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PERSONALIDADES | Psicanálise
Erik Homburger Erikson
Psicólogo, Psicanalista
Psicanálise,   
Viveu em:
Nascimento:
15 Junho, Frankfurt, Alemanha 1902 e.c.
Morte:
12 Maio, Harwich, EUA 1994 e.c.
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Publicado por:
Odsson Ferreira | 7 Sep , 2020 - 10:31 | Atualizado em: 9/8/2020 1:23:41 PM
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Notas
Referências bibliográficas
Mais de Psicanálise
ABNT
Feist,
Jess,
Feist
Gregory J.,
Roberts,
Tomi-Ann.
Erikson: Teoria pós-freudiana.
in:
Teorias da Personalidade.
4ª Ed.
Porto Alegre/RS:
Artmed,
2000.
Cap. 8.
p.146-148.
APA
Feist,
 
J.
Feist
G.
Roberts,
T.
(2000).
Erikson: Teoria pós-freudiana.
in:
C.
Hall,
G.
Lindzey,
J.
Campbell.
(Ed.),
Teorias da Personalidade.
(pp.146-148).
Porto Alegre/RS:
Artmed.
Psicologia, psicanálise, Teoria pós-freudiana
Por Gregory J. Feist
CRONOLOGIA

Quando criança, Erik Salomonsen tinha muitas perguntas, mas poucas repostas, acerca de seu pai biológico. Ele sabia quem era sua mãe - uma bela dinamarquesa judia, cuja família se esforçava muito para parecer dinamarquesa, em vez de judia. Mas quem era o pai dele?
Nascido em uma família uniparental, o menino teve três crenças distintas quanto às suas origens. Inicialmen­te, ele achava que o marido da mãe, um médico chamado Theodor Homburger, fosse seu pai biológico. No entanto, quando Erik cresceu, começou a perceber que aquilo estava incorreto, porque seu cabelo loiro e olhos azuis não combi­navam com as características morenas dos pais. Ele pres­sionou a mãe por uma explicação, mas ela mentiu e disse que um homem chamado Valdemar Salomonsen - seu primeiro marido - era seu pai biológico e que ele a abando­nou depois que ela ficara grávida de Erik. Entretanto, Erik não acreditou muito nessa história, porque ele sabia que Salomonsen tinha deixado sua mãe quatro anos antes de ele nascer. Por fim, Erik optou por acreditar que ele era o resultado de uma ligação sexual entre sua mãe e um dina­marquês aristocrata com dons artísticos. Por quase todo o resto de sua vida, Erik acreditou nessa terceira versão. No entanto, continuou a procurar a sua identidade enquanto buscava o nome de seu pai biológico.

Durante a época da escola, as características escandi­navas de Erik contribuíram para sua confusão de identi­dade. Quando ia ao templo, seus olhos azuis e cabelo loiro faziam com que parecesse um estrangeiro. Na escola públi­ca, seus colegas arianos se referiam a ele como um judeu; portanto, Erik se sentia deslocado nos dois ambientes. Por toda a sua vida, ele teve dificuldade em se aceitar como ju­deu ou gentio.

Quando sua mãe morreu, Erik, então com 58 anos, te­meu nunca vir a conhecer a identidade de seu pai biológico. Mas perseverou em sua busca. Assim, mais de 30 anos de­pois e quando sua mente e corpo começavam a deteriorar, ele perdeu o interesse em saber o nome do pai. Contudo, continuou a apresentar alguma confusão de identidade. Por exemplo, falava principalmente em alemão - a língua de sua juventude - e raras vezes falava em inglês, seu prin­cipal idioma por mais de 60 anos. Além disso, manteve, por muito tempo, afinidade com a Dinamarca e o povo dina­marquês e tinha um orgulho distorcido em exibir a bandei­ra da Dinamarca, um país no qual nunca viveu.

Quem era Erik Erikson? Ele era dinamarquês, alemão ou estadunidense? Judeu ou gentio? Artista ou psicanalista? O próprio Erikson tinha dificuldade em responder a essas perguntas e passou quase toda a vida tentando determinar quem ele era.

Nascido em 15 de junho de 1902, no sul da Alemanha, Erikson foi criado por sua mãe e por seu padrasto, mas permaneceu sem saber a verdadeira identidade do pai bio­lógico. Para descobrir esse nicho em sua vida, Erikson se aventurou para longe de casa durante o final da adolescên­cia, adotando a vida de artista e poeta ambulante. Depois de quase sete anos de perambulação e procura, ele voltou para casa confuso, exausto, deprimido e incapaz de dese­nhar ou pintar. Nessa época, um evento fortuito mudou sua vida: ele recebeu uma carta de seu amigo Peter Blos convidando-o a ensinar crianças em uma nova escola em Viena. Uma das fundadoras da escola era Anna Freud, que se tornou não só a empregadora de Erikson como também sua psicanalista.

Enquanto se submetia ao tratamento analítico, ele en­fatizou para Anna Freud que seu problema mais difícil era a busca pela identidade do pai biológico. No entanto, Anna [146] Freud não foi muito empática e disse a Erikson que ele de­veria parar de fantasiar sobre seu pai ausente. Ainda que Erikson, em geral, obedecesse a sua psicanalista, ele não podia seguir o conselho de parar de tentar saber o nome de seu pai.
Enquanto estava em Viena, Erikson conheceu e, com permissão de Anna Freud, casou-se com Joan Serson, uma dançarina canadense, artista e professora que também ti­nha feito psicanálise. Com seu histórico psicanalítico e sua facilidade com a língua inglesa, ela se tornou uma editora valiosa e ocasional coautora dos livros de Erikson.

Os Erikson tiveram quatro filhos: os meninos Kai, Jon e Neil e a menina Sue. Kai e Sue seguiram carreiras profissio­nais importantes, mas Jon, que compartilhava a experiência do pai como artista ambulante, trabalhava como operário e nunca se sentiu emocionalmente próximo dos pais.
A busca de Erikson pela identidade o fez passar por algumas experiências difíceis durante seu estágio de desenvolvimento adulto (Friedman, 1999). De acordo com Erikson, esse estágio requer que uma pessoa cuide dos fi­lhos, dos produtos e das idéias que ela gerou. Sob tal aspecto, Erikson não chegou a atingir seus próprios padrões. Ele não conseguiu cuidar bem de seu filho Neil, que nas­ceu com síndrome de Down. No hospital, enquanto Joan ainda estava sedada, Erik concordou em colocar Neil em uma instituição. Então, foi para casa e contou aos três ir­mãos mais velhos que seu irmão havia morrido ao nascer. Mentiu para os filhos como sua mãe havia mentido para ele acerca da identidade do pai biológico. Posteriormente, ele contou a verdade ao filho mais velho, Kai, mas continuou a enganar os dois filhos mais moços, Jon e Sue. Ainda que a mentira de sua mãe o tenha angustiado muito, ele não entendia que sua mentira a respeito de Neil poderia, mais tarde, angustiar seus outros filhos. Ao enganar seus filhos, Erikson violava dois de seus próprios princípios: “Não min­ta para as pessoas com quem você se importa” e “Não co­loque um membro da família contra o outro". Para agravar a situação, quando Neil morreu, com cerca de 20 anos, os Erikson, que estavam na Europa na época, chamaram Sue e Jon e os instruíram a tomar as providências para o funeral de um irmão que eles nunca haviam encontrado e apenas recentemente tinham sabido que existia (Friedman, 1999).

Erikson também procurou sua identidade por meio das diversas trocas de emprego e locais de residência. Sem credenciais acadêmicas, ele não tinha uma identidade profissional específica e era conhecido tanto como artista quanto como psicólogo, psicanalista, clínico, professor, antropólogo cultural, existencialista, psicobiógrafo ou intelec­tual público.

Em 1933, com o fascismo em alta na Europa, Erikson e sua família saíram de Viena para a Dinamarca, esperando obter a cidadania dinamarquesa. Quando os oficiais dina­marqueses recusaram esse pedido, ele saiu de Copenhagen e imigrou para os Estados Unidos. Nos EUA, mudou seu nome de Homburger para Erikson. Essa mudança foi um ponto de virada crucial em sua vida, porque representava a retirada de sua identifica­ção judaica anterior. Originalmente, Erikson se ressentia com qualquer insinuação de que estaria abandonando sua identidade judaica ao mudar de nome. Ele refutava essas acusações indicando que usava seu nome completo - Erik Homburger Erikson - em seus livros e ensaios. No entanto, conforme o tempo passou, ele retirou seu nome do meio e o substituiu pela inicial H. Assim, essa pessoa que, no final da vida, era conhecida como Erik H. Erikson, anteriormen­te tinha se chamado Erik Salomonsen, Erik Homburger e Erik Homburger Erikson.

Nos EUA, Erikson continuou seu padrão de mudan­ça de um lugar para outro. Primeiro, instalou-se na área de Boston, onde estabeleceu uma prática psicanalítica mo­dificada. Sem credenciais médicas, nem qualquer tipo de formação universitária, aceitou cargos de pesquisa no Hospital Geral de Massachusetts, na Escola Médica de Harvard e na Clínica Psicológica de Harvard.

Querendo escrever, mas precisando de mais tempo do que sua agenda ocupada em Boston e Cambridge permi­tia, Erikson assumiu uma posição em Yale em 1936, mas, depois de dois anos e meio, mudou-se para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, mas, não antes de viver com o povo da nação Sioux, na reserva de Pine Ridge, em Dakota do Sul, e estudá-lo. Mais tarde, ele viveu com o povo da na­ção Yurok, no norte da Califórnia, e essas experiências em antropologia cultural acrescentaram riqueza e abrangência a seu conceito de humanidade.

Durante seu período na Califórnia, Erikson, gradual­mente, desenvolveu uma teoria da personalidade, inde­pendente, mas não incompatível com a de Freud. Em 1950, Erikson publicou Infância e, um livro que, à primeira vista, parece ser uma mistura de capítulos não relacionados. O próprio Erikson originalmente teve algu­ma dificuldade em encontrar um tema comum subjacen­te aos tópicos como a infância em duas tribos de nativos norte-americanos, o crescimento do ego, os oito estágios do desenvolvimento humano e a infânda de Hitler. No en­tanto, ele acabou reconhecendo que a influência de fatores psicológicos, culturais e históricos sobre a identidade era o elemento subjacente que unia os vários capítulos. Infância e sociedade, que se tornou um clássico e deu a Erikson uma reputação internacional como pensador imaginativo, permanece como a melhor introdução a sua teoria da persona­lidade pós-freudiana.

Em 1949, os coordenadores da Universidade da Cali­fórnia requereram que os membros do corpo docente assi­nassem um compromisso de lealdade aos Estados Unidos. Tal demanda não era incomum durante aqueles dias, quan­do o senador Joseph McCarthy convenceu muitos norte-americanos de que os comunistas e seus simpatizantes estavam preparados para derrubar o governo dos Estados [147] Unidos. Erikson não era comunista, mas, por uma questão de princípios, recusou-se a assinar o compromisso. Ainda que o Comitê de Privilégios e Mandato tenha recomendado que ele mantivesse o cargo, Erikson deixou a Califórnia e voltou para Massachusetts, onde trabalhou como terapeu­ta em Austen Riggs, um centro de tratamento para forma­ção psicanalítica e pesquisa localizado em Stockbridge. Em 1960, ele voltou para Harvard e, pelos 10 anos seguintes, esteve no cargo de professor de desenvolvimento humano. Após se aposentar, Erikson continuou uma carreira ativa - escrevendo, palestrando e atendendo alguns pacientes. Durante os primeiros anos de sua aposentadoria, morou em Marin County, Califórnia; Cambridge, Massachusetts; e Cape Cod. Durante todas essas mudanças, Erikson con­tinuou a procurar pelo nome de seu pai. Morreu em 12 de maio de 1994, aos 91 anos.

Quem era Erik Erikson? Ainda que ele mesmo não te­nha conseguido responder a essa pergunta, outras pessoas podem saber a respeito desse indivíduo conhecido como Erik Erikson, por meio de seus livros, palestras e ensaios brilhantemente construídos.

Os trabalhos mais conhecidos de Erikson incluem In­fância e sociedade (1950,1963,1985); O jovem Luther (Man Luther, 1958); Identidade: juventude e crise (1968); A verdade de Gandhi (Gandhi's Truth, 1969), um livro que ganhou o prêmio Pulitzer e o National Book Award; Dimensões de uma nova identidade (Dimensions of a New Identity, 1974); História de vida e o momento histórico (Life History and the Historical Moment, 1975); Identidade e o ciclo da vida (Identity and the Life Cycle, 1980); e O ciclo de vida completo (1982). Stephen Schlein compilou muitos dos trabalhos de Erikson em Uma forma de olhar para as coisas (A Way of Looking at Things) (Erikson, 1987). [148]

Notas
Referências
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