Impresso em 11/12/2018 às 07:33h. Civilização Hitita -
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Seus títulos são "Meu Sol ", "Grande Rei" e "Rei de Hatti". O nome, provavelmente de origem luvita, significa "conquistador" (ou em hitita = "o poderoso"). Seu nome hurrita foi Sharri-Teshub. Sua mulher foi Tanu-Hepa. Seu irmão era Hattusili (o futuro Rei Hattusili III) que era sacerdote da deusa Saushka e durante o reinado foi governador da Terra Alta hitita e depois foi rei vassalo de Hakpis. Tinha uma irmã, Massanauzzi, que se casou com o rei Masturi de Seha. Sabe-se que teve ao menos dois filhos: Urhi-Teshub, que depois foi seu sucessor (como Rei Mursili III); e Ulmi-Teshub ou Kurunta. Um primo seu, Arma-Tarhunta, filho de Zida (irmão de Suppiluliuma I), foi governador da Terra Alta Hitita (antecessor no cargo de Hattusili).

Sucedeu a seu pai Mursili II aparentemente sem problemas dinásticos. Muwatalli renovou o Tratado com Talmi-Sarruma de Khalap feito com o pai Mursili II. Talmi-Sarruma foi contemporâneo de Sahurunuwa, rei de Karkemish, filho de Sarri-Kusuh, com o que provavelmente fez o mesmo.

No início do reinado de Muwatalli o sul da Síria foi conquistado pelo Faraó Sethi I que se apoderou de Amurru e Kadesh, territórios que tinham sido perdidos no tempo de Akhenaton e malgrado as tentativas de Tutankhamon e Horemheb os hititas conseguiram conservá-los. Mas Sethi não conseguiu manter essa conquista e com certeza fez um tratado reconhecendo a fronteira ao sul de Kadesh.

Muwatalli II fez expedições contra os kaskas em Sadduppa e Dankuwa; certa expedição contra os kaskas foi dirigida também por seu irmão Hattusili, pelo que o Grande Rei o nomeou governador em Pitteyarika, não longe de Samuha, mas não lhe deu as forças militares que Hattusili reclamava. Ainda assim Hattusili atacou os kaskas e derrotou-os nas proximidades de Hahha, onde deixou uma estela comemorativa, devolvendo aos hititas suas terras anteriores. Os chefes kaskas prisioneiros foram enviados para o seu irmão Muwatalli. Esta vitória fez com que Muwatalli o nomeasse chefe da guarda real (o terceiro cargo do Império após o rei e o príncipe-herdeiro) e também o fez como sumo sacerdote do deus das tempestades de Nerik (que era cultuado em Hakpis, porque Nerik permanecia despovoada na zona dominada pelos kaskas) , e nomeou de fato governador da Terra Alta hitita com Samuha, Pitteyarika, Hakpis, Istahara, Tarahna, Hattina e Hanhana como principais cidades, todas à beira dos territórios kaskas.

O antigo governador, Arma-Tarhunta, filho de Zida (irmão de Suppiluliuma I), ficou relegado a uma posição secundária, da qual não gostou e começou a espalhar rumores sobre Hattusili (acusado de se dedicar à bruxaria) que no final chegaram a Muwatalli, que começou a suspeitar de seu irmão, o qual respondeu acusando a Arma-Tarhunta do mesmo. Sendo assim o Rei os fez passar um teste religioso (a Divina Roda) que Hattusili superou. Arma-Tarhunta foi condenado por bruxaria junto com sua mulher e filhos e as suas terras confiscadas e entregues a Hattusili. A única exceção foi que o Rei declarou inocente a um dos filhos, Sippa-Ziti.

Mas na execução da sentença, por piedade, como Arma-Tarhunta era um familiar e já era velho, e o confisco foi apenas de metade das suas terras, e o acusado, mulher e filhos foram desterrados para Alashiya (Chipre). Desde então Hattusili recebeu as forças necessárias e venceu continuamente aos kaskas.

A oeste da Anatólia, Kupanta-Kurunta de Seha foi rei durante mais ou menos todo o reinado de Muwatalli II. Ura-Hattusha foi provavelmente rei de Hapalla. Kupanta-Lamna, filho de Mashuiluwa de Mira-Kuwaliya, descendente dos reis de Arzawa por seu pai e dos reis hititas pela mãe (a mãe era filha de Suppiluliuma I), sucedeu ao seu pai. Masha sublevou-se e atacou Wilusa, cujo rei, Alaksandu, pediu ajuda a Muwatalli II, que o acudiu e os rebeldes foram derrotados; um novo tratado estabeleceu-se com Alaksandu, que se reconhecia vassalo do Grande Rei. No tratado, o rei disse que teria que ajudar em suas campanhas contra Karkissa, Masha, Lukka e Warsiyalla. Neste tratado se menciona o Mitanni como Estado independente.

Ahhiyawa e Millawanda permaneciam independentes, a segunda governada por Atpa. Piyama-Radu, um guerreiro possivelmente de Lazba (Lesbos), de onde era o seu avô, que dirigia um contingente de desarraigados de Arzawa, pôs-se a serviço de Ahhiyawa em uma possível luta contra os hititas, e depois se casou com a filha de Atpa. Lesbos era uma dependência do rei de Seha, o qual permanecia leal aos hititas. Ahhiyawa buscou aliados contra os hititas, e, se o rei de Mira e Kuwaliya rejeitaram uma coalizão anti-hitita, o reino de Wilusa, vassalo hitita, aderiu a tal coalizão. Muwatalli enviou um exército para Seha de onde atacou Wilusa. Manapa-Tarhunta de Seha não participou, alegando estar muito doente (de acordo com uma carta teria ficado impedido e provavelmente morreu pouco depois), talvez durante esta doença, Piyama-Radu atacou Lazba onde o seu avô minara a lealdade dos da ilha aos hititas. O Saripu (delegado?) de Seha em Lazba, e o Saripu do Grande Rei hitita na ilha seriam incitados pelo avô de Piyama-Radu a rebelarem-se e acabaram aderindo à causa de Piyama-Radu. O final da historia não se conhece, em todo caso Piyama-Radu, com a ajuda dos reinos de Ahhiyawa e de Millawanda continuou o enfrentamento com os hititas durante bastante tempo. Ao final do reinado aparece como rei de Seha, Masturi, provavelmente um filho de Manapa-Tarhunta II que casou com Massanauzzi, irmã de Muwatalli II.

Em cerca de 1295 a.e.c. Adadnirari I da Assíria, alegando que fora atacado por Shattuara I de Mitanni, atacou o reino e levou o rei a Assur, e ainda que depois o retornasse ao trono do Mitanni, o foi como mero vassalo. O seu filho e sucessor, Wasashatta sublevou-se posteriormente contra a Assíria e pediu a ajuda hitita; Muwatalli aceitou o pagamento feito pelos hurritas em troca da ajuda, mas esta não foi enviada, e Adadnirari ocupou Taite (Taidu) e outras cidades, e finalmente Irridu, o último foco de resistência hurrita (que foi destruída), e fez prisioneiros aos familiares do rei levando-os, e ao tesouro real, à Assíria.

Ao assumir o trono em 1293 a.e.c., Muwatalli dividiu o império hitita em dois para melhor administrar essa grande quantidade de estados vassalos. Seu irmão, Hattusili governou o norte do império com capital em Hakemish, na fronteira setentrional do império, enquanto Muwatalli estabeleceu em 1290 a.e.c., a capital do Império do sul em uma cidade ao sudoeste do país, nas terras baixas hititas, chamada Dattassa. Hattusha foi encarregada a Mitannamuwa (que salvara a vida de seu irmão Hattusili) e era cabeça dos escribas (posto importante da Corte, que foi então ocupado por Burandaya, um dos filhos de Mitannamuwa). O motivo desta mudança, que provocou uma certa oposição, se deve com certeza a um "augúrio" dos deuses. Possivelmente foi uma escolha estratégia haja vista que a nova capital é mais próxima da Síria do que Hattusha: o Grande Rei quereria vigiar mais de perto as atividades bélicas do Egito em Canaã (Palestina) e possivelmente na Síria.

Neste momento, nas terras kaskas tinha a hegemonia a cidade de Pishuru. Ishupitta e Daistipassa, na Terra Alta hitita, eram aliadas de Pishuru e apoderando-se das terras de Landa, Marista e algumas cidades fortificadas dos hititas, estes não puderam os conter e kaskas continuaram avançando para o sul cruzando o rio Marasanda (o célebre rio Hális) e chegando até a terra de Kanis (Kanesh).

As cidades de Kurustama, Gazzuira e outra cujo nome não é possível ler (mas que começa por Ha ...) se uniram aos kaskas e atacaram as cidades hititas das proximidades. Durmitta também ficou sob controle kaska e atacou a região de Tuhuppiya. Os kaskas não encontraram nenhum obstáculo na terra de Ippasanama, e puderam seguir em diante até atacar a terra de Suwatara. Apenas duas cidades, uma delas Istahara (a outra não é identificável) escaparam aos ataques kaskas.

Nestas circunstâncias Muwatalli decidiu criar um reino vassalo ao norte para o seu irmão Hattusili, com o encargo de conter os kaskas. A corte real fez-se cargo de fortificar Anziliya e Tapikka, que pertenciam ao novo reino, mas o Grande Rei se recusou a fazer campanha em Durmitta e Kurustama porque já era responsabilidade de Hattusili, e retornou a Dattassa deixando o seu irmão sozinho com seus próprios recursos. As terras do novo reino, estavam quase todas nas mãos do kaskas e o mesmo Hattusili menciona-as como "terras vazias" (o reino era formado por Ishupitta, Marista, Hisashapa, Katapa, Hanhana, Darahna, Hattena, Durmitta, Pala, Tummanna, Gasiya, Sappa, o Rio Hulanna, Hakpis e Istahara, as duas últimas em "servidão", provavelmente administradas mas não faziam parte do reino). A capital foi Hakpis. A autonomia do rei era ampla com território de fronteira em parte por conquistar. O novo rei, com uma eficaz combinação militarismo e diplomacia conseguiu em dez anos restabelecer a ordem e repovoar muitas regiões. O ponto-chave da campanha foi a vitória militar sobre a cidade de Pishuru, que tinha conquistado de Taggasta até Talmaliya além de Karahna e Marista e reuniu um exercido com 800 carros de combate e numerosa infantaria; Pishuru foi derrotada decisivamente em Wistawanda quando o exército kaska vai se debandar quando da morte de seu chefe. Muwatalli enviou apenas 120 carros e não enviou infantaria. A reconquista das cidades hititas foi simples. Hattusili erigiu uma estela em Wistawanda.

A região da Síria era de grande importância econômica. Egípcios e Hititas se enfrentaram várias vezes pela posse dessa região, onde a cidade de Kadesh tinha importância estratégica e ficava na zona limítrofe dos Impérios Egípcio e Hitita. Durante o reinado de Muwatalli II o Faraó Sethi I tentou infrutiferamente dominar a região que continuou sob vassalagem aos Hititas. Seu sucessor Ramsés II intentou dominar a região e disso resultou uma das batalhas mais conhecidas do mundo antigo: a Batalha de Kadesh.

No quarto ano do seu reinado, Ramsés II visitou a Fenícia e fixou marcos fronteiriços nos limites de seu império na Ásia. Ao fazê-lo, avançou intencionalmente sobre terras que Tuthmose III (1479 - 1425 a.e.c.) conquistara no passado, mas que depois foram perdidas para os hititas, principalmente nos tempos de Akhenaton (1353 - 1335 a.e.c.). A intenção do Faraó era reconquistar Kadesh ao Egito e no ano seguinte avançou com um numeroso exército sobre o vale do rio Orontes.

Para deter a investida egípcia, Muwatalli II, mobilizou seu exército e convocou seus aliados: contingentes de Mitanni, Arzawa, Masha, Pitassa, Arawanna, Karkisa, Lukka, Kizzuwatna, Karkemish, Ugarit, Khalap, Nuhase, Kadesh além de outros contingentes (de Hakpis, onde reina seu irmão, certamente, e provavelmente de Seha, Mira e Kuwaliya, Hallapa, Wilusa ...).

Toda essas hostes foram reunidas próximo à fortaleza de Kadesh, com o propósito de bloquear o progresso dos exércitos egípcios, os quais contavam com as tropas negras da Núbia (Sudão), que tanto terror inspiravam aos asiáticos, além de outros mercenários. Segundo historiadores, as forças hititas eram em maior número, mas as do Egito estavam melhor preparadas. Enganado pelo relato de prisioneiros hititas (que se deixaram capturar), Ramsés acreditou que Muwatalli ainda se encontrava em Haleb (Alepo), seguindo rumo a Kadesh.

Foi então que planejou capturar a fortaleza, antecipando-se à chegada das forças hititas. Imprudentemente o Faraó avançou acompanhado apenas por sua guarda pessoal e uma divisão do exército (a de Rá) enquanto o grosso das hostes ficavam para trás. Próximo a Kadesh, Ramsés II percebeu que caíra em uma armadilha.

Forças hititas, que haviam se ocultado ao norte da fortaleza, cortaram ao meio e dizimaram a divisão de Ra e tomaram o acampamento do Faraó, que cercado, teve que lutar pela própria vida, abrindo caminho à força, com seus carros, através da massa de carros inimigos, para juntar-se à divisão Ptah, que corria em seu auxílio. Com a chegada das outras divisões, as forças egípcias desbarataram os carros hititas, empurrando-os para o rio, em cujas águas muitos pereceram. Nesse dia tombaram: Kameyaza e Todal (chefes dos tuhiru), Garbatusa, Samirtusa, Mezarima, Zauazasa (chefe dos tuisas), além do próprio irmão do rei hitita, Sapajar.

Diante do fracasso de sua estratégia, Muwatalli retirou-se com o resto de seu exército para o norte, enquanto os egípcios, exaustos e com pesadas baixas, não se dispuseram a persegui-lo. Ramsés preferiu retornar ao Egito, onde ele e seus generais trataram de divulgar o resultado da batalha como uma retumbante vitória. Porém, Kadesh continuou sob domínio hitita. Em termos estratégicos, a Batalha de Kadesh terminou sendo um "empate técnico". Os hititas foram derrotados em combate, mas impediram o avanço egípcio no vale do Orontes.

Após a Batalha de Kadesh, Muwatalli combateu então os pequenos reis locais da Síria. Amurru teve que submeter-se novamente e o rei Ben-Teshina foi derrubado e posto em seu lugar um tal Sapili.

O rei ainda conquistou Apa (Damasco?) mais ao sul, e depois retornou ao Hatti. Ben-Teshina, deportado, ficou sob os cuidados de Hatusili em Hapkis. Ao lado, selo real de Muwatalli II.

Hatusilli ao voltar a seu país passou por Lawazantiya onde fez oferendas à deusa Saushka e casou-se com Pudu-Hepa, irmã de Pentib-Sarria, grande sacerdote de Lawazantiya, casamento que talvez não teve a aprovação real. Depois voltou para o norte, ao seu reino de Hakpis onde fortificou Hawarkina e Dilmun, mas estourou uma revolta contra ele. Hattusili, na falta de ajuda do Grande Rei, convocou seus aliados kaskas e esmagou a rebelião. Durmitta, Ziplanda, Hattena, Hakpis, Istahara e outras cidades seriam restauradas e repovoadas. Parece que Hattusili chegou a administrar até Hattusha, a antiga capital.

Ao morrer Muwatalli II as disputas sucessórias foram importantes. Urhi-Teshup, filho de segundo escalão, sem esperanças de sucessão, viu-se empurrado por circunstâncias especiais a uma posição em que parecia o herdeiro aparente. Finalmente foi o sucessor adotando também o nome monárquico de Mursili (III).

 

 
Notas:
Referências:

BIBBY, Geoffrey, Als Troja brannte und Babylon fiel, Das mythische Zeitalter unserer Kultur, Hamburg, 1964;

CERAM, CW. Le secret des Hittites. Traduit par Henri Daussy. Paris, Librairie Plon;

CONTENAU, G. La civilisation des Hittites et des Hurrites du Mitanni: Payot, Paris 1951;

GOTZE, ALbrecht, Zur Chronologie der Hethiterkonige em "Pesquisas na Ásia Menor", vol. I fasc. I, Weimar, 1927;

LEHMANN, Johannes. Os Hititas: Hemus, São Paulo, 2004.

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FERREIRA FH., O.A. . Portal Templodeapolo.net, Porto Alegre-RS. Disponível em: -. Consulta: 11/12/2018.