Filosofia Clássica - Período Pré-socrático

Períodos da Filosofia Clássica

Pre-Socrático Socrático Pós Socratico / Helenismo

Período Pré-Socrático

Escola Jônica Escola Itálica Escola Eleatica Escola Atomista

 

 

 

 

 

Melisso de Samos 485-425 a.e.c. é filósofo grego filiado ideologicamente à escola de Elea, em vista de suas doutrinas sobre a unidade e imobilidade do ser. Mas se destacou sobre os seus antecessores pela abordagem dos temas sobre o infinito no tempo, ou seja sobre a eternidade.

Vida

Da vida particular de Melisso pouco mais se conhece do que as resumidas informações provenientes de Diógenes Laércio: "Melisso, filho de Itaigeno, de Samos, foi discípulo de Parmênides. Além disto, esteve em relações com Heráclito, o qual o contatou com os efésios, que não o conheciam, como Demócrito foi introduzido em Ábdera por Hipócrates" (D. L., IX, 24).

Não se colhe dali em que circunstancias tomou contato com a escola de Parmênides de Elea, situado no Ocidente. Já a este tempo circulavam, sobretudo em Atenas, os discípulos de diferentes doutrinas. Na vizinha Mégara não demoraria a se estabelecer a escola socrática menor de Euclides, defensora também da unidade do ser. Informa também Suídas, que Melisso era do tempo de Zenão e Empédocles; eram estes do Ocidente, mas com trânsito por Atenas.

Cronologicamente, Melisso está situado no final do período pré-socrático, um pouco mais velho que o mesmo Sócrates "De acordo com Apolodoro, ele floresceu na 84ª. Olimpíada 444-440 a.e.c." (D. Laércio, IX, 24). O mesmo informa Suídas. Então já era falecido de longo tempo Parmênides (+ c. 470 a.e.c.) e ainda era vivo Zenão (+c 430 a.e.c.). A este tempo ocorrem também acontecimentos políticos, em que primeiramente os antenienses de Péricles tentam conquistar, Samos, devendo Melisso ter tido participação na vida política e militar de sua ilha.

"Ele tomou também parte na política com a aprovação dos seus concidadãos, e por esta razão foi eleito comandante da frota, crescendo a admiração pelos seus méritos" (D. L., IX, 24).

Em 441 a.e.c. infligiu uma derrota aos atenienses; reagem entretanto os atenienses, tomando a ilha de Samos em 440 a.e.c.

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Obras

Quanto aos escritos de Melisso, não se refere a eles Diógenes Laércio, ainda que mencione suas doutrinas. Sabemos, entretanto, que escreveu um livro, pela menção feita por Simplício, que a ele se refere da seguinte forma: "Tratado sobre a física ou sobre o ente ' (Simplício, Física 70,16). Também se pode traduzir Sobre a natureza e sobre o ser.

Dos 10 fragmentos que se lhe atribuem, o 7o e 8o são duas longas páginas. Os cinco primeiros (coleção H. Diels) não parecem autênticos, ainda que possam ser a expressão do pensamento de Melisso. Com referência ao tratado pseudo-aristotélico, De Melisso Xenophane et Gorgia, acredita-se que lhe diga respeito o texto de 6 páginas dos dois primeiros capítulos; estes conservariam uma análise fiel dos seus argumentos pro unidade do ser.

Conforme H. Diels, deve ser atribuído a um peripatético eclético do 1o século da era cristã e por conseguinte ainda em condições de informar sobre Melisso. O tratado fora impresso sob o título De Xenophane, Zenone et Gorgia (edição Bekker, 974-980), sendo depois substituído o nome de Zenão pelo de Melisso. "Com prudência, pode ser utilizado" (J. Tricot, nota 4 à Metafísica de Aristóteles, em 986 b 20).

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Doutrinas

O Infinito no tempo, ou eternidade | O Ser é único | O Ser Incorpóreo | A teoria do conhecimento

Representa Melisso uma fase mais avançada da metafísica grega, imediatamente anterior ao período socrático. Ainda que eleata, sua tendência é a de condescender com a física dos representantes da escola jônica. O ecletismo que então se estabelecia, outra coisa não era que a superação progressiva dos extremismos insustentáveis das primeiras escolas filosóficas. Contudo, Melisso de Samos se mantém identificado substancialmente com a doutrina do ser de Parmênides, enquanto este institui o ser como uno, imóvel, pleno. Mas, diferencia-se, estabelecendo o ser como infinito (em vez de rotundo); neste particular, portanto, se aproxima de Anaximandro de Mileto, que estabelecera o ápeiron, ou o infinito, como base de tudo.

"O universo segundo ele (Melisso) é infinito, imutável, imóvel, uno, em tudo semelhante a si mesmo, e completamente cheio" (D. Laércio, IX, 24).

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O infinito no tempo, ou eternidade - Ainda sobre as alterações introduzidas: no eleaticismo: "Melisso, filho de Itaigeno, foi discípulo de Parmênides, mas não conservou intacta a doutrina do mestre. Dizia que o cosmos é ilimitado [infinito], ao passo que os outros o haviam dito limitado" (Aécio II, 1,2). Mencionamos o atributo do infinito para detectar uma diferença de Melisso em relação ao seu antecessor. Mas, do ponto de vista meramente sistemático não tratou primeiramente da propriedade do ser como uno e sim de sua existência eterna. A existência é infinita no tempo, como é infinita na extensão. A prova vem da impossibilidade do contrário, pois não pode vir do que é, nem do que não é; nem pode passar ao que é, nem ao que não é.

Esta ponderação de Melisso veio através de Simplício: "E Melisso demonstrou a impossibilidade de o ente ser gerado por meio deste axioma comum, pois escreve assim: sempre foi o que foi e sempre será. Se tivesse vindo a ser, necessário seria que, antes de nascer, fosse nada. Mas, se nada era, de modo nenhum, poder-se-ia ter tornado de nada em algo" [Frag. 1] (Simplício, Física 162, 24).

A este argumento já se referia Aristóteles: "O argumento de Melisso, de que o universo é infinito, supõe que o universo não foi engendrado, em vista de nada poder ser engendrado a partir do que não existe, e que tudo o que foi engendrado, o foi a partir de um começo; portanto, se o universo não foi engendrado, não tem começo e é infinito" (Aristóteles, Argumentos sofísticos, c.5, p.176 b 13).

Imediatamente passou Aristóteles à crítica do argumento: "Esta consequência não se deduz necessariamente; ainda quando o que foi engendrado tenha um começo, o que tem começo não necessita por isso haver sido engendrado, não mais que é admissível a consequência de que, porque um homem que tem febre esteja quente, um homem que esteja quente deva ter febre" (Ibidem).

Retomamos Simplício: "Porque não nasceu, por isso ele é, sempre foi, sempre será, e não tem princípio, nem fim; é infinito. Mas se tivesse nascido, teria princípio (pois teria, em vista de haver nascido, alguma vez principiado, uma vez findado). Como, porém, não principiou, nem acabou, sempre foi e sempre será e não tem princípio, nem fim. É impossível, portanto, que seja sempre o que não seja tudo e pleno" [Frag.2] (Simplício, Física 22,29;109,20).

A conexão entre a eternidade (infinitude no tempo) e a infinitude na extensão é uma constante no pensamento de Melisso, postado contra a finitude rotunda do ser de Parmênides. "Do mesmo modo como sempre é, assim também na grandeza deve sempre ser infinito" [Frag. 3] (Simplício, Física, 109, 29).

"Nada, do que tem princípio e termo, é eterno e infinito" [Frag.4] (Simplício, Física 110,2).

Como logo adiante veremos, há também uma relação entre a unidade e o infinito. Tal circunstancia será caracterizada de futuro por Aristóteles, como peculiar aos conceitos análogos, os quais se envolvem, ao contrário dos conceitos unívocos, que são estanques e sem transcendência de uns para os outros. Outra prova do infinito de Melisso é a alegação de que se o ente fosse limitado, deveria sê-lo pelo vácuo e que não existe (Cf. Aristóteles, Da geração e corrupção, 325 a).

Esta maneira de argumentar pressupõe o infinito espacial. Sobre o vácuo, em Melisso.

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O ser é único - Eis a tese básica do eleaticismo e que reaparece em Melisso de Samos. Citado por Simplício, ponderou: "Se o ente não fosse um, teria limites com um outro" (Simplício, Física, 110,5). [Frag.5].

Isto quer dizer que, no caso de ser múltiplo, o ente implicaria em limitações, o que estaria em conflito com a tese já admitida, de que o ente é infinito.

Ainda é o mesmo Simplício que evoca uma crítica de Eudemo: "Admitindo que o ente seja infinito, por que há de ele ser também um só? Não porque haja mais, teriam de confinar uns com os outros: o tempo passado parece infinito, embora confine com o presente (Ibidem, 110, 5). O unicismo de Melisso é reafirmado ainda em outro texto e com a mesma ponderação: "Se o ente é (infinito), deve ser uno; se se tratasse de dois, não poderiam ser infinitos, porque um constituiria o limite do outro" [Frag.6] (Simplício, Do Céu, 557, 14).

Aristóteles menciona o argumento de Melisso sobre a unidade do ente, depois que havia afastado o vazio e o movimento: "Acrescentam que não pode haver pluralidade, por não haver nada que separe as coisas umas de outras" (Da geração e corrupção, 1, 8. 325a 3).

No futuro, a metafísica continuará alegando, que não poderá haver dois entes infinitos, porquanto um limitaria ao outro. Só haveria um infinito. Mas, ficou a pergunta, - se, ao lado do infinito (ou melhor, dentro do infinito), poderia haver muitos seres finitos?

A tese de Melisso é aproveitada pelos unicistas do ente no campo infinito, mas com um retoque por parte dos criacionistas, que admitem o mundo das coisas finitas ao lado (ou dentro) do único infinito. Mas há também os monistas que se mantém firmes com Melisso.

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O ser incorpóreo- Informou ainda Simplício: "Ponderava [Melisso]que o ser deve ser incorpóreo, dizendo: Se houver de existir, deverá também ser uno; e se deve ser uno, não poderá ter um corpo (F ä : " ). Possuísse uma espessura, teria também partes e já não seria mais uno" [Frag. 9] (Simplício, Física, 139,34).

No texto do fragmento 9 a palavra corpo indica, no contexto, a delimitação. Aparentemente parece dizer o contrário de espírito (ou de incorpóreo). Este sentido não pertence ainda ao pensamento pré-socrático. Para Melisso, o ente é o pleno no sentido corpóreo, do espaço cheio, sem vácuo (Cf. Frag. 7).

"Um ser dividido, se move; mas o que se move não pode ser" [Frag.10] (Simplício, Física, 109,32).

Esta ponderação se completa na prova de que o ser não se pode mover (Cf. Frag. 7, comentado adiante) (Cf. ainda Aristóteles, Física, IV, c.2,p.184 a 32 ss).

 Não há vácuo e nem movimento local não havendo vácuo, e portanto não havendo outro lugar, não existe possibilidade de movimento local. Esta decorrência está evidentemente na dependência da conceituação dada ao movimento local, como uma trasladação de lugar absoluto para outro lugar absoluto. Negando o vácuo, Melisso contradita uma tese dos pitagóricos, para os quais existe o pleno e o vazio. Contraria uma tese que importará, depois, aos atomistas. A negação do vácuo prejudica também à teoria do denso e rarefeito, peculiar à escola jônica, sobretudo a Anaxímenes e a Heráclito. Além disto, contradita qualquer crescimento ou mudança.

Diz, pois, Melisso citado por Simplício: "Eterno e infinito, pois é o ente. E uno. E todo homogêneo. Não pode perecer, nem tornar-se maior, nem transformar-se, nem sentir dor ou castigo.

Se padecesse alguma destas coisas, não seria uno. Se padecesse algo, não seria homogêneo, pois deveria perecer algo que já era e nascer algo que antes não era. Se no decurso de dez mil anos mudasse o tanto de um cabelo, na totalidade do tempo pereceria ele todo" [Frag. 7,1 e 7,2].

Prossegue abordando detalhes: "Impossível ordenar de outra maneira. A ordem que foi, não deixa de ser e não virá a ser a que não é. Se nada é acrescido, ou perdido, ou alterado, como seria possível transformarem-se as coisas? Qualquer coisa que se alterasse, estaria feita uma alteração" [Frag.7,3].

Nem sequer as mutações de caráter psicológico são possíveis: "Nem sofre. Não seria pleno, se sofresse. O que sofre, aliás, não pode ser eterno, nem tem o vigor do que é são. Não seria homogêneo, se sofresse. Sofreria por algo mais, ou por algo em falta; já assim não seria homogêneo. Quanto às dores, o sadio nem as poderia sofrer; pereceriam o sadio e o ser, e não ser viria a ser. O mesmo se diria do doente" [Frag.7,4-6].

"Não há nada vazio, pois o vácuo é nada, e o nada não poderia efetivamente existir. Nem se move, pois não existe lugar para onde se mover, porquanto está cheio. Se estivesse vazio, teria o vazio para se mover. Não existindo o vácuo, não tem para onde se mover. Não há denso e nem rarefeito. Pois o rarefeito não é cheio como o denso, porquanto já é mais vazio que o denso, mas de si já é mais vazio que o denso. Deve-se fazer a diferença seguinte, entre o cheio e não cheio: se der lugar a mais alguma coisa, não esta cheio; se não der lugar e não a receber, está cheio.

É necessário que esteja cheio, se não existir vácuo. Se estiver cheio, não se move" [Frag. 7, 7-10, final] (Simplício, Física, 111,118).

Não há oposição entre o vácuo e o cheio, mas entre o vácuo e o não ser. Decorre dali que Melisso colocou bem a questão ao entender o vácuo como não ser, de onde induzia que o vácuo não existe. Mas não foi seguro ao opor o vácuo ao pleno. É que o pleno se diz do ser corpóreo enquanto se dilata e enche o seu mesmo espaço, e não simplesmente do ser em geral. Em decorrência, Melisso teria que identificar o ser simplesmente como a corporeidade.

O que dizem os fragmentes de Melisso contra o vácuo e o movimento, é relatado também pelos doxógrafos. Encontra-se taxativamente em Aristóteles: "Melisso demonstra, partindo destes argumentos, que o todo é imóvel, porque, - se ele se movesse, haveria o vazio, que é um não-ser" (Física, 4,6. 213b 12).

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A teoria do conhecimento recebeu em Melisso mais uma página. Insistiu, como todos os da escola eleática (vd 580), na tese de que os sentidos são ilusórios, em vista de mostrarem o ser diversificado e em movimento, quando importa seguir a razão, que o apresenta como um e imóvel. Eis a posição dos eleatas em geral, como informou Aristóteles (Da Geração e corrupção, I, 8. 325a 2ss).

Encontra-se mais em Simplício, com os respectivos fragmentos: "Dizendo (Melisso) que o ente é uno, ingênito, imóvel, sem estar dividido pelo vácuo mas pleno de si, adverte:

  1. O mais importante argumento da unidade do ente é este; mas há ainda estas outras provas;
  2. Se múltiplas fossem as coisas, elas deveriam ser da mesma maneira como se diz do Uno. Quanto à terra e água, ao ar e ao fogo, ao ferro e ao ouro, a um vivo e a outro morto, à um escuro e à outro claro, e assim por diante, quanto à todas estas coisas, que os homens dizem verdadeiramente existir, - estas coisas são e nós bem as vemos e as ouvimos, - devem necessariamente cada uma ser tal, como se nos pareceram primeiramente, isto é, não devem mudar e nem transformar-se, mas ser sempre cada uma como é. Agora julgamos que vemos, ouvimos e entendemos corretamente;
  3. Parece-nos que o calor se transforma em frio e o frio em calor: que o duro se torna macio; que o vivente morre e nasce do não vivente, transformando-se todas estas coisas; que o que era antes e o que é agora não é de fato igual, pois o ferro, apesar de duro, se consome ao contato dos dedos, perdendo-se, acontecendo o mesmo ao ouro, à pedra e a tudo o que nos parecia forte; e que da água nascem a terra e a pedra. Dali resulta que não vemos e nem conhecemos os seres;
  4. Tais coisas não concordam entre si. Porquanto dizemos existirem muitas coisas (eternas?) com formas e forças próprias, quando na verdade parece que todas as coisas se transformam e cada vez mudam em coisas diferentes do que antes fora visto;
  5. É, então, claro que nós não vemos direito, nem mesmo quando elas se apresentam como muitas. Se fossem verdadeiras, não mudariam; cada uma continuaria igual como anteriormente aparecera. Nada é melhor do que é verdadeiramente;
  6. Ao se transformar algo, - perece o que era, nascendo o que não era. Po conseguinte, se existissem muitos seres, deveriam ser da mesma maneira como acontece ao uno" [Frag. 8] (Simplício, Do Céu, 558,19).

Sobre os deuses Melisso nada tem a dizer, senão que se encontram fora do alcance de nosso conhecimento. "Sobre os deuses nada se consegue decidir, por ser impossível conhecê-los" (D. L., IX, 24).

Este agnosticismo em relação as crenças de sua época, não afeta a metafísica. O unicismo de Melisso estabelecendo um ser único, eterno, infinito, nada mais é do que um monismo cujo ser único também se poderia chamar de divino.

"Melisso e Zenão: o um e o todo é Deus; o um é eterno e ilimitado" (Aécio I, 7,27).

Com Melisso encerra-se o que didaticamente se denomina escola eleática. Todavia a doutrina do unicismo eleático tem continuidade na escola socrática menor de Mégara. Seu fundador é Euclides de Mégara, que viveu entre 450 e 380 a.C., com sucessores em Eubúlides de Mileto, Stilpon, Fedo, Menedemo. Acrescentaram este neo-eleatas à escola uma ética, sob influência de Sócrates, bem como novos argumentos dialéticos em favor do unicismo e imobilidade do ente. Mas destes outros filósofos, ainda que sejam verdadeiros epígonos da filosofia eleática, cuida A filosofia no tempo de Sócrates.

Como um todo, as filosofias dos pitagóricos e dos eleatas representam a fundação do racionalismo. Ocorre também um racionalismo jônico, mas não na mesma escola. Pitagóricos e sobretudo eleatas especulam não somente sobre a natureza, mas principalmente sobre o ser em geral, criando pois uma filosofia geral, também denominada metafísica e ontologia. Sem repetir tal qual a doutrina dos números, Platão aproveitou as especulações pitagóricos, principalmente no que se refere ao exemplarismo das idéias arquétipas. E assim também Aristóteles se utilizou da ontologia do ser da filosofia eleática, ainda que com outras conclusões. O racionalismo fundado pelas escolas pitagórica e eleática prosseguiu pois no tempo.

Em conjunto, todas as formas de racionalismo constituíram sempre uma resistência contra um outro bloco de filósofos que o dos empiristas de toda a espécie. Neste plano já atuavam na antiguidade os atomistas.

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Principais Fragmentos

I "...O universo segundo ele (Melisso) é infinito, imutável, imóvel, uno, em tudo semelhante a si mesmo, e completamente cheio"

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