas. Dali resultam, aliás, também, em última instância, as dificuldades apontadas já por Aristóteles.
Eis o que disse o mesmo Empédocles: "Unidas estão todas estas (coisas, ou elementos) com suas partes, - o sol (fogo), a terra, o céu (ar) e o mar (água),- ainda que separadas nos seres mortais. As coisas que são mais atraídas a misturar-se, se desejam reciprocamente por terem sido feitas semelhantes, por Afrodite. São inimigas em alto grau, quanto mais diferem pela origem, mistura, forma impressa, sem inclinação para unir-se e atormentadas pelos impulsos da Discórdia, que lhes deu nascimento".
"Assim o doce inclina-se para o doce, o amargo precipita-se sobre o amargo, o ácido caminha para o ácido, o quente se move para o quente".
Conforme depois se verá, a teoria dos semelhantes é aproveitada por Empédocles para explicar o conhecimento. Um testemunho de Platão dado pela boca do Estrangeiro de Elea, é importante por estar mais próximo do tempo de Empédocles. Mas, como é do seu hábito, de Platão, ridiculariza as opiniões dos filósofos. Com referência à Empédocles, diz, sem mencioná-lo, das incoerências internas das forças que agem na natureza, segundo eram apresentadas por filósofos da Jônia e Sicília: "Dão-me todos eles a impressão de contar-nos fábulas, cada um a seu modo, como faríamos a crianças. Segundo um deles, há três seres, que, ou bem promovem entre si uma espécie de guerra ou, tornando-se amigos, fazem-nos assistir aos seus casamentos, ao nascimento de seus filhos, os quais educam. Outro, contenta-se com dois; úmido e seco ou quente e frio, os quais faz coabitar em forma devida.
Entres nós, os eleatas, vindos de Xenófanes e mesmo de antes dele, admitem que o que chamamos de o Todo é um único ser e assim o apresentam em seus mitos. Posteriormente, certas Musas da Jônia e da Sicília concluíram que o mais certo seria combinar as duas teses e dizer: o ser é, ao mesmo tempo, uno e múltiplo, mantendo-se a sua coesão pelo ódio e pela amizade. O seu próprio desacordo é um eterno acordo: assim dizem, entre estas musas, as vozes mais elevadas; mas, as de voz mais fraca diminuíram o eterno rigor desta lei: na alternância que pregam, umas vezes é múltiplo e hostil a si mesmo, em virtude não sei que Discórdia".
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Cosmogonia Ciclica - Coere a doutrina geral instalada por Empédocles sobre a natureza, com a cosmogonia e astronomia por ele elaborada. Os períodos cósmicos, em que acreditavam os antigos, são explicados, por Empédocles, pelo predomínio, ora do Amor, ora da Discórdia. Enquanto o Amor domina, os elementos se ordenam com homogeneidade e reina grande harmonia no universo. Não há Discórdia entre os elementos (agora chamados membros, conforme a comparação órfica e que reaparece também em Lucrécio).
Enquanto este estado se mantém no mundo: Não mais se distinguem os ágeis membros do sol, nem a força hirsuta da terra, nem o mar. Fortemente está ligado ao segredo da harmonia, o sol redondo, em todas as partes igual e infinito em tudo, gozando de sua solidão circular. No findar de um ciclo de Amor, ocorre a sublevação da Discórdia fatal. Este fim de mundo cíclico é exposto em alguns fragmentos que nos restam.
Quando a Discórdia cresceu nos membros (da Esfera), reclamou seus direitos no final dos tempos e que ela tinha por direito de juramento. Sucessivamente, todos os membros de Deus foram agitados. Outros dizem que o mesmo mundo nasce e se destrói, e que havendo nascido de novo, de novo se destrói, e que tal alternância é eterna, como acredita Empédocles, dizendo que a Amizade e o Ódio dominam alternadamente, a Amizade para unir todas as coisas em uma só e acabar com o mundo do ódio e convertê-la em esfera, e o Ódio para dividir de novo os elementos e criar um universo da mesma classe.
A imagem grega do mundo em destruição e reconstrução, e que Empédocles amplamente difundiu, tem um significado histórico que ainda permanece nos autores bíblicos e cristãos, que também se referem a uma destruição final. Ainda que tais doutrinas de destruição e reconstrução cíclica possam ter tido uma origem meramente especulativa entre os filósofos gregos, elas já circulavam nas religiões orientais, sobretudo do zoroastrismo. Mas nestas religiões, como também no judaísmo posterior dos profetas e no cristianismo, o fim catastrófico do mundo tem outro sentido, chamado escatológico, com o sentido de encerramento apocalíptico dos tempos.
Todavia o encontro das duas vertentes de pensamento, a oriental e a da filosofia grega, terminaram por se apoiar mutuamente.
As teorias cosmogônicas e astronômicas de Empédocles já contam com as especulações e hipóteses pitagóricas; de certo modo são o desenvolvimento das mesmas.Não há apenas o cosmos organizado. Empédocles postula que o cosmos é um; todavia o cosmos não é tudo, senão uma pequena parte do todo, e o resto é matéria inerte. Ocorre uma sequência cosmogônica na formação do cosmos. Ela não é irreversível, podendo desfazer-se, para de novo se refazer. Sendo o cosmos dinâmico, pode alterar-se pela ação de forças, por exemplo do movimento das massas, entre outras o sol. Empédocles disse que o ar se separou primeiro, depois o fogo, mais tarde a terra, e, fortemente impelida pela força da rotação, saltou a água. Desta se evaporou o ar. E do ar se formou a superfície terrestre.
Da primeira mistura dos elementos se separou em primeiro lugar o ar, espalhando-se todo ao arredor do círculo. Depois do ar escapou o fogo e não encontrando outro lugar, correu para cima até debaixo da zona firme que há ao arredor do ar. E há em conseqüência dois hemisférios, que vão em círculo ao arredor da terra, um inteiramente de fogo e outro misturado de ar e um pouco de fogo, e este último é o que acredita ser a noite. O começo do movimento resultou da ruptura de equilíbrio causada pela fusão da massa de fogo como a do ar.
O céu é sólido, ficando no exterior as massas por efeito do movimento centrífugo. Para Empédocles o céu é sólido, de ar condensado pelo fogo a maneira de um cristal, apresentando um elemento ígneo e outro aéreo em cada um dos seus hemisférios.
Outros, como Empédocles, dizem que a maior rapidez do movimento de rotação do céu impede o movimento da terra, como a água em um copo, pois esta, ao ser movido o copo em círculo, ao encontrar-se debaixo do bronze, não cai, apesar de que o natural seria que caísse. Empédocles diz que o céu é uma massa cristalina condensada de uma substância gelada.
Dois hemisférios. O dia e a noite se explicam pela teoria de dois hemisférios, um escuro e outro claro, que se sucedem com a revolução do céu. A terra produz a noite interpondo-se aos raios sol. O sol não se movimenta linearmente, mas circularmente em torno da terra, porque é obrigado a subordinar-se à curvatura da esfera do céu. Por impulso do Sol se inclinaram os pólos.
Cedendo o ar ao impulso do sol, se inclinaram os polo segundo Empédocles, as zonas boreais se elevaram e as meridionais se rebaixaram, o que afetou cosmos por inteiro. Por causa da esfera, o sol dá a volta, pois está impedido de seguir totalmente reto. "Há dois hemisférios, que vão em círculo ao arredor da terra, um inteiramente de fogo, e o outro mistura de ar e um pouco de fogo, e este último é o que acredita ser a noite". Os astros são ígneos e derivam do elemento ígneo que o ar do arredor expulsou na primeira separação dos elementos, sendo as estrelas fixas e presas ao cristal, e os planetas soltos.
Sobre a lua, diz que "passa debaixo do sol", que é de ar condensado, em forma de nuvem, solidificado pelo fogo, de modo que é uma mescla. Se irritam os religiosos com Empédocles quando afirma que a lua é uma rocha de ar solidificado rodeada por uma esfera de fogo Iluminada, a Lua recebe a luz do Sol, como já disseram Tales e Pitágoras.
Teorias sobre a força centrífuga e sobre a luz. Desenvolveu Empédocles algumas idéias de detalhe de ciência natural, como a demonstração de que o ar existe, ainda que invisível. Apresentou também um exemplo de força centrífuga: fazendo girar uma vasilha com água presa em uma corda que se aciona, a água tende para fora e não se derrama. Empédocles Afirmava que a luz percorria os espaços, dentro de certo tempo, ainda que muito rápida, sem se poder observar pelos meios comuns.
Diz Empédocles, que a luz é um corpo, que flui de um corpo luminoso e chega primeiramente ao espaço intermédio entre a terra e o céu, e que logo chega a nós, porém que este seu movimento se nos oculta por causa de sua rapidez.
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Todos os Seres São Vivos e Evolutivos - O mundo orgânico, biológico despertou especial interesse de Empédocles que, por sinal, exerceu funções de médico e taumaturgo. É dado mesmo como fundador remoto da medicina italiana. Influenciou os conceitos de Platão e Aristóteles sobre a vida. De outra parte, não foi clara a posição de Empédocles sobre a vida. Ao menos não são claras as informações que foram transmitidas até nós. Ou a alma é um ser distinto dos 4 elementos (fogo, terra, ar e água), e então ocorreria o dualismo; ou é um deles, talvez fogo, por ser o mais móvel, e neste último caso estaria Empédocles com uma posição similar a de Heráclito; ou todos seres, isto é, todos os quatro elementos são intrinsecamente vivos, o que representa um monismo.
Esta terceira posição talvez fosse a verdadeira doutrina de Empédocles, e que se repete em outros autores através dos tempos, para os quais todos os seres são intrinsecamente vivos, surgindo pois a vida como emergência cíclica. A terceira posição, foi defendida como havendo sido a de Empédocles. Tanto a vida seria uma propriedade do fogo, como da terra, do ar e do mar. Os seres chamados vivos, como as plantas, os animais, os homens, os deuses seriam apenas organizações superiores dos elementos já em si mesmos intrinsecamente vivos.
Na verdade esta é a lógica natural das teses iniciais de Empédocles, que os apresenta como constituintes ingênitos e eternos, plenos e perfeitos, de todas as coisas. Se Empédocles houvesse considerado a substância como algo inerte, morto em si, que só obedecesse a impulsos que vêm de fora, que por si não possuísse princípio de movimento, teria agido desconcertadamente ao atribuir aos 4 elementos nomes de deuses, entre eles também os que ocupam, como Zeus e Hera, os postos supremos no panteão grego. Seja lembrado também que já Aristóteles viu naqueles nomes muitos mais que mero adorno retórico ao dizer expressamente "porém deuses são para eles também estes" (a saber os elementos).
Não obstante alguns aspectos de fisionomia órfica do pensamento de Empédocles, não parece que tenha entendido a vida como uma substância separada e paralela à vida material, como dele as vezes se diz. Neste particular teria superado o dualismo pitagórico e se situado ao nível dos eleatas. Tanto para Parmênides, Empédocles, Demócrito a inteligência e alma são uma e a mesma coisa; não haveria ser vivo privado de razão. Empédocles diz ainda que todos os seres são dotados de razão, não só os animais, mas também as plantas.
Caráter evolutivo de todos os seres vivos. O hilozoismo dos elementos primordiais de Empédocles está contido nas afirmações do fragmento 110, no final: "... pois todas as coisas têm inteligência e participação no pensamento".
Importa interpretar este hilozoismo em termos monistas e não dualistas, conforme anteriormente advertido. A partir desta propriedade universal passou Empédocles a explicar a possibilidade de recuo e avanço de todos os seres nas diferentes fases dos ciclos de transformação dos elementos. Em estágios mais adiantados, a inteligência se manifesta ou atua através do sangue.
Nutre-se o coração na corrente sanguínea, ali onde está sediado o que é superior, e que pelos homens é denominado pensamento. Pois nos homens o pensamento é o sangue que rodeia o coração. Esta conceituação não impede que tenha Empédocles atribuído o conhecimento a todos os elementos, como propriedade intrínseca dos elementos desde o seu fundamento, ainda que neles não se manifeste. Nem obsta que exalte o pensamento do espírito divino. O sangue seria apenas uma especial instrumentação biológica da vida emergente.
Aliás, hoje se sabe que a importância psíquica é mais dos nervos, que do sangue. Dependia Empédocles de uma observação precária, vigorante em todo o pensamento antigo, e que também forjou as religiões que fizeram do sangue um símbolo da vida, por vezes até da divindade. Em destaque excepcional se encontra o espirito divino, que Empédocles conceituou de maneira superior ao feito de seu tempo.
Pois ele não tem membros adornados com uma cabeça, nem se articulam em seus ombros dois braços, nem tem pés, nem joelhos ágeis, nem sequer pêlos, mas só espírito sagrado e inefável, que se arroja por todo o mundo com velozes pensamentos".
Nesta citação se destaca o espírito divino como sendo o de Apolo, especialmente. As plantas no começo da evolução. A diversidade de espécies de vida e sua evolução é também questão tratada por Empédocles, que sugere inclusive a seleção dos mais aptos. Empédocles diz que as árvores brotaram da terra antes que houvesse animais, antes que o sol se destacasse em torno da Terra, antes que o dia e a noite se distinguissem. De acordo com a forma que adquirem, têm a condição de macho e fêmea. Erguem-se no ar e crescem com o calor da terra, formando dela parte, assim como o embrião é parte do ventre da mãe. Os frutos são o excedente de água e de fogo e das plantas.
As árvores, que encerram menos umidade, perdem sua folhas em consequência da evaporação do verão; as que têm mais umidade as conservam, como o louro, a oliveira e a palmeira. A diferença de sabores deriva da variedade da composição da terra, e se deve a que as plantas tomam diferentes elementos do solo que as nutre, como acontece nas uvas; é a diferença do solo que faz os bons vinhos, sem que dependa da vinha.
A evolução animal, que anteriormente já é preconizada por Anaximandro de Mileto, conceitua-se agora em Empédocles com mais alguns conceitos, como os da seleção. Prevalecem as formas que conseguem funcionar. Não apresentou Empédocles um sistema finalista. Não obstante o modernismo das proposições deste evolucionismo, mal apresenta alguns fatos comprovantes; nem se estrutura adequadamente, porque imagina sequências impossíveis. De qualquer maneira Empédocles está no caminho certo, isto é, por fora de uma explicação mítica.
As primeiras gerações de animais e plantas não nasceram em sua integridade, mas como partes separadas umas das outras. As segundas gerações nasceram com as partes reunidas, formando figuras diversas. As terceiras com corpos completos. As quartas já não por partes proporcionais de terra e água, mas nascendo pela geração, quer por causa da rica alimentação, quer porque a beleza das mulheres excitou o movimento do esperma. O tipo de mistura dos elementos resulta na diversidade dos animais. Uns tendem naturalmente para a água, outros para voar pelo ar: são aqueles em que prevalece o elemento ígneo. Os demais, com maior peso, tendem para a vida terrestre; e os que têm a mesma proporção na mistura se harmonizam com todas as regiões.
Surgiram (na terra) cabeças sem pescoço, braços nus vagavam sem ombros, moviam-se olhos solitários sem frontes desmembrados, erravam os membros (buscando unir-se). Não deixando um demônio de se opor ao outro (amor e discórdia), os membros se uniam onde ao acaso se encontrassem, e muitos nasciam continuamente dessas uniões. E nasceram muitos com o rosto duplo e o peito duplo, bois com faces de homem, ou bustos humanos com fisionomias de boi, formas mistas de machos e fêmeas, com membros peludos. Aristóteles comentou no mesmo sentido que conservaram-se aqueles seres constituídos vantajosamente pelo azar, nos quais tudo aconteceu como se produzisse com finalidade para algo; porém os que não o foram assim, estes pereceram e perecem, tal como disse Empédocles. Mas (alegou Aristóteles) é impossível que este fosse o modo.
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Explicaçãos Psicológicas e Fisiológicas - A explicação do processo cognitivo pela semelhança entre a faculdade cognoscente e o objeto conhecido é uma tese de Empédocles, que por isso mereceu a atenção de Aristóteles e Teofrasto. A semelhança, ou mimese, como explicadora do conhecimento se encontra facilitada no sistema de Empédocles, porque em princípio estabeleceu que os próprios elementos de base contêm as propriedades da vida e do conhecimento. O semelhante acusaria o assemelhado.
Todos os filósofos que puseram sua atenção no fato de que a alma se move, consideraram a alma o motor por excelência. Ao contrário aqueles que notaram que a alma conhece e percebe os entes, estes dizem que a alma consiste nos elementos: para aqueles que admitem mais elementos a alma é idêntica aos seus elementos, e para aqueles que admitem somente um, a alma é este elemento mesmo. É assim que Empédocles declara que ela é composta de todos os elementos, cada um destes elementos sendo ele mesmo uma alma. São estas as suas palavras: É pela terra que vemos a terra, pelo fogo o fogo, pelo ar o divino ar, pelo amor o amor, pelo ódio o triste ódio.
Conforme o mesmo Aristóteles imediatamente menciona, Platão tratará de igual maneira o processo cognoscitivo, ou seja, pela via da semelhança. Coerentemente, mudar a estrutura física do homem, redundará em conseqüente mudança de pensamento. Novamente Aristóteles advertiu-se para este aspecto defendido pelo filósofo de Agrigento, logo também por Demócrito além dos sofistas: Em geral, para estes filósofos, - porque identificam o pensamento com a sensação, e esta com uma simples alteração física, - a verdade é, segundo eles, necessariamente isto que aparece aos sentidos. É, com efeito, por estas razões, que Empédocles e Demócrito, e, por assim dizer, todos os outros filósofos, se inclinaram à mesma opinião.
Para Empédocles, mudar nosso estado físico, é mudar nosso pensamento. De acordo com o que se apresenta aos sentidos, a inteligência cresce, com efeito nos homens. Numa outra passagem ele diz que: Na medida que os homens se vão tornando outros, nesta medida sempre se apresentam novos pensamentos.
Os sentidos, tratou-os Empédocles, cada um em separado. A partir dele os filósofos seguintes desenvolveram novas colocações, em parte as retomando, em parte as retocando, ou simplesmente as rejeitando. Um notório trabalho de análise foi feito por Teofrasto, que em seu tratado Da sensação fez uma resenha crítica dos estudos de Empédocles, que em parte se conservou. Em conseqüência, tanto informou sobre as doutrinas de Empédocles, como revelou o estágio de desenvolvimento cem anos depois sobre o tema. Ainda que hoje anacrônicas, as antigas explicações sobre os sentidos têm a validade de serem a sua história.
Parmênides, Empédocles e Platão crêem que a sensação se produz por obra do semelhante. Contrariamente os seguidores de Anaxágoras e Heráclito por obra do oposto. Sobre cada uma das sensações em particular os demais quase as deixam de lado. Empédocles, porém, trata de reduzi-las também à ação da semelhança. (Empédocles dá a mesma razão explicativa para todas as sensações, e diz que a sensação está na adaptação dos poros de cada sentido (ao objeto sensível). Por isso um sentido não pode julgar o outro, porque os poros de uns são mais amplos que os de outro, ou mais estreitos que o objeto sensível, de modo que os de um o atravessam sem o tocar, enquanto os de outro nem sequer podem entrar neles.
Ao descrever a visão, diz que a parte interna da vista é fogo, a externa terra e fogo, através das quais passa o fogo que é mais subtil, como a luz nas internas. Os poros do fogo e da água estão dispostos alternadamente, e vemos com os do fogo os objetos brancos, com os da água os pretos, porque há correspondência entre os respectivos objetos e poros. As cores chegam até a vista por emanação. Afirma também que nem todos os olhos se compõem do mesmo modo, formando-se uns de elementos semelhantes e outros de elementos contrários, e enquanto em uns o fogo está no meio, em outros está fora. Por esta razão vêem alguns animais de dia, porque neles a pouca luz de dentro é compensada com a de fora; aqueles outros pelo contrário, de noite, porque não têm dela a falta.
Nos que há muito fogo, a vista é débil de dia, pois a quantidade maior de fogo obstrui e retém os poros de água. E, nos que há água em excesso, se dá o mesmo vendo estes de noite. Pois o fogo é retido pela água. Isto acontece até que em uns se retire a água pela luz de fora, ou em outros se afaste o fogo pelo ar. Em cada caso o recurso vem pelo elemento contrario. Os olhos melhor formados e melhores são aqueles em que a proporção dos elementos é igual. É mais ou menos o que ele disse sobre a vista.
A audição se produz pelos ruídos de fora, pois quando o ar é movido pelo som, ressoa no interior da orelha. É aliás o ouvido como uma campânula, que reproduz os mesmos ruídos que soam fora. Chama ao ouvido de ressoador de carne. O ar ao mover-se, golpeia as partes sólidas, provocando o eco. O olfato se produz por uma respiração. Por ele percebem mais agudamente os animais com um movimento de respiração mais rápido. E o odor mais forte flui dos corpos mais leves e sutis. Com referência ao gosto e ao olfato ele não determina nem o modo e nem a causa para cada um individualmente, senão apenas o comum, ou seja, que a sensação deriva da adaptação aos poros.
Os mesmo diz sobre o conhecimento e a ignorância. O conhecer se dá pela ação da semelhança e o ignorar pela ação do contrário, de sorte que o pensamento é algo igual ou muito parecido à sensação. Depois de haver enunciado que se conhece cada elemento por meio de elemento correspondente, acrescenta: Pois destes (elementos) estão harmonizadas todas as coisas e por eles pensamos, gozamos e sofremos.
E aqueles seres nos quais estão misturados os elementos em quantidade igual ou semelhante e sem grandes diferenças, e que não são muito pequenos e excessivos em seu tamanho, estes são os seres mais inteligentes e agudos em suas percepções, e proporcionalmente o são também os que se encontram mais próximos deles. Na posição oposta se encontram os menos inteligentes. Se os elementos estão distanciados e dispersos, os indivíduos são inábeis e tardos; se são densos e muito minuciosamente divididos, eles são de impulso rápido e dispostos a cumprir pequenos empreendimentos, devido à rapidez do movimento do sangue.
Aqueles indivíduos que apresentam uma mescla proporcionada de elementos só em uma área do corpo, são sábios na respectiva parte. Por isso, uns são bons oradores, outros bons artífices, segundo a mistura esteja na língua ou nas mãos. E o mesmo se pode dizer de outras faculdades. Empédocles pensa que a sensação se produz do mesmo que o pensar. Pode-se lhe objetar ao que disse, em primeiro lugar a propósito de como os seres com sensação se diferenciam dos outros. Pois nos inanimados também se dão os poros. Já que ele baseia a mistura na simetria dos poros, questiona-se também porque o azeite não se mistura com a água, e assim a propósito de outros líquidos com mesclas. Desta sorte todas as coisas sentiriam e a mesma coisa, seria a mescla, a sensação e o crescimento. Pois tudo ocorre devido à simetria dos poros, a não ser que introduza outra diferença.
Além disto, nos mesmos seres animados, porque sentiria mais o fogo que está dentro do olho, que aquele situado fora, se há uma adaptação mútua? Pois também ali se dá simetria e homogeneidade. E é necessário que haja alguma diferença, se o de dentro não pode encher os poros e o de fora pode. De maneira que se fosse igual em todas as partes não se produziria a sensação. Enfim, estariam os poros vazios ou cheios? Se estão vazios, cai em contradição consigo mesmo, já que afirma que o vazio não existe em absoluto. E, se estão cheios, então os animais estariam sentindo sempre. É, pois, evidente, segundo diz, que, o que se adapta, é o semelhante.
Assim, de todos os lados há dificuldades: é preciso, ou admitir o vazio, ou dizer que os animais sentem sempre todas as coisas, ou supor uma adaptação de corpos de natureza diferente, que não produzem sensação, nem têm mudança especial para os que os produzem. Enfim, se não há adaptação completa do semelhante, mas somente contato, segue-se que a sensação será produzida em todos os casos; pois a estes atribui o conhecimento, ao mesmo tempo à similitude e ao contato, e é por isso que ele fala de adaptação; desta maneira, se há contato do menor ao maior, haverá sensação.
Doutra parte, em tese geral, segundo Empédocles, a similitude não exerce nenhuma função e basta a só proporção; é assim que ele diz que não há sensação recíproca, porque os poros não estão em proporção: mas, que o eflúvio seja semelhante ou dissemelhante, ele não o distingue. Portanto, deve-se concluir que, ou a sensação não é produzida pelo semelhante, ou a falta de percepção não é devida a uma certa desproporção, e é necessário que os sentidos e os objetos sentidos sejam sempre da mesma natureza.
Ele também tratou, de maneira aceitável, do prazer e da dor, quando atribui o primeiro à ação dos semelhantes, a segunda a dos contrários, "hostis". O prazer e a dor produzidos desta maneira são acompanhados ou não de sensações; estas, portanto, não seriam sempre produzidas pelos semelhantes. De outro lado, se são sobretudo os corpos de mesma natureza que produzem o prazer por seu contato, como o diz Empédocles, então os que são incorporados juntos é que deveriam experimentar o máximo de prazer ou em geral sentir do melhor modo, visto que ele atribui à mesma causa a sensação e o prazer. Todavia, muitas vezes, sentindo sofremos a própria sensação; segundo Anaxágoras, isto aconteceria sempre, pois não haveria sensação sem sofrimento.
Outra objeção particular: se o conhecimento é produzido pelo semelhante, quando ele compõe o olho de fogo e do contrário, podemos conhecer bem o branco e o preto pelos semelhantes, mas como perceber o marrom e as outras cores mistas? Ele não o atribui, nem aos poros do fogo, nem aos da água, nem aos outros comuns a estes dois elementos; todavia, não vemos menos estas cores do que as outras (as simples). O que Empédocles diz dos animais, que vêem melhor, uns de dia, outros de noite, não é menos estranho; pois o fogo menor é dissipado pelo fogo maior, o que faz com que não possamos olhar diretamente nem para o sol, nem em geral para o fogo puro.
Por conseguinte, os animais a que falta luz deveriam ver menos bem de dia; ou se, todavia, o semelhante aumenta de intensidade, como diz Empédocles, enquanto o contrário põe obstáculo e dissipa, deveriam todos, sempre que tenham mais ou menos luz própria, ver melhor o branco de dia, e o preto de noite. Ora, de fato todos vêem melhor todas as coisas, de dia; não há exceção a não ser para um pequeno número de animais, e é provável que seu fogo próprio tenha bastante força para isso; é como aqueles cuja superfície é mais luminosa durante a noite.
Enfim, para os olhos, cuja mistura é de partes iguais, os dois elementos devem aumentar alternadamente, de maneira que, se o excesso de um impede de ver, não poderia nisso haver grande diferença entre as vistas. Mas é difícil examinar todas as afecções da vista. Quanto às outras sensações, como percebemos pelo semelhante? O semelhante é indeterminado. Não percebemos o ruído pelo ruído, nem o odor pelo odor, nem em geral o homogêneo pelo homogêneo, mas antes, para dizer a verdade, pelo contrário. É necessário, em suma, a que o sentido não seja ainda afetado; se temos som nos ouvidos, sabor na boca, odor no nariz, todos esses sentidos se tornam mais obtusos e o são tanto mais, quanto são mais enchidos pelos semelhante; seria, portanto, necessário uma distinção a este respeito.
O que diz respeito aos eflúvios, embora insuficientemente indicado, pode, porém, ser admitido em determinada medida para alguns sentidos; mas há dificuldades para o tato e o paladar. Como discerniremos o áspero e o liso pelo eflúvio ou pela adaptação aos poros? Pois, entre os elementos, o fogo parece emitir eflúvios e nenhum dos outros. Se, de outro lado, é aos eflúvios e nenhum dos outros. Se, de outro lado, é aos eflúvios que é preciso atribuir a perda, que ele indica como sendo o sinal mais geral, e se os odores provêm de eflúvios, seria necessário que as coisas que têm o máximo de odor se dissipassem o mais rápido; ora, é pouco mais ou menos o contrário que acontece; pois o que há de mais odorante nas plantas ou nos outros seres é também o que há de mais durável.
Dever-se-ía concluir também que, sob o reino do Amor, não haveria em geral sensações, ou ao menos que elas seriam mais fracas, visto que então a tendência à composição impede os eflúvios. Mas, quanto ao ouvido, quando Empédocles o explica pelos ruídos internos, é estranho que creia fazê-lo claramente, imaginando este ruído de dentro como o de um guizo. Se é pelo guizo que ouvimos os ruídos de fora, por que ouvimos sua ressonância? É o que Empédocles deixou de procurar.
E o que diz do olfato não é menos estranho; primeiro, não há uma causa geral; pois há animais que sentem e absolutamente não respiram. Em segundo lugar, é grato dizer que os que aspiram o máximo sentem o melhor; se o sentido não está em bom estado e bem aberto, para nada serve. A muitos sucede estarem cegos e absolutamente nada verem. Seria, portanto, necessário que na dispnéia, no trabalho ou no sono, a gente sentisse melhor os odores, pois é então que se inspira o máximo de ar; ora, é o contrário que acontece.
A respiração por si mesma não parece ser a causa do olfato, mas por acidente; é o que prova o exemplo de outros animais e o da afecções de que falamos. Mas Empédocles a reconhece como sendo a verdadeira causa deste, e no fim diz de novo como que insistindo: Assim portanto respiração e olfato todos tiveram Também não é verdade que se sentem sobretudo as coisas sutis; é necessário que além disso elas tenham odor. Pois o ar e o fogo são o que há de mais sutil, mas não produzem a sensação do odor.
Pode-se também levantar objeções a propósito do pensamento. Se, com efeito, ele se produz, segundo Empédocles, como a sensação, todas as coisas terão parte nele. Mas como é possível que o pensamento se dê ao mesmo tempo com uma mudança e pela ação do semelhante? O semelhante não é alterado pelo semelhante. Atribuir o pensamento ao sangue é, além disso, completamente absurdo; há muitos animais que não têm sangue, e naqueles que o têm são bem compostos de todos os elementos. Mas ele confunde de um lado o pensamento, a sensação e o prazer, de outro o sofrimento e a ignorância, visto que produz estes dois últimos pelos dissemelhantes; portanto, seria necessário que o sofrimento se originasse na ignorância e o prazer no pensamento.
Também é estranho que as faculdades se originem para cada um pela mistura do sangue nas partes, como se a língua fosse a causa da eloqüência ou as mãos a da habilidade artesanal, mas sem terem articulação de órgão. Seria melhor atribuir a causa à forma, de preferência à mistura do sangue, que é à parte do pensamento; pois assim é também como os outros animais.
Parece, portanto, que Empédocles cometeu numerosos erros. Aristóteles, que foi mestre de Teofrasto e examinou os mesmos assuntos, contestou também alguns pontos de vista de seu antecessor: "Se o olho fosse fogo, como diz Empédocles, e está escrito no Timeu (de Platão), e o ver proviesse do fogo que sai como a luz de uma lanterna, por que o olho não vê na obscuridade também?".
Empédocles disse que a audição se produz ao golpear o ar contra a membrana que está pendurada no ouvido, como uma campânula e que balanceia e é golpeada.
A metempsicose e a expiação constituem doutrinas presentes no sistema filosófico de Empédocles, difíceis de associar com os pressupostos monísticos anteriormente estabelecidos.
Fazendo a alma coincidir com os elementos imutáveis e eternos, não poderia senão admitir almas coincidindo com tais elementos, e nunca almas como espíritos que vão e vêm, expiando culpas ao modo das convicções órficas e pitagóricas vigentes na antiguidade. Entretanto, a alma é um composto de todos os elementos, e por isso pode decompor-se. Mesmo assim, Empédocles admitia almas que se separam e vagueiam, dando lugar à metempsicose e mesmo à expiação. Há um oráculo da Fatalidade, um decreto dos deuses, antigo, eterno, selado com um juramento; se alguém manchar os seus membros com sangue culpável, acompanhando a discórdia e impiamente perjurar, no decurso de sua longa vida, ficará errando durante três vezes dez mil anos, longe dos benaventurados, renascendo no decurso dos tempos, sob todas as possíveis formas mortais, que se sucedem nos penosos caminhos da vida.
O poder do ar o impelirá para o mar, e o mar o arremessará para a árida terra, de novo a terra para as chamas brilhantes do sol, repelindo-o sempre.
Eu pertenço a um destes, fugitivo de Deus e errante".
A metempsicose redundava em condenar a alimentação de carnes e os sacrifícios cruentos, tal como já o profligava Pitágoras: Não quereis deixar a horrível matança? Não vedes, que vos devorais reciprocamente por cegueira mortal?.
E o pai, ao seu próprio filho, que mudou de forma, levanta-o ao alto; e o degola, pronunciando, como insensato, ainda uma oração; e está perturbado enquanto sacrifica a vítima; surdo aos clamores da vítima que degola, prepara o abominável banquete em sua casa.
Assim também o filho agarra seu pai, e as crianças sua mãe, arrancando-lhes a vida e devorando sua carne".
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Principais Fragmentos
I "...Do nada não há possibilidade alguma de que algo possa nascer; é impossível e inexpressável que, o que é, possa perecer; sempre existe, o que uma vez está posto...”.
II “...A geração é apenas aparente, porque nada se cria substancialmente. Eu te direi ainda outra coisa: não há nascimento de nenhuma de todas as coisas mortais, nem existe o fim da morte funesta, mas somente há mistura e dissolução das coisas mescladas, pois nascimento é nome dado pelos homens...”.
III "...Já tenho sido jovem, menina, planta, pássaro, e peixe mudo...".
Referências
| 1 Simplício, Física 25, 19 |
| 2 D. L., VIII, 52 |
| 3 Frag. 129 |
| 4 D. L., VIII, 58 |
| 5 D. L., VIII, 59 |
| 6 Na antiguidade greco-romana, festas em honra de Dioniso ou Baco, celebradas nas confrarias órficas |
| 7 Frag. 111 |
| 8 vento que sopra no Arquipélago pela canícula(Grande calor atmosférico. |
| 9 D. L. VIII, 63-64 |
| 10 D. L. VIII, 65 |
| 11 D. L. VIII, 72 |
| 12 D. L., VIII, 66-67 |
| 13 D. L., VIII, 72 |
| 14 D.L. VIII, 74 |
| 15 D. L., VIII, 73 |
| 16 .D. L., VIII, 74 |
| 17 D. L., VIII, 71 |
| 18 D. L. VIII, 68 |
| 19 D. L. VIII, 69 |
| 20 D. L., VIII,73 |
| 21 Produtivo |
| 22 D. L., VIII, 57 |
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