Civilização Grega - História da Civilização

Períodos de Formação da Civilização

Moeda Ateniense Moeda Ateniense

Linha do Tempo no Período Arcáico

Ascensão das Cidades-Estado Gregas - A Pólis 2ª Diáspora Grega Instituído os Jogos Olímpicos Nasce Hesíodo, o criador da Teogonia Nasce Tales de Mileto, o Primeiro Filósofo da História Os Persas Conquistam a Lídia
800 a.e.c.
800 a.e.c.
776 a.e.c.
700 a.e.c.
Ascensão das Cidades-Estado Gregas - A Polis 2ª Diáspora Grega Instituído os Jogos Olímpicos O Poeta Hesíodo, e as mudanças Político-Sociais
624 a.e.c. 546 a.e.c.
Tales de Mileto, o primeiro filósofo da história Os Persas Conquistam a Lídia e as Cidade Gregas da Jônia

 

 

 

Introdução

Hesíodo é um poeta dos fins do século VIII a.e.c. Em seu poema Trabalhos e Dias lê-se que seu pai, originário de Cime, na Eólida, premido pela pobreza, emigrou da Asia Menor para a Beócia. Aí teria nascido Hesíodo, na povoação de Ascra, junto ao monte Hélicon, consagrado a Apolo e as Musas. Aí viveu a vida árdua e difícil de um camponês pobre em país pobre. Na divisão da herança paterna, entrou em litígio com o irmão Perses, que subornou os juízes, “os reis comedores de presentes”, e obteve a maior parte. Caído na miséria por causa de sua preguiça e inércia, teria recorrido a Hesíodo que, ameaçado pelo irmão de novo processo, o teria ajudado, oferecendo-Ihe ainda como auxíllo maior sua segunda obra, o poema Trabalhos e Dias, em que, conjuga-se o trabalho com a justiça. Cronologicamente, a primeira produção do poeta-camponês denomina-se Teogonia.

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O Ambiente

Passada a fase negra das invasôes dórias, quando novamente a cortina se levanta, tem-se a visão de uma Hélade bem diferente do ponto de vista político, social, religioso e econômico. Os reis haviam desaparecido em quase todas as partes e em lugar deles imperava uma sociedade aristocrática, caminhando também para sua própria decomposição. Em lugar do grande número de reinos, de certa forma vassalos de Micenas, havia surgido um sem­número de unidades politicas independentes, fechadas em si mesmas, sem vassalagem e sem dever fidelidade a ninguém: na realidade, uma cidade-Estado, a pólis, unidade politica típica da Grécia classica.

Claro que permaneceram em várias cidades gregas traços da velha monarquia, como o título de rei outorgado em plena democracia ateniense a um magistrado eleito anualmente, o Arconte-Rei, mas cuja função não era mais polItica e sim religiosa. Segundo parece, a transição da monarquia para a aristocracia se fez em geral naturalmente, sem grandes violências, o que não Ira acontecer na passagem da aristocracia para a tirania.

A transição da monarquia para a aristocracia, e mais precisamente para a oligarquia, teve também como ponto de apoio a religião. A explicacao não é dificil. Cada clã, cada génos, cada familia era um pequeno mundo com sua religião, seu patrimônio, seu chefe e mais ainda com sua arvore genealógica, pois que o génos remontava, em última análise, a um herói ou a um deus. A soma dos gene, dos clãs, vai gerar a phratria, a “irmandade”, e da junção das fratrias nascerá a phylé, isto é, a tribo. Tais associações não feriam a soberania de cada uma delas separadarnente. A reuniã dos gene, (fratrias e tribos) resultaria na criação da pólis, que, se pode definir como um agruparnento politico, econômico e militar que tem por centro urn altar.Desse modo, os gregos evoluiram de um regime patrilinear para um forte regime oligárquico, sintetizado na pour aristocrática, que passa a ter também o seu herói, o herói epônimo, isto e, o que dá seu nome a Cidade e a protege, em conseqüência.

Ora, como as funções religiosas eram hereditárias em cada família e se partia do princípio de que as mesmas conferiam poderes politicos, a disputa pelo poder foi muitas vezes violenta e acirrada entre as familias de rnaior tradição e prestígio dentro da pour. De qualquer forma, sempre se salvavam as aparências: os magistrados eram escolhidos por um determinado período, mas sempre e apenas entre os Eupâtridas, os nobres; as vezes se elegia um único magistrado por um longo mandato ou um colegiado por um ano somente. Tudo se fazia numa ekklesia, numa assembléia, a que o povo comparecia para “aceitar e aplaudir”, porque só os nobres tinham vez, voz e voto.

Do ponto de vista religioso, foi pelos fins do século VIII a.e.c. que os santuários de Olimpia e Delfos começaram a projetar-se: no primeiro, sob a égide de Zeus, os nobres disputavam as competições atléticas e, no segundo, reinava Apolo, o guardião da aristocracia. Em síntese: como os deuses eram os donos do Olimpo, os Eupátridas eram os senhores da pólis. E que sendo a posse das terras uma das principais formas de riqueza e a tática militar predominante na época era o combate singular, o que exigia que o guerreiro fosse suficientemente rico para adquirir cavalos, carros de guerra e armamento, só os aristocratas podiam defender a cidade, tornando-se, por isso mesmo, seus únicos proprietários e senhores. Donos da pólls, o eram igualmente das meihores terras, bem como do sacerdócio (que inclusive era hereditário em algumas famílias) e da justiça.

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Mudanças

Nos inicios do século VII a.e.c., ocorreram no mundo grego sérias transformações que muito contribuíram para enfraquecer os Eupátridas. Com a criação do sisterna monetário (foi certarnente do Oriente que os gregos trouxerarn o sistema de pesos e medidas e o uso das moedas de ferro e prata) e o conseqüente desenvolvimento do comércio, surgiu na Hélade uma nova classe social: a classe dos mercadores e dos artesãos, que rapidamente se enriqueceu, tornando-se rival dos Eupatridas. A possa de terras deixa, assim, de ser a única forrna de riquezas. O próprio Sólon, que, apesar de nobre, se dedicara ao comércio, coloca o ouro e a prata no mesmo nível da terra. As mudancas operadas na tática militar tiveram outrossim papel importante nas transformaçôes sociais.

Hoplita GregoAs armas de guerra, espada, lança, escudo, diminuem de tamanho, tornando-se acessíveis a nova classe media. Surge, nessa época, o guerreiro tipico da Grécia: o hoplita (soldado de infantaria pesadamente armado), que, pelas próprias condições de seu armamento, não podia lutar sozinho. Aparecem então as falanges. Os navios de guerra, uma vez que o comércio Marítimo aperfeiçoara a construcão das naus, adquirem grande importância, crescendo, com isso, o número. de remeiros. Dependendo destes e dos hoplitas para proteger a pólls, os Eupátridas, pouco a pouco, perderam o rnonopólio de defendé-la. E como a defesa da cidade implicava no direito de dirigi­la, a “nova classe” passou a fazer reivindicacöes políticas.

Não seria, talvez, fora de propósito acentuar a importância que teve nas origens da pólls o desaparecimento do herói, do guerreiro como categoria social particular e como um homem dotado de uma areté e de uma timé específicas. A transformação do guerreiro da epopéia em hoplita, combatente em formação cerrada, assinala não apenas uma revolucao na técnica militar, mas traduz também no plano social, religioso e psicológico uma mutação decisiva.

De outro lado estavam os camponeses endividados, cuja situação era degradante. Vigorava desde a época dos Eupátridas a hipoteca somática (hipoteca do próprio corpo, bem como dos membros da famllia), o que fatalmente conduzia a escravidão.

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O Direito

Conveniente deixar claro que o problema da posse da terra e do direito grego não parece de todo resolvido. Levando-se em conta algumas metaforas elásticas da poesia de Sólon, é possível fazer uma idéia aproximada do que realmente se passava a época de Hesíodo ate as reforrnas soloninas. Tudo indica que o pequeno proprietário tinha sua terra onerada de dividas, seja porque o camponés, desde os tempos da insegurança geral do domlnio dório, fosse obrigado ou forçado a pagar aos nobres um preço pela proteção que estes Ihes davam a terra, seja porque os produtos da mesma eram taxados pelos Eupátridas. De qualquer forma, a inadimplência levava o trabalhador e sua família a escravidâo. Qualquer que fosse a conjuntura e, embora não se tenharn condições de ser muito preciso sobre a mesma, o fato que a revolução era iminente, quando entrou em cena o grande reformador ateniense Sólon. Este afirma categoricamente em seus versos que “libertou a terra e que trouxe de volta a Atenas rnuitos de seus filhos que haviam sido vendidos como escravos”.

Pelo que se sabe, ate o momento, da Linear B, não havia código algum escrito de direito no período micênico, durante toda a época dória Os helenos se tornaram ainda mais ignorantes. Só entre os séculos IX e VIII  a.e.c. é que apareceram no mundo grego vários alfabetos, que paulatinamente se unificaram, mas cuja origem é uma só: o alfabeto fenício. Pois bem, o direito grego oral, consuetudinário, estava nas mãos dos nobres, dos Eupatridas, que, por “conhecimento hereditário”, pretendiam interpretá-lo e aplicá-lo.

Era o direito baseado na thémis, “témis” (Thémis) “Têmis”, é a deusa da justiça, isto é, na justica de caráter divino, uma espécie de ordálio, cujo depositário é o rei, o eupátrida, que decide em nome dos deuses. Não foi apenas Hesíodo que se queixou dos “reis comedores de presentes, que não raro julgavam em seu próprio proveito. Foi exatarnente com isto inclusive que Sólon tentou romper, substituindo a têmis pela dike, “dique”, isto é, pela justiça dos homens, baseada em leis escritas. Lamentavelmente, porém, enquanto as aristocracias não foram eliminadas, a administração da justiça continuou a ser manipulada por magistrados e conselhos aristocráticos. E a violência, que Sólon tanto se esforçou por evitar, foi inevitável. Suas reformas acabaram por desagradar a todos: aos Eupátridas, porque perderam seus privilegios e ao povo que preferia transforrnações radicais. Incapazes, portanto, de satisfazer sobretudo as aspirações populares, os legisladores foram substituídos pelos tiranos.

 
Tyrannos

Tyrannos, tirano, palavra grega, talvez provinda da Asia Menor, significou, em princlpio, “soberano, rei “, sem nenhuma conotação pejorativa, como no título da célebre tragédia de Sófocles, Odipus Tyrannos, Edipo Rei. O tirano é, as mais das vezes, um lider proveniente da aristocracia, que se une a classe media e ao povo para defendê-los contra os nobres. Os sécuios VII e VI a.e.c. na Grécia sâo dominados pelos tiranos: Pisistrato, em Atenas; Policrates, em Samos; Fálaris, em Agrigento; Gelâo, em Siracusa. . . A julgar por Atenas, Corinto, Siracusa e Samos, a tirania incentivou a agricultura; despendeu grandes somas em construções públicas; apoiou os concursos competitivos e incentivou a formação musical e atlética do povo grego. Mas, exatarnente por sua ilegitimidade e por não reconhecer limites constitucionais a seu poder, o Tyrannos acabou por tornar-se “tirano”, um verdadeiro déspota esclarecido!

Em Atenas, a bem da verdade, as coisas foram mais tranquilas: Pisístrato procurou manter as leis de Sólon e reinou a paz na Acrópole, pelo menos nos últimos dezenove anos de seu governo. “Governou, diz Aristóteles, com moderação e mais como bom cidadão do que como tirano”. Substituído pelos filhos, Hiparco e Hípias, a tirania, no entanto, não durou rnuito em Atenas. Mas quando, em 510 a.e.c., a mesma foi derrubada, o povo ateniense ja estava bastante amadurecido para tomar o governo em suas mãos. Ia começar realmente a democracia com Clístenes.

 

Conclusão

Se Hesíodo viveu e escreveu nos fins do século VIII a.e.c., também ele participou de uma parcela desse tumultuado período de transição por que passaram tantas cidades da Hélade.

Portanto, Hesíodo assim criou, o antidoto religioso que ele nos apresenta para os males de seu século, bem como seus sonhos e conselhos para os séculos futuros. Poder-se-ia pensar que o poeta de Ascra tem pouco a ver com os fatos. Não é assim. Quem procurou, na Teogonia, partir do Caos para a Justiça, cifrada em Zeus, e nos Trabalhos e Dias conjugar o trabalho com a justiça está inteiro em seu século e nos séculos vindouros!

 

 

Referência Bibliográfica:

  1. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega Vol I 18ª Edição, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2004.
  2. GIORDANI, Mario Curtis. Historia da Grécia, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2000;
  3. MORKOT Robert, Historical Atlas of Ancient Greece, London, Penguin Group, 1996;
  4. www.wikipedia.org.

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